• Rafael Torres

Beethoven - SInfonia Nº 5 - Análise

Ludwig van Beethoven escreveu sua Sinfonia Nº 5, em Dó menor, Op. 67 entre 1804, logo após a , a "Eroica", e 1808. Ele interrompeu a composição para cuidar da . E também compôs a , a "Pastoral" ao mesmo tempo.


Depois, a apelidaram de "Fate", ou "Destino", porque as quatro notinhas iniciais, o pam-pam-pam-paaaam, elas aparecem no início e, praticamente sozinhas, conduzem a uma das jornadas mais legais de todas as sinfonias. Uma que vai do desespero ao triunfo.


Lembram que quando eu falei da sexta eu disse que era muito difícil arranjar um teatro em Viena na época e, quando ele conseguiu, colocou todas as obras que pôde para estrear? A também estava lá. Não foi exatamene um fiasco, mas foi um concerto muito longo (mais de 4 horas!) e estava frio. Além disso, ele conseguiu apenas um ensaio, de modo que as pessoas reagiram mais às condições do concerto que à música. Foi no Theater an der Wien, em 22 de dezembro de 1808. Ele regeu e tocou piano em tudo. Na época, chamou a 5ª de 6ª e vice-versa, trocando quando foi publicar a partitura.

Theater an der Wien.
O Theater An Der Wien, na época.

O programa era: 1. A Sexta Sinfonia (Chamada de 5ª, na época)

2. A Aria: Ah! Perfido, Op. 65

3. O Gloria da Missa em Dó maior

4. O 4º Concerto para Piano

Intervalo

5. A Quinta Sinfonia (Chamada de 6ª)

6. O Sanctus e o Benedictus da Missa em Dó maior

7. Uma improvisação de Beethoven ao Piano

8. A Fantasia Coral


É incrível que o mesmo homem tenha composto a "Pastoral", aquela graciosa exibição do amor pela natureza e a , que lida com questões bem mais profundas.


Abaixo, nossa Sinfônica da Rádio de Frankfurt (hr-Sinfonieorchester), sob a regência do colombiano Andrés Orozco Estrada.


A Obra

I. Allegro con brio (15s)

Já começa com o tema sendo apresentado de imediato, as quatro notas e depois mais quatro. Note que todo o movimento é baseado nessas notas. É a arte de fazer muito com pouco. Aos 58 segundos as trompas anunciam (com as mesmas notas) a introdução do tema 2 (1m), bem mais lírico. Eles repetem a curta exposição (em algumas gravações isso não acontece) aos 1m37s. Aos 2m55s temos o desenvolvimento. Repare nos acordes em fortissimo e suas acentuações aos 3m23s. Beethoven nos dá alguns sustos, como aos 4m. Depois o oboé vai se insinuando até que tem sua voz ouvida (4m27s). Nenhuma nota desse movimento é em vão. Está tudo conectado, muito bem pensado e elaborado. É um movimento que consegue, com apenas 4 notas, nos transmitir o que nem mil palavras podem.


II. Andante con moto (7m24s)

Andante con moto não tem nada a ver com andar de moto. É ritmo de caminhada, mas com movimento. O belo tema dos violoncelos entra logo de início. Ele é cantante e tranquilo. Depois vem o tema 2, nos metais, aos 8m37s. É um movimento de extrema beleza. Saímos do "destino batendo à nossa porta" para um belo passeio de moto. Um clarinete e um fagote, depois os sopros, preguiçosos, fazem um belo coral aos 12m13s. Até que a orquestra ataca de novo no tema 2. A música às vezes assume um jeito de marcha. Mas tem um final belíssimo.


III. Scherzo: Allegro (16m50s)

O Scherzo (pelo qual Beethoven substituiu o Minueto nas sinfonias) começa ameaçador, nos graves. Mas logo vai se revelar uma música de busca ao triunfo. Ele tem o motivo de 4 notas do começo ao fim, às vezes por baixo de algum tema, às vezes como protagonista. Exceto no trio (18m51s). Ele volta ao Scherzo com as trompas. Vem um segundo trio, fugado, e, depois as cordas em pizzicato voltam ao tema do Scherzo de novo.


IV. Allegro - Presto (24m39)

Sem interrupção (attacca) chegamos no ponto de virada. Toda a angústia que se passou se transforma em triunfo. De júbilo, alegria, o que você quiser chamar. Vale prestar atenção na orquestração aqui, que é brilhante e usa o flautim. Repare no coda exageradamente longo, como se ele quisesse reafirmar o triunfo.


Considerações finais

Se a Pastoral foi a primeira sinfonia descritiva, essa aqui foi a primeira sinfonia-jornada, saindo das trevas até, no último movimento, chegar à luz. E Beethoven o faz com maestria, usando e abusando das 4 notas (do destino), e com uma orquestração impecável.


Gravações recomendadas

- Carlos Kleiber, regendo a Filarmônica de Viena - A gravação mais conhecida da obra, de 1975. Unanimidade, praticamente, pela energia e pela execução impecável da Filarmônica.


- Herbert von Karajan, com a Filarmônica de Berlim - Como Karajan era múito famoso, era chique dizer que suas interpretações não eram lá essas coisas. Mas quase todas são. Ele era um refinadíssimo escultor de sons. Essa gravação de 1984 mostra exatamente isso.


- Arturo Toscanini, com a Sinfônica da NBC - Essa versão, dos anos 50 é gloriosa. Você encontra no Spotify nessa caixa:

https://open.spotify.com/album/1NNw57TGjZNXrgxQaR5Zgd?si=LoYabOIkSJ-LtJZg3aMM-Q


- Christopher Hogwood, com a Academia de Música Antiga - Das interpretações de época, essa é a que mais me agrada. O som da orquestra é impressionante. E o som gravado, também, que é de 1987.


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