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Alguns dos Mais Importantes Maestros do Século XX

Vou deixar uma lista com alguns dos principais regentes do século XX. Em nenhuma ordem, aliás, a ordem ficou bem louca. Uma desordem. Digo logo que vou editar essa lista sempre que lembrar de alguém. E que o que vou falar é muito pouco, apenas uma orientação sobre cada regente, senão essa postagem ficaria muito comprida.


Arturo Toscanini (1867 - 1957)

Nascido em Parma, Toscanini é considerado o maior regente da primeira metade do século XX. Começou a carreira substituindo um maestro no Rio de Janeiro, regendo Aida de cor. Seu estilo era austero, seguia a partitura (até certo ponto, pois nessa época todo regente burilava um pouco com a música).


Nos EUA, criaram uma orquestra especialmente para ele, a NBC Symphony. Suas gravações de Beethoven, de Berlioz, Brahms, de um repertório que ia, enfim, do clássico ao moderno, são até hoje respeitadas. Era sogro do pianista Vladimir Horowitz.


Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Sinfonias Nº 5 e Nº 8 - Com a NBC Symphony.


- Pyotr Tchaikovsky - Concerto para Piano Nº 1 / Johannes Brahms - Concerto para Piano Nº 2 - Com Vladimir Horowitz ao piano e a Sinfônica da NBC


Wilhelm Furtwängler (1886 - 1954)

Enquanto Toscanini se solidificava nos EUA como o regente mais austero e rigoroso da época, Furtwängler era adorado na Europa pelo oposto. Seu estilo era relaxadão, ele mal ensaiava e, quando ensaiava, falava pouco. Era gentil e educado com seus músicos. Foi regente da Filarmônica de Berlim durante os anos do Nazismo, o que abalou sua reputação, mas consta que ele odiava o regime. Salvou alguns músicos judeus e suas famílias de irem ao campo de concentração. Regeu muita ópera e música romântica. Era também compositor. Não era um regente técnico. Às vezes fazia um gesto e 4 segundos depois a orquestra respondia.


Gravações recomendadas

- Richard Wagner - Música orquestral de óperas - Regendo a Filarmônica de Berlim


Georg Solti (1912 - 1997)

Dotado de um talento absurdo, o húngaro Georg Solti trabalhou com a Filarmônica de Viena, com a Companhia de Ópera do Covent Garden e, mais adiante, com a Sinfônica de Chicago, com a qual seu legado gravado é inestimável. Regia desde ópera até Beethoven, Brahms, Bartók e Mahler. Também era pianista.


Gravações recomendadas

- Béla Bartók - Concerto para Orquestra - Solti regendo a Sinfônica de Chicago


Herbert von Karajan (1908 - 1989)

Herbert von Karajan pedindo mais.
Herbert von Karajan pedindo mais.

Karajan foi o maestro mais famoso da segunda metade do século XX. Talvez de todos os tempos. Pegou a Filarmônica de Berlim em 1954, com a morte de Furtwängler, e a transformou no conjunto mais popular do planeta. Era excelente no repertório germânico (Mozart, Beethoven, Schumann, Brahms) e música do começo do modernismo, como Honnegger, Stravinsky, Bartók, Debussy e Ravel. Dou ainda mais crédito a ele porque tentou emplacar, nos anos 80, uma clarinetista, Sabine Meyer na Filarmônica de Berlim numa época em que não se viam muitas mulheres em orquestras. Mas isso (junto com outras coisas) desgastou a imagem dele na orquestra, com a qual tinha contrato vitalício desde 1954. Gravou também com a Philharmonia, a Orquestra de Paris e a Filarmônica de Viena. E foi diretor do Festival de Salsburgo (cidade onde nasceu, na Áustria, conterrâneo de Mozart) e do de Bayreuth.


