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  • Argonautas - So Many Nights

    Esta peça, composta em 2018 , trata de uma mulher que é abusada pelo seu homem. Em inglês, usam-se diversos significados para a palavra que soa como wonder, mas que aparece em grafias diferentes. Vou deixá-los com duas gravações de Silvia Machete (uma gravação e um remix, de fato) e a original dos Argonautas . Incluímos a tradução, mas esta não se destina a ser cantada: a música é em inglês, como não poderia deixar de ser, com seu clima de filme noir. So Many Nights So many nights I wonder / Tantas noites eu me pergunto Why go back to that Neanderthal / Por que voltar praquele Neandertal He's tall and handsome / Ele é alto e bonito He's thick and becomes / Ele é grosso e se torna Unpredictable when he drinks / Imprevisível quando bebe ​ So many nights I wander / Tantas noites eu vago Always searching for the underground / Sempre procurando pelo subsolo I stop at some bookstore / Eu paro numa livraria I leaf through some full score / Eu folheio uma partitura Of a symphony I'll never hear / De uma sinfonia que nunca vou ouvir ​ I have a vulture inside my heart / Eu tenho um urubu dentro do coração And its fascinating flight / E seu voo fascinante Doesn't indicate that that's an ugly bird / Não indica que é um passaro feio At all / Não mesmo ​ I keep feeling sorry now and then / Eu fico me sentindo mal aqui e acolá When everything’s okay / Quando está tudo bem Then again, perhaps I will prevail / Mas talvez eu vá prevalecer Deus ex machina from a crane / Deus ex machina, de um guindaste Will come down and put the / Vai descer e por o Vulture to sleep / Urubu para dormir ​ So many nights I'm under / Tantas noites eu estou em baixo But tonight I'll be beyond the ground / Mas hoje eu vou estar acima do chão Beyond the sky / Além do céu I'll be on the moon / Eu vou estar na lua Hearing symphonies from beyond / Ouvindo sinfonias do além And maybe one day I’ll be expected to stay / E talvez um dia seja esperado que eu fique And say what I want to / E diga o que eu quero Say / Dizer Gravado em 2018 no estúdio Trilha Sonora, Fortaleza, Ceará Produção: Rafael Torres Arranjo: Rafael Torres Gravação: Hugo Lage e Luiz Orsano Mixagem: Luiz Orsano Outras músicas dos Argonautas? Aqui!

  • Argonautas - O EP Notas Soltas

    Em dezembro de 2021 fomos contemplados com um projeto na Lei Aldir Blanc , da Secultfor . Seria para a gravação de um EP de 4 músicas , mais um clipe e um making of . Em janeiro de 2022 gravamos tudo. Decidimos chamá-lo de Notas Soltas, porque as músicas eram bem individualmente marcadas. Gravamos: A Solidão (Rafael Torres) Atravessantes (Ayrton Pessoa) Canoa Quebrada (Rafael Torres) Estrelado (Ayrton Pessoa) Aqui está ele todinho. https://www.rafaeltorresmusica.com.br/about-4 https://open.spotify.com/album/7nY4EHmCKPdcFj6aUF4sg4?si=26Sr1GfvRNW8zLRDlhHUGA "Em nosso primeiro trabalho contemplado por uma lei de incentivo (Aldir Blanc, pela Secultfor), retornamos a trabalhar sobre músicas autorais. Ainda tateando o que compusemos durante a pandemia, achamos quatro músicas que não têm muito a ver uma com a outra. Daí o nome do EP ser Notas Soltas. Mas, ainda assim, têm a nossa sonoridade, concentrada em instrumentos acústicos e ritmos brasileiros." A capa é do super artista Tanilo . As filmagens são de Gabriel Lage e as fotos, de Henrique Torres. Gravado em 2022 no estúdio Trilha Sonora , Fortaleza, Ceará Produção: Flutuante Produtora Cultural Direção Artística: Rafael Torres e Ayrton Pessoa Gravação: Hugo Lage e Luiz Orsano Mixagem e Masterização: Luiz Orsano

  • Valsa Brasileira, de Edu Lobo e Chico Buarque - Argonautas Interpretam Edu Lobo

    Mais uma faixa do nosso álbum mais recente, " Argonautas Interpretam Edu Lobo ", lançado nas plataformas digitais agora em 2022 . Eu me orgulho muito desse arranjo , muito delicado e meio vazio , e da interpretação : não é fácil cantar a Valsa Brasileira . Rafael Torres : voz, clarinete e arranjo; Ayrton Pessoa : piano; Ednar Pinho : baixo; Gravação: Hugo Lage ; Mixagem e Masterização: Luiz Orsano ; Gravado no estúdio Trilha Sonora em 2019 . Valsa Brasileira (Edu Lobo e Chico Buarque) ​ Vivia a te buscar Porque pensando em ti Corria contra o tempo Eu descartava os dias Em que não te vi Como de um filme A ação que não valeu Rodava as horas pra trás Roubava um pouquinho E ajeitava o meu caminho Pra encostar no teu Subia na montanha Não como anda um corpo Mas um sentimento Eu surpreendia o sol Antes do sol raiar Saltava as noites Sem me refazer E pela porta de trás Da casa vazia Eu ingressaria E te veria Confusa por me ver Chegando assim Mil dias antes de te conhecer Você pode encontrar o disco inteiro no site: https://www.rafaeltorresmusica.com.br/ E também no Spotify : Deezer : Tidal : YouTube Music : https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kF5M0q7mE0ZV-PY0GtMuKzl0WLmjTA95E&feature=share Comente aí o que achou! Veja aqui a sessão Argonautas da Arara . E aqui, a sessão Música Normal .

  • Argonautas Interpretam Sobre Todas as Coisas, de Edu Lobo e Chico Buarque

    Por Rafael Torres Fiquem com mais uma faixa , uma das minhas favoritas , do disco Argonautas (meu grupo) Interpretam Edu Lobo , lançado em 2022 em todas as plataformas de streaming de música . Sobre Todas as Coisas , que tem uma versão definitiva na voz e no violão de Gilberto Gil , no disco O Grande Circo Místico , de 1983 , é uma parceria entre eles dois ( Chico e Edu ) que consegue ser igualmente interessante na letra e na música . Renato Braz e Rafael Torres. Para essa, convidamos o excepcional cantor paulistano Renato Braz , que, com sua voz limpíssima , se integrou magistralmente ao arranjo e emprestou à canção aquele abandono de que ela precisa . O disco também está no meu site para desfrute gratuito . Ficha Técnica : Renato Braz - voz; Rafael Torres - violão e arranjo; Ayrton Pessoa - piano Ednar Pinho - contrabaixo. Gravação: Luiz Orsano e Hugo Lage Mixagem e Masterização: Luiz Orsano Estúdio Trilha Sonora Fortaleza, Ceará Sobre Todas as Coisas ( Edu Lobo e Chico Buarque ) Pelo amor de Deus Não vê que isso é pecado, Desprezar quem lhe quer bem? Não vê que Deus até fica zangado Vendo alguém abandonado? Pelo amor de Deus Ao nosso Senhor Pergunte se ele produziu Nas trevas o esplendor Se tudo foi criado O macho, a fêmea, o bicho, a flor Criado pra adorar o criador E se o criador Inventou a criatura, por favor Se do barro fez alguém com tanto amor Para amar nosso Senhor Não, nosso Senhor Não há de ter lançado um movimento Terra e céu Estrelas percorrendo o firmamento Em carrossel Pra circular em torno ao criador Ou será que o Deus Que criou nosso desejo é tão cruel? Mostra os vales onde jorra o leite, o mel E esse vales são de Deus Pelo amor de Deus Não vê que isso é pecado, Desprezar quem lhe quer bem? Não vê que Deus até fica zangado Vendo alguém abandonado? Pelo amor de Deus A Lista com as outras postagens agora fica aqui . Deixe seu comentário!

