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10 Obras para Você Conhecer Chopin

Atualizado: 10 de set. de 2022

Esse formato é interessante para quem não tem um repertório muito grande. Vou falar de algumas das principais obras do compositor polonês Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849) ou Frédéric François Chopin, tradução que adotou quando se mudou para Paris.


Chopin viveu pouco, chegou aos 39 anos, e sempre teve a saúde muito frágil. Sofria com tuberculose. Ele elevou o piano a um status antes inimaginado. Se Beethoven transformara o instrumento no veículo para as mais profundas expressões, Chopin (e Liszt e Schumann) o daria recursos para que sua técnica fosse explorada ao máximo.


Resume-se quase integralmente ao piano solo, a obra de Chopin. Além disso, temos peças com piano: os dois Concertos para Piano e Orquestra, outras obras concertantes para piano e orquestra, a Sonata para Violoncelo e Piano e pouco mais. Mas é uma obra respeitável e absolutamente encantadora.


A obra canônica do compositor é a seguinte (onde não for especificado, é para piano solo):

  • 2 Concertos para Piano e Orquestra

  • 4 Baladas

  • 4 Scherzos

  • 4 Impromptus (o nome significa Improvisos, mas era música anotada)

  • 3 Sonatas

  • 26 e 1/2 Prelúdios

  • 19 Canções Polonesas, para voz e piano

  • 24 Estudos + 3 Novos Estudos

  • 58 Mazurkas

  • 21 Noturnos

  • 23 Polonaises

  • 19 Valsas

  • 1 Sonata para Piano e Violoncelo

  • 1 Trio para Piano, Violino e Violoncelo

  • Algumas obras avulsas

Veja 10 obras que o farão se encantar por Chopin.


Frédéric Chopin
Chopin é um dos primeiros artistas de quem temos fotos ou Daguerreótipos.
Frédéric Chopin por Eugène Delacroix
Também foi pintado por ninguém menos que Eugène Delacroix.
 

I. Concerto para Piano e Orquestra Nº 1, em Mi Menor, Op. 11 (1830)


Um jovem músico promissor se despede de seu país para ganhar a Europa ocidental. Para a despedida, ele compõe dois Concertos para Piano. Os dois poderiam ser citados aqui, mas vamos nos ater a um só. O primeiro, mais dramático e romântico. Seu primeiro movimento é de uma beleza trágica singular. Já o segundo movimento, é de uma paz quase libertadora. O finale tem ritmos e síncopes bem polonesas.


O Primeiro Concerto foi escrito depois do Segundo, mas publicado antes, por isso ficou com o número 1.



Gravação recomendada - Nelson Freire ao piano, com a Orquestra Sinfônica NDR, regida por Heinz Wallberg


 

II. Balada Nº 1, em Sol Menor, Op. 23 (1835)


Obs. A Balada Nº 4 também poderia estar aqui. Chopin compôs 4 Baladas (veja aqui), que estão entre as suas obras mais adoradas. A primeira é de uma melodicidade cativante, e é uma peça muito poderosa. Ela aparece no filme "O Pianista", de Roman Polanski, em uma cena arrepiante em que o pianista judeu Władysław Szpilman a toca para um oficial nazista. Com dois temas principais, que são levados às últimas consequências, é uma das obras mais importantes de Chopin.


Gravação recomendada - Maurizio Pollini


 

III. Scherzo Nº 2, em Si Bemol Menor, Op. 31 (1837)


Os 4 Scherzos estão entre as peças mais virtuosísticas e difíceis de Chopin. Se considerarmos que os Estudos são obras para refinar a técnica de um pianista, os Scherzos, assim como as Baladas, partem do princípio de que a técnica do pianista já está bem acabada.


O Scherzo Nº 2 é uma peça muito interessante, com suas perguntas e respostas (a frase inicial, em sotto voce, é uma pergunta, a seguinte, em fortíssimo, é a resposta). A seção central é mágica.


Gravação recomendada - Nelson Freire


 

IV. Sonata para Violoncelo e Piano, em Sol Menor, Op 65 (1847)


A brilhante e melancólica Sonata para Violoncelo e Piano é uma das obras mais representativas da maturidade de Chopin (lembremo-nos que ele só viveu até os 39 anos). Ele já havia experimentado escrever para esses dois instrumentos juntos antes: uma Introdução e Polonaise Brillante e o Grand Duo Concertant.


A Sonata é brilhantemente escrita tanto para o piano quanto para o violoncelo. Mas mais do que isso, é uma peça forte, um pouco doce e amarga, repleta de melodias maravilhosas. O curto movimento lento (III. Largo) é de uma delicadeza absurda.


Gravação recomendada - Mstislav Rostropovich (violoncelo) e Martha Argerich (piano)


 

V. Barcarola, em Fá Sustenido, Op. 60 (1846)


A Barcarola é muito tocada, uma das peças mais conhecidas de Chopin. Barcarola é um ritmo musical, que imita o balançar de um barco. Para isso, usa uma métrica de três tempos (aliás, o compasso aqui é 12/8, que é de 4 tempos, mas tem a intenção de três).


É uma das obras de Chopin que se baseiam em poucos acordes, alternando, não raro, entre dois. Mas ele consegue construir melodias notáveis, além de uma narrativa, que parte de um cenário solitário, passa para um de triunfo e depois volta ao sossego.


Gravação recomendada - Arthur Rubinstein


 

VI. Fantasia em Fá Menor, Op. 49 (1841)


Essa Fantasia, peça avulsa (Chopin não compôs outras fantasias), é incrível. Uma obra muito adorada pelos músicos, tem um caráter de improviso, mas um muito virtuosístico. Dentre as peças de 1 movimento apenas, talvez seja a mais longa, podendo durar cerca de 12 minutos.