Gravações recomendadas

- Dmitri Shostakovich - Sinfonia Nº 10 - Regendo a Filarmônica de Berlim


- Richard Strauss - Assim Falou Zarathustra - Com a Filarmônica de Berlim


Otto Klemperer (1885 - 1973)

Klemperer era o regente da tradição alemã. É considerado o pai de definitivas gravações de Beethoven, Brahms, Bruckner, Mahler e até JS Bach. Era um regente lento e pesadão. A orquestra com que é mais associado é a Philharmonia de Londres, formada para ele. Regendo os Concertos de Beethoven com Daniel Baremboim ao piano, revela-se um ótimo acompanhante. Chegou a gravar o e uns de Chopin com a Guiomar Novaes.


Gravações recomendadas

- Johannes Brahms - Um Réquiem Alemão - Com a Orquestra Philharmonia.


Karl Böhm (1894 - 1981)

Karl Böhm subdominava a Europa na era Karajan, atrás deste. Também era especialista no repertório germânico. Seu Requiem de Mozart é muito bem quisto, embora eu considere indulgente demais. Em Beethoven e Brahms é fenomenal. Principalmente associado às Filarmônicas de Berlim e Viena.

Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Concertos para Piano Nº 3 e Nº 4, com Maurizio Pollini ao piano e Böhm regendo a Filarmônica de Viena


Eugen Jochum (1902 - 1987)

Um dos maiores intérpretes de Brahms de todos os tempos, Jochum trabalhou com orquestras como a Sinfônica e a Filarmônica de Londres, com a Sinfônica da Rádio Bávara e com as Filarmônicas de Berlim e Viena. Procure suas gravações das sinfonias de Brahms. As sinfonias de Beethoven também são gravações muito importantes. Ele pouco regeu de música moderna, indo geralmene até Bruckner, em que era especialista. É outro que se complicou no nazismo, ganhando popularidade durante o regime. Seus irmãos eram "nazistas fanáticos".


Gravações recomendadas

- Johannes Brahms - As Sinfonias - Regendo a Filarmônica de Berlim


Antal Doráti (1906 - 1988)

Doráti é um dos meus regentes favoritos. Ele não deixava o som tão limpinho, preferindo uma certa rudeza, aspereza. Gostava mais de música moderna e regeu importantes gravações da Sagração da Primavera, de Stravinsky. Trabalhou com a Orquestra do Concertgebouw, com a Sinfônica de Minessota (Minneapolis) e a Sinfônica de Detroit. Sua discografia é uniformemente excelente. Foi o primeiro regente a gravar as 104 Sinfonias de Haydn.


Gravações recomendadas

- Igor Stravinsky - A Sagração da Primavera - Com a Sinfônica de Detroit


George Szell (1897 - 1970)

George Szell foi para os EUA e transformou a Orquestra de Cleveland simplesmente no "instrumento mais afiado do mundo". Construiu a orquestra desde a base e a deixou como uma das Big Five americanas. Também era consistente, muito bom em um repertório vasto.


Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Concerto para Piano Nº 5 - Com Leon Fleisher ao piano, e regendo a Orquestra de Cleveland


Bernard Haitink (1929 - 2021)

Nosso querido Haitink morreu em 2021, aos 92 anos. Foi o principal transformador da música holandesa, trabalhando por décadas com a Orquestra do Concertgebouw. Era especialista em Bruckner e Mahler. Foi um dos mais festejados regentes de sua época.


Gravações recomendadas

- Claude Debussy - La Mer, Ibéria e Prelúdio para a Tarde de um Fauno - regendo a Concertgebouw


Claudio Abbado (1933 - 2014)

O notável italiano que sucedeu Herbert von Karajan na Filarmônica de Berlim e surpreendeu a todos. Em 1989, os mais cotados eram Daniel Barenboim e Riccardo Muti. Até que os músicos, numa reunião que parecia que ia anunciar o novo papa, saíram com o nome dele. Antes, tinha trabalhado com a Sinfônica de Londres e com a Sinfônica de Chicago. No final de sua vida queria trabalhar com músicos jovens, da Orquestra Mozart, Orquestra Mahler e Simón Bolivar. Era muito versátil, regendo desde Bach até música moderna. E tudo muito bem.