  • História da Música 4 - Romantismo, Vol. 2 - Beethoven

    Por Rafael Torres Vimos que Beethoven chegou a Viena em 1792 , pianista, clássico e dentro dos padrões da música da época. Teve aulas com Haydn , Salieri , escreveu uns Quartetos de Cordas  e Trios com Piano , Sonatas e, até, Sinfonias , tudo dentro do que se pode identificar como classicismo . Caricatura de Beethoven usando um trompete de ouvido para aguçar o som. Mas Beethoven tinha algo que ninguém mais tinha. Era um compositor freelancer , isto é, não compunha para a igreja , nem para as poucas realezas que sobreviveram à Revolução Francesa  etc. (Na verdade, ele compunha, sim , para a aristocracia, através de encomendas e dedicatórias , mas de um jeito já diferente dos seu antepassados). Beethoven escrevia para Beethoven, o que queria . E sempre evoluindo . Ele sempre foi vanguardeiro . Ludwig van Beethoven  nasceu em Bonn , Alemanha , em 1770 , filho do complicado Johann van Beethoven. Ele pretendia treinar o jovem Ludwig até o ponto de torná-lo um " novo Mozart ", um menino-prodígio . Mentia sobre a idade do filho. E, depois que sua esposa morreu , em 1887 , tornou-se alcoólatra , chegando ao ponto de parar de trabalhar. Ludwig foi à justiça obter uma ordem judicial  para que Johann fornecesse sustento aos filhos (ele tinha dois irmãos : Karl e Johann , ambos mais novos que ele). Johann pai , sabe-se, batia nos filhos . De qualquer forma , ele foi o primeiro instrutor  de música de Ludwig . Depois, entre 1780 e 1781 , teve aulas com Christian Gottlob Neefe . Beethoven compôs obras ainda em Bonn , como Musik zu einem Ritterballett ,  para balé, e um Octeto de Sopros  (que, em Viena, ele restauraria como Quarteto de Cordas )... Vamos dar uma olhada nas três fases  de Beethoven, que são uma espécie de consenso universal .   Primeiro Período O primeiro período  de Beethoven começa com a sua chegada em Viena , em 1792 . Obviamente, existe um período anterior , o de Bonn , mas pouca música sobreviveu . Na Áustria , ele era uma espécie de imitador , chegando a dizer que tinha dominado  o ' Estilo Vienense ' (de Mozart e Haydn ). Mesmo assim, sua música  já era difícil para o público e longa demais. Compôs os Seis primeiros Quartetos de Cordas , Op. 18 ; as Duas primeiras Sinfonias , Opp. 21  e 36 ; os Três primeiros Concertos para Piano e Orquestra , Opp. 15 , 19 e 37 e umas 12 Sonatas para Piano. Aqui, Beethoven começou a sentir os sintomas de uma surdez progressiva  que carregaria até a morte . Obedecendo ordens médicas , retirou-se para a pequena cidade de Heiligenstadt , na Áustria (entre abril e outubro de 1802 ), onde escreveu o famoso Testamento de Heiligenstadt , do qual um trecho você vê abaixo . Só que em Alemão , com uma caligrafia não muito, digamos, exemplar . E, ainda, só um trecho . Testamento de Heiligenstadt Nesta carta , destinada aos seus irmãos , ele relata, com sofrimento , a perda do seu principal sentido  na arte de compor . Menciona, inclusive, suicídio , Ele escreve o nome do irmão Karl várias vezes, mas nunca o do irmão Nikolaus Johann (possivelmente porque o compositor , " raivosão ", não gostou de duas escolhas deste irmão mais novo : ele queria se chamar Johann , para honrar o pai - o que irritava profundamente o compositor - e a sua escholhida para casar : uma " diaba ", " Fettlümmerl " - algo como cabeça gorda ) . Ele simplesmente deixa em branco . Mas, principalmente , ele fala de uma resolução que teve. De continuar vivendo através  e para a sua arte . Acontece que, para um músico treinado , a surdez não o impede de compor . Mas impede de tocar piano , de reger , coisas que eram muito mais rentáveis , na época. De modo que ele tinha quer criar uma sonoridade especial , característica , nas composições. Foi então que ele começou a se reinventar . Segundo Período O segundo período , chamado, antigamente de Fase Heróica , começou com essa mudança de atitude . " Eu não estou satisfeito com o trabalho que fiz até aqui. De agora em diante eu pretendo seguir um novo caminho. " É o seu período mais conhecido . Ee compôs suas Sinfonias 3 a 8 , os dois últimos Concertos para Piano e Orquestra ; diversas Sonatas , incluindo as famosas Nos. 18  ' A Caça ', 21  ' Waldstein ' e 23 ' Appassionata '; e sua única ópera , ' Fidélio '. Detenhamo-nos  em sua 3ª Sinfonia , em Mi Bemol menor , conhecida como ' Eroica '. Foi sua primeira Sinfonia após o retorno de Heiligenstadt . É altamente revigorante , com muitas dissonâncias  (no tempo forte ), intensificações de dinâmica nos tempos fracos , um comprimento imenso (cerca de 45-50 minutos ) e a famosa Orquestra Romântica  (com as cordas , 2 flautas , 2 oboés , 2 clarinetes e 2 fagotes , 3 trompas , 2 trompetes  e tímpanos ) (ele utilizava flautas e clarinetes , oboés e fagotes ), que seria incrementada ao longo do século XIX . O público , mesmo um tanto confuso , amou a obra . Tamanho médio de uma orquestra para tocar a Sinfonia "Eroica" . Temos, abaixo, a ' Eroica ' inteira  (mas não recomendo que assista agora : ouça apenas trechos do primeiro movimento), com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Frankfurt , regida pelo colombiano Andrés Orozco-Estrada . Terceiro Período A partir de 1810 o compositor fica um tanto errático , de modo que, em 1812 , inicia-se o seu último período . A propósito, esta divisão da carreira de Beethoven  em 3 fases  não é ideia minha. E nem moderna . Em 1818 já se falava nisso e essa convenção é adotada por praticamente todos os biógrafos . Nessa fase tardia , ele estuda o contraponto de Giovanni da Palestrina , Johann Sebastian Bach  e Georg Friedrich Händel . E o aplica abundantemente , através de fugas , a forma mais   complexa de contraponto . Escreve seus últimos Quartetos de Cordas ; a ' Grosse Fuge ', para quarteto de cordas; as Variações Diabelli , para piano; as últimas Sonatas para Piano  e a 9ª Sinfonia , que incorpora cantores solistas  e um coral , no último movimento. Nesse período, Beethoven é imprevisível , entregando partituras experimentais , de durações inéditas e com conotações surreais . Ele morreu em sua cama, em Viena, aos 56 anos , em 1827 . O fígado estava ruim. Seu cortejo fúnebre  levou mais de 10.000 pessoas às ruas de Viena . Tenho lido  por aí que Beethoven não   tinha , necessariamente, um talento   musical  extraordinário. Mas quem   afirma  isso terá de se   virar  para explicar  o conteúdo completamente   novo  de suas obras. Verdade que inovar não é , especificamente, o objetivo de um compositor , mas ele encontrou a música parada  e a sacudiu até quase esgotá-la .   Os contemporâneos de Beethoven Beethoven era um homem difícil  e arrogante  (que podia ser doce e generoso ). Seu ídolo de adolescência era o escritor e polímata Johann Wolfgang von Goethe . Beethoven escreveu a ele, uma carta educada e reverente , afirmando já ter os direitos de 18 obras do escritor. Na carta, seguia a música incidental  para a peça Egmont . Eles se encontraram no Resort de Teplitz , em 1912 . Escute a abertura da Música Incidental de ' Egmont ', com a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig , regida por Kurt Masur , regente alemão com uma grande contribuição para a música no Brasil . Wolfgang Amadeus Mozart Não há evidências  em primeira mão a respeito de um encontro entre os dois . Mas, também , não há nada que impeça que tal coisa tenha ocorrido .  O que se sabe  é que, em 1787 , Beethoven passou 6 meses  e Viena . E que tinha ido para lá para ter aulas  com Mozart . Beethoven teve que voltar a Bonn , pois sua mãe estava doente  e morreu naquele mesmo ano. Quando o compositor pôde, finalmente, voltar a Viena , em 1792 , Mozart é quem havia morrido no ano anterior . Joseph Haydn Com seu professor Joseph Haydn  (a partir de 1890 ) a relação foi mais complicada . Quando Ludwig escreveu seus 3 Trio com Piano, Op.1 , o austríaco Haydn sugeriu de bom grado  que ele assinasse Ludwig van Beethoven, pupilo de Haydn . Isto, só, lhe garantiria público para a apresentação , já que Haydn tinha fama em toda a Europa . Beethoven teria dito que " apesar de ter tido aulas com Haydn, nunca aprendeu nada útil com ele ". Já na apresentação , Haydn sugeriu que não fosse publicado  o Trio, Op. 1 - Nº 3 , pois certamente não agradaria o público . O terceiro era o Trio favorito  de Beethoven , e ele insistia que Haydn queria escondê-lo  por inveja , O que me faz pensar : Beethoven era cearense ? Porque aqui o povo pensa mais ou menos nesses termos ... O que consta em várias fontes históricas é que Haydn admirava a música do aluno . E vale lembrar que o Trio com Piano  (para Piano , Violino e Violoncelo ) havia sido ' elaborado '   e era especialidade de Haydn , tendo ele escrito cerca de 20 peças , geralmente com três movimentos ; e de Mozart , que escreveu 6 deles . Beethoven escreveria 11 , dos quais o 4º , chamado ' Trio Fantasma ' ( 1809 ) e o 7º , ' Arquiduque ' ( 1811 ), são os mais famosos . É inútil tentar ouvir o Op. 1 - Nº 3  agora e tentar encontrar o que Haydn achou desagradável . A verdade é que o trio é encantador . Ademais, enquanto os Trios tinham 3 movimentos , no classicismo , os de Beethoven tinham 4 , com a sua insistência de incluir um ' Scherzo ' ou um ' Minueto '. No final  das contas, Beethoven manteve  até o fim de sua vida  que Haydn era um compositor de estatura e importância igual à de Bach e à de Mozart . Escute , abaixo, qualquer movimento de um dos trios que Beethoven dedicou a Haydn . Antonio Salieri A sua relação com o italiano Antonio Salieri , aquele mesmo que dizia ter matado Mozart , era das menos problemáticas . Antigo Diretor de Ópera Italiana  e, posteriormente, Compositor da Corte  do imperador Joseph II , da Áustria (da família Habsburgo ), Salieri tinha escrito mais de 20 óperas , era um homem erudito e humilde , dava aulas de música de graça  a alunos dotados de talento , mas não de dinheiro . Por muitos anos , Salieri havia ganho dinheiro  como poucos na corte , e soubera economizar . Beethoven procurou Salieri , a princípio, para aprender música vocal . Conta-nos Ferdinand Ries , compositor , amigo e contemporâneo de Beethoven: " Eu os conhecia muito bem; eles valorizavam muito Beethoven. Diziam que o aluno era tão cabeça-dura e autossuficiente, que tinha que aprender muito através da dura experiência, que ele tinha se recusado a aceitar quando era apresentada a ele como matéria de estudo. " Mesmo sabendo  que as aulas com Salieri eram gratuitas , Beethoven fazia questão de pagar , demonstrando seu interesse em aprender aspectos técnicos  e sua pretensão de se tornar um compositor completo . Em 1799 , Beethoven dedicou a Salieri  suas 3 Sonatas  para Violino e Piano ,  Op. 12 .   Luigi Cherubini Em 1805 , Beethoven conheceu o compositor italiano Luigi Cherubini . Beethoven estimava enormemente o italiano, considerando-o o maior compositor de sua época  (Cherubini era 10 anos mais velho que ele). O italiano  escrevia, principalmente, ópera (cerca de 36 !) e música sacra (música cantada ), enquanto Beethoven era um sinfonista e compositor de música para piano e conjuntos de câmara . Réquiens ? Cherubini escreveu 2 . Um deles, para seu próprio funeral . Beethoven, nenhum . Era Cherubini que não gostava  de Beethoven . Ao menos de sua música . Chegou a Viena em 1803 e assistiu a algumas récitas da Ópera Fidelio , a única de Beethoven . Desdenhou dela e do toque ao piano  de Beethoven, considerando-o rústico . Não se sabe se ele sabia , ou se ainda teria dito essas coisas  caso soubesse, que Beethoven não escutava quase nada , mais. Seu piano e sua fala eram rudes porque ele mesmo  precisava se ouvir . Ferdinand Ries Nascido em 1784 , o compositor Ferdinand Ries  tornou-se pupilo e ajudante de Beethoven. Compostor prolífico , compôs oito sinfonias  ( 41 , como Mozart e 104 , como Haydn , ninguém jamais conseguiria , ao menos no alto romantismo ). Ries escreveu, junto com Franz Wegeler , em 1838 , um livro de memórias sobre Beethoven . Johann Nepomuk Hummel Hummel é muito mais importante do que costumamos pensar . Pianista virtuose , compositor inovador , aluno de Mozart , Salieri , Haydn e Muzio Clementi , amigo de Beethoven e Schubert . Hummel é muito conhecido  entre músicos (e até gravado ). A maior parte  de sua obra é para piano solo  ou piano com orquestra (são 8 ). Stephen Hough  interpreta o  1º movimento  da Sonata em Fá Sustenido Menor , de J N Hummel . Hummel influenciaria Franz Schubert , na sua " Wanderer Fantasy " e Robert Schumann , na sua Fantasia , Op. 17 Com Johann Nepomuk Hummel  a situação era completamente diferente . Hummel , 8 anos  mais jovem que Beethoven , havia sido uma criança prodígio  e aluno de Mozart . Os dois (Hummel e Beethoven) travaram uma amizade de anos . Gioachino Rossini Rossini já era um compositor famoso , tavez o mais famoso da Europa , quando seus esforços para conhecer Beethoven  deram frutos . Beethoven o reconheceu e elogiou pela ópera ' O Barbeiro de Sevilha ', acrescentando que ele nunca deveria escrever algo diferente  de opera buffa  (comédia operística), pois isso iria contra a natureza de Rossini . O poeta Giuseppe Carpani , que arranjou o encontro, lembrou a Beethoven que Rossini já tinha composto várias óperas sérias . " Sim, eu dei uma olhada  nelas. Opera seria  não combina com os italianos . Vocês não sabem  lidar com o drama real ." Franz Liszt Franz Liszt , nascido em 1811 , conta ( ele que conta ) o seguinte: "Eu tinha cerca de onze anos quando meu altamente estimado professor Czerny me apresentou a Beethoven. Czerny já o tinha contado sobre mim e pedido que ele me ouvisse. Mas Beethoven tinha aversão a prodígios e, por um longo tempo, se recusou a me ouvir. Finalmente, como se persuadido pelo meu incansável professor Czerny, disse: 'Então, pelo bem de deus, traga o pequeno patife'." "Era uma manhã, cerca de dez horas, quando eu entrei nas duas salinhas do Schwarzspanierhaus, onde Beethoven vivia. Eu estava bem embaraçado - mas Czerny gentilmente me encorajou. Beethoven estava sentado à janela em uma longa e estreita mesa, trabalhando. Por um momento, ele olhou para nós com uma cara séria, disse duas palavras rápidas a Czerny, mas ficou em silêncio quando o meu querido professor me sinalizou que sentasse ao piano." "Primeiro, eu toquei uma pecinha de (Ferdinand) Ries. Quando eu terminei, Beethoven me perguntou se eu podia tocar uma fuga de Bach. Eu escolhi a Fuga em Dó menor, do Cravo Bem Temperado. 'Você pode transpor essa fuga?" Beethoven perguntou." "Felizmente, eu podia. Após o acorde final eu olhei para cima. Os olhos profundos e brilhantes de Beethoven descansaram em mim - mas, de repente, um leve sorriso percorreu sua outrora séria face. Ele se aproximou e bateu na minha cabeça várias vezes, com afeto." "'Bem - eu fui surpreendido' - ele sussurrou, 'um demoniozinho tão pequeno'. Minha coragem subiu, repentinamente: Posso tocar uma de suas peças?, perguntei com audácia. Beethoven fez que sim, com um sorriso. Eu toquei o primeiro movimento do seu Concerto para Piano em Dó Menor (o 1º). Quando eu terminei, Beethoven esticou os braços, beijou-me a testa e disse, suavemente:" "Você pode ir, agora. Você é um dos sortudos. Será seu destino trazer alegria e júbilo a muitas pessoas e essa é a maior alegria que se pode atingir."   Franz Schubert Shcubert era bem mais novo que Beethoven, tendo nascido e 1897 . Isso não o impediu  de morrer apenas um ano  depois do ídolo, em 1828 , aos 31 anos de idade. Morou a maior parte de sua vida em Viena , mas, por pura timidez , jamais se aproximou de Beethoven ou lhe mostrou algum trabalho . Sabe-se que conheceu o mestre alemão em 1822 . Foi com o também compositor Anton Diabelli  à casa de Beethoven com a intenção de lhe oferecer uma cópia de sua peça ' Variações Sobre uma Canção Francesa '. Mas, tímido que era, gaguejou e quase desmaiou  quando Beethoven apontou um pequeno problema  na obra. Anos depos , em 1827 , Beethoven já dava a vida como finda , e seu amigo (e futuro biógrafo ) Anton Schindler , a fim de distraí-lo , entregou-lhe algumas partituras de lieds (canções: voz e piano) de Schubert . Beethoven teria dito: " Realmente , a faísca do gênio divino  reside nesse Schubert ! ". "... vai ser uma grande sensação  no mundo ". Carl Maria von Weber Weber era um pouco mais novo  que Beethoven ( 17 anos ), primo de Mozart , através da esposa desde, Constanze Weber . Excelente pianista , regente e crítico musical, não gostava, no princípio, da música de Beethoven . Os dois eram figuras colossais  no mundo da música europeia , Beethoven, na música instrumental , Weber, na ópera em alemão . No final, Weber se tornaria um grande admirador de Beethoven. Já este , sem saber e sem querer, era tão importante  e central que ofuscava os demais . Eles se conheceram e 1823 , em um almoço , em que Weber pediu que Beethoven desse uma olhada em sua ópera Euryanthe . "Nós passamos o meio-dia juntos, muito alegres e felizes. Este homem rude realmente fez corte a mim, serviu-me à mesa com cuidado, como se eu fosse uma dama etc." Surdez Já ouvi perguntarem (sério, mesmo) como Beethoven aprendeu a compor surdo . Bom, se você leu este texto até aqui , percebeu que ele não " aprendeu " a compor quando já estava surdo . Sua surdez foi progressiva e ele já tinha publicado várias obras quando ela começou a se manifestar . Foi em 1898 , já pianista e compositor consagrado em Viena , que Ludwig começou a sentir os sintomas da surdez . Que, é claro, se tornariam infernais . Orgulhoso como era e, além de tudo, compositor , no começo , o mestre queria esconder de todos a perda da audição . "No meu ouvido esquerdo, com o qual essa doença nos meus ouvidos começou... eu não escuto as notas mais agudas dos instrumentos e vozes... Às vezes, eu não ouço as pessoas falarem baixo: escuto os sons, mas não as palavras... Meus ouvidos, eles ficam buzinando e cantarolando dia e noite... se alguém grita, é insuportável para mim... Evito as atividades sociais, pois não consigo dizer às pessoas que sou surdo... Como eu deveria confessar a fraqueza de um sentido que deveria ser mais perfeito em mim do que em qualquer outro homem; um sentido que já sentira em mais alto grau do que muitos de minha profissão..." Ludwig van Beethoven A possível causa foi uma Ostesclerose , um crescimento anormal de um osso da orelha que impede , justamente, que a informação auditiva passe da orelha média para a orelha interna . Isso acarretou um caso terrível de tinido , condição em que a pessoa, que já não ouve os sons intencionais , escuta sons imaginários . Robert Schumann foi o caso de um compositor que sofria disso . Além de tudo, a medicina do século XIX , arcaica (mas que resvalou para a medicina moderna ), fazia o que sabia fazer de melhor : piorava a situação . Beethoven foi submetido a tratamentos como: o derramamento de óleo cáustico no ouvido e sangria . Isso, sangria . Isso tudo culminaria na famosa estreia da Nona Sinfonia , em que ele ficou no palco , ao lado do regente , mas não regeu . E, ao final , o público o ovacionou acaloradamente , mas ele não escutou . Foi preciso que uma das cantoras solistas tocasse em seu ombro e o virasse para a plateia delirante .   Certo, mas ele compunha quando já estava surdo , certo? Certo . Acontece que, com a prática e o treinamento correto , qualquer um pode compor se estiver surdo . Não como Beethoven , mas pode-se compor . Usa-se o chamado ouvido interno . Sabe aquela música da Taylor Swift que fica grudada na sua cabeça ? É o princípio de uma manifestação do seu ouvido interno . Você, mesmo que não saiba quais são os intervalos , ou os acordes escutados, consegue ouví-los dentro de si , não é? Um compositor é acostumado a treinar sua audição interna para compor sem precisar de um instrumento . A maioria toca e compõe ao piano , como o próprio Beethoven , no começo . Mas é perfeitamente plausível compor uma sinfonia como a Nona sem instrumento algum . Até porque ela é tão grandiosa ( estravagante ), que um piano não dá conta . No caso de Beethoven , o que mais me impressiona , pessoalmete, é a sua resolução descrita no Testamente de Heiligenstadt . A de continuar vivendo e compondo através e para a sua arte . Ele, literalmente , desistiu do suicídio pela arte . Clássico ou Romântico? Como vimos, Beethoven é, sucessivamente, " encaixado " em três fases . A 1ª delas é Clássica . As outras duas , Românticas . Mas escute essa música , do período mais " clássico " de Beethoven . Trata-se do sengundo movimento , Adagio , da sua 3ª Sonata para Piano . A interpretação é de Alfred Brendel . Se preferir, escute a partir dos 2m10s . Vai entender meu ponto . Porque meu ponto é, justamente, que essa Sonata , de 1795 , se for clássica , é um clássico bem diferente do de Haydn . Veja o primeiro movimento de um Trio com Piano de Haydn , do mesmo ano . A interpretação é do Trio Com Piano de Munique . Se você escutou a sonata de Beethoven , percebeu que ela não tem nada de ordinária . Nada , rien . Ela é poderosa . E, para mim, se uma música é poderosa, não é clássica . O classicismo é a era da frivolidade , da leveza ... Tanto é que nós só lembramos , normalmente, de dois compositores do período: Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart . Porque estão entre os poucos que conseguiram , dentro das regras do clacissismo (e eram muitas , dentre as quais, agradar a aristocracia e entretê-la em jantares mais caros do que seu salário anual ), se sobressair . Espero que esses parágrafos mostrem com fidelidade a importância de Beethoven . É muito difícil cravar " quando ", exatamente, acabou o período Barroco . Igualmente difícil é definir quando terminou o Classicismo . Mas na minha concepção , o Classicismo foi derrubado à força . E por um homem só . Vou insistir na Sinfonia Eroica  e fazê-los comparar com uma obra contemporânea a ela. Quero que ouçam apenas o início dos trechos a seguir : Beethoven - Sinfonia Nº 3 'Eroica', de 1802.   Haydn - Concerto para Trompete, de 1796. Na ' Eroica ', escrita em 1802 , chamam-nos a atenção imediata os dois acordes iniciais . Agressivos , expoentes do que eu chamo de " a raiva de Beethoven ". O Tema A  aparece logo depois, nos Violoncelos e é rudemente interrompido pelos Violinos . No Concerto , escrito em 1796 , não há nada  nesse sentido. Nada acontece fora do previsto  pelas convenções musicais  da época . É ruim ser convencional ? Não . Haydn era, mesmo, um gênio . Mas, se fosse por ele , ainda estaríamos por aí, com Sinfonias , Sonatas e Concertos de 15 minutos . (E isso já seria demais para alguns !) A ' Eroica ' dura 50 minutos , tempo suficiente para o compositor fazer tudo o que sabe e, ainda, elevar a  exigência do público . Sinta-se à vontade para comentar o que você acha. Quando o livro sair, farei o estardalhaço que se espera. Para comentar , basta rolar abaixo  e encontrar uma caixa de diálogo vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Uma Única Vela