É uma música ambiciosa, com uma harmonia impecável.


Gravação recomendada - Claudio Arrau


 

VII. Noturno Nº 13, em Dó Menor, Op. 48-1 (1841)


É o meu Noturno favorito, e talvez o mais bem escrito. Ele se baseia todo nas notas Sol, Lá bemol, Sol. 3 notinhas no contratempo. Com esse minúsculo material, Chopin vai construindo uma obra tão bela e atormentada, que encanta todos até hoje.


Escolhi a gravação de Alexis Weissenberg, porque, para mim, não há outra igual. Mas ela não é para todo mundo. No ápice da música ele exagera no drama. Acho que, às vezes, podemos nos permitir um pouco de vulgaridade. Escute também Claudio Arrau e Nelson Freire.


Gravação recomendada - Alexis Weissenberg


 

VIII. Fantaisie-Impromptu em Dó Sustenido Menor, Op. Póstumo 66 (1834)


Chopin não gostava dessa peça. Achava uma imitação da Sonata Ao Luar, de Beethoven. Mas isso não a impediu de ser publicada depois de sua morte, e de se tornar uma de suas músicas mais conhecidas. Eu a incluo nesta lista porque a escrita para piano é simplesmente de tirar o fôlego. Temos que admitir, é uma peça muito bela.



Gravação recomendada - Daniil Trifonov


 

IX. 24 Prelúdios, Op. 28 (1839)


Assim como Johann Sebastian Bach, muitos anos antes, Chopin empreendeu compor 24 Prelúdios, um em cada tonalidade (maior e menor). São miniaturas, alguns duram meros 30 segundos, mas abrangem uma gama de sentimentos e sensações imensa, além de toda a técnica pianística de então.


Pianistas ganham prêmios (Grammy, Diapason D´Or, Gramophone) por suas interpretações dos Prelúdios.


Gravação recomendada - Martha Argerich


 

X. Sonata para Piano Nº 2, em Si Bemol Menor, Op. 35 (1839)


Também a Sonata Nº 3 poderia estar aqui. Acontece que a Nº 2 é mais conhecida, especialmente pelo seu 3º movimento, que é uma Marcha Fúnebre, e é igualmente bem acabada. Do atormentado 1º movimento, com melodias marteladas, passamos para um Scherzo diabólico.


O terceiro movimento é aquela Marcha Fúnebre que todo mundo conhece. O que nem todo mundo conhece é a beleza das suas frases internas, que trazem um alívio e uma calma tão esperados. O último movimento é um enigma, ninguém sabe por que Chopin escreveu uma música tão aparentemente sem sentido. Super ligeiro e curto, dura 1 minuto e meio.


Gravação recomendada - Mitsuko Uchida


 

Escolha uma e insista nela. Fiz a playlist com as peças tocadas pelos pianistas recomendados. Está no Spotify. Daqui, você pode extrapolar e acabar se tornando um conhecedor profundo de Chopin.


Ou, se quiser, escute abaixo:



 

E, como sempre, o encorajamos a comentar. Nosso dever é difundir a música clássica, e não sabemos exatamente se estamos conseguindo. Às vezes parecemos rádio-amadores, transmitindo para as galáxias (possivelmente) solitárias. Seu comentário faria muita diferença. Pode ser de pirraça, de elogio, de desabafo, de conversa. O que for. Agradecemos. Algumas postagens importantes. Uma opção para o dilema de tocar ou não Música Russa nos concertos hoje em dia. Um "pequeno" Glossário de termos musicais. Aqui, 10 Livros Sobre Música Clássica Veja aqui: Como Ouvir Música Clássica Vamos Entender a Orquestra Sinfônica Música Clássica é Elitista? Preconceito Contra Música Clássica O Movimento HIP (Interpretações Historicamente Informadas) César Franck, o Aluno dos seus Alunos Rachmaninoff ou Rachmaninov? Como se pronuncia e escreve? Música Calada, A Arte de Federico Mompou As Melhores Orquestras do Mundo: Vol. 1 - Filarmônica de Berlim Vol. 2 - Orquestra do Concertgebouw, Amsterdã Vol. 3 - Filarmônica de Viena Perfil da pianista portuguesa Maria João Pires, postagem da nossa correspondente prodígio lusitana Mariana Rosas, do Blog Pianíssimo (www.pianissimo.ovar.info). Perfil da violinista francesa Ginette Neveu, falecida aos 30 anos em um acidente de avião, em 1949. Perfil do pianista brasileiro Nelson Freire, considerado um dos maiores dos tempos modernos e falecido em 2021. Veja também: Músicas Fofinhas 1 - Humoreske, de Dvořák Músicas Fofinhas 2 - Melodia de Orfeu, de Gluck/Sgambati Músicas Fofinhas 3 - Pavane pour une Infante Défunte, de Ravel Músicas Fofinhas 4 - Caixinha de Música Quebrada, de Villa-Lobos Músicas Fofinhas 5 - Fantasia Tallis, de Vaughan Williams Músicas Fofinhas 6 - Abertura Tannhäuser, de Wagner Músicas Fofinhas 7 - Rêverie, de Debussy E veja nossas famosas listas:

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2 Comments


helionpovoaneto
Sep 10, 2022

Por coincidência, conheci os Prelúdios de Chopin através da gravação de Martha Argerich, justamente a que vocês recomendam. Com o tempo, conheci outras. Gosto muito das de Pollini, também.

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Rafael Torres
Rafael Torres
Sep 10, 2022
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Se a Martha Argerich gravasse mais Chopin, seria a maior intérprete dele. Mas Pollini e Nelson são demais, assim como Arrau, Rubinstein...

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