Gravações recomendadas

- Johannes Brahms - Sinfonia Nº 2 - Regendo a Filarmônica de Berlim


- Pyotr Tchaikovsky - Sinfonia Nº 6 "Pathétique" - Sinfônica de Chicago


- Igor Stravinsky - O Pássaro de Fogo e A Sagração da Primavera - Com a Sinfônica de Londres


Nikolaus Harnoncourt (1929 - 2016)

O pai (ou um dos) do movimento de interpretações históricas, com livros e tratados sobre como mover o arco nas cordas, como fazer uma espécie de respiração no fraseado e tudo. Regeu principalmente a Concentus Musicus de Viena, uma orquestra especializada em música barroca que tocava com instrumentos da época. Mas regeu orquestras modernas também, sendo muito elogiado por seu Dvořák com a Orquestra do Concertgebouw.


Gravações recomendadas

- Johann Sebastian Bach - A Paixão Segundo São Mateus - Regendo a Concentus Musicus de Viena


Charles Mackerras (1925 - 2010)

O australiano Charles Mackerras era um colorista sonoro de primeira. Seu trabalho na República Tcheca é famoso. Regeu todas as orquestras que você imaginar, incluindo a Sinfônica de Sydney. Era bom em Mozart, Dvořák, Janáček, Tchaikovsky e muitos outros.


Gravações recomendadas

- Leoš Janáček - Sinfonietta e Taras Bulba - Regendo a Filarmônica de Viena


Rafael Kubelík (1914 - 1996)

Filho do violinista e compositor Jan Kubelík, o tcheco Rafael foi um dos mais respeitados de sua era. Seu trabalho é mais associado com a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara, que regeu entre 1961 e 1979. Como é uma orquestra de rádio, muitos dos concertos eram gravados, e temos alguns registros magníficos. Mas ele será sempre lembrado pelo seu Dvořák.


Gravações recomendadas

- Antonin Dvořák - Sinfonias Nº 8 e Nº 9 - Regendo a Filarmônica de Berlim


Sergiu Celibidache (1912 - 1996)

Se Klemperer era lento, o romeno Sergiu Celibidache era uma lesma. Pesado, monumental, elefântico até onde isso não cabia. Tudo que ele regia durava uns bons minutos a mais. Às vezes funcionava, porque dava a impressão de que a obra era um monumento. É muito conhecido por seu Bruckner. Eu tenho um preconceito com ele porque li a história de uma trombonista que ele teimava em não deixar se tornar 1º trombone só porque era mulher. São as coisas imperdoáveis da época. Sua orquestra era a Filarmônica de Munique.


Gravações recomendadas

- Anton Bruckner - Sinfonia Nº 4 "Romântica" - Regendo a Filarmônica de Munique.


Riccardo Chailly (1953)

Chailly é um regente ainda relativamente jovem. E o italiano é um talento. Excepcional intérprete de Stravinsky, ele também é especialista em Beethoven e Brahms. Suas principais orquestras são a do Concertgebouw, a do Gewandhaus de Leipzig e a Sinfônica da Rádio de Berlim. Com todas fez gravações de extrema importância.


Gravações recomendadas

- Johannes Brahms - Os Concertos para Piano - Com Nelson Freire ao piano e a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig.


- César Franck - Sinfonia em Ré Menor e Variações Sinfônicas - Regendo a Concertgebouw e com Jorge Bolet ao piano.