    Por Rafael Torres Um conto-aperitivo dos " Contos Medonhos e Desarranjados, Opus 2 - Reformas ". Vassily Arkadyevich Bogdanov nasceu e foi criado no norte do continente asiático . Da Rússia . Muito ao norte . Tão norte que, pela maior parte do ano , ele nem mesmo se preocupava em saber se era sol ou era lua o que iluminava debilmente seu chão . “ É a taiga “ – rosnava seu pai. Vassily só sabia que já teria mais um ano de idade quando a luz no céu , por mais débil , sumisse e cedesse lugar à mais confortável e docemente habitual escuridão . E a luz , acovardada (do sol , ou da lua ?), tornar-se-ia intermitente , ela mesma não convencida de sua própria utilidade . No escuro , sob a luz de uma única vela , seu comportamento , paradoxalmente, se iluminava , ele dançava com sua amada irmã Irina , velhas polcas que chegavam pelo rádio de seu pai . Morava em uma cabana na floresta , sem vizinhos , sem TV , quase sempre mergulhado em um frio perigosíssimo (para o qual, à medida em que Vassily e Irina iam crescendo , seu pai lhes providenciava, sabe-se lá como, agasalhos , sempre de eficiência limítrofe ). O pai era de poucas palavras (que, costumeiramente, se resumiam a “ é a taiga ”) e, se não era violento , era rude e parecia estar permanentemente em estado de desconforto , irritação , aborrecimento ... Isto é, nos curtíssimos momentos em que estava em casa e sem dormir . Pois dormia algumas míseras horas , alimentava-se , vestia sua estranha indumentária , pegava seu machadinho , batia a porta , acordando as crianças , e passava horas incontáveis fora . Só voltava para dormir novamente . Vassily sequer tentava imaginar , ainda mais perguntar , aonde ele ia e o que fazia lá . Sabia, apenas, que eles se escondiam do mundo . Algo que seu pai houvera feito ? Além de roupa , vez por outra, seu pai trazia mantimentos , eventuais caças , e alimentos para os bichos , que eram a principal fonte de alimentação da casa . E livros . Por algum motivo , seu pai trazia uma batelada de livros , grandes , velhos e mofados , e nada falava . Mas Vassily sabia, de alguma forma, que precisava lê-los , todos. E lia . Sempre sob a luz de uma única vela . Às vezes ria : “ Irina , esse Rodion Românovitch Raskólnikov  só pode ser um idiota ”. Os coelhos , galos e galinhas eram em quantidade boa e calculada para produzir sempre novas gerações , que produziriam mais gerações , antes de virarem comida . Água , era a do riacho , que fluía a poucos passos de sua porta e nunca congelava . Pois bem , mas a questão é que essa vida , na qual Vassily não sabia do mundo , não sabia o que fazia ali , não sabia (oh céus!) o que havia ocorrido com sua mãe , nem que tipo misterioso de trabalho seu pai executava , criara um Vassily extremamente inseguro . Um Vassily vacilante . Sobretudo no que diz respeito a dilemas e dualidades . Ele nunca aprendeu definitivamente qual era o sol , qual era a lua : tinha que pensar um bocado . O problema era que isso ia se estendendo , adquirindo outras incontáveis consequências . Se Irina pedisse que erguesse a mão direita , ele parava , pensava por um longo tempo até que, por fim, erguia a direita . Mas logo corrigia e levantava a esquerda . Irina , que, aos cinco anos , facilmente percebera essa dificuldade , parecia se divertir um absurdo , sempre fazendo pedidos similares . Apenas duas coisas , ele não confundia , mesmo não sabendo muito sobre elas . Comunismo e capitalismo . Dois horrores que lhe causavam arrepios . Um , maléfico de um jeito . O outro , tanto quanto , de maneira completamente oposta . Irina era precoce . Já sabia ler e tocar balalaica . E muito bem . Mas como seu pai não tinha uma balalaica , apenas um violão , ela tocava como um anjo . Um dia, em 1959 , aos 12 anos de Vassily , seu pai não voltou . Ele e Irina (que tinha 9 ou 10 ), esperaram e esperaram . Por tanto tempo quanto conseguiram . Em dois meses os mantimentos começaram a sumir . Em 4 meses , até os coelhos (os coelhos !) minguaram a um nível alarmante . E Vassily preferiu tomar uma atitude que lhes garantia (ele calculava) uns 20% de chance de sobrevivência a, simplesmente , esperar a morte . Esta, 100% certa . Em uma caixa de madeira , atou uma corda , pôs toda a comida e água da casa , vestiu-se e a Irina da maneira mais agasalhada que pôde e os dois se lançaram na penumbra , com a caixa de madeira se arrastando pela neve . Seu rastro , uma estrada que ia dar nos dois meninos . Sorte que era inverno . Ou seria verão ? Paravam muito pouco , Irina chorava muito e Vassily não tinha forças nem um bom argumento para consolá-la , mas a abraçava . Mesmo quando andavam (e andavam e andavam...), ela estava sempre emitindo um débil e vacilante (mas afinado) gemido . Até que, certo dia , abruptamente, o gemido parou . Vassily olhou para trás e viu a silhueta de Irina , congelada no mundo e no tempo . O único indício de que vivia era o vapor que ela exalava pela boca , que, por sinal, estava acelerado . Correu até ela, olhou e vasculhou no breu da floresta , até pensar ter visto uma casinha . Aproximaram-se . O casebre tinha algo .... Uma cor , um feitiço ... Que os fazia querer se aproximar . Era uma casinha estranha , alta , içada a, pelo menos uns dois metros do chão . Girando , lentamente. Como se seduzidos por ela , aproximaram-se . E constataram , apavorados , que o que mantinha a cabana elevada era um par de gigantescas patas de galinha . - Baba Yaga ... - Irina murmurou. Antes que pudessem pensar em correr foram pescados e içados por galhos , aos gritos , à porta do casebre , que já estava aberta . Ficaram paralisados na pequena varanda , sem ousar sequer respirar . Mas uma força invisível os carregou para dentro das paredes . Parecia ser a vontade deles mesmos . A primeira coisa que viram foi apavorante , mais do que o mais terrível pesadelo . No canto do cômodo incomodamente apertado , a bruxa Baba Yaga era exatamente como sua avó descrevera , muitos anos antes. Os olhos eram, literalmente, de fogo , o nariz era grande e extraordinariamente arrebitado , os seios tocavam o chão e, se não fosse por este, cairiam , ainda, além . As roupas , de um colorido eclético e exótico , eram horríveis . Mas o pior de toda a visão é que ela estava sentada no fogão com as pernas abertas , e a roupa rasgada emoldurava claramente a mais asquerosa vagina , com lábios escuros , grandes e molengas . Isso só não gerou um trauma e uma repulsa pelo sexo feminino em Vassily porque ele fechou os olhos e pensou na vagina pura e geometricamente perfeita de sua irmã . Sem o menor resquício de malícia . Inocentes , ainda se banhavam juntos . Uma única vela iluminava o cômodo . - Ah... - disse a bruxa , em uma voz demoníaca e máscula , depois de farejar com força - o cheiro russo ... - Baba Yaga ... - Vassily hesitou , tinha que tentar - Baba Yaga , nós estávamos perdidos na floresta - ele gaguejava incontrolavelmente - não pretendíamos cruzar o seu caminho ... - Cale-se , filho de   Arkadi Nikolaievich ! - ela o interrompeu, como se não existisse nada no mundo que já não tivesse escutado , especialmente nessa hora - Eu não estou aqui para conversar . - E está aqui para quê ? - Irina perguntou, chorando. - Ora ! Ora mais, Irina Arkadyevna ! Vou comer um de vocês – fez uma pausa – apenas um – e deu um levíssimo sorriso – e passar um recado para o outro - e seu semblante era de uma majestade velha como a Terra . - Não vai comer ninguém ! – Vassily disse, bravamente , mas com a voz trêmula e frágil - Podemos conversar ... – ele disse, sentindo-se absurdamente atrevido . Ela não respondeu ou sequer pareceu ter dado ouvidos , mas, depois de uma pausa ( angustiante , para os meninos ), sua presença se fez , de repente, mais presente . Animara-se com algo . - Sim , sim! Conversar ! Já faz um bom tempo que não converso um pouco, antes da refeição. Sobre o que quer conversar, jovem Vassily Arkadyevich ? - O que sabe sobre meu pai ? – ele segurava firmemente a mão de Irina . - Ah... Menino astuto . Está bem. Falemos sobre Arkadi Nikolaievich . O que sei sobre ele . Vejamos . Que foi um importante comandante do Exército Vermelho . – e sua voz se fez misteriosa – Que desertou ... Que odiava a si , ainda que não o assumisse – virou a cabeça, com os olhos de chama , na direção deles – Que o capturei e a Katarina Pavlova . - O que fez à minha mãe ? – dessa vez a voz de Vassily saiu firme e urgente , e ele ofegava , assim como Irina .  - Katarina Pavlova ? Comi – ela soltou, com uma simplicidade aterradora . Mas, depois, pôs-se a rir . Os meninos quase não acreditavam no que ouviam . Em tudo que estava acontecendo – Quanto a Arkady Nikolaievich , fizemos um trato . Quando era, ainda, muito novo, Arkady apaixonou-se perdidamente por Katarina Pavlova . Ela o fez prometer que desertaria do Exército Vermelho - o que não foi difícil , ele já estava balançado - e viveriam fora do país . Não deu muito certo , pois acabaram no norte , quase no polo norte . - E que promessa você fez a eles ? – Vassily estava curioso. - Eu os capturei . Você (olhou para Irina ) ainda estava na barriga dela . O trato foi que eu a comeria (ela falava devagar ), quando parisse . E deixaria Arkady sossegado com os filhos , desde que ele sempre me trouxesse carne russa . - E agora, morto , ele não traz mais nada . E você vai se vingar em nós ? – Vassily criou muita coragem para falar isso. - Errado, Vassily Arkadyevich . Farei novo trato com você. Comerei esta jovem e deliciosa russa , Irina Arkadyevna . - Não , jamais ! Espere ! Leve a mim ! – Vassily estava desesperado – Deixe-me dar algumas coisas para ela . Eu darei menos trabalho – blefou , mas já entregando à irmã seu exemplar de “ Crime e Castigo ” e o violão . - Você pode partir ! E me traga carne russa uma vez por mês – e um galho agarrou Vassily e o levou ao chão . Antes que pudesse se recuperar , a cabana havia sumido . - Irina ... Baba Yaga ... – ele gritou até o dia escurecer . Mas não houve resposta . Vassily prometeu a si mesmo, naquela hora, que encontraria sua irmã viva e mataria Baba Yaga ... ou morreria tentando matá-la, não sabia ainda que destino teria. E foi o que tentou , por exatamente 8 anos . Aos 22 , vivendo em Leningrado há anos , ele permanecia confuso . Além de permantentemente atônito com a cidade . Perguntava-se se outras cidades , como Paris , eram igualmente iluminadas e tentavam tão desesperadamente deixar o sujeito feliz . Mas Vassily tinha um pequeno círculo de amizades , que o apelidara de ranzinza pitoresco : странный ворчливый , ou strannyy vorchlivyy , no alfabeto ocidental . Havia , a inda, muito novo , feito o teste e merecera um documento que o autorizava a dirigir . E ele sempre dirigia , conhecia Leningrado como ninguém, virou taxista . E sempre que alguém lhe pedia para virar à esquerda ou direita ele olhava numa tabelinha grudada no volante . Certo dia, Vassily pegou um passageiro bem-vestido e de poucas palavras . Parecia um homem distinto e entrou no carro já demandando , não perguntando , que Vassily o levasse ao Palácio de Catarina , o que fez uma das sobrancelhas (a esquerda?) do motorista levantar . O Palácio era longe e mal afamado . - Isto deve cobrir sua ida e sua volta – o homem lhe estendeu um envelope de dinheiro . Vassily sequer ousou olhar. Pelo volume, era mais do que jamais recebera . Daria para dar a volta ao mundo , se o cidadão assim desejasse (tomara que não). Em quase uma hora estavam em frente a um suntuoso palácio pintado do que ele reconhecia como azul . O homem desceu , agradeceu e se foi . Apenas então , Vassily contou quanto recebera . Era muito , um absurdo . Cobriria , tranquilamente, cerca de um ano de sua vida (que, frugal , era extremamente barata ). Mas o estranho dessa viagem não foi a ida . Quando voltava , pela mesma estrada , Vassily viu um homem cambaleando pela beira desta. Vassily era bom , tinha uma alma e uma humanidade que, às vezes, o prejudicavam . Além disso, por algum motivo, sentiu uma espécie de necessidade, quase um ímpeto de ajudar . De modo que resolveu parar e perguntar se estava tudo bem . - Sim , sim – disse, em russo , o homem jovem , que lhe era ligeiramente familiar – Mas vou precisar de uma carona . - Claro ! Entre, entre. O homem entrou , renovado e, agora , Vassily pôde ter certeza de onde o conhecia. - Você é... me parece que você é... Rodion Românovitch Raskólnikov – falou Vassily. - Como pode ter me reconhecido ? Raskólnikov é um personagem de romance. Mas meu nome é , de fato, Rodion . Vassily estava confuso . Havia lido tanto “ Crime e Castigo ” que não poderia estar errado . Aquele era   o personagem central do romance. - Muito bem, senhor Rodion Românovitch . – recompôs-se – Para onde vamos ? - Norte , meu caro, o mais ao norte que puder . - Mas não posso ir ao norte – Vassily gaguejou . - Refere-se a Baba Yaga ? – Rodion perguntou, naturalmente. - Como sabe ? – Vassily se sobressaltou – Eu jamais contei a alguém . - Não é vingança , o que quer ? Vingança , terá . - Eu só quero uma pessoa de volta . - Pois eu tenho boas notícias . Irina Arkadyevna está viva . Vassily se assustou . - Então a conhece ? - Não , não é tão simples . Eu apenas sinto . Sinto que sua irmã vive e está bem . Mas temos que resgatá-la daquela falsa bruxa . - Quem é você ? - Vassily vacilou. - Sou a Taiga - o homem respondeu com distraída sinceridade . Quase casualmente . Vassily começou a achar aquilo tudo muito surreal . Medo de morte percorria sua espinha . - Mas quem é , de fato? E por que devo confiar em um palpite seu ? - Bom, creio que a situação pede honestidade total . Chamam-me de Francisco . Mas eu sou Jurupari . Vassily , que jamais ouvira aquele nome , sentiu um tremor . Quem quer que fosse o Jurupari , Vassily sabia que falava apenas a verdade . Ele, ao menos, estava certo de que Irina vivia . E essa possibilidade era muito mais importante do que qualquer envelope de dinheiro – e ele poderia encher o tanque do carro quantas vezes quisesse , com o que havia ganho na viagem anterior . Viajaram durante horas , quase em silêncio . Vassily tinha muitas dúvidas , mas tinha medo de perguntar . Como iriam enfrentar Baba Yaga ? A feiticeira não comera sua irmã ? E como o homem sabia de tudo isso ? Seria ele poderoso como a bruxa ? Enfim, o dia já raiando , provavelmente, em Leningrado , chegaram à taiga . A partir dali, deveria ser uma longa viagem à pé . O homem desceu primeiro , parecia ansioso . - Ah – disse, enfim – Não são mais que vinte minutos de caminhada . Vassily desceu , quase apavorado. Queria muito rever sua irmã , mas não queria pôr os olhos na feiticeira . Caminharam , até que os vinte minutos parecessem horas . Era muito escura , a Taiga . O homem ia guiando , parecia que farejava . E parou. - Ali ! A cabana sobre patas de galinha ! Vassily quase fechou os olhos , até que enxergou . Quis fugir , mas a promessa de ver Irina falou mais alto . Caminharam lentamente e silenciosamente até a cabana . Até que, para surpresa de Vassily , o homem gritou . - Ježibaba ? Sou eu, Jurupari . A feiticeira logo apareceu na sua varandinha . - Ora, ora! Subam . Antes que pudessem perguntar como fariam isso , dois galhos enormes os içaram . - Vejam ! Se não é o poderoso Jurupari – a bruxa tinha uma voz envelhecida . - Vim buscar Irina . Como ela está ? – Jurupari falava em tom autoritário . - Entrem , vejam por si mesmos... Ao entrarem na cabana, depararam-se com Irina . Parecia bem , estava linda . Os irmãos se abraçaram . - Irina , você foi bem tratada ? – Jurupari perguntou. - Sim, senhor Raskólnikov – ela respondeu com uma voz firme e delicada , ao mesmo tempo – Baba Yaga não é tão má quanto quer parecer . - Ježibaba ? Esta não está nem perto da poderosa Baba Yaga . É uma de suas irmãs . A verdadeira Baba Yaga – virou-se para a bruxa – Está comigo , no Brasil . Pois muito bem, acho que terminamos por aqui – Jurupari sentenciou . - Não, senhor – Ježibaba   falou, cinicamente – Eu preciso da menina. - Não tanto quanto eu e Vassily . A bruxa tentou lançar um feitiço em Jurupari , mas este foi mais rápido e o rebateu. Ježibaba   morreu com um grito horripilante . - Baba Yaga ! Vejam só – disse Jurupari , simplesmente. Foi quando percebeu que Irina estava caída a chorar . Seu Irmão, Vassily , havia sido atingido pelo feitiço da bruxa . Não havia algo que pudessem fazer . - Sinto muito , Irina Arkadyevna ... – Jurupari falou em tom ameno e tranquilizador , segurando o chapéu – Vassily Arkadyevich morreu ao salvá-la. Irina se sentiu agradecida . Mas precisaria de um tempo para assimilar a morte do irmão . - Obrigada , senhor Rodion Românovitch Raskólnikov ! – lançou-lhe um sorriso . Deram-se as mãos e se foram . Naquela noite , pegaram o primeiro voo . Mas não para o Brasil . Em vez disso, foram aos Estados Unidos , para desapontamento de Irina . Jurupari e ela não precisaram de nenhum papel para mostrar às autoridades . Estas, simplesmente, não pareciam notar sua passagem . Continua ... Comente , que eu leio . Seu comentário é muito importante , seja ele favorável ou não . 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  • Enquete - Livro digital Rubi BOto com ou sem cifras?

    Por Rafael Torres Em 2022 lencei, pela editora paranaense Viseu , meu primeiro livro : Rubi Boto, Letras de Músicas e Outros Escritos . Pois agora , quero relançá-lo em formato digital . Mas tenho uma dúvida em que talvez possam me ajudar . A parte das letras : lanço com ou sem as cifras ? Veja, abaixo : Manual da Leveza , letra e letra e música. Meu raciocínio é o de que, quem quer conhcecer a música, vai querer saber algo do processo de composição (e o nosso cérebro aprende um bocado, assim .) Mas, aí, vem o meu diabinho de obmbro e pergunta: quem , no mundo, vai querer saber disso ? O anjinho responde: foi assim que você aprendeu. E ensinou ... Nossa, isso está tão metafísico que daria para virar um dos contos . Sim, porque o livro é repleto de microcontos , frases e, até, desenhos . Darei apenas alguns exemplos : Vozes VOZ 1: ... e a cidade ficou tão grande que... que... Tô sem ideia . Diz aí. VOZ 2 : Tão grande que houve um evento de extinção em massa em alguns bairros e outros nem ficaram sabendo . VOZ 1 : ... Cara, você é bom , mesmo!      Etc. Etc. . VOZ 1 : Eu acho que o Rafael é um imbecil que evoluiu . VOZ 2: Mas um imbecil evoluído é mais imbecil ainda ou menos ? VOZ 1: Fica no ar ... VOZ 2: Vai encher o saco de outra pessoa ! Etc. Etc. . VOZ 1 : Você falou " assumir " no sentido de " presumir ". VOZ 2 : Oh, não! E agora? Como prosseguir vivendo ? VOZ 1 : Você acha que está sendo irônico ? VOZ 2 : Espera aí, como assim, " acha "? Etc. Etc. Notas de um pessimista   – Se você tem 23 horas convenientes num dia, vão te solicitar na 24ª .   – Se chamarem por ti com voz de raiva , pode ir tranquilo , que não é nada . Mas se chamarem despretensiosamente ...   – Gosta de ouvir um disco de vinil ? Seu celular haverá de apitar em incrível sincronia com a agulha descendo .   – É músico e quer ser escutado ? Amigo, esquece isso. Vá escrever um livro . Que também não vai ser lido .   – No dia em que alguém muito importante te ligar, vai ser pra pedir o número de outra pessoa .   – Então você escreve poesia ... Os teus melhores versos, alguém já os escreveu , e, provavelmente, com mais categoria .   – As pessoas percebem que, na maior parte do tempo , você está tentando se safar de uma conversa .   – Você vai passar muito tempo querendo , muito tempo tentando e sempre vai conseguir . Mas vai passar pouco tempo desfrutando . Enfim Quero apenas que você comente se faço com cifras ou sem . E, de quebra , me diga se está difícil comentar no Wix . Comente , que eu leio . Basta descer mais um pouquinho e encontrar a caixa vermelha ! Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • O Mistério do Trágico Incidente Dyatlov

