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  • Foto do escritorRafael Torres

Chopin - Os 4 Scherzos - Análise

Atualizado: 4 de set. de 2022

Algumas das obras mais importantes do composito polonês Frédéric Chopin (1810-1849) vieram em quartetos. São as Baladas, os Imrpomptus (Improvisos) e os Scherzi (ou Scherzos). Estes são peças de um movimentos só, com duração média de 7 a 11 minutos. Foram compostos entre 1833 e 1843.


O compositor



Fryderyk Franciszek Chopin era um músico das proximidades de Varsóvia, que abandonou em 1930, aos 20 anos, antes do Levante de Varsóvia. Foi parar em Paris, onde construiu sua carreira de pianista e compositor.


Chopin escrevia quase exclusivamente para piano solo.


Em Paris, ficou amigo de Franz Liszt e Robert Schumann e, principalmente, de Georges Sand, uma escritora cujo nome real era Aurore Dupin, com quem tinha uma relação turbulenta.


Suas obras principais - que englobam mais ou menos 10 CDs - são as 58 Mazurkas, as 4 Baladas, os 4 Scherzi, os 4 Impromptus, 3 Sonatas, 20 Valsas, os 24 Estudos, os 21 Noturnos, os 24 Prelúdios, 2 Prelúdios desgarrados, os 2 Concertos para Piano e Orquestra e a Sonata para Violoncelo e Piano.


Seus Scherzi foram compostos mais ou menos na mesma época das Baladas (anos 1830), e são frequentemente comparados a elas.


Chopin morreu de possivelmente de complicações causadas pela tuberculose aos 39 anos, em Paris.


Os Scherzi


O termo Scherzo, popularizado na música por Beethoven anos antes (mas que já vinha sendo usado), significa brincando em italiano. As sinfonias e sonatas, até cerca de 1800 tinham 4 movimentos. O terceiro (às vezes, segundo) era o Minueto, um movimento em 3 partes (Minueto-Trio-Minueto) e em compasso de valsa. Beethoven foi o principal compositor a esquecer esse Minueto e substituir por um Scherzo. Suponho que ele viu os seguintes ganhos nessa substituição:


  • Livrava-se da obrigação de escrever um movimento gracioso e leve em obras em que tal movimento ficaria fora de contexto.

  • O Scherzo, embora tenha esse significado (de brincadeira) tem uma possibilidade que o Minueto não tinha - ele pode ser irônico, sardônico e consideravelmente mais rápido.

  • Os Scherzi de Beethoven são pesados, graves e ambiciosos (e nem um pouco dançantes).

  • O Scherzo se tornou lugar comum na sinfonia romântica, não lembro de nenhuma ter Minueto.

  • O Scherzo herdou muito do Minueto, por exemplo, o compasso 3/4 e a presença do Trio (Scherzo-Trio-Scherzo).


Agora, Beethoven não escrevia Scherzi avulsos. Eles eram um dos movimentos das suas sinfonias e sonatas.


Em 1830, como mencionei Chopin abandona Varsóvia, chegando e se estabelecendo em Paris em 1831. Jamais voltaria à Polônia. Tinha, então, 21 anos e era um pianista completo, rivalizando apenas com Franz Liszt, compositor e pianista Húngaro que tinha a sua idade, mas ambições dilatadas com relação à fama. Os dois desenvolveram um respeito mútuo, mas uma amizade instável.


Pois foi com a chegada a Paris que Chopin resolveu compor seus trabalhos mais ambiciosos: as 4 Baladas, os 4 Scherzi e 2 Fantasias. Suas obras se tornaram complexas, dificílimas de executar e consideravelmente mais longas. Vale lembrar duas coisas:

  1. Um compositor pianista deveria compor músicas relativamente fáceis, depois, colocar a partitura para vender e ver moçoilas tocando em jantares burgueses.

  2. Antes de Paris, Chopin tinha, sim, composto obras ambiciosas: seus 2 únicos Concertos pra Piano, escritos ainda na Polônia a ser executados em recitais de despedia.