- Igor Stravinsky - A Sagração da Primavera - Com a Orquestra de Cleveland

(disco 2)


Zubin Mehta (1936)

O indiano Zubin Mehta deve ser um dos maestros mais famosos de hoje em dia. Foi dele a ideia dos "3 Tenores". Também fez um alarde quando juntou as Filarmônicas de Berlim e Israel num concerto. Mas além do talento para marketing, ele é um talento musical sério. Começou como contrabaixista. Sua orquestra é a Filarmônica de Israel, e vive regendo a Filarmônica de Viena.


Gravações recomendadas

- Gustav Holst - Os Planetas - Com a Filarmônica de Los Angeles


Seiji Ozawa (1935)

Ozawa é o mais famoso regente do Japão. Foi aluno de Karajan e de Eleazar de Carvalho. Rege engraçado, parece um samurai. Dia desses circulou um vídeo que dizia que ele estava com Alzheimer e Zubin Mehta o colocou para reger uma orquestra. Parecia uma criança. Acontece que ele não tem Alzheimer. Ele parece uma criança, mesmo. Samurai. Regeu todas as grandes orquestras, sendo muito associado à Sinfônica de Boston, mas atualmente se dedica à Orquestra de Câmara Mito e à Orquestra Saito Kinen, ambas do Japão.


- Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Sinfonia Nº 1 e Concerto para Piano Nº 1 - Regendo a Orquestra de Câmara Mito, com Martha Argerich ao piano.



Riccardo Muti (1941)

Riccardo Muti é um maestro italiano muito bem realizado na ópera, mas que rege a Sinfônica de Chicago, que faz pouca ópera. Também é um dos mais talentosos da atualidade. Muti tem um repertório vasto e é competente em todo ele.


Gravações recomendadas

- Modest Mussorgsky - Quadros de Uma Exposição - Com a Orquestra de Filadélfia


Daniel Barenboim (1942)

O argentino Daniel Barenboim é um dos músicos mais talentosos da atualidade. Pianista, já gravou as Sonatas de Beethoven umas 5 vezes (todas as 32). Trabalhou também com a Sinfônica de Chicago, mas hoje rege a Orquestra da Ópera de Berlim e a West-Eastern Divan Orchestra, que ele fundou com jovens músicos talentosos da Palestina e Israel. Judeu, luta pela causa palestina.


Gravações recomendadas

- Maurice Ravel - Daphnis et Chloé (Suíte Nº 2), Pavanne, Boléro e La Valse - Regendo a Orchestre de Paris


Evgeny Mravinsky (1903 - 1988)

O russo Mravinsky era autoritário e conivente com o regime comunista, até onde eu sei. Quem o desobedecia ia para o Gulag na Sibéria. Mas foi um importante regente daquele país, onde fez estreia de várias obras de Shostakovich.


Gravações recomendadas

- Dmitri Shostakovich - Sinfonia Nº 5 - Com a Filarmônica de Leningrado


Evgeny Svetlanov (1928 - 2002)

Svetlanov era talentoso. Mas podia acertar em cheio ou errar feio. Como ele viveu para além da União Soviética, teve oportunidade de se tornar conhecido no ocidente, regendo, entre outras, a Sinfônica de Londres. Mas sua orquestra principal foi a Sinfônica Estatal da União Soviética.


Gravações recomendadas

- Sergei Rachmaninoff - Sinfonia Nº 2 e A Ilha dos Mortos - Com a Sinfônica Estatal Acadêmica


Yuri Temirkanov (1938)

Temirkanov é mais um importante maestro russo, titular da Filarmônica de São Petersburgo. Também tem uma saudável reputação no ocidente, regendo com frequência orquestras como a Sinfônica de Baltimore, a Royal Philharmonic de Londres e a Sinfônica Nacional Dinamarquesa. Aparece no documentário Nelson Freire.


Gravações recomendadas

- Sergei Rachmaninoff - Danças Sinfônicas e Rapsódia Sobre um Tema de Paganini - Com a Filarmônica de São Petersburgo e Dmitri Alexeev ao piano.