    Por Rafael Torres Editado em 25/05/2025 Parte do grupo de Dyatlov. A Terra tem muitos mistérios. Um mistério é ter gente que acha que ela é plana . Outro : como foi que o mundo se tornou tão desagradável ? Se reduzíssemos a humanidade ao ideal de certas pessoas , só haveria: homens , loiros , altos , héteros (sei lá como, pois não existiriam mulheres ), armados e com camisa xadrez . E nenhum deles poderia pilotar um avião . Não acho sustentável . Tá bom, estou pensando alto . O que eu quero falar aqui é daquele que me parece um dos maiores mistérios da história . O Incidente Dyatlov . Eu tive minha fase , quando a internet era mais incipiente , de bancar o detetive e buscar respostas ou conjecturas sobre grandes enigmas . Não tenho mais , a maioria parece bobagem . O Mary Celeste , por exemplo: pode ter sido uma tempestade , ou então o capitão pirou e matou todo mundo . Ou acharam uma ilha tão bonita que quiseram ficar lá . Amelia Earhart tenho quase certeza que caiu . Mas o Incidente Dyatlov é o diacho . Simplesmente não tem explicação . Vamos do início . Em fevereiro de 1959 , Rússia , um grupo de 10 esquiadores e esquiadoras , liderados por Igor Dyatlov (pronuncia-se Diatlov , não Daiatlov ) , partiu em uma expedição pelos montes Urais . Eles queriam chegar ao monte Otorten , a 10 Km de onde partiram. Um dos esquiadores ficou doente e voltou , restando apenas 9 . Os Personagens Os nomes russos são constituídos pelo prenome + o nome do pai , seguido de vich ou evich + o sobrenome do pai . Yuri Yefimovich Yudin seria o 10º da expedição, mas a saúde o eliminou ( salvou ?), no começo da escalada. Ele viveu com o trauma , declarando à imprensa que, se pudesse fazer uma pergunta a Deus , seria: " O que aconteceu com meus amigos naquela noite? " Morreu em 2013 , tão ignorante da resposta para sua hipotética pergunta divina quanto todos nós . Abaixo: Nikolay Vladimirovich Thibaux-Brignolelle , Rustem Vladimirovich Slobodin e Semyon Alekseevich Zolotaryov ; Zinaida Alekseevna Kolmogorova , Georgiy Alekseevich Krivonischenko , Igor Alekseevich Dyatlov ; Yuri Nikolaevich Doroshenko , Aleksander Sergeevich Kolevatov , Ludmila Aleksandrovna Dubinina . O Incidente O objetivo da expedição era alcançar o Monte Otorten , na Cordilheira dos Montes Urais , na Sibéria , Rússia (então, União Soviética ). O grupo estava animado . A trilha era difícil , mas todos eles tinham experiência . Ora, alguns fizeram a expedição para ganhar o nível 3 no montanhismo. No dia 1º de fevereiro eles acamparam numa passagem conhecida como Kholat Syakhl , que significa Montanha dos Mortos na língua Mansi , do povo local. Ou, então, Montanha Estéril . Hoje o lugar é conhecido como Passagem Dyatlov - não há quem traduza essa coisa? Não há consenso sobre nada a respeito do Incidente Dyatlov ? Verão que não . Até quando acamparam , tudo estava bem , os diários e fotografias nos certificam disso. Mas de madrugada alguma coisa aconteceu . Alguma coisa fez aqueles 9 jovens abandonarem o calor de sua barraca e irem procurar refúgio na floresta , a cerca de 1.500 metros da clareira onde estavam. Eles saíram da barraca , não pela porta , mas por cortes feitos à faca no pano da lateral . Alguns saíram de meias , outros com apenas um sapato e outros, ainda, descalços . O frio era desesperador , cerca de - 30º C . As pegadas indicam que eles não estavam correndo em desespero , mas que saíram ordenadamente . Semanas depois, quando eles não apareceram , as autoridades começaram a encontrar os corpos . Foram encontrados nos mais diver sos lugares . Alguns fizeram uma fogueira sob as árvores , mas morreram de frio , mesmo assim (estavam só com a roupa de baixo ), outros caíram de uma ravina , outros morreram de hipotermia ao tentarem voltar para a barraca . No final das contas nenhum dos nove apareceu no ponto final . Uma das moças tinha a língua decepada e estava sem os olhos (dizem que pode ter sido algum animal ou até mesmo o frio , mas muitos questionam essas hipóteses). Um outro tinha levado uma pancada no peito comparável à de um atropelamento . Outro estava sem a orelha ! Outro, ainda, tinha um buraco na parte frontal da cabeça . Na árvore , os galhos tinham sido quebrados até 5 metros de altura, dando a entender que alguém tinha subido para olhar a barraca . (Parêntesis para Semyon Zolotaryev - Um dos membros do grupo , Semyon Zolotaryev , era, no mínimo, estranho . Ele não era do grupo ; tinha uma certidão de nascimento com data diferente da que constava no cartório ; era bem mais velho ( 38 ) que os outros do grupo ; tinha várias tatuagens (incomum, em 1959 ) incluindo um pentagrama ; tinha dentes de ouro ; era solteiro , o que era estranho , na sua idade ; suspeita-se que trabalhasse para a KGB ; e o pior de tudo: o DNA ( mitocondrial ) do corpo atribuído a ele não combina com o dos seus sobrinhos . Como se jamais tivessem enterrado o verdadeiro corpo de Semyon . Em seu favor , havia se entrosado com o grupo porque era divertido , cheio de histórias da 2ª Guerra e ainda tocava música para dançarem (e sabia várias ). E, de qualquer forma , se alguém matou o grupo , não levou qualquer pertence deles ( câmeras , diários , dinheiro ...). Uma teoria diz que ele forçou os outros a sair da barraca , andar até a floresta , e os matou . E achou alguém para servir de corpo em seu lugar. Tá bom, improvável . Fecha Parêntesis) Investigação A investigação subsequente demonstrou que: três morreram de ferimentos ou pancadas e, seis , de hipotermia ; a possibilidade de avalanche era baixíssima (era uma passagem relativamente plana e o grupo saberia onde acampar para fugir da possibilidade de uma. Além disso, eles fugiram montanha abaixo , exatamente para onde uma avalanche correria ); eles não foram atacados pelos Mansi e nem por algum animal selvagem , pois não havia pegadas que o indicassem ; havia radiação nas roupas deles (o que pode ser explicado pelo fato de que alguns trabalhavam, na universidade, com produtos radioativos ); a pancada em um dos rapazes foi fatal e tem uma particularidade : não pode ter sido causada por alguma criatura , pois não havia dano na pele dele, o ferimento era interno ! Durante o funeral , as pessoas notaram que eles todos tinham um bronzeado laranja bem forte . Os primeiros a serem achados , em 27 de fevereiro de 1959 , foram Yuri Nikolaeevich Doroshenko , Yuri Alekseevich Krivonischenko , Igor Alekseevich Dyatlov e Zinaida Alekseevna Kolmogorova . Estes morreram de hipotermia . Mas há um porém : Doroshenko tinha (revelado depois, na autópsia ) um edema pulmonar e uma concussão pulmonar ; Krivonischenko tinha queimaduras de 3º grau e Dyatlov vomitara sangue . Kolmogorova tinha um hematoma em forma de batom , na cintura . Em 5 de março do mesmo ano, foi encontrado o corpo de Rustem Vladimirovich Slobodin . Possuía um trauma craniano que nunca se soube explicar. Os corpos restantes, de Lyudmila Aleksandrovna Dubinina , Aleksander Sergeevich Kolevatov , Nikolay Vladimirovich Thibeaux-Brignolle e Semyon Alekseevich Zolotaryov , foram achados pelos nativos locais Mansi , meses depois de mortos . As Mortes As buscas se iniciaram por causa da falta de notícias . Eles deveriam escrever em 12 de fevereiro , mas atrasos eram comuns naquele tipo de expedição . Entretanto, dia 20 de fevereiro , com a pressão dos pais , o Instituto Politécnico Ural (em que a maior parte do grupo estudava ), enviou uma equipe de resgate , formada por professores e alunos voluntários . Logo, o exército se jutou . Os 4 primeiros corpos encontrados estavam entre o pinheiro e a barraca , a maioria em postura de quem quer voltar a esta . A busca pelos outros 5 esquiadores durou mais de 2 meses . Os corpos Encontrados sob o cedro, na beira da floresta: - Georgiy Alekseevich Krivonischenko : Georgy é um dos poucos a que se pode atribuir com exatidão a causa da morte . Hipotermia . Suas roupas foram retiradas pelos seus amigos . Seu corpo foi descoberto sob o pinheiro . Vestia apenas : uma camiseta ; uma camisa xadrez  e calças. Dos seus ferimentos , temos: 01. Hemorragia difusa  na região temporal ; 02. Ferida no osso temporal   esquerdo ; 03. Pele da mão esquerda ,  danificada  (sugere-se que ele queria passar o maior tempo possível na árvore e, para se manter acordado , mordia a própria mão ); 04. Abrasão vermelho-clara  na lateral direita  do seu peito ; 05. Abrasões vermelho-escuras  na parte frontal da coxa esquerda . Georgiy Alekseevich Krivonischenko - Yuri Nikolaevich Doroshenko : Com 1,80m , Doroshenko era o mais alto  do grupo. Sua coloração post mortem  também era estranha : púrpura-amarronzado . Foram achadas manchas de hipóstase na parte traseira do seu pescoço , torso e extremidades , o que não condiz  com a posição em que o corpo foi achado . Pode indicar que o corpo foi movido depois da morte . A quantidade de urina em sua bexiga também não se aplica  a alguém que tenha morrido por hipotermia . Os legistas da época identificaram as feridas e abrasões como nada que pudesse   matar uma pessoa  - explicando que Doroshenko podia ter se tacado  em rochas , gelo etc., em um estado de agonia . Ele vestia : camiseta de algodão ; camisa de mangas curtas ; shorts ; calças e um par de meias . 01. Cabelos queimados , do lado direito  da sua cabeça ; 02. Lábios , nariz e orelhas cobertas de sangue ; 03. líquido cinzento  saindo pela boca (possivelmente, um edema pulmonar ); 04. Feridas marrom-avermelhadas  na parte de cima do seu antebraço direito ; 05. As mãos e as pontas dos dedos  tinham úlceras de frio  (diz-se que, se Yuri Nikolaevich Doroshenko tivesse sobrevivido , teria que amputar todos os dedos das mãos e dos pés ) etc. Yuri Nikolaevich Doroshenko Encontrados entre o cedro e a barraca: -   Igor Alekseevich Dyatlov : Dyatlov , o líder do grupo  e quem dá, hoje, nome à passagem em que morreram , foi encontrado há 300 metros do pinheiro , entre este e a barraca . Por sinal, sua cabeça estava levantada , como se estivesse tentando  ir em direção a esta . Vestia (relativamente bem): jaqueta desabotoada ; sweater ; blusa de manga longa ; camisa ; calças de ski . Sua jaqueta desabotoada  é incomum para quem tem hipotermia e para quem tem " desnudamento paradoxal ". Seu corpo tinha uma coloração post mortem  um tanto estranha . Era vermelho-azulada . 01. Pequenas abrasões  na testa e nas pálpebras superiores ; 02. Sangue seco na boca ; 03. Faltava-lhe um dente incisivo inferior ; 04. Joelhos machucados , sem sangramento nos tecidos infeirores ; 05. Abrasões vermelho-amarronzadas  nos calcanhares , com hemorragia nos tecidos internos ; 06. Descoloração cinza-púrpura  na parte traseira da mão direita . Igor Alexeevich Dyatlov - Zinaida Alekseevna Kolmogorova ( Zina ): Zinaida estava melhor vestida do que os outros três ( 4 foram encontrados , primeiro). Tinha : dois chapéus ; camiseta de manga longa ; sweater ; camisa xadrez ; calça de algodão ; calças de montanhista e três pares de meias . 01. Uma abrasão vermelho-escura na saliência frontal do crânio ; 02. Abrasão vermelho-escura nas pálpebras superiores ; 03. Várias feridas na bochecha esquerda ; 04. Manchas na pele no lado direito da face ; 05. Pele faltando na base do terceiro dedo ; 06. Uma longa ferida na região lombar , na parte direita das costas . Zinaida Alekseevna Kolmogorova - Rustem Vladimirovich Slobodin : Slobodin estava melhor vestido  que seus companheiros achados anteriormente . Uma blusa de manga longa , camiseta , um sweater , duas calças , dois pares de meias  e uma bota de feltro  ( valenki ). Um par de botas de feltro - valenki . Seu corpo foi encontrado um dia após a autópsia dos 4 corpos encontrados primeiro , com o relógio marcando 8:45  da manhã . 01. Hemorragias nos músculos temporais ; 02. Pequenas abrasões marrons na testa ; 03. Ferimento vermelho-amarronzado  na pálpebra do olho direito ; 04. inchaço e vários pequenos ferimentos  em ambos lados da face ; 05. Feridas nas juntas de ambas mãos  (que são comuns em lutas corporais ); 06. Lábios inchados ; 07. Fratura no osso frontal  ( testa ). Rustem Vladimirovich Slobodin Encontrados sob uma ravina (2 meses após os demais) - Nikolay Vladimirovich Thibaux-Brignolelle ( Tibo ): Um dos mais bem agasalhados do grupo, na hora do incidente , Thibaux-Brignolelle vestia: um chapéu ; camiseta ; jaqueta ; luvas (encontradas em um de seus bolsos ); meias e um par de botas ( valenki ). 01. Várias fraturas no crânio ; 02. Um ferimento no lábio superior ; 03. uma hemorragia no braço direito . Na conclusão da autópsia , o médico atesta que tais machucados não poderiam ter sido causados por uma queda ou um lançamento ou empurrão do corpo . A fratura no crânio era equivalente à que se espera de um impacto com um carro em alta velocidade . Nikolay Vladimirovich Thibaux-Brignolelle -   Lyudmila Aleksandrovna Dubinina ( Lyuda ): Esta foi encontrada em um declive (por onde passava um rio e, por isso, a queda era grande ). Estava vestida com: uma camiseta de manga curta ; uma de manga longa ; dois sweaters (que, posteriormente, mostrou-se conter mais radiação do que se pode esperar em qualquer estudante de química ); meias longas ; duas calças e um chapéu . Sua autópsia (ou, ao menos, o resultado ) foi superficial . Os legistas disseram que ela não estava sexualmente ativa (ou seja, não tinha sido atacada por ninguém - o que não deixa de ser uma informação extremamente inútil ). O relatório da autópsia dizia, apenas isso e que " a língua está faltando ". Os corpos anteriores tinham tido uma autópsia detalhada . 1. Tecido mole faltando ao redor dos olhos , nariz e sobrancelhas ; 2. Faltavam-lhe os olhos ; tinha o nariz quebrado ; 3. Faltava-lhe o tecido mole do lábio superior ; 4. Faltava-lhe a língua ; 5. Várias costelas quebradas ; 6. Uma hemorragia enorme no coração . Ludmila Aleksandrovna Dubinina - Semyon Alekseevich Zolotaryov : Semyon Alekseevich , assim como Dubinina , tinha um padrão de feridas muito parecido . Como se, o que quer que o tenha causado , fosse da mesma fonte , do mesmo evento . Também foi achado na ravina . Ele vestia : dois chapéus ; cachecol ; camisetas (1, de manga curta , a outra, de manga longa ); sweater e um casaco desabotoado em cima . Provavelmente, não morreu de hipotermia . Seu corpo tinha uma câmera ao redor do pescoço , o que, segundo Yuri Yudin (o que voltou ), era uma completa surpresa . Tendo estado no grupo nas fases iniciais da expedição , Yuri afirmava que o grupo só tinha 4 câmeras (todas encontradas na tenda ). Essa era, justamente, a 5ª . E o filme fora danificado por causa da água do rio . Olhos faltando; Faltava tecido mole perto da sobrancelha esquerda; Feridas abertas no lado direito do crânio , ficando o osso , exposto . Semyon Alekseevich Zolotaryov - Aleksander Sergeyevich Kolevatov : Aleksander era o atleta do grupo. Era um caminhante nato . Tinha apenas 24 anos de idade , ao falecer . Cursava o 4º ano de física (era especializado em física nuclear ) na Faculdade Politécnica dos Urais . Estava vestido , quando encontrado, com uma camiseta de manga longa , dois suéteres , calças , roupas de baixo compridas , dois pares de meias , um par de chinelos feitos em casa, uma jaqueta e um relógio . Precisamos notar que suas roupas estavam intactas , comparadas às dos outros membros do grupo, mas isso pode se dever ao fato de que estes usaram suas roupas, após sua morte . Aleksander Sergeyevich Kolevatov era um dos mais enigmáticos do grupo, tendo sido, anteriormente , convidado a trabalhar em um laboratório nuclear , em Moscou . Segundo seus colegas , Alexander era inteligente , estudioso , calmo , reservado , patriota , confiável , maduro e respeitado por todos . Alexander tinha voltado à Universidade Politécnica dos Urais para terminar seus estudos , logo antes da expedição . 1. Seus olhos estavam intactos , mas suas sobrancelhas estavam carcomidas ; 2. Morreu de graves concussões ; 3. Sua roupa testou positivo para radiação . Aleksander Sergeevich Kolevatov Perguntas A pergunta não é nada sobrenatural . Na verdade, é bem simples : por que 9 jovens abandonam a aparente segurança de uma barraca , alguns só de cueca , e não voltam posteriormente pra ela ? O que houve naquela tenda ? A cada década surge uma nova teoria , recebida sem entusiasmo : nenhuma conseguiu explicar cada um dos aspectos do Incidente Dyatlov . Para completar , você vai achar que estou brincando , mas duas outras expedições em locais próximos relataram ter visto OVNIs (OVNI não quer dizer Disco Voador , mas simplesmente um objeto voador não identificado) verdes sobrevoando o local . Pronto, mais um mistério para a história do nosso planetinha redondo . Para esse, duvido que você encontre resposta . Eu fico arrepiado pensando se eles ouviram algum rugido assombroso e correram , se tiveram um acesso de loucura coletivo , se houve um vento sobrenatural , um barulho subgrave ... Recentemente deram novo " veredicto ": houve uma avalanche , fugiram da tenda , alguns morreram de hipotermia , outros de uma queda . Ponto . Só que isso está longe de ser satisfatório . Por que correram para tão longe ? Por que, ao menos, não agarraram umas roupas (enquanto várias pessoas saem por um buraco na sua frente , há tempo de você puxar sua mochila )? Como não havia sinal de avalanche ? Os investigadores da época descrevem com clareza as pegadas que saíam do acampamento... Imagino que, se houvesse avalanche , isso não seria possível . Editado em 26.09.2020 Algumas teorias e por que elas não funcionam 1. Avalanche – É tentador acreditar que tenha sido uma " simples avalanche ", mas não havia sinal de deslizamento no local. A barraca ainda estava levantada , apoiada em pás de esqui , também ainda em pé . A neve que cobria parte da tenda tinha caído de cima , passaram-se 20 dias até que os corpos fossem descobertos . Além disso, a hipótese de avalanche foi levantada desde a primeira investigação , já na época e considerada fraca . Eles eram experientes , se houvesse essa possibilidade estariam mais agasalhados . Além disso, ela explica alguma parte da situação , mas só se combinada à teoria do Vento Catabático . E, sendo ela tão forte , teria derrubado a barraca . Por fim, se ouviram sinais de avalanche por que de tentaram abrir a barraca por dentro ? ( deve demorar ). Saíram sem pressa e com pressa ao mesmo tempo? 2. Assalto – Um assalto a mão armada - Os oficiais foram bem claros : havia 8 ou 9 pares de pegadas saindo da tenda , não mais . Além disso, por que eles teriam feito um corte lateral na tenda, em vez de sair pela entrada ? 3. Ataque pelos Mansi – Homens Mansi foram torturados pelas (covardes) autoridades , segundo alguns documentários . Mas mesmo sob tortura a história que eles contavam era que tinham encontrado os esquiadores quando eles iam entrar na montanha , e os alertaram para que não fossem por ali . Era a Montanha dos Mortos . As histórias dizem que tinha esse nome porque os Mansi não encontravam nada pra caçar naquela região (a tradução pode ser " Montanha dos Mortos ", mas também pode ser " Montanha Estéril "). Há, ainda, a lenda de 9 Mansi que teriam morrido no lugar em circunstâncias jamais elucidados . 4. Um som subgrave que eles teriam confundido com uma avalanche se aproximando – Um infrassom muito específico , de alguma natureza , os teria posto em desespero , pensando tratar-se de avalanche - Mas não explica por que eles saíram “ de maneira organizada ” e sequer pegaram alguma mochila . Além do mais, na direção para a qual andaram , jamais teriam conseguido correr do que pensavam ser uma avalanche por 1.5 km . 5. Vento catabático – É um vento que vem encosta abaixo , carregando um ar de alta densidade . É um fenômeno raro e muito violento . Mas esse vento teria derrubado a barraca . 6. Ieti – Não preciso falar sobre Ieti , mas vou . Defensores dessa " teoria " sustentam que havia pegadas enormes no local, mas as autoridades não documentaram . Além disso, em uma das últimas páginas do diário do grupo, que era todo escrito de forma irônica e brincalhona , eles escreveram “ agora sabemos que o homem das neves é real ”... Tá. Então o monstro os teria atacado e perseguido por mais de 1 km e depois matado um por um só por matar ? Ou então teria sido responsável pela saída deles da tenda e dado uns golpes em alguns e, posteriormente, eles, não conseguindo voltar ao acampamento , teriam morrido de hipotermia ? Amigo, se você quer acreditar nisso , vá em frente . 7. Frozen ( Slab avalanche ) - Quando estavam produzindo o filme Frozen , desenvolveram um algoritmo do comportamento da neve que chamou a atenção de dois cientistas suíços . Fizeram simulações de computador a respeito do caso Dyatlov . Elas mostraram uma nova possibilidade : a de uma slab avalanche (algo como avalanche em bloco ), que, segundo os cientistas e animadores do filme, explicaria, por exemplo, as escoriações e fraturas de alguns . Essa avalanche , diferente da de neve , é de gelo , o que explicaria os golpes que alguns sofreram , que foram comparados , na época, aos da onda de impacto de uma grande bomba . Mas não explica como eles escaparam , todos , do deslizamento e por que não voltaram depois . O vídeo abaixo detalha essa tese. Em 2021 , um grupo de físicos e engenheiros  publicou um artigo demonstrando que, mesmo um deslizamento relativamente pequeno de avalanche em bloco , no Kholat Syakhl , poderia causar danos na barraca e ferimentos condizentes  com os do grupo. 8. Surgiu , recentemente, da boca do canal National Geographic , a hipótese de que o grupo tenha sido assassinado por seu ex-integrante Yuri Yudin , que havia ficado para trás . Mas essa tese é tão leviana que eles não se preocupam em explicar nada do incidente. E, muito menos, de explicar as inconsistências (a ausência de suas pegadas , suas motivações etc.). 9. Testes militares – Talvez alguma arma nuclear da própria União Soviética tenha atordoado o grupo, com um calor e uma radiação absurdas . O problema é que haveria marcas , pistas dessa detonação. E a barraca , novamente , não estaria íntegra . 10. Despir paradoxal - Uma explicação que só valeria para alguns dos membros do grupo , o despir paradoxal é um fenômeno que ocorre com certa frequência . O corpo " confunde " o frio com o calor e a pessoa se despe . Estatisticamente, esse fenômeno é responsável por quase metade das mortes por hipotermia . Mas, para mim , explica nada . As Expedições Investigatórias Além da original , de 1959 , que comentou apenas que eles foram atingidos por uma " força impulsionadora irresistível ", o próprio governo russo encomendou uma investigação , entre 2015 e 2019 , ao Comitê Investigativo da Federação Russa . Os experientes detetives tiveram acesso , não ao local , mas a todos os documentos existentes . No final, eles acrescentaram dados importantes , como: a velocidade do vento , de cerca de 20 a 40 metros por segundo (algo entre 70 e 110 km/h ); uma tempestade de neve e a temperatura de -40º C . Em 2015 , Keith McCloskey , um dos grandes estudiosos do assunto, reuniu um grupo , com um membro da Fundação Dyatlov , e foi , ele mesmo, para a passagem Dyatlov . Lá, ele descobriu várias discrepâncias, especialmente nas distâncias descritas pela expedição original. Além disso, perceberam que o lugar em que a barraca estivera era completamente inapropriado para uma avalanche. Além disso, o chefe de Lev Nikitch Ivanov (um dos investigadores originais ), Okishev Evgeniy Fyodorovich , ainda estava vivo em 2015 e havia dado uma entrevista em que afirmava que estava formando uma missão à Passagem Dyatlov para investigar, especificamente, as quatro últimas mortes (immagino que se refira aos quatro últimos corpos achados ), mas o Procurador Geral Adjunto Urakov chegou de Moscou e mandou cance larem a missão . Okishev também observa, na mesma entrevista , que o presidente do Escritório da Procuradoria de Sverdlovsk , Klinikov , esteve presente no necrotério e passou três dias lá. Pontos a se observar - A maioria deles tinha alguma pancada muito violenta . Pode ser que quatro deles tenham caído de uma ravina , de uma boa altura , mas e os outros ? - Um deles morreu com um papel em uma mão e uma caneta na outra , como se estivesse prestes a escrever algo . - A causa oficial da morte , na investigação de 1959 , foi “ por uma força desconhecida ”. - A entrada da barraca não tinha zíper , mas botões , o que, pela demora de desabotoar , poderia ter levado o pessoal a fazer um corte na lateral da tenda . - Alpinistas e trilhadores de caminhos muito gelados não tiram as roupas de frio nem para dormir , principalmente quando, lá fora, está fazendo – 30º . - Uma das câmeras do grupo nunca foi encontrada ( oficialmente ). - Um dos diários, também não . - Um puttee , ou obmotki , que é uma espécie de bota que militares usavam, foi encontrado perto dos corpos . Não pertencia a nenhum deles, segundo parentes e o amigo ( Yuri Yefimovich Yudin ) que faria a viagem com eles, mas teve que voltar . - Eles não pegaram roupa , mas tiveram tempo de pegar uma câmera e uma lantena . - A radiação encontrada nas roupas deles era muito maior do que o esperado de quem trabalha em laboratórios , como alguns. - Sobre Yuri Yudin , já foi dito "ou ele é um cara muito sortudo , ou é o assassino . Eu investigaria mais Semion Zolotaryev" . - Quanto mais você investiga , mais esquisito fica . - As mais recentes expedições e os mais recentes estudos para elucidar o ocorrido (o último ocorreu em 2021 ) são mais fantasiosas que o próprio ocorrido ; envolvem ventos catabáticos e um tipo específico de avalanche - a slope avalanche . - Não é apenas um caso de morte . É preciso explicar por que eles sobreviveram na barraca e não , na árvore . Rumores falsos sobre o Incidente Dyatlov Há, claro, muitos " fatos " que circulam pela internet , que são falsos . Vejamos alguns : - O grupo falou que o Yeti existe - Na verdade, eles mencionam em um dos seus diários : " Agora, sabemos que o Yeti existe ". Mas foi em tom de troça , de brincadeira ; - Os membros do grupo não demonstravam sinais de envelhecimento ; - Não havia expressão de horror neles; - A cor da pele era alaranjada , mas, segundo este site , era consistente com as condições ( decomposição no frio extremo ); - As últimas quatro pessoas foram enterradas em caixões de zinco - A suposta verdade, segundo o mesmo site , é que esses caixões eram fáceis de achar e baratos . A expressão russa " vestido de zinco " é um eufemismo para morte . Um memorial foi erguido no cemitério de Ecaterimburgo em homenagem aos 9 esquiadores. Leia mais : https://pt.wikipedia.org/wiki/Incidente_do_Passo_Dyatlov https://www.youtube.com/watch?v=Uh3iUbJgRSE https://observador.pt/2021/02/16/tera-a-ciencia-conseguido-resolver-o-misterio-do-incidente-do-passo-dyatlov/ Perdoem a Jaqueline Guerreiro , ela estava começando: https://youtu.be/PAHIG_yBa8Q?si=tam2p7n2QRSusfgK E, aqui , algumas das dezenas de matérias sobre a " resolução " do caso: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/62-anos-depois-pesquisa-inovadora-que-pode-resolvido-o-misterio-de-dyatlov-pass.phtml https://super.abril.com.br/ciencia/dyatlov-cientistas-propoe-solucao-para-um-dos-casos-mais-bizarros-do-seculo-passado/ https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2024/02/02/incidente-do-passo-dyatlov-misterio-na-montanha-da-morte-completa-65-anos.htm Em inglês : https://dyatlovpass.com https://ermakvagus.com/Europe/Russia/Cholat-%20Syachil/Kholat%20Syakhl.htm https://observador.pt/2021/02/16/tera-a-ciencia-conseguido-resolver-o-misterio-do-incidente-do-passo-dyatlov/ Fique à vontade para comentar o que você acha. Que tipo de desespero os teria tirado da tenda com tanta (e, ao mesmo tempo, tão pouca ) pressa ? Para comentar , basta rolar abaixo  e encontrar uma caixa de diálogo vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Conto que Deveria ser Música II - Paulista

