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  • Foto do escritorRafael Torres

Mendelssohn - As Hébridas (A Gruta de Fingal)


Felix Mendelssohn Bartholdy foi um dos principais compositores alemães do começo do romantismo. Nascido em 1809, teve uma morte prematura, em 1847. Era dotado de um talento extraordinário, não apenas para música, mas para literatura. E tinha interesse em artes, matemática e ciência. Sua irmã mais velha, Fanny, também tinha um talento musical imenso, de modo que até certa idade, a família pensava que seria ela a estrela da casa. Só que não deixaram. O próprio Mendelssohn e outros parentes achavam inapropriado uma mulher seguir carreira artística. E olha que era uma família esclarecida e educada, para a época.


Mas voltando a Felix. Ele nasceu em Hamburgo, mas foi morar em Berlim muito cedo. Era de família muito rica (banqueiros judeus), e esta providenciou uma educação musical exemplar para ele. Através da sua professora Sarah Levy, que tinha sido aluna dos filhos de Johann Sebastian Bach, conheceu a música deste mestre dos mestres. Desde pequeno executava fugas ao piano. Começou a compor muito cedo, tendo completado as suas 12 Sinfonias para Cordas aos 14 anos.


Este contato com a música de Bach foi muito importante na formação do caráter musical de Mendelssohn: tendências conservadoras (Bach era do Barroco) e apreço por música pura (desprovida de um programa, de uma narrativa). Daí que, muitos anos depois de sua morte, Richard Wagner, que defendia que música deveria necessariamente descrever alguma coisa, difamava e degradava a imagem de Mendelssohn (e de todos os judeus). Uma linha de pensamento xenófobo e racista que desembocaria, anos depois, no Nazismo.


Vamos ver hoje uma das suas peças orquestrais mais famosas. A Abertura As Hébridas (ou A Gruta de Fingal). Abaixo, a Orquestra Sinfônica de Londres a executa, sob a regência de John Eliot Gardiner.


História

Composta em 1830, revisada em 1832 e publicada em 1833, a abertura foi concebida durante uma viagem à Escócia. O fato de que ele chama a peça de Abertura de Concerto revela que não tinha outros planos para ela, como fazer outros movimentos e encaixar numa sinfonia. Na verdade, é um poema sinfônico, só que o nome poema sinfônico ainda não era usado.


Em 1829, Felix visitou a ilha de Staffa, na Escócia. Nesta ilha encontra-se a Gruta de Fingal. Ficou tão impressionado que enviou um cartão à sua irmã com o tema anotado e dizendo: "para você entender como extraordinariamente as Hébridas me afetaram, eu lhe mando o (tema) presente, que veio à minha cabeça enquanto estava lá". Ele também escreveu sua Sinfonia Nº 3, chamada "Escocesa", nessa viagem. Hébridas é o nome do pequeno arquipélago onde fica a ilha de Staffa.

O próprio Mendelssohn causou a confusão quanto ao nome da peça. De início queria chamá-la de "A Ilha Solitária", mas quando publicou, foi com o nome "As Hébridas" na capa, mas "A Gruta de Fingal" na partitura dos músicos.


A Obra

A intenção dele era retratar as sensações que a gruta o trouxera, não contar uma história específica. Estruturalmente, como se trata de uma abertura de concerto (embora não preceda uma ópera, como é de se esperar de uma abertura), não é muito arquitetônica. É como se fosse uma sucessão de sensações de um observador a explorar a gruta. Sua atmosfera é densa, grave e soturna.


É muito conhecida a afirmação de Johannes Brahms: "Eu contentemente abriria mão de tudo que escrevi para ter escrito algo como As Hébridas".

O nome Abertura Sinfônica As Hébridas, dá certamente a ideia de que se trata de uma abertura de ópera. Mas não é o caso. Esta obra não se destinava a preceder ópera alguma. Como disse, ele só não usou o nome Poema Sinfônico, porque esse nome ainda não estava na moda.


De qualquer forma, trata-se de uma peça de certa de 10 minutos para orquestra sinfônica, a ser tocada em concerto. E é certamente compensadora de ouvir, as sonoridades são belas e atmosféricas.


Gravações indicadas

- Christoph von Dohnányi regendo a Filarmônica de Viena - Uma gravação de 1978, tem um som muito bom e a orquestra está magnífica. Dohnányi é um maestro ainda pouco valorizado.


- Claudio Abbado conduzindo a Sinfônica de Londres - Gravação de 1988, talvez a mais bem sucedida. Abbado tinha uma conexão especial com a Sinfônica de Londres, e isso transparece nessa gravação.


Existem, talvez, centenas de gravações dessa peça. Fica difícil indicar a melhor. Mas qualquer uma das duas acima faz jus à obra.


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