Herbert Blomstedt (1927)

O sueco Blomstedt rege constantemente a Filarmônica de Berlim e é especialista em música escandinava, como Sibelius, Grieg, Nielsen e Berwald. Mas é um nome internacional, regendo também Beethoven, Schubert e Brahms.


Gravações recomendadas

- Carl Nielsen - Sinfonias Nº 4 "A Inextinguível" e Nº 5 - Com a Sinfônica de San Francisco


Neeme Järvi (1937)

O pai do clã estoniano Järvi (dos filhos falarei em uma postagem sobre os maiores regentes da atualidade), Neeme tem gravações excepcionais com a Orquestra Real Nacional Escocesa, conjunto que ajudou a transformar em um muito respeitado. Rege também a Sinfônica de Gotemburgo e a Sinfônica Nacional Estoniana. E faz todas soarem extremamente bem. Gravou e grava muito.


Gravações recomendadas

- Igor Stravinsky - O Pássaro de Fogo / Anatoly Liadov - Kikimora, O Lago Encantado e Baba-Yaga - Regendo a Sinfônica de Londres


- Béla Bartók - Concerto para Orquestra / George Enescu - Rapsódias Romenas - Com a Orquestra Real Nacional Escocesa


John Barbirolli (1899 - 1970)

Barbirolli foi, ao lado de Thomas Beecham e Adrian Bould (todos tinham "Sir" no nome, mas eu acho bobagem) um dos maestros ingleses mais importantes de meados do século XX. Regeu nos EUA, em Berlim, Viena e, principalmente em Londres. Em Manchester, resgatou da falência a Hallé Orchestra, com a qual gravou profusamente. Só que na época ela era meio ruim. Hoje é uma das grandes orquestras inglesas.


Gravações recomendadas

- Edward Elgar - Introdução e Allegro para Cordas, Serenata para Cordas em Mi menor / Ralph Vaughan Williams - Fantasia "Greensleeves" e Fantasia Thomas Tallis - Com a Sinfonia of London e o Quarteto Allegri


- Edward Elgar - Concerto para Violoncelo - Com Jacqueline Du Pré no violoncelo e a Sinfônica de Londres


Thomas Beecham (1879 - 1971)

Beecham era um típico quase lord inglês. Costumava conversar com o público nos concertos, fazer piadas e era extremamente carismático. Regeu principalmente a Filarmônica de Londres e a Royal Philharmonic. Foi o primeiro maestro britânico de reputação internacional. Regia ópera, música inglesa (especialmente Delius), Beethoven, Sibelius, Tchaikovsky etc.


Gravações recomendadas

- Frederick Delius - Brigg Fair e outras obras - Com a Royal Philharmonic


Leonard Bernstein (1918 - 1990)

Foi o mais talentoso maestro americano de sua geração. Era também pianista e compositor. O novo filme de Steven Spielberg, "Amor, Sublime Amor", é sobre um musical dele. Foi também um importante educador e fomentador de público nos Estados Unidos. Suas principais orquestras foram a Filarmônica de Nova Iorque, Filarmônica de Israel e Sinfônica de Boston. São famosas também as palestras que gravava explicando as obras do disco. Morreu no Edifício Dakota, aquele do John Lennon e de A Mão que Balança o Berço.


Gravações recomendadas

- Dmitri Shostakovich - Sinfonia Nº 5 - Com a Filarmônica de Nova Iorque


- Antonin Dvořák - Sinfonia Nº 9 "Do Novo Mundo" - Regendo a Filarmônica de Nova Iorque


Carlo Maria Giulini (1914 - 2004)

O italiano Giulini regeu no mundo inteiro. Suas orquestras principais foram a Sinfônica de Chicago, a Filarmônica de Los Angeles, a Sinfônica de Viena, a Filarmônica de Viena e a Orquestra do Teatro Scalla de Milão. Pacifista, foi mandado para a guerra, mas se recusou a atirar uma bala. Ficou escondido nos esgotos de Roma estudando a 4º Sinfonia de Brahms, obra que viria a reger com maior frequência na carreira.