    Por Rafael Torres Fiquem com mais um conto que estará presente no meu romance (sim!) Contos Medonhos e Desarranjados, Op. 1 - A Ilha Vermelha . Ney vinha subindo com seu fone e achando a rua Augusta muito sem movimento . Tudo bem que era domingo e estava perto do Ano Novo . E que tinha a pandemia . E que eram 6h da manhã. Mesmo assim, era totalmente atípico aquele vazio . Quando viu, em frente, um rapaz de terno e chapéu , ficou mais aliviado . Só em saber que o mundo ainda estava funcionando . Ele usava máscara anticovid , assim como Ney . Mas, quando passou por ele, ele tentou agarrar seu braço . — Que é isso, meu ? — Ney reagiu, assustado. O homem colocou as mãos nos ouvidos , sinalizando para Ney tirar os fones . Os lábios dele se moviam por trás do pano , mas o fone tinha cancelamento de ruído , Ney não escutou nada . E nem queria escutar . Pôs-se a andar , novamente . Quando olhou para trás , o indivíduo vinha , ainda gesticulando . Ney andou o mais rápido que pôde e entrou na avenida Paulista . O outro dobrou também . Que inferno ! Agora, os dois quase corriam . Em uma pausa na música ele escutou : moça ! Moça ?  Ele tinha feito a transição recentemente , caríssima , e ficou mais transtornado do que supunha que ficaria ao ser chamado daquilo . Ney começou a correr com força , sem olhar para trás, até chegar no vão do MASP , em que ele sabia que teriam vários seguranças . Parou, esbaforido , na frente de dois deles . — Está tudo bem, senhor? — Sim, sim — ele mal conseguia falar — Tem um homem me seguindo . Olhou para trás e o sujeito vinha , agora  calmamente , em sua direção . Naquela hora começou um temporal em São Paulo . Daqueles . — O Agenor ? — o guarda perguntou, sorrindo — Ô Agenor , assustando o rapaz, mano ? Agenor se aproximou e cumprimentou os seguranças, que pareciam felizes em vê-lo . Ney estava confuso , mas não tinha mais medo . Os homens estavam rindo . — Esse aqui quase me escapa ! — Agenor riu — Por que correu , figura? — Ora, achei que fosse me assaltar ! — Eu tenho cara de assaltante ? — Ele parecia realmente espantado . — Cara de assaltante? — Ney começou — Meu caro , eu não julgo as pessoas pelas aparências , isso é preconceito . Um preconceito que você é que parece ter — ele ainda bufava. — E você me agarrou no meio da rua ! — Chamei e você não respondeu . Ney se lembrou do fone com cancelamento de ruído . Aliás, lembrou que tinha deixado cair um quarteirão atrás . Sennheiser , 2.500 reais ... Ai, que ódio ! Entretanto, teve uma surpresa quando Agenor lhe estendeu o mesmo fone preto . Que alívio sentiu! — Podemos conversar ? — O homem, agora, parecia inofensivo . Ney parou um pouco para respirar , conferir se o fone estava bom (estava) e analisar a situação . Olhou bem para o rapaz . Devia ter 30 anos , mas não dava para ver bem atrás da máscara . Seu modo de vestir (um terno branco ) era atemporal . E o temporal ? Não dava para sair agora  debaixo daquele imenso museu . — Está bem, vamos nos sentar ali — Escolheu um lugar perto da bilheteria . — Primeiramente, deixe eu me apresentar . Agenor , às suas ordens! — E estendeu a mão . — Por que me chamou de moça ? — Ney ofereceu um braço curto ao homem. Agenor  parou , pareceu pensar e disse: — É que eu te conheci ... Eu sei que era você. Mas... — Mas era uma mulher ! Qualé , meu? — Quase . Sou de Pequiá , pertinho de Qualé . E, antes que me pergunte, eu não sou o Boto . Esse é meu amigo . Que informação doida , pensou Ney. Mas resolveu perguntar: — Que seja. O que quer comigo ? — Achei você perfeito para um projeto. — Como assim ? Você me conhece de onde ? — Da avenida , da Paulista . Todo domingo você vinha por aqui. Aí,  parou de vir. E, quando voltou , voltou ... — Homem ! — Ney não tinha saco para essas coisas — Pois fique sabendo que eu sempre fui homem mas só recentemente meu corpo foi reacomodado . — Mas que belezura ! Não sabia que hoje dava para fazer isso . — Agenor parecia entusiasmadamente surpreso . — Você é homem porque escolheu ! Maravilha . Ney foi baixando a guarda e se deixando tomar pela curiosidade com aquela figura. Pela sua aparência, ele podia ser de 1930 . E, pelo visto, também ficou surpreso com a “ modernidade ” sexual de Ney. Devia vir de uma cidade muito pequena . — Você falou que vinha de ? – perguntou Ney. — Pequiá , perto de Qualé . — Onde fica isso? — Ah, minha Pequiá ... É quase um Eldorado . Bem dentro da floresta . — Que floresta ? — Ney estava ficando curioso . — A Amazônia , a floresta . — Tá, tá bom. — Achava aquela conversa muito estranha . Nunca tinha ouvido falar em Pequiá , perto de Qualé . Deviam ser localidades bem pequenas . — Pois bem, como eu ia dizer , tenho um projeto muito importante — Esperou pela reação , mas Ney não falou — Eu vi , um dia, você , carregando um baixo e pensei: Poxa, encontrei ! É perfeito ! — Eu toco baixo ... — Lembrou que já fazia muito tempo que não tocava. — Mas eu sou perfeito para quê ? — É uma banda . Banda cover . Você é meu Paul McCartney . Ney estranhou . O mais engraçado é que ele era alucinado pelos Beatles . — O senhor já tem os outros três ? — interessou-se. — Sim . Eu mesmo sou o Ringo . — E tirou a máscara e o chapéu . Era mais alto e mais bonito , mas lembrava mesmo o Ringo Starr . Menos na aparência do que na própria “ aura ” que emanava . Muito estranho . — Esse seu projeto ... Já tem gig ? — Gig ? Nem sei o que é isso . — Se já tem um lugar pra tocar ! — Olha, tem e não tem . Calma, eu explico . O nome da banda é The Beatles  — e Ney pensou no absurdo de chamar uma banda cover pelo mesmo nome da banda homenageada — A gente não vai ficar fazendo show . Quer dizer, não só isso . — Ué, vai fazer o que , então? — Vamos ser   os Beatles . — Agenor sorria igualzinho ao Ringo . E a voz era idêntica . — Mas eu ainda não entendi nada . Pra começar, por que achou que eu gostava dos Beatles ou era adequado a essa sua banda ? — Como dizia um amigo meu , “ quem gosta dos Beatles, mal sujeito não é ”. Ney lembrou que tinha ouvido exatamente essa frase quando visitara o museu da banda em Canela , no Rio Grande do Sul . O proprietário do lugar ficava na entrada, conversando, falando e até planejando viagens para Liverpool e Londres . Um roteiro Beatles , que ele já tinha feito, mas queria fazer de novo , várias vezes . — Sim, mas a pergunta é, justamente: como sabe que eu gosto dos Beatles ? — Eu só sei ! — Como assim? — Sabendo, eu senti . — Como é ? — Gosta ou não gosta ? — Gosto — Ney se rendeu . — Mas não sabia que isso transparecia . — Você exala  Paul McCartney . Ney respirou fundo. Aquela conversa, pensava, não levaria a lugar algum . — Noronha — o homem soltou. — Quê? — Fernando de Noronha – Agenor falou, de uma vez. — Que que tem? — Estão precisando da gente lá. — Meu, eu faço faculdade , tenho uma namorada , estava até indo pra casa dela. Qualé? — O que tem Qualé ? — Qualé? – Ney perguntou, cada vez mais confuso . — Pertinho de Pequiá . — Não. Nada. Esquece. — Pois bem, vá se despedir da sua namorada, que partimos hoje ainda. — Cê tá louco? — Ney ria. — Louco, ainda não — ele falou com aquele sorriso. — Tá. Digamos que, você oferecendo muito dinheiro , eu fosse. Teria de largar tudo aqui em São Paulo. Precisaria de tempo. — Vai largar. — Como assim? Você nem me conhece ! Apesar de ter dito isso, Ney começava a sentir que conhecia muito bem aquele homem . Uma afinidade de eras. Uma saudade visceral o abateu, de repente, quando perguntou: — E o John ? — Ah, esse é o Boto . — Que boto? — O Boto . Meu vizinho . — Qualé, meu? — Isso , o Boto é de Qualé. Uma vez ele estava tão bêbado que pegou uma faixa onde tinha escrito “Bem-vindo a Pequiá” e escreveu “Melhor atração de Pequiá: ir até Qualé ” — Agenor riu sozinho . — Ai, que seja. Vamos recapitular : você quer que eu vá hoje  pra Fernando de Noronha para me juntar a uma banda cover  dos Beatles  e, simplesmente, porque eu “ exalo Paul McCartney”? — Exatamente ! — Ele sorria com simplicidade. — E antes de eu me transformar ? Exalava? — Desculpa, você se transforma em que mesmo? — Agenor estava curioso. — Mano, eu era mulher , sacou? E virei homem ! — Ney falou legitimamente tentando explicar aquilo para o cidadão, sem perder a paciência. — Ah! E pode voltar a ser mulher ? Fantástico ! Exala . Exala Paul McCartney , homem ou mulher. — Cê tá louco... — falou baixinho — O John está lá? — John é o Boto , né? Deve estar engravidando alguma mocinha por aí. — Em Qualé ? Aliás, Pequiá ? — Não. John está convocando o George nesse momento. Em Natal . As menções desses nomes trouxeram ainda mais saudade a Ney. Sentia-se admitidamente curioso . — Ele está convocando o George ou engravidando mulheres ? — Ah, a gente manda ele fazer uma coisa e parece que, de cada duas atitudes dele , uma é engravidar alguém . — Isso é louco ! Ele assume esses filhos ? — Todos . Já tem mais de 18 . E as mães ficam lisonjeadas de ter um filho com o Boto . — Quando você diz Boto , refere-se ao Boto Cor-de-Rosa , da Amazônia ? — Esse aí. — Mas isso não existe! Que papo mais doido , meu. — Ele não se transforma mais em boto. Botou na cabeça que é o John Lennon . Ney ainda estranhava aquele cidadão e a conversa toda, mas a sobrenatural saudade que sentia de companheiros que nunca vira ... era como se fosse, de fato, Paul McCartney , ansiando em ver companheiros que não via havia muito tempo . — Eu posso até ir passar o feriado de Ano Novo . Conhecer Noronha . — Pisou lá, não volta . — E, pra completar , vai querer me prender ? — É só a minha sinceridade . — Mas eu não posso sair de São Paulo assim. De quanto dinheiro você está falando? — É mais que dinheiro. É uma vida . A gente vai criar , gravar , dar continuidade ao trabalho. Recomeçar de onde parou . Ney começava a achar a ideia sugestiva , ousada . Ele já estava com uma ideia para o próximo álbum . Espera, que próximo álbum ? Começaram a aparecer memórias que ele nunca tivera, mas que eram tão reais ! — Ele me mandou lhe perguntar uma coisa, o John . — O quê? — Se você ainda pensa nele , vez por outra . Ney estremeceu . Essa fora a última coisa que o John Lennon de verdade havia dito ao Paul, antes de morrer . Não sabia o que esperar , só queria conhecer o seu parceiro . — Eu... — hesitava — Tenho de fazer as malas e pegar o baixo . — Tem não . Lá tem tudo . — Mas eu não estou nem com dinheiro . — Não se preocupe . O Ringo aqui tem todo o dinheiro do mundo . Naquele dia partiram para Fernando de Noronha . Ney deixou uma carta para o pai , com quem tinha uma boa relação , e demorou a perceber que escrevia com a mão esquerda ! Tentou voltar à direita, mas o garrancho que saía era incompreensível . Ôxe! Ney não sabia o que pensar. No voo, surgiu-lhe uma melodia na cabeça, igualzinho a uma balada do Paul. Surgiu do nada . Ele nunca tinha composto nenhuma canção . Em que quer que tivesse se metido, era tarde para retroceder . E, por incrível que parecesse, não queria retroceder . O avião decolou em meio a uma tempestade . Daquelas . Mas em meia hora o céu estava azulzinho , como ele adorava . O tempo passou rápido . A conversa com Ringo era tão agradável e aconchegante ! Por que tiveram que se separar ? De repente : — Atenção , senhores passageiros, eeeh, por motivo de tempo ruim, não poderemos, eeeh, pousar em Fernanoronha . Estamos desviando a rota para a cidade de Natal , onde aguardaremos até que o aeroporto possa receber voos. Poxa vida!  Pensou Ney. Agora, estava mais curioso do que nunca... — Ah, mas foi bom a gente parar em Natal . Tenho uma surpresa para você — disse Agenor. Em Natal, foram até uma área vip do aeroporto, onde Agenor sacou uma chave e abriu um armário. Tirou uma caixa de instrumento , pôs no chão e abriu. — Esse aqui não é um baixo comum — disse Agenor. Ney, que reconhecera o instrumento de imediato , estava emocionado — É o baixo em forma de violino que Paul perdeu em 1969 . O Cavern Höfner , o próprio! — Como você achou isso ? — Ney perguntou, desnorteado. — De um sujeito muito louco chamado The Keeper , no Canadá . Quando ele viu o John , o Boto , deu a ele de graça . E, ainda,  chorando e pedindo perdão . — É inacreditável . E o que ele faz aqui no aeroporto de Natal ? A gente não ia direto para Noronha ? — Sim, mas o John ia passar por aqui e levar . — Já chamava o companheiro de John e de um modo que nem chamou a atenção de Ney. Ney não sabia se estava sonhando. Conhecia cada posição dos captadores e das alavancas daquele baixo , era o Höfner 500/1 de Paul. E agora era seu . Era bom demais para acreditar. Estavam tomando um café , ainda no aeroporto , quando Agenor / Ringo gritou: — John ! Ney se virou e viu dois homens vindo alegremente em sua direção. Usavam terno e gravata dos anos 60 . O de lábios finos e olhos puxados também “ emanava ” John Lennon . O outro era um magricela , um pouco mais sério . George Harrison dos pés à cabeça. Ney olhou para Agenor e viu que, agora, ele realmente parecia o Ringo , em todas as suas feições. O que veria se olhasse no espelho ? Pegou o celular e ligou a câmera frontal . Sim, ele era Paul McCartney . Não tinha mudado as feições que sempre tivera , apenas essas feições eram percebidas como as de McCartney . — Mister Paul McCartney , o senhor está muito decente hoje! — John riu. Ney só conseguiu dar-lhe um abraço silencioso . — O que foi que houve, sua bicha ? — John sorria, mas retribuiu o abraço. — Está eriçada ? — Me parece que faz tanto tempo ... — Ney estava emocionado . — Pois bem, eu já tenho o nosso próximo single — E se sentou com um violão de cordas de aço e cantou uma música que lhe lembrava as do disco Revolver . Então eles eram os Beatles antes dos desentendimentos . Será que teriam o mesmo destino da banda original ? Perguntou isso, discretamente, ao  Ringo . — Não — e falou baixinho — eu pedi para ele se certificar se o George estava plenamente comprometido . E não tem Yoko — ele riu — Nem empresários . — E então, Mr . McCartney — perguntou George . — Pronto para a nossa aventura brasileira ? Foi só então que Ney percebeu que todos falavam em inglês . E com sotaque de Liverpool . — Vamos ver no que isso vai dar — sorriu Ney. Aliás, Ney , não . Dali em diante ele era Paul . Em uma certa altura apareceu um cidadão gordo e malvestido . — Os señores son los Beatles ? — Sim , somos — Ney respondeu, orgulhoso. — Temos uma lancha os esperando en el cais . “ Melhor ainda ”, pensou Ney. Nada mais Beatle que uma lancha !   Continua ... Fique à vontade para comentar o que você acha. Quando o livro sair, farei o estardalhaço que se espera. Para comentar , basta rolar abaixo  e encontrar uma caixa de diálogo vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Conto de Horror e Decadência

