• Rafael Torres

+ 7 Discos de MPB Fora da Caixinha

Se você gostou desta lista, vai gostar dessa aqui. Aos poucos a gente vai construindo uma discoteca de MPB que não passe necessariamente pelos "clássicos". As aspas são pelo seguinte: a maior parte dos discos do Caetano Veloso, do Gilberto Gil, do Chico Buarque, do João Gilberto etc., são clássicos com todo o merecimento. Mas alguém aqui ousará dizer que os de fora da caixinha não são clássicos? Alguns são tão bem cuidados e desprendidos da tarefa de se vender, que se saem até melhor do que os grandes.


Só peço perdão para uma coisa: vou repetir artistas, que eu também não sou nenhuma biblioteca da música brasileira. Então, mais 7 discos fora da caixinha para uma ilha deserta (é a ilha de Lost, porque tem aparelho de som lá).


Quinteto Villa-Lobos Interpreta

Só com arranjos de choros maravilhosos para quinteto de sopro, esse disco é muito bom. Pra começar com as faixas de abertura, "Odeon", de Ernesto Nazareth e "Naquele Tempo", de Pixinguinha. O quinteto contava com o talentosíssimo clarinetista Paulo Sérgio Santos, ainda novinho, mas já arrasando. Adoro "Brejeiro", também de Ernesto Nazareth; "Primeiro Amor", de Patápio Silva e "Choro Negro", do grande Paulinho da Viola (com Fernando Costa).

 

Alceu Valença & Geraldo Azevedo

Começando juntos, em 1972, com esse disco gravado pelas madrugadas, Alceu Valença e Geraldo Azevedo fizeram um álbum intrigante. Com arranjos do tropicalista Rogério Duprat, você não encontra esse disco no Spotify (pelo menos até agora, dezembro de 2020). Mas encontra no YouTube. Conhecido como "Quadrafônico", esse disco utiliza uma tecnologia chamada Quadrifônica (outro que a utilizou foi Benito di Paula), que precisa de 4 caixas de som para ser desfrutada. Essa tecnologia foi natimorta, pois era muito caro montar um sistema de som nessas condições. Já o álbum, nasceu pra ser cult.

 

Mônica Salmaso - Corpo de Baile

Talvez (eu disse talvez) o melhor disco da Mônica, ao lado do Caipira. Ela se deparou com um baú cheio de músicas de Guinga e Paulo César Pinheiro, há 20 anos intocadas. A maioria nunca gravada. Daí selecionou as 14 desse álbum e atribuiu cada uma a um arranjador de sua confiança. Dá pra ver que eles se saíram muito bem. Porque não é fácil. Você tem que fazer um arranjo diferente, excelente, surpreendente, mas sem parecer que quer impressionar. Ela tinha um grupo mais ou menos fechado, com um quarteto de cordas, um violeiro, um violão, baixo, bateria, piano e seu esposo Teco Cardoso nos sopros. Esse disco me mata. Destaco "Fim dos Tempos", "Navegante", "Bolero de Satã", "Curimã" e "Violada". Até pro PC Pinheiro, que não é meu letrista favorito, tiro o chapéu.

 

Quinteto Violado

Mais um disco de 1972 e de estreia. O Quinteto começa com uma poderosa versão de Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), de arrepiar. É um álbum de extrema importância na Música Popular Brasileira, que apresentou o Quinteto Violado ao mundo. Basicamente pernambucano, o grupo existe até hoje, com outra formação. Destaque para: Acauã, Marcha Nativa dos Índios Quiriri e Agreste.

 

Sivuca e Quinteto Uirapuru

O quinteto de cordas paraibano Uirapuru gravou com Sivuca, em 2004, clássicos do repertório deste e do seu próprio. O disco é comovente, e a interação entre acordeon e cordas produz uma sonoridade mágica. Filhos da Lua está belíssima, assim como Minha Luiza e Um Tom Para Jobim.

 

Dominguinhos e Yamandú - Lado B

Eu mudei minha opinião sobre Yamandú muito recentemente. Achava seu toque agressivo e repleto de explosões de velocidade desnecessárias. Pois é, ou eu mudei ou ele mudou. Seu som é profundo, no 7 cordas. E sua inventividade é infinita.


Outro que é inigualável é o Dominguinhos. Aparentemente ele não sabia nada de música, nem o nome dos acordes. Se o chamassem para gravar uma música, por mais complexa que fosse, ele pedia pra ficar sozinho numa sala do estúdio escutando com seu acordeon no peito. Em 10 minutos pedia para gravar. E aí ninguém soava como Dominguinhos.


Quando os dois se juntaram, em 2007 para lançar o primeiro disco, Yamandú + Dominguinhos, não dei muita bola. Mas recentemente, procurando no Spotify achei esse, o segundo: Lado B, de 2010. É perfeito. Yamandú está maravilhoso e Dominguinhos, um poeta dos foles. O repertório também é impecával, com: Da Cor do Pecado, Noites Sergipanas, Fuga pro Nordeste, Naquele Tempo e Pau de Arara.

 

Guinga - Delírio Carioca

O cantor, compositor e violonista carioca Guinga tem muito a nos oferecer. Suas composições são lindas, cheias de curvas inesperadas, modulações na hora e na dose certas. Isso pra não falar do seu violão. Complexo, denso, cheio de acordes que deviam se chamar Guinga I, Guinga II... A voz é bonita e aguda, só reclamo do fato de ele não cantar muito compreensivelmente as palavras.


Adoro Saci (dele e de Paulo César Pinheiro), Passarinhadeira (idem), a linda Canção do Lobisomem, Baião de Lacan e Mise-en-Scène (todas com Aldir Blanc).


 
 
 

Confira a outra lista de Discos Fora da Caixinha. E prepare-se para a próxima.

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