Gravações recomendadas

- Johannes Brahms - Sinfonia Nº 4 - Com a Filarmônica de Viena


- Claude Debussy - La Mer e Prelúdio para a Tarde de um Fauno / Maurice Ravel - Pavana para uma Infanta Morta e Ma Mère l'Oye - Com a Orquestra do Concertgebouw


- Wolfgang Amadeus Mozart - Requiem - Conduzindo a Orquestra e o Coro Philharmonia


Giuseppe Sinopoli (1945 - 2001)

Sinopoli morreu muito cedo, aos 56 anos, de um ataque do coração quando regia uma ópera. O italiano era considerado um talento nato tanto para ópera quanto para música sinfônica. Regeu principalmente a Philharmonia e a Orquestra do Staatskapelle de Dresden. Regia muito Mahler, Bruckner, Verdi e Wagner.


Gravações recomendadas

- Richard Wagner - Música Orquestral de Óperas - Com a Staatskapelle de Dresden


- Wolfgang Amadeus Mozart - Concerto para Flauta e Harpa e Sinfonia Concertante para Sopros - Com a Philharmonia e solistas


Karel Ančerl (1908 - 1973)

importantes regentes da escola tcheca. Especializou-se na música de seu país e na música moderna. Durante a II Guerra Mundial foi preso em um campo de concentração (Aushwitz), onde sua mulher e seu filho morreram. Em 1955 ele assumiu o cargo de titular da Filarmônica Tcheca, onde ficou até 1968, com a invasão da Tchecoslováquia pela União Soviética. Emigrou para o Canadá, onde foi o titular da Sinfônica de Toronto até sua morte.


Gravações recomendadas

- Igor Stravinsky - Petrushka - Com a Filarmônica Tcheca


- Antonin Dvořák - Requiem - Regendo a Filarmônica Tcheca


Ferenc Fricsay (1914 - 1963)

Foi um húngaro que morreu cedo, também, de câncer no estômago. Se tivesse vivido mais, seria um dos maiores nomes da música recente, pois trocava tudo com extrema precisão e elegância. Especialista em Bartók e Kodály, mas também em Mozart e Beethoven. Sua orquestra era a da Rádio de Berlim (RIAS), mas regeu muito a Filarmônica de Berlim.


Gravações recomendadas

- Béla Bartók - Os 3 Concertos para Piano - Com a Deutsches Symphonie-Orchester Berlin e Geza Anda ao piano.


José Serebrier (1938)

Regente e compositor uruguaio, Serebrier tem uma carreira reputadíssima, trabalhando com orquestras americanas, como a Sinfônica da América e a Sifônica de Pittsburgh, além de orquestras europeias, como a Royal Philharmonic, a Philharmonia e a Orquestra de Câmara Escocesa. Suas interpretações de Dvořák são muito respeitadas.


Gravações recomendadas

- Antonin Dvořák - Sinfonias Nº 3 e Nº 6 - Com a Sinfônica de Bournemouth


Carlos Païta (1932 - 2015)

O argentino Carlos Païta foi um dos grandes, também, com um repertório muito vasto e tendo trabalhado com grandes orquestras. Nascido em Buenos Aires de um pai húngaro e de uma mãe italiana, logo cedo assistiu a ensaios de Furtwängler no Teatro Colón, interessando-se desde então pela regência. E foi no Teatro Colón (a ópera de Buenos Aires) que começou a carreira. Regeu também a Sinfônica de Houston e a Sinfônica de Londres.


Gravações recomendadas

- Hector Berlioz - Sinfonia Fantástica - Com a Sinfônica de Londres


Václav Neumann (1920 - 1995)

Mais um regente tcheco de extrema importância. Ocorre que na República Tcheca eles têm a Filarmônica Tcheca, que acaba fomentando a música clássica e os talentos de lá. Foi diretor da Gewandhaus de Leipzig e da Ópera de Leipzig, e da Filarmônica Tcheca, esta por mais de 2 décadas. Regeu muita ópera, música tcheca e ópera tcheca.


