• Rafael Torres

Top 10 maiores Pianistas Brasileiros

O Brasil tem uma surpreendente tradição de pianistas de renome internacional. Atenção, a lista abaixo não está em ordem de idade, nem de qualidade, nem de fama. São apenas os 10 pianistas brasileiros mais bem sucedidos até aqui.



Jacques Klein (1930-1982)


Jacques Klein e Friedrich Gulda

Cearense de Aracati, flertou muito com a música popular. É um dos pioneiros da tradição pianística nacional. Um certo disco em que ele toca concertos de Rachmaninoff e Tchaikovsky mostra o excelente pianista que ele foi. Amigo do lendário pianista austríaco Friedrich Gulda, no mercado de usados você encontra até mesmo o programa de um recital que fizeram juntos no Rio de Janeiro.


 


Magda Tagliaferro (1893-1986)


Fluminense de Petrópolis, Magda foi um fenômeno. Aos 11 anos, fez um recital no qual estava presente o violoncelista Pablo Casals. Este ficou impressionado e disse que ela tinha que estudar em Paris. Estudou com Alfred Cortot, um dos maiores pianistas de todos os tempos. Tocou com regentes como Felix Weingartner, Pierre Monteux, Wilhelm Furtwängler e Hans Knappertsbusch.


 

Guiomar Novaes (1895-1979)



Paulista de São João da Boa Vista, Guiomar foi outro fenômeno. É famosa a história de que ela foi fazer o teste para estudar no Conservatório de Paris, concorrendo com mais de 300 alunos para a vaga de estrangeiro, e ganhou o primeiro lugar. O juri era formado por, dentre outros, Gabriel Fauré, Claude Debussy, Moritz Moszkowsky. Debussy, em uma carta, escreveu sobre a "brasileirinha que veio ao palco e, esquecendo do público e do juri, tocou com tremenda beleza e completa absorção". Teve uma carreira imensamente prestigiada e fez gravações muito celebradas.




 

Arthur Moreira Lima (1940*)


Carioca, é amplamente responsável por difundir o piano pelo Brasil. Pelo fato de ter se tornado tão popular, muitos o consideram apenas um talento que não se deve levar muito a sério. Esquecem que ele foi segundo lugar no Concurso Chopin, em 1965, em Varsóvia, e terceiro lugar no Concurso Tchaikovsky, em 1970, em Moscou e São Petersburgo. São os dois maiores concursos de piano do mundo. Poucas pessoas se saíram tão bem nos dois. Arthur gravou muito, principalmente Chopin. Também são famosas suas gravações de Ernesto Nazareth.


 

Arnaldo Cohen (1948*)


Também carioca, é um pianista mais discreto que Arthur. Enquanto aquele é talento puro, Arnaldo é fruto de trabalho intenso. Não que não seja talentoso, é um dos grandes pianistas da atualidade (já foi considerado um dos 10 maiores pianistas vivos). Gravou, com a OSESP, 3 dos 4 concertos de Rachmaninoff e a Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, além de muita coisa de Liszt. Hoje é professor na Jacobs School of Music, Indiana, Estados Unidos.


 

Miguel Proença (1939*)


De Quaraí, Rio Grande do Sul, Miguel também é um dos responsáveis pela divulgação do piano clássico no nosso país. Gravou mais de uma vez toda a obra de Alberto Nepomuceno, além de muita música de Villa-Lobos. Há uma caixa excelente com 10 CDs dedicados apenas a compositores nacionais. Acredito que a maior parte da sua carreira seja no Brasil.


 

Cristina Ortiz (1950*)


A baiana Cristina, de Salvador, é o contrário: teve sempre mais sucesso no exterior. Gravou com Antônio Meneses e Vladimir Ashkenazy. Costuma dar masterclasses na Royal Academy of Music, em Londres, e na Juilliard School, em Nova Iorque. Gravou de Rachmaninoff a Villa-Lobos, passando por Beethoven e Mozart.


 

Nelson Freire (1944-2021)


Mineiro de Boa Esperança, Nelson é o mais bem sucedido pianista brasileiro. Um jornal dos Estados Unidos escreveu algo como: "Pianista tenta ser discreto, mas seu talento não permite". A Martha Argerich diz que nunca viu ninguém ler uma partitura à primeira vista tão bem quanto Nelson. Tem um volume pra ele (único brasileiro) na coleção de CDs de luxo Great Pianists of the 20th Century. Tem contrato com a DECCA, lançando CDs a cada 2 anos, em média. Claro que é meu favorito brasileiro; e um dos meus 3 favoritos de todo o mundo.


* Nelson morreu no dia 01/11/2021

Leia mais sobre ele aqui.

 

João Carlos Martins (1940*)


Exemplo de superação e perseverança, o paulistano João Carlos Martins passou por muita coisa. Teve problemas em uma mão, nas duas, em uma de novo e nas duas de novo. E cada vez ele voltava a tocar. Tenho um CD que ele gravou sem os movimentos de um dos dedos! Tenho outro que ele gravou só de obras para a mão esquerda. Depois ele acabou perdendo boa parte da coordenação de ambas mãos irremediavelmente (será que essa palavra existe pra ele?), e então virou maestro. Antes de se concentrar mais nessa parte de fazer o Faustão chorar, tocando piano com dificuldade, ele era um pianista realmente formidável, especialmente na música de Johann Sebastian Bach.


 

Roberto Szidon (1941-2011)



Gaúcho de Porto Alegre, Roberto Szidon também teve uma carreira maior no exterior. São famosas suas gravações de Liszt e Scriabin, mas também de Marlos Nobre, Alberto Nepomuceno e até Chopin. Eu sempre achei que ele deveria ser mais famoso, porque sua qualidade é incrível. Gravou muito para a Deutsche Grammophon.



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