    Por Rafael Torres Tobias terminou o conto, publicou e fechou o notebook . Deitou e ficou naquela situação de tentar dormir quando se está sem sono . Contou carneirinhos , lembrou que tinha comido uma maçã e que maçã deixa a gente sem sono , enfiou a cabeça no travesseiro até que dormiu . Acordou com os bem-te-vis . Fez o café , pegou a geléia, suco, pão, e comeu. Abriu o blog. Quase 300 visualizações e 33 likes. Tava bom. Ele dormia muito cedo, o post não tivera muitas horas pra capturar pessoas. Só ele acordava às 5. Olhou pro celular. A luzinha piscava. Devia ser o Rafael . Seu irmão acordava bem tarde, se duvidasse nem tinha ido dormir ainda. Resolveu pegar o celular. 12 áudios . Porra! Aquela mania do Rafael de mandar áudios. Ia escutar só o último . - Não adianta, não adianta mais. Eles já morderam... - ele falou com dificuldade, bem próximo do microfone do celular. Porra , Rafael . Ainda manda um áudio enigmático ? Tá bom, vamos ouvir do começo . - Ei, eu vi que publicou um conto . Leio já . Mas já vou criando a postagem pras redes sociais . Me manda aquela imagem. Blip! - Escuta, tu publicou um conto falando sobre o quê ? Me dá um briefing rapidinho , porque a internet tá uma bosta. Mas eu tô precisando saber e te explico já por quê. Blip! - Tobias !... Tobias! Eu não acredito ! Como é que tu publica esse conto ? Por que tu fez isso? Tu até fala o nome! O nome ! Tira do ar, tira do ar! - Sua voz tremia. Tobias pausou. Será que Rafael entendeu errado? Ou pior, será que ele entendeu tudo ? Blip! - Eu vou lá pro papai, eles não estão atendendo. Porra. Por que tu tinha que me fazer levar aquela bosta pra lá??? Eu não acredito. Vai buscar agora ! Eu disse pra eles que tu ia amanhã, mas tem que ir agora. Vai. Vai! Blip! - Eu não tô conseguindo táxi... - Rafael chorava - Tu sabe! Sabe perfeitamente que se eles lerem o conto vão ficar curiosos ... E vão ficar arrasados . Uma pessoa arrasada do lado daquilo ... é tentação . Ai meu Deus ! Tobias se sobressaltou, porque Rafael costumava dizer " Ai meu Deux !". Deus não tinha gênero , blá blá blá. Blip! - Não tem taxi. Eu vou andando até a beira-mar ver se lá tem. Por que tu não atende ? Tobias olhou o horário da mensagem. 20:13 . Como não ocorreu a Rafael que ele estaria dormindo essa hora? Ele sabia perfeitamente . Blip! - Olha, Tobias - ele bufava - aquilo foi um presente . Um gesto que eu fiz pra ti . Mas eu acho que aquela coisa é do mal . Eu nunca concordei , eu sempre achei que era a raiz , o ponto mais essencial , da porra do mal . Blip! - Como é que tu escreve uma bosta dessa ! - ele estava correndo - O que foi que deu na tua cabeça ? Acorda, acorda! Blip! - Eu pedi pro Mário tirar do ar . Agora, precisa da tua senha. A senha ! Se a senha for o que eu tô pensando... eu nunca mais falo contigo. Eu vou te matar ! Blip! - Eu tô achando aqui uma coisa - e agora ele estava quieto , parado , calmo . Tobias ficou tão assustado que um frio percorreu todo seu corpo. Blip! - É o que eu tô pensando? Porque eu liguei pra lá. Tobias , o que você fez foi a maior de todas as... o maior mal ... a maior perversão que eu poderia sequer conceber ... Você foi escroto . Você... - e ele ouviu um barulho de pneu , um baque violento e um grito que vinha das profundezas da terra . Tobias chorava . Em profusão , como nunca um ser humano havia chorado . Aquilo não era sua culpa . Não era sua culpa! Ou era ? Não , não, não! Ele plantara uma isca , agora via claramente . E se ele pegasse o carro agora , correndo? Blip! - Não adianta, não adianta mais. Eles já morderam ... Continua... Comente , comente bastante , sobre tudo . Sobretudo , comente , É na caixa vermelha , abaixo . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Ao Próximo Acorde (Ross Mitter)

    Por Rafael Torres FIque com mais um dos meus " Contos Medonhos e Desarranjados, Opus 1 - A Ilha Vermelha ". E não se preocupe , não vou esgotá-los aqui. São mais de 50 contos. O próximo será um conto do Opus 2 - Reformas . Serão , no total, 3 Opp . - Prazer, Ross Mitter – e ele estendia, curtinho, 3 dedos pra pessoa apertar. Isso lhe rendera o apelido de Ti Rex Mitter . Circulava pelos salões de festa e mansões mais chiques da Praia do Futuro e das Dunas , em Fortaleza , nos anos 2000 . Suas credenciais e seu cartão de visita eram fotos que mostrava no celular ao lado de Caio Blat , Lula ou Luana Piovani . - A Lu ? Amicíssima . Mas só fala besteira , a mulinha... – ria agudo e alto, jogando-a para fora da tela com seus dedinhos. Os convidados se divertiam com seu jeito ao mesmo tempo canastrão e boa pinta . Suas falas arrancavam gargalhadas de choque e deleite . - Eu sou mais gay que o Clodovil e mais macho que a Dani Mercury . Ou: - Ator , pra mim, tem que viver pelado . Roupa é acessório genérico ! Um dia, os irmãos Rafael e Tobias conseguiram arrastar Gabriel para uma dessas festas . Era uma reunião discreta na casa de um empresário parente deles . Os três haviam estado tão mal que precisavam aproveitar uma fugaz melhora sincronizada para tentar socializar . Os três amigos tinham uma ligação que flertava com o místico . Costumavam referir a si como um tripé sem nada em cima . Na festa, foram apresentados ao Ross Mitter , que, pode-se dizer, gostou deles de cara. A uma certa altura , na mesa dos homens – a festa tinha disso – chegava a hora do violão passar de mão em mão . O primeiro foi Jorge Vercillo , que tocou sua música mais famosa . Foi aclamado . Eventualmente , o violão chegou a Gabriel , que tocou a sua Interiores , explicando, antes, que se tratava de uma homenagem às casinhas , ruazinhas e pracinhas de antigamente . Quando terminou , os aplausos foram intensos , muito mais do que ele imaginaria . Teve que repetir a música outras duas vezes . Tobias encantou a todos com sua voz andrógina cantando Ney Matogrosso . Rafael mostrou uma obra sua para violão solo que era de uma delicadeza de chorar . Até que chegou a vez de Mitter . Ele agarrou o violão e disse que ia fazer uma homenagem a Joãozinho Gilberto . Era amicíssimo do irmão do cantor . Tocaria Undiú , de autoria do próprio João . Assim que ia começar , seu telefone tocou . - Os amigos vão me dar licença . É Jeff . Jeff Goldblum . Ele está passando por um momento difícil . E ficou falando inglês bem alto , como se para provar que era Goldblum , mesmo, no outro lado da linha. Os outros esperaram, comendo tira-gostos . O irmão do empresário dono da casa , contava histórias do cárcere , de quando tinha sido sequestrado . - Eu perguntei ao carcereiro : macho , tu preferia ser corno ou estar aqui no meu lugar ? E ele: ser corno , ser corno . Bandifeladaputa ! - Alguns riam , outros tentavam ficar sérios . Ross Mitter desligou o celular e fechou os olhos dramaticamente, como se não percebesse que estava sendo observado , a orar pelo seu amigo hollywoodiano . Voltou para a mesa . - Qualquer dia eu venho aqui com o Jeff . Vocês vão se apaixonar . - Toque pra gente, amigo – disse algum ricaço . Gabriel , Tobias e Rafael se divertiam com esse personagem . Ele se sentou , afinou o violão mais uma vez, pediu desculpa pela voz, tinha passado o dia ensaiando com Lázaro Ramos e Lalá gritava muito ... E tocou Undiú . A música era conhecida por Gabriel , ele a adorava . A voz de Mitter era surpreendentemente melodiosa , ainda que rouca . Os empresários olhavam , interessados. O problema é que não acabava . Chegava ao fim , ele repetia . Já devia estar na terceira repetição , Gabriel olhou para os lados e todos estavam concentrados na música . Ross Mitter tocava de olhos fechados . Seus amigos Rafael e Tobias pareciam ser os únicos ali a achar aquilo estranho junto com ele. Será que aquele povo já tinha ido para vários shows do João e era assim , mesmo? Uma coisa esquisita era que sempre , na mesma parte , o dono da casa fazia um gesto de aprovação , piscando o olho e cutucando o amigo ao lado . Na quarta repetição Mitter fez algum progresso , cantando uma parte nova da canção. Todos ainda prestavam atenção quando se ouviram tiros na porta . Todo mundo se assustou. De repente, três homens invadiram a sala . Tinham atirado nos seguranças e apontavam armas e gritavam com os presentes . Rapidamente , houve uma discussão e deram um tiro no dono da casa . Todos foram para baixo da mesa . Menos Ross Mitter , que continuava a tocar e permanecia ignorado pelos bandidos . - Todo mundo – todo mundo – todo mundo – todo mundo – o assaltante queria falar , mas tinha travado . Ele ficava falando esse começo de frase sem parar . Até o gesto que fazia, se repetia . Os outros dois ladrões também pareciam travados . Gabriel olhou para Mitter e percebeu que este tocava repetidamente o mesmo acode. Quando passou para o próximo acorde , o bandido conseguiu destravar , mas só um pouco , porque Mitter ficou repetindo aquele novo acorde , fazendo o ladrão travar novamente . As joias e celu – As joias e celu – As joias e celu – Mitter piscou para Gabriel . E então, bruscamente, recomeçou a música . E tudo voltou ao normal , como se nada tivesse ocorrido. - Que é que vocês estão fazendo debaixo da mesa ? – perguntou o dono da casa . - Nada , procurando meu celular – disse Gabriel . - Senta , senta .  Agora, Mitter tocava o começo da música e parecia que nada daquilo tinha acontecido. O dono da casa cutucava o amigo e piscava o olho em admiração . Parecia bem . Quando chegou na mesma parte , ouviram os tiros e a cena se repetiu com exatidão . Dessa vez, os meninos tiveram certeza de que Mitter é quem estava fazendo com que os homens não conseguissem dar sequência ao crime . Parecia que ele controlava o próprio tempo no ritmo da sua bossa nova . Mais uma vez , ele recomeçou a música e tudo voltou ao normal . E, mais uma vez , Gabriel , Rafael e Tobias se viram debaixo da mesa , os ricaços olhando para eles. Levantaram-se , dando a mesma desculpa de antes . Não sabiam o que pensar . Se Ross Mitter parasse de tocar aquela música , nada impediria os assaltantes . Mas notaram que, dessa vez , antes que a música chegasse ao ponto em que os assaltantes agiam , Mitter segurou um acorde e piscou para eles . Ficou tocando esse acorde repetidamente . - Essa hora é logo antes da gente escutar os tiros . Agora, eles devem estar perto de sacar a arma – Tobias raciocinou. - Então , vamos lá – agiu Gabriel . - Ai, meu Deux – Rafael era o mais nervoso . Foram até o portão e viram uma fileira com os três bandidos , dando um passo e voltando em loop , como um disco de vinil arranhado , tocando o mesmo trecho , indefinidamente . O primeiro estava levando a mão à cintura , mas ela sempre voltava . Tudo que eles tinham que fazer era tirar as armas . Conseguiram fazê-lo com certa dificuldade , em cada um deles .  Entraram na casa e jogaram as armas no lixo . Sentaram-se . Avisaram a Mitter que ele podia continuar . E o resto da noite foi um sucesso . Ao final foram falar com o herói . - Mitter , eu não sei como você fez isso , mas estamos vivos graças a você . E eles nem sabem disso – Gabriel foi sincero. - É só um truque que aprendi. - Como funciona ? - Como você viu . Tem que tocar essa canção do João , exatamente com os acordes do João e cantar do jeito que ele canta . Aí o loop da música cria um loop temporal . Mas tem que treinar muito ... - Que fantástico ! Quem mais sabe disso? – Tobias só acreditava porque tinha vivenciado . - Só eu , dois amigos e a Martinha . E agora, vocês . - Que Martinha ? – perguntou Rafael . - Argerich ! Os meninos ficaram impressionados . - E ela toca João Gilberto ? – Tobias estava curioso . - Ela toca o que ela quer , né ? Não , mas pra esse truque , no caso dela , tem que ser Villa-Lobos . " A Lenda do Caboclo ". Impressionante . Se alguém fosse saber esse segredo, era realmente Martha Argerich . Tocando, precisamente, Villa-Lobos . - Ross Mitter , você salvou nossas vidas e nunca vamos esquecer . Mas como você sabia que isso ia acontecer ? - Não , não sabia . Eu sempre toco Undiú e faço o loop pra ver se alguém repara ... Até hoje , só vocês , Martinha e essas duas outras pessoas notaram. Isto é , não ficaram presos no loop . São pessoas , digamos, especiais – e piscou novamente para os três. Rafael e Tobias se entreolharam , discretamente . Achavam que deveriam saber quem era uma delas, mas tudo em que pensavam era um diretor da escola , anos antes, numa memória que parecia um sonho . Alguns meses depois , os três amigos foram para outra festa . Um dos ricaços comentou: - Rapaz, aquela última vez foi louca . Jeff Goldblum , Ross Mitter e 3 revólveres na lixeira . Mitter não foi naquele dia e nunca mais . Foi por isso que, algum tempo depois, quando Gabriel estava no centro da cidade e viu Mitter descalço , maltrapilho e deitado num colchão furado , convidou-o para ir à sua casa . Chegando lá, pediu que tomasse um banho , lavou seu cabelo três vezes e depois o levou ao salão do Leandro . Sempre que Leandro cortava o cabelo do Gabriel , via a imagem de um buraco negro . Nunca conseguiu, nem em conversa , cravar qual era o medo dele . Ross Mitter sentou e Leandro viu um violão quebrado em seu lugar. - Você tem um violãozinho para ele? – disse , de cara . Fizeram barba e cabelo e ele saiu de lá outra pessoa .  Gabriel o alimentou e lhe deu uma mala cheia de roupas e alimentos , torcendo para ele não ser assaltado . Deu-lhe também um violão . Um Giannini de quando era criança . Até pediu que ficasse , mas ele dizia que sua casa agora era a rua . Então, que ficasse na rua de Gabriel ? Sim ? Sim , ele prometeu . Ficaria sempre perto da praça . Nunca mais se viram . Alguns meses depois , Gabriel viu no Twitter o obituário de um certo Rosmício Lea l, postado pelo pessoal de teatro da cidade. Lá embaixo , um comentário de ninguém menos que Jeff Goldblum : “ Descanse em paz , meu estranho e mágico amigo ! Ao próximo acorde !”   Continua ... Comente , que eu leio . Seu comentário é muito importante , seja ele favorável ou não . Basta descer mais um pouquinho e encontrar a caixa vermelha ! Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Aviso do Lançamento do Livro "Contos Medonhos e Desarranjados, Opus 1 - A Ilha Vermelha" em FOrtaleza

    Olá , todos. Em pouco mais de um mês ( 9 de novembro ), aqui em Fortaleza (de fato, aqui em casa , praticamente) farei o Lançamento do meu primeiro romance (sim, acho que é um romance). É o primeiro dos três volumes de " Contos Medonhos e Desaranjados ", no caso, o " Opus 1 - A Ilha Vermelha ". Agradeço imensamente aos esforços de Henrique Torres . Aliás, o livro é dedicado a ele , a Angelita Ribeiro , a Flaviana Araújo e a Beatriz Torres . O livro sai, nessa primeira tiragem , pela editora Viseu . Veja os Links para alguns dos contos : " Conto a Respeito de Euclides " " Conto que Deveria ser Música II - Paulista " " Conto Sem Tìtulo, e Esse é, Precisamente, o Título do Conto " Há mais , escondidos pelo site . Vou colocando aqui os que lembrar. Serviço : Lançamento do livro " Contos Medonhos e Desarranjados, Opus 1 - A Ilha Vermelha ". Quando : Dia 9 de novembro de 2025 , um domingo , às 17:30 . Onde : Na Escola de Música Angelita Ribeiro - Rua Assis Chateaubriand , 68 - Dionísio Torres - Fortaleza - Ceará - Brasil . Venha me ouvir tentar explicar esse título e tomar um suquinho . Comente ! Você vai se sentir compelido a comentar . Agora ,,, Na caixa vermelha , logo abaixo . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Fortaleza à Tardinha