Gravações recomendadas

- Bedřich Smetana - Minha Pátria - Com a Gewandhaus de Leipzig


- Antonin Dvořák - Concerto para Violoncelo - Com Julian Lloyd Weber e a Filarmônica Tcheca / Edward Elgar - Concerto para Violoncelo - Com Julian Lloyd Weber e a Royal Philharmonic


Igor Markevitch (1912 - 1983)

Igor Markevich é considerado um gênio russo (de fato, ucraniano). Gostava de música moderna e regeu as maiores orquestras do mundo, a principal sendo a Orquestra Lamoureux, de Paris.


Gravações recomendadas

- Pyotr Tchaikovsky - Sinfonia Nº 6 "Pathétique" - Com a Filarmônica de Berlim


Erich Kleiber (1890 - 1956)

Erich regeu na Argentina, no Teatro Colón. O vienense era respeitadíssimo, tocando Mahler, Beethoven e música moderna. Foi um dos regentes germânicos que não aceitaram o regime nazista, preferindo migrar.


Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Sinfonias Nº 3 "Eroica" e Nº 5 - Com a Orquestra do Concertgebouw


Carlos Kleiber (1930 - 2004)

Filho de Erich, Carlos regia pouco, e principalmente ópera, como seu pai. É lendário por causa de um disco, e não é de ópera. Trata-se da 5ª e da 7ª Sinfonias de Beethoven. Também regia Brahms. Trabalhou com a Sinfônica do Estado Bávaro e com a Filarmônica de Viena.


Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Sinfonias Nos. 5 e 7 - Com a Filarmônica de Viena


- Antonin Dvořák - Concerto para Piano - Com Sviatoslav Richter e a Orquestra do Estado Bávaro


Bruno Walter (1876 - 1962)

Tendo começado sua carreira no século XIX e chegado a fazer gravações em estéreo, Walter é a prova de como a música soava antes da era gravada. Suas interpretações são, de certa forma, austeras, mas muito respeitosas à música. Regeu orquestras como a do Gewandhaus de Leipzig, a Filarmônica de Nova Iorque, a Ópera do Estado Bávaro, a Ópera Estatal de Viena e muitas outras. Walter era amigo e assistente de Mahler, suas gravações do compositor são referência.


Gravações recomendadas

- Gustav Mahler - Sinfonia Nº 9 - Com a Columbia Symphony Orchestra


Pierre Monteux (1875 - 1964)

Outro do século XIX que chegou a gravar em estéreo, Monteux é consagrado por ter regido a estréia da Sagração da Primavera, de Stravinsky; de Daphnis et Chloé, de Ravel; de Jeux, de Debussy e de tantas peças modernas, quando trabalhava com os Ballets Russes. Depois foi para os Estados Unidos, onde regeu a Sinfônica de Boston e a de Chicago.


Gravações recomendadas

- César Franck - Sinfonia em Ré menor - Com a Sinfônica de Chicago


- Igor Stravinsky - A Sagração da Primavera - com a Sinfônica de Boston


Mariss Jansons (1943 - 2019)

Jansons é um dos meus regentes favoritos. Gravou muito, e muito repertório repetido. Às vezes mudava de orquestra e regravava tudo de novo e ainda repetia obras. Parte disso se deve ao fato de que duas das suas principais orquestras, a da Rádio Bávara e a do Concertgebouw, faziam transmissão por rádio dos concertos. E essas transmissões eram gravadas. Ele era muito versátil, regia Beethoven, Brahms, Richard Strauss, Stravinsky e música contemporânea. Era o titular, também, da Filarmônica de São Petersburgo, na cidade onde morreu.