Mas, como era um virtuose, na época dos virtuoses (violino, piano, violão etc.) a maioria de suas composições não eram destinadas a ser tocadas por aprendizes, mas sim, principalmente, por ele e colegas pianistas.


A invenção de compor Scherzi como obras completas, destacadas de outros movimentos tem origens antigas. Monteverdi escreveu 3 Livros de Scherzi Musicali. Mas ele não estava criando uma forma. Apenas compôs e resolveu chamar de Brincadeiras Musicais.


É difícil dizer que Chopin foi o primeiro a usar o termo Scherzo como o título de uma obra singular, comprida, complexa e (pelo menos em três casos) trágica. Mas seus Scherzi tiveram uma influência profunda no começo do romantismo.



Qual a diferença entre a Balada e o Scherzo?


Embora sejam peças virtuosísticas, de duração semelhante, as Baladas estão mais interessadas em nos apresentar temas cantáveis, melodias bonitas e cativantes em primeiro lugar. E, sobretudo, um clima mais ameno, com menos arroubos de criatividade quase insana. Nos Scherzi, Chopin se deu a liberdade de suprimir tudo isso em nome de uma escrita para piano intensa e quase assustadora - acredito que o nome Scherzo tenha um pingo de ironia. Além disso, os Scherzi começam mais agitados - alternando, como de praxe, com momentos mais calmos. E são repletos de acordes medonhos, súbitos.


 

Scherzo nº 1, em Si Menor, Op. 20 (1835)


Composto em forma A-B-A + Coda, é uma das obras mais difíceis de Chopin. Tocá-la com brilho é um trabalho realmente fenomenal. Mais abaixo indico algumas gravações dos 4 Scherzi.


No vídeo abaixo você pode verificar que se trata de uma obra turbulenta, agitada e cheia de vozes internas. As vozes internas, melodias que se pronunciam cercadas por outras mais importantes, são marca da escrita de Chopin, e conferem brilho e riqueza à escrita.



 

Scherzo nº 2, em Si Bemol Menor, Op. 31 (1837)


Um dos mais bonitos, tabmbém povoado de acordes súbitos, no fundo, se revela uma música lírica e adorável. Sua parte B começa apenas com a alternância de dois acordes, e se desenvolve em uma melodia típica de Chopin.



 

Scherzo Nº 3 em Dó Sustenido Menor, Op. 39 (1839)


Uma peça de humor extremamente irônico, não exatamente trágico, mas sardônico. Sua parte B, com os acordes descendentes nos agudos é mágica.



 


Scherzo Nº 4 em Mi Maior, Op. 54, (1843)


Trata-se de um dos mais conhecidos do grupo. Extremamente difícil de tocar rapidamente e, ao mesmo tempo, casualmente. É o único Schezo otimista, quase pastoril, do compositor.


Apenas a parte B, que podemos chamar de Trio, evoca uma nostalgia doce.




 


Gravações recomendadas

- Roberto Szidon - As gravações que o gaúcho fez para a Deutsche Grammophon ainda estão no catálogo e podem ser encontradas nas plataformas de Streaming. São excelentes atestados de um pianista brasileiro que merecia maior sucesso.


- Maurizio Pollini - Falar de Chopin sem mencionar Pollini é impossível. Seu talento nato para a melodia, para o rubato discreto, aliados à sua técnica irrepreensível nos trazem interpretações riquíssimas.


- Ivo Pogorelich - Um tanto exagerado nas pausas dramáticas e rubatos, seu som é incrivelmente transcendental.


- Yundi Li - O pianista chinês toca com uma facilidade assustadoramente monstruosa.


- Beatrice Rana - Essa jovem pianista italiana gravou os Scherzi junto com os Estudos op. 25, num disco arrebatador. Os graves são verdadeiros terremotos, o que nos faz pensar que talvez ela toque num piano Bosendörfer.



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