    Por Rafael Torres Caso não tenha lido a parte 1 ( Fortaleza de Manhãzinha ), clique aqui . Fortaleza é uma metrópole . Possui 2,4 milhões de habitantes . E cerca de 4 milhões na sua região metropolitana - que inclui Aquiraz , Caucaia , Maracanaú , Eusébio etc. A cidade tem problemas . Analfabetismo de 5,6% ; violência urbana etc. Mas um turista que venha aqui , não vai se deparar com nada disso . Assim como os moradores , por mais contraditório que possa parecer . A violência urbana se concentra, especialmente, em bairros da periferia , os quais um turista jamais irá conhecer . Mas até os anos 90 , a cidade era um inferno . Eu, a partir dos 10 anos  de idade, fui assaltado umas 7 vezes . Mas, depois  dos anos 2000 a situação melhorou bastante . Uma das razões é que a facção ( PCC ) veio para cá e, para eles, assalto não rende . Falo isso com vergonha . Acho que há um acordo tácito entre a população e os bandidos . Além do que, a Beira Mar é muito bem vigiada . Assim como qualquer ponto turístico ou "de lazer" . Mas há bairros , alguns dos quais eu nunca ouvi falar , em que dizem que você tem que entrar , de carro , com os vidros abaixados . Sob o risco de ser cravejado de balas . (Se calhar de você ter que ir a um desses bairros , o motorista avisa rapidinho ). De qualquer forma, é perfeitamente seguro pegar um metrô , um ônibus , um táxi , um Uber , qualquer coisa . Ah, é muito quente . Imagine o inferno ! Agora, aumente dez graus . E, quando não está quente , está chovendo (mais ou menos de janeiro a maio ). As chuvas são incrivelmente passageiras e intermitentes . E inteligentes . Surgem e duram por exatamente o tempo que você não quer que durem . Nesta passagem, lidaremos com algumas informações sobre a cidade e o estado que a abriga, o Ceará . Começamos com os: Pontos Turísticos Carnaval Maracatu O carnaval de Fortaleza é bem preservado e interessante . Existe o de rua , com bandinhas tocando frevo , e os cortejos de maracatu . O maracatu fortalezense é completamente diferente do pernambucano . A música é lenta e com uma batida forte (e no quarto tempo - o que eu imagino que a torne indançável ). Dentre seus principais representantes estão Calé Alencar e Pingo de Fortaleza . Tem, especialmente, entre os mais velhos , uma reputação e disputas acirradíssimas . Cortejo de Maracatu. Violeiros, emboladores e cantadores A cidade é riquíssima nesse sentido. Aqui vive Geraldo Amâncio (de Cedro-CE ), um dos maiores improvisadores de letra do mundo . Os cantadores são verdadeiros artistas , que improvisam as letras  de seus cantos na hora , na sua frente . Você sabe disso quando, na qunta rima , ele chama o mais novo de Menina . Ou de Princesa . Pode ser  um tanto   incômodo : você está  lá, na   sua  barraca, na  Praia do Futuro  e, de repente, chega um repentista  cantando sobre o que vê . E, de fato, ele canta sobre você . " Vai na alma e dá um nó ", como diz o alagoano Djavan , completando poema do pernambucano Manuel Bandeira . O cantador Geraldo Amâncio. Mercado Central Remontando a 1809 , o Mercado Central atual foi reinaugurado em 1998 , sob a gestão da Prefeitura de Fortaleza . Com 5 andares (que cansam , pois, assim como o Dragão do Mar , o projeto é, digamos, o menos ruim possível ), vende produtos artesanais : roupas , redes (nós, cearenses, adoramos redes ), sucos feitos na hora , na sua frente etc. Não me venha falar de " preço de turista ". É tudo feito a mão . E mais barato do que muitos produtos industrializados . Fachada do Mercado Central de Fortaleza. Praia do Futuro Se você quiser ir a uma praia belíssima , de mar manso e quente , sem sair de Fortaleza , a Praia do Futuro é a melhor opção . Tem uma boa faixa de areia para caminhar , jogar futebol , tênis ou volei de praia (faixa esta, ocupada , ocasionalmente, por uma ou outra barraca de praia ). O mar costuma ser calmo (claro que pode ficar bravio ). As barracas têm pequenos cofres para você guardar seus pertences enquanto mergulha . Praia do Futuro. Meireles É um bairo nobilíssimo , com o metro quadrado mais caro de Fortaleza (e um dos mais caros do Brasil ), por R$ 15.000 m² . Em 2015 , o IDH do bairro era próximo ao da Noruega . (E alguns deles, não os noruegueses , mas os daqui , pensando que teriam que aumentar o salário das empregadas , foram às ruas .) Lá fica a Av. Beira Mar , os melhores hotéis da cidade e, em breve, prédios altíssimos . Sim, os empreiteiros encontraram uma " brecha " na lei (que permite, no máximo , prédios de 35 andares ): se eles pagarem alguns milhões à prefeitura , podem construir os chamados superprédios . Já há um com 50 e tantos andares. Mas é, também, no Meireles , que fica a Feirinha da Beira Mar , na minha opinião , a melhor de Fortaleza . Edifício One Residencial , no Meireles. Mucuripe Pertinho do Meireles , onde se encontram a Feirinha de Artesanato e a maior parte dos hotéis , fica o Mucuripe - é um bairro da orla . Dá para ir à pé , pelo calçadão da Beira Mar . Lá existe o Mercado de Peixes e existia uma comunidade de pescadores (acho que foram " relocados ") . Hoje, há prédios enormes ). E as velas do Mucuripe . É bom você ver a meninada jogando bola e visitar o Mercado de Peixes (que, tirando o cheiro de peixe , é maravilhoso ). Vista do Mucuripe para o Meireles. Praça Luiza Távora A Praça Luiza Távora é muito mais que uma praça . Novamente, tentando fortalecer o mercado de produtos artesanais , possui um Centro Artesanal (você encontra, até, peças do famoso Espedito Seleiro ), um vagão de trem transformado em biblioteca , voltada, especialmente, ao público infantojuvenil e à literatura cearense etc. A praça em si é uma beleza . Na última vez em que eu fui (já faz tempo ), tinha um restaurante alemão , o Hofbräuhaus . Mas acho que, esse restaurante esoecífico, agora, só na Serra de Baturité , no hotel Hofbräuhaus da cidade de Mulungu . (Apesar de parecer longe , chega-se lá, de carro , em 1h30m .) Tem, também, um espetáculo com águas de fontes . E era lá que ficava o Palácio do Plácido . Vagão-biblioteca na praça Luiza Távora. Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque (MIS) Um dos melhores museus da cidade , o MIS tem exposições fixas e permanentes . No seu acervo encontram-se fotografias , livros , discos de vinil e de cera , fitas cassete e VHS , CDs e mais. O museu busca fomentar a cultura cearense , através da literatura de cordel , da música , das personalidades , das artes plásticas , do artesanato , das festas populares etc. Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque (MIS). Theatro José de Alencar Tombado pelo IPHAN , o TJA é um pequeno milagre . O palco principal possui 3 andares e abriga 800 pessoas . Nos anos 90 assisti a inúmeros concertos por lá. Inclusive o Quinteto de Sopros da Filarmônica de Berlim . Recentemente (mais ou menos), vi a OSESP , ainda regida por John Neschling . Já toquei lá, tanto no Foyer (que abriga 120 pessoas) quanto no palco principal . Mas vale mesmo a pena você fazer uma visita guiada (são 10 reais por pessoa). O teatro é em estilo eclético , com muitos elementos de Art Nouveau . O jardim , lindíssimo , foi projetado por Roberto Burle Marx . O teto , foi pintado por Ramos Cotôco . Inaugurado em 1910 , fica no centro de Fortaleza , em frente à praça de mesmo nome . Veja , abaixo (da esquerda para a direita ), a fachada do TJA e seu interior . Sobre o ensino em Fortaleza , seguem alguns rabiscos de impressões . O ensino público fundamental é gerido pela Prefeitura . O médio , pelo Governo Estadual . Sobre o Ensino em Fortaleza Sobre o Fundamental , não me sinto qualificado a falar. Sobre o Ensino Médio , minha esposa , Flaviana , ensina, há quase 20 anos , em uma escola - a Escola de Ensino Médio em Tempo Integral ( EEMTI ) Johnson (que conta com uma parceria com a família estadunidense Johnson ). O ensino é qualificado , quase todos os professores têm pós-graduação , automóveis e intervalos . Os alunos variam entre os muito problemáticos (geralmente, do 1º ano , egressos de uma mal afamada escola fundamental da região ) e os gênios , que passam com boas notas no ENEM , em qualquer vestibular etc. Escola Estadual de Tempo Integral Johnson. Fortaleza tem, acredite, ótimas universidades . O Ceará inteiro , aliás. Universidades Públicas A UFC (Universidade Federal do Ceará) A UFC foi fundada em 1954 e é considerada a 11ª melhor do Brasil , em um apanhado da Folha de São Paulo , de 2021 . Possui, também, unidades , mais recentes, em Sobral , Russas , Quixadá , Crateús e Itapajé . (Desconhecida, Crateús é uma cidade grande , com cerca de 73.000 habitantes, com 363.600 na região metropolitana . Fica há cerca de 5 horas de Fortaleza , de carro , o que provavelmente explica seu pouco reconhecimento .) Campus do Benfica, da UFC. Oferece dezenas de cursos , como agronomia , medicina , matemática , direito , farmácia , biologia , fisioterapia , ciências ambientais , física , odontologia , química , letras , arquitetura , música (licenciatura) etc. Contava, em um Senso de 2015 , com mais de 26.000 alunos de graduação e mais de 5.000 de pós-graduação . Dentre seus formandos notáveis estão: os escritores Lira Neto e Socorro Acioli ; os políticos Ciro Gomes , Cid Gomes , Camilo Santana e Luiziane Lins ; os músicos Ednardo e Fausto Nilo ; o humorista Renato Aragão (o Didi ); o ator Emiliano Queiroz etc. A UFC edita 18 periódicos científicos e tem 20 bibliotecas . Administra, também, o Hospital Universitário Walter Cândido - HUWC (hospital público, operado pelo SUS , é o hospital que realiza o maior número de transplantes de fígado da América Latina ) e a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (que atende gestantes e realiza o " parto humanizado ", sobre o qual não entendo o suficiente - porque tem coisa mais humana do que recorrer à tecnologia quando a vida da mãe está em risco ? E ela não está sempre em risco , quando grávida ?). Tem 6 Clínicas Odontológicas , cada qual com 16 salas de atendimento , uma clínica de radiologia e um centro cirúrgico . A UFC oferece cerca de 38 cursos de Mestrado ( economia , ensino de física , avaliação de políticas públicas , antropologia , ciência do solo , engenharia civil , farmacologia , geologia , bioquímica , zootecnia , engenharia química , artes , educação física , filosofia , dentre outros ) e 29 de Doutorado ( economia , ecologia e recursos naturais , microbiologia , ciências médico-cirúrgicas , medicina translacional , farmácia , farmacologia , odontologia , geologia , bioquímica , filosofia , medicina , zootecnia , engenharia química , engenharia elétrica , engenharia de ciências materiais , biotecnologia , geografia , saúde pública , educação , história etc.). UECE (Universidade Estadual do Ceará) Considerada a melhor Universidade Estadual do Norte , do Nordeste e do Centro-Oeste , foi fundada, em Fortaleza , em 1975 . E, desde então, abriu unidades em Quixadá , Itapipoca , Quixeramobim , Canindé , Aracati , Crateús , Limoeiro do Norte , Mombaça , Iguatu , Tauá , Guaiúba e Pacoti . A UECE tem seu vestibular próprio (isto é, não adota o ENEM ) e segue a política estadual de destinar metade das vagas a pessoas que se enquadram em cotas ; destinando, também, 3% das vagas a portadores de deficiências . Administra o recém-inaugurado Hospital Universitário do Ceará (um dos maiores hospitais públiicos do país ) e o Hospital Veterinário do Ceará (o maior do nordeste ). Inauguração do HUC, com o presidente Lula, 19 de março de 2025 Alguns de seus cursos são: ciências sociais , biologia , medicina , ciências da computação , física , nutrição , literatura (português, francês, espanhol, inglês), enfermagem , matemática , química , filosofia , geografia , música ( composição , flauta , piano , licenciatura etc.), história , psicologia , pedagogia , entre  outros . A UECE oferece mais de 30 cursos de Mestrado ( administração , computação , ciências naturais , veterinária , educação , filosofia , história , geografia , letras , linguística aplicada , nutrição , saúde pública , sociologia , climatologia , letras , matemática , biologia , saúde da família , transplantes etc.) e cerca de 15 de Doutorado ( administração , biotecnologia , computação , ciências fisiológicas , ciências naturais , veterinária , educação , geografia , linguística aplicada , nutrição e saúde , políticas públicas , saúde coletiva , saúde da família , sociologia e outros ). Universidades Particulares São tantas , e tão novas , que eu vou me ater a uma só . A Universidade de Fortaleza ( UNIFOR ). Isso porque estudei lá (uns 5 ou 6 semestres de Publicidade ). É tida como a melhor universidade particular do Nordeste . Universidade de Fortaleza (UNIFOR) Foi criada em 1973 pelo empresário Edson Queiroz (morto, em 1982 , em um acidente de avião , que se chocou contra a Serra de Aratanha ) e é mantida, hoje, pela Fundação Edson Queiroz . Repleta de bosques , tem cerca de 720.000 m² , 300 salas de aula e mais de 200 laboratórios e auditórios . O campus é tão grande que você se perde facilmente . Já no estacionamento ! Dotada de um espaço cultural (que já recebeu exposições de Rubens , Rembrandt e do Movimento Armorial ) e de acervos (na Biblioteca Central , são quase 100.000 livros , e na Biblioteca Acervos Especiais há livros caríssimos de Airton Queiroz , filho de Edson , falecido em 2017 , bibliógrafo ) com 9.000 livros raros . Cheguei a folhear casualmente um volume que valia mais que minha vida inteira . O Grupo Edson Queiroz detém, também, empresas de alimentação (água e refrigerantes Minalba e Indaiá ), gás ( Nacional Gás Butano ), Comunicação ( Jornal Diário do Nordeste e TV Verdes Mares - que retransmite a TV Globo , no Ceará) etc. A UNIFOR e o Grupo possuem, também, a TV UNIFOR , dedicada a levar ao público o material produzido pelos estudantes de Jornalismo , Publicidade e Propaganda e Audiovisual . Da lá, saiu Ana Beatriz Farias , que já foi minha aluna de Flauta e, hoje, é correspondente internacioal do Globonews . Há, também, o Teatro Celina Queiroz , com 300 assentos e um piano Steinway & Sons (os Argonautas lançaram seu primeiro disco , Interiores , lá); o Núcleo de Atenção Médica Integrada , referência dentro e fora do Ceará , que já atendeu e realizou cirurgias (pelo SUS e convênios ) em mais de 400.000 pacientes, com clínicas de fonoaudiologia , nutrição e psicologia ; a Clínica Integrada de Odontologia (que oferece, geridos pelos alunos , 100 consultórios modernos e completamente equipados ) e muitos outros equipamentos . Dentre os Cursos de Graduação da UNIFOR estão: administração , ciências contábeis , cinema e audiovisual , jornalismo , publicidade e propaganda , marketing , direito , nutrição , farmácia , educação física , enfermagem , medicina , veterinária , psicologia , arquitetura e urbanismo , computação , engenharias ( civil , ambiental , da computação , elétrica , mecânica ), design e moda , energias renováveis , energia cosmética , petróleo e gás , dentre muitos outros . A UNIFOR também oferece cursos de pós graduação , com 60 cursos de Especialização , 9 MBAs , 5 Mestrados e 2 Doutorados . Qual a Melhor? Obviamente, como estamos no Brasil , vai depender de você ter muito dinheiro ou não . A UECE e a UFC estão entre as mais qualificadas do Nordeste em suas categorias ( estadual e federal ). Mas, se vamos levar em conta as categorias, não podemos esquecer as particulares . E, como expliquei acima , conheço apenas uma , a UNIFOR . Desde os anos 2000 , as particulares vêm se multiplicando , de modo que eu até perdi a conta . Falando de mim , especificamente (ou quase ): meu pai é médico formado pela UFC ; minha mãe é professora de música formada pela UECE (tendo chegado a estudar engenharia de pesca e pedagogia !). Eu , mesmo, estudei na UNIFOR ( Publicidade e Propaganda ) e na UECE ( Música: composição ). Ingressei, em composição no ano ( 2007 ) em que meu professor , Liduino Pitombeira , atualmente professor da UFRJ , voltou do mestrado nos EUA , propôs e montou o curso . Atenção, não é CR ( Composição e Regência ) porque o Ceará , tendo que se preocupar com coisas realmente mais urgentes , simplesmente não tem dinheiro e interesse para montar uma Orquestra Sinfônica profissional sequer. Existe a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho , sobre a qual ainda farei um texto . Dessa forma , eu tenho mesmo que recomendar a UNIFOR . Do Grupo Edson Queiroz , do qual faz parte gente riquíssima , que deve viver em comunidades no fundo do mar com seus amigos , também riquíssimos . Mas espero ter-lhes feito justiça , no texto acima, pois sempre puseram todas as suas " conquistas físicas" (compras) artísticas à disposição do público . O ambiente , em toda a universidade , é agradável , com bosques , fontes , seguranças , salas de aula , tudo em plena comunidade do Edson Queiroz , um dos bairros mais violentos de Fortaleza (do qual a UNIFOR se separa por uma discreta cerca verde). Há quem se revolte com essa cerca , dentre os alunos . Para, logo depois , acionar o controle de uma BMW , que faz seu barulhinho , e ir para sua, igualmente fechada , casa . Mas sabemos que a mensalidade da UNIFOR pode custar, em alguns cursos , cerca de R$ 10.000 . O que está longe da minha realidade e da da maior parte das pessoas que eu conheço . Se formos, então, olhar para as públicas , vamos pelos cursos . A UFC , na maior parte deles , se sai relartivamente melhor: agronomia , medicina , arquitetura , direito e letras . Com seus charmosos campi do Pici e do Benfica , acessíveis facilmente de ônibus , tem, nos cursos mais fortes , sua vertente mais forte . Fachada do Campus do Benfica, da UFC. Já a UECE , é mais recomendada a quem vai estudar letras , música , história , psicologia e pedagogia . Em Fortaleza , tem a maior parte de suas atividades no Campus do Itaperi e no Centro de Humanidades . Quem estuda no Itaperi e pretende ir de ônibus , o problema são as distâncias . Dentro do Campus , que é enorme , seco e árido . Eu levei 10 anos para ( forçado ) me formar em música , lá. A menina da foto abaixo , sequer está lá . Observe que imagem natural! Ah, já estudei no Centro de Humanidades , também. 2 semestres de Filosofia . É bem melhor , menor e mais bonitinho . Centro de Humanidades da UECE. O Ceará Mas não vim falar apenas de estudos . Permitam-me discorrer brevemente sobre algumas personalidades e localidades do Ceará . Juazeiro do Norte e Cariri Situado no sul do Ceará , no sopé da Serra do Araripe , o Cariri inclui cidades como Juazeiro do Norte , Crato , Barbalha e, até, cidades fora do estado . Luiz Gonzaga , nascido em Exu , Pernambuco , se considerava meio cearense por causa da influência cultural do Cariri . Esta se expande , também, a cidades um pouco mais ao norte , como Iguatu . Há quase 8 horas de Fortaleza (de carro ), a região é um importante polo cultural e turístico do Ceará . O " problema " do Cariri é a distância para a capital . Mas isso também tem seu lado bom : a região é riquíssima , culturalmente e tem, até, sotaque próprio (parecido com o de pernambuco ). Vista noturna de Juazeiro do Norte, Cariri, Ceará. Jericoacoara Em Jericoacoara tudo é mágico . Redes imersas em lagoas , meninos voando por cima de você , em pipas ( kitesurf ?), a culinária , o pôr do sol e, acima de tudo, o mar . O mais sereno que já vi. Fica há cerca de 3:30h de Fortaleza . O nome Jericoacoara pode se referir tanto à praia quanto à vila . Pertencem ao município de Jijoca de Jericoacoara . Redes em lagoa de Jericoacoara. Mundaú Essa praia pertence ao município de Trairi , há pouco mais de 2:30h de Fortaleza . Todas as praias de Trairi são maravilhosas : Flexeiras (a mais conhecida), Guajiru , Praia da Emboaca . Falo de Mundaú porque passei bons dias lá, no hotel ( Estrela de Mundaú ) de uma austríaca , com uma coziinheira tão boa que pensei, seriamente, em pedi-la emprestado . Além de ser a praia menos cheia do Trairi, tem uma visita maravilhosa , de catamarã , pelo Rio Mundaú . É relativamente pouco visitada , motivo pelo qual é a melhor da região . Praia de Mundaú. Guaramiranga A serra em si se chama Maciço de Baturité ou Serra de Beturité , sendo Baturité um município que fica no pé da serra . Não é muito recomendável a turistas , porque o que vale a pena é ficar em uma das casas escondidas ou acampar . Vale a visita , claro: a cidade de Guaramiranga , a de Mulungú e as veredas da serra , que são lindas . Guatamiranga, no Maciço de Baturité, Ceará. Padre Cícero Mesmo depois de excomungado pela Igreja Católica , Padre Cícero Romão Batista , nascido no Crato , tinha uma autoridade sem igual na região . " Padim Ciço " fez peregrinação pelo sertão ; oferecia , em domicílio , confissões e pregações e chegou a arregimentar mulheres que não eram freiras para ajudá-lo nestas tarefas . Padre Cícero. Bode Ioiô O mais famoso bode do Ceará , Ioiô "apareceu" nos anos 1920 . Acompanhava boêmios e artistas ; entrava sem cerimônia em qualquer bar do Centro de Fortaleza e foi, em 1922 , eleito vereador - como forma de protesto à política da cidade. Morreu em 1931 e foi empalhado . Fica exposto , hoje, no Museu do Ceará . Bode Ioiô taxidermizado, no Museu do Ceará, Fortaleza. Seu Lunga Em Juazeiro do Norte você podia visitar, até 2014 (quando morreu ), a lojinha do " Seu Lunga ". A experiência era um tanto decepcionante , segundo um amigo meu . Porque você esperava que ele dissesse algo engraçado , mas (talvez por birra ) ela não dizia . Dentre suas respostas mais lendárias estão (nem todas confirmadamente dele): "Lunga estava tirando goteiras , defeitos das telhas de sua casa etc. Um curioso passou e perguntou : Tá tirando as goteiras seu Lunga ? Ele responde: Tô não , tô é fazendo - e saiu feito louco a quebrar as telhas "; "Seu Lunga como tá o arroz ? Tá cru "; "Numa madrugada , a esposa de Lunga teve um mal-estar e, gemendo, acordou o marido: - Lunguinha , Lunguinha, tá me dando uma coisa aqui ... - Então receba ! - Mas Lunga, é uma coisa ruim ... - Então devolva! "; "Seu Lunga entra em uma loja , perguntando: - Tem veneno pra rato ? - Tem ! Vai levar ? - pergunta o balconista . - Não , vou trazer os ratos pra comer aqui !!! - diz seu Lunga. " Antônio Conselheiro Uma espécie de " profeta andarilho " (ele não afirmava nem negava - impossível dizer se era louco ou se se fazia ), nascido em Quixeramobim , Conselheiro fundou o " Arraial de Belo Monte ", também conhecido como Canudos . Aguardem postagem sobre o Massacre de Canudos . Dragão do Mar Francisco José Nascimento , o " Dragão do Mar ", foi um jangadeiro de Aracati que, do seu jeito, lutou contra a escravidão . Acontece que os navios negreiros não podiam chegar até a costa , sob o risco de encalhar . Dependiam , portanto, dos jangadeiros para buscar os escravos . Dragão do Mar ficou conhecido por se recusar a realizar este transporte . Dragão do Mar. Humberto Teixeira O mais famoso co-autor das músicas de Luiz Gonzaga , o cearense de Iguatu Humberto Teixeira , o " doutor do baião " tem, dentre suas parcerias mais famosas com o " rei do baião ", Asa Branca , Qui nem Jiló e a comovente Assum Preto . Entre as obras que escreveu sozinho , destaca-se Kalu . Trecho de Assum Preto . Desta ave , a Graúna era costume furarem os olhos , alegando que, assim, seu canto era mais bonito . "Tarvez por ignorança Ou mardade das pió Furaro os óio do Assum Preto Pra ele assim, ai, cantá mió" Humberto Teixeira, o "doutor do Baião". Poderia ficar horas falando sobre a Banda Cabaçal dos Irmãos Anicieto , o cantador e poeta Cego Aderaldo , o pianista Jacques Klein , o maestro Eleazar de Carvalho , o compositor Alberto Nepomuceno , os escritores e escritoras José de Alencar , Rachel de Queiroz , Adolfo Caminha , Moreira Campos , Carlos Emílio Corrêa Lima , Ana Miranda , Socorro Acioli , Tércia Montenegro , Lira Neto , a Academia Cearense de Letras , o ator Emiliano Queiroz , os artistas plásticos e artesãos Zenon Barreto , Raimundo Cela e Espedito Seleiro e os humoristas Chico Anysio , Renato Aragão e Tom Cavalcante . Essa postagem é para você , cearense ou não , que quer descobrir os encantos daqui. Comente , que eu leio . Seu comentário é muito importante , seja ele favorável ou não . Basta descer mais um pouquinho e encontrar a caixa vermelha ! 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  • DBS - Deep Brain Stimulation - o marca-passo da salvação