Gravações recomendadas

- Camille Saint-Saëns - Sinfonia Nº 3 "Com Órgão" - Com a Orquestra da Rádio Bávara e Iveta Apkalna, ao órgão


- Antonin Dvořák - Concerto para Violoncelo / Pyotr Tchaikovsky - Variações Rococó - Com Truls Mørk e a Filarmônica de Oslo


Fritz Reiner (1888 - 1963)

Era um alemão austero. Levou a Sinfônica de Chicago ao patamar das Big Five americanas. Foi professor de Bernstein. Gravou muito Beethoven, Richard Strauss, música russa e como acompanhante (de Emil Gilels a Van Cliburn).


Gravações recomendadas

- Ludwig van Beethoven - Sinfonia Nº 5 - Sinfônica de Chicago


- Richard Strauss - Don Quixote - Com a Sinfônica de Pittsburgh e Frederick Stock


Jiří Bělohlávek (1946 - 2017)

Outro importante maestro tcheco, trabalhou com a Sinfônica de Praga por vários anos. Regeu também a Filarmônica Tcheca, mas saiu por causa de desavenças. Foi o principal diretor convidado da Orquestra Sinfônica da BBC.


Gravações recomendadas

- Leoš Janáček - Glagolitic Mass, Sinfonietta e Taras Bulba - Com a Filarmônica Tcheca


Leopold Stokowski (1882 - 1977)

Stokowsky era um dos regentes mais populares dos Estados Unidos. Era britânico. Transformou a Orquestra de Filadélfia em um conjunto excelente, participando do filme Fantasia, de Walt Disney. Além disso, aparecia em filmes comerciais interpretando a si mesmo. Era uma celebridade. Como regente, gostava de mexer na orquestração e de fazer orquestrações novas para peças para telado. Como a Toccata e Fuga em Ré Menor, de JS Bach e Quadros de Uma Exposição, de Mussorgsky.


Gravações recomendadas

- Álbum Fantasia, com peças de JS Bach, Tchaikovsky, Beethoven, Stravinsky, Dukas e Mussorgsky - Com a Orquestra de Filadélfia


Eugene Ormandy (1899 - 1985)

Sucedeu Stokowski na Orquestra de Filadélfia, gravando com Sergei Rachmaninoff alguns concertos para piano deste. Praticamente só gravava com a Filadélfia. Alguns críticos o consideram superficial, buscando apenas sonoridades suntuosas ou sensuais. Mas era extremamente talentoso.


Gravações recomendadas

- Antonin Dvořák - Sinfonia Nº 9 "Do Novo Mundo" - Regendo a Sinfônica de Londres


Iván Fischer (1951)

Um dos regentes húngaros de maior sucesso da sua geração, fundou a Orquestra Festival de Budapeste, que se tornou rapidamente um dos conjuntos mais refinados do mundo. É especialista em Mahler. Rege no mundo todo, frequentemente estando com a Filarmônica de Berlim.


Gravações recomendadas

- Gustav Mahler - Sinfonia Nº 5 - Com a Orquestra Festival de Budapest

 

Por enquanto é só, mas, como falei, posso lembrar de vários outros, que vou incluindo aqui.

Gostou? Comente!

Veja aqui, como ouvir música clássica. E veja nossas famosas listas


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1 commento


celso rosa
celso rosa
17 feb 2022

Boa tarde. Fui criado ouvindo trechos de óperas na eletrola do meu pai: Caruso, Martinelli, Fleta, Gigli, Titta Ruffo, De Luca, Journet, Chaliapin, Rosa Ponselle, Tetrazzini, Galli-Curci, o maestro, claro, Toscanini. Guardo cerca de 15 desses 78 RPM comigo. Em 1973, fazendo especialização na França, assisti um Parsifal no Opera de Paris, regência do maestro alemão Karl Böhm que você faz referência. Parabéns pelos preciosos comentários. Sds, Celso Rosa/Vitória-ES.

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