    Olá ! Nessa postagem vou relatar , na melhor das minhas possibilidades, minhas primeiras experiências com a DBS (traduzindo: Estimulação Cerebral Profunda ), procedimento cuja cirurgia eu fiz dia 13 de janeiro de 2024 . Originalmente desenvolvida para pacientes com Mal de Parkinson , Tremor Essencial e Distonia , todos males neuromotores, logo passou a ser testado para tratar condições neuropsiquiátricas : Transtorno Obsessivo-Compulsivo , Epilepsia e, mais recentemente, Depressão . DBS não é, nem mesmo, o nome da cirurgia  - a neurocirurgia é para implantação do material físico que tenho que trago comigo. Benéfico ou danoso? Saiba que, na maioria das vezes, DBS é benéfico . Trata-se da implantação de um neuroestimulador , eletrodos , bateria e os fios relacionados. Alguns vão no cérebro . Já a bateria fica sob a clavícula . No tratamento da Depressão , eu a indicaria para quem já tentou de tudo , mas nada funcionou. Mas apenas com suporte financeiro (do plano de saúde). Quem está em um momento "terminal" da doença, inclusive com possibilidade de suicídio, vá atrás . Há bons neurocirurgiões em todos os lugares do Brasil . E do mundo. Primeiro (Como fazer?) Fui ao meu psiquiatra, dr. Joel , que, vendo que nada havia funcionado , sugeriu que eu fizesse uma consulta com um neurocirurgião, dr. Flávio . Este garantiu que meu Plano de Saúde  cobriria os absurdos custos com o procedimento e com os materiais: eletrodo, fio (que perpassa a cabeça) e gerador de pulso - estimativa pessoal: isso sairia, com os médicos, entre R$ 300 e 400 mil . Não sem luta, o plano cobriu e partimos para achar um médico especializado no procedimento - dr. Osvaldo , de Goiânia. Então, fale com seu psiquiatra ou com um neurocirurgião . Mesmo que ele não tenha participado de um processo assim, vai conhecer quem possa te ajudar . Por isso e por tudo, agradeço muito a todos os médicos , enfermeiras e auxiliares  envolvidos. No final das contas, algo entre 8 e 12 médicos compareceram à sala de cirurgia - meu pai, dr. Henrique , que é médico e fez tudo para que o plano aceitasse arcar com os custos do procedimento, incluso. Sei que fui o primeiro paciente  a fazer a cirurgia dupla  (talvez do mundo). Parece que o meu psiquiatra, o Joel, compareceu, no final, mas nesta hora eu estava anestesiado e os relatos acerca de sua presença são vagos. É o momento em que implantam, por baixo da pele , o fio que liga a bateria ao estimulador. Tudo, por baixo dela e por uns 30-40 cm. O paciente deve estar inconsciente . Não falo para me gabar - mérito é todo da equipe. Se você entende inglês, sugiro que assista a todos os vídeos e leia todas as matérias que vou sugiro no fim da postagem. Dr. Osvaldo fez a parte técnica da cirurgia, junto com dr. Flávio. Para completar, dr. Osvaldo me ofereceu uma cirurgia dupla  - ablação e implante  do equipamento que faz o DBS. A única parte dramática  foi a implantação de um halo - parafusado - literalmente cercando o cérebro . Ele serve como uma espécie de bússola e é essencial para guiar o cirurgião, que tem coordenadas milimétricas  para seguir em uma neurocirurgia. Falo dramática (não, não fiz drama) porque eles vão aparafusando um enorme objeto metálico  - e você sente cada centímetro - e você tem que conviver com ele por horas (no meu caso, mais de 8 horas ) de intensa dor de cabeça . Horrível, mas não desanime. Se eu suportei, você tira de letra . Halo fixo , cabeça doendo , é hora do implante . Não existe apenas o ponto em que o estimulador ficará, mas todo o caminho por onde ele passará, que o dr. traça a partir de cálculos e uma ressonância magnética transcraniana  - feita mais cedo, no mesmo dia. Na medida em que ele vai progredindo em inserir o gerador, que tem o tamanho de, pelo que sei, um mindinho , ele vai pedindo coordenadas para o próximo milímetro à sua colega (dra. Issa). Nessa parte estou bem , nós não sentimos dor no cérebro . O médico que fez a minha cirurgia especializou-se em depressão . São coordenadas diferentes, e a intensidade do aparelhinho, também é.   Eu faço esta observação porque é como tratamento para Parkinson que você vai encontrar pela internet , a abertura para depressão é bem recente . Em seguida, os demorados procedimentos  são iniciados, com o paciente acordado. Foram 8 horas em que eu não senti nada – só a dor de cabeça, infernal. Depois, sala de descanso ( não carece de UTI ) e, uma ou duas horas depois, apartamento . E casa , no dia seguinte. Demorados Procedimentos e Resultado Com a minha autorização  e do meu pai , o dr. Osvaldo  realizou duas cirurgias  diferentes em mim - a ablativa , em que uma parte do cérebro  é lesionada (queimada à inutilidade), e a DBS , em que os componentes necessários  para o tratamento DBS  são implantados . Já nessa fase, eu me sentia bem . Digo da depressão. E não me refiro ao DBS , mas à parte ablativa da cirurgia. Sério . Não sinto nada de ruim  até hoje . Tudo bem, a memória foi melhorar de maneira simbólica , os movimentos do corpo estão íntegros , mas débeis . Mas, a verdade é que, para todos os efeitos, não tenho mais depressão . Se você tem um bom plano de saúde , ou muito dinheiro (imagine... pessoas pobres têm que conviver com essa horrível depressão ), sugiro que ouça um médico e, se for o caso, faça a cirurgia. Mas lembre que é uma neurocirurgia , portanto, há sempre riscos de complicações . O gerador de pulso , veio um homem de preto  da Nasa ligar. E ele não faria se não fosse um manual enorme que trouxe. E ficavam dois dos médicos , lá de Goiânia, dando instruções o tempo todo. Mas é quase um milagre . Milagre da ciência . Ainda não recuperei  o meu senso de humor , mas estou voltando . Os Efeitos Adversos Eu tive umas complicações que, provavelmente, nada tiveram com a cirurgia . Dor de cabeça aguda , diarréia incontrolável , incontinência urinária , fraqueza muscular , tremores , emagrecimento rápido (40 quilos em 2 meses) e (calma!) falta absurda de memória , dificuldade de concentração , começava uma frase e não sabia terminar, não andava e (juram) fiquei rude . Mas é isso. Quando tive essas reações fui ao hospital (Hospital Regional da UNIMED, que foi terrível, até porque não tinham quartos e eu fiquei improvisado em uma tenda no corredor, e Hospital São Camilo) e detectaram que era carência absoluta de potássio . Fiquei lá por catorze dias, em abril (entendem por que não fiz o relato antes?). Fora uns episódios de moderada agressividade contra a minha amada esposa  (pouca) e o descontrole sobre as atividades fisiológicas , o lado bom é que eu estou curado da depressão . Sobre essa última parte , dos efeitos adversos , preciso lhes contar que, mesmo com eles, eu faria a cirurgia de novo . Sou outra pessoa, tenho (acho que literalmente) outra cabeça. E os médicos, todos eles, acharam muito estranho que tudo isso tivesse acontecido logo depois da cirurgia. Todos deram diagnósticos alternativos , que podiam não levar em conta o fato de termos posto um ratinho no meu cérebro . Ou diagnosticaram uma reação em cadeia  - primeiro, o emagrecimento , daí, o potássio , anemia etc. Considerações finais Que fique claro , para quem deseja se aventurar  (ou não tem alternativa ), que o potencial máximo  da cirurgia é esperado para um ano após , ou mais . Mas uma melhora, cada vez mais perceptível, vai se fazendo notar a partir da data da operação. Eu, que tinha certeza que ia morrer com depressão . Talvez de depressão . Esse mundo em que estou bem é novo para mim. E eu vim recomendar a cirurgia, sim . Totalmente! Já falei que estou há quatro meses sem chorar ? Sobre a DBS, no site do Instituto de Psiquiatria do Paraná Sobre a DBS, pelo dr. Diego de Castro Vídeo curto (em inglês) Vídeo curto 2 (em inglês) Matéria (em inglês) Vídeo (em inglês) da CNET Espero que o texto seja de auxílio para aqueles que vivem essa infernal depressão . Ele complementa esse aqui . A partir de amanhã , sábado, dia 27/04/2024 , devo ir voltando com as atividades normais , sobre música clássica , da Arara Neon ! Lista de postagens da Arara!

  • Liszt - Sonata em Si Menor - Análise

    Por Rafael Torres A técnica pianística teve um salto evolutivo incrível em Paris nos anos 1830 , onde viviam Franz Liszt , Frédéric Chopin , e Sigismund Thalberg , cada um trazendo peças cada vez mais intrincadas . O objetivo era esse, o de tornar tocar piano uma coisa sempre mais complexa, com novos problemas , novas soluções , novas invenções e idiomatismo . Ouso dizer que, antes dessa geração, e se excetuarmos algumas das últimas sonatas para Piano de Ludwig van Beethoven (1770-1827) e de Franz Schubert (1797-1828), todas as peças escritas para teclado , especialmente as Barrocas , como as de Domenico Scarlatti , Girolamo Frescobaldi , François Couperin e Johann Sebastian Bach , podiam ser facilmente transpostas para outro instrumento ou conjunto de instrumentos. Já ouvi discos inteiros de obras para cravo de Bach tocadas no Acordeon . Ou por Trios de Cordas , Quartetos ... Obras escritas para órgão transpostas para imensas orquestral... É absolutamente impossível fazer isso com a obra de Liszt . E com a maior parte da de Chopin. E isso , descobrir novos efeitos no instrumento, expandir suas possibilidades expressivas e explorar todos os seus recursos é, por si só, uma arte . E quando, além de toda a parafernália técnica , a música tem significado , beleza e expressão , como é o caso da maior parte da obra de Liszt , vejo que esta não é apenas válida . É essencial . Já falei bastante sobre o compositor nessa postagem , sua biografia resumida , obras e uma playliszt interessante. Franz Liszt ao piano. Óleo sobre tela. Autor e data desconhecidos. A Sonata em Si Menor Pesquisei muito, ouvi dezenas de gravações e sempre as mesmas duas se sobressaíam : a de Martha Argerich e a de Nelson Freire . Comparando as duas com mais cautela, percebi que pouca coisa , no universo da música gravada , é tão impressionante quanto essa gravação do Nelson . Sim, a meu ver, ultrapassa com folga a lendária e excepcional leitura de Martha Argerich . O disco de Nelson Freire contém a 3ª Sonata de Chopin e a Sonata em Si Menor de Liszt . Falaremos apenas sobre esta última , obviamente. A esta obra e algumas outras contidas neste texto , dedicarei postagens exclusivas e mais aprofundadas . É quase impossível resumir esta Sonata , então, tenham em mente que os próximos parágrafos farão apenas uma (relativamente) breve investigação dela, de modo que você possa escutá-la já com o suporte do conhecimento . Liszt finalizou a composição da Sonata em Si Menor em 1853 , tendo trabalhado nela por, possivelmente, uns 4 anos . Nesta época morava em Weimar , na Turíngia, Alemanha . Dedicou-a a Robert Schumann , ainda vivo , à época, e que havia dedicado a Liszt sua Fantasia em Dó , de 1839 . O pacote com uma cópia da primeira edição chegou à casa dos Schumann , mas não encontrou o compositor e jamais encontraria . Ele já havia partido para seu destino final , o Sanatório de Endenich , onde morreria dois anos depois. A viúva Clara Schumann , uma das maiores pianistas da época , jamais executou a obra em público , considerando-a "meramente um ruído branco ". Liszt, também, nunca a tocou em concertos públicos, pois já tinha encerrado sua carreira de concertista , mas chegou a executá-la em apresentações privadas , na casa do Barão Fulano de Tal , ou do Conde von Sicrano . A Sonata só foi mesmo estreada em 1857 , por seu genro Hans von Bülow , em Berlim . Não se pode dizer que causou um impacto positivo , na época. Mas, pouco a pouco, foi ganhando adeptos , de modo que no final da vida do compositor já tinha uma reputação robusta e, desde então, sempre crescendo, esteve no repertório de quase todo pianista de concerto . Existem, possivelmente, mais de 150 gravações comerciais dela. Acima de tudo, a obra é considerada , por especialistas em Liszt, como o pianista Leslie Howard , a maior evolução no gênero Sonata (não confundir com Forma Sonata ) desde as derradeiras Sonatas de Beethoven , ainda nos anos 1820 . Hoje é amplamente tida como a obra mais importante de Liszt. É chamada de Sonata em Si Menor (às vezes) em vez de apenas Sonata de Liszt , porque há outra , a chamada Dante Sonata , bem menos conhecida e bem-sucedida . Nenhuma peça para piano gerou tanto debate entre musicólogos , que a atribuem significados , muitos deles, provavelmente, apenas ilusórios ou, na melhor das hipóteses, sem relevância alguma. Por exemplo, é possível encontrar na Sonata, se você quiser, uma representação da história de Adão e Eva . Daí, você encontra o " Tema de Adão ", o " Tema de Eva ", o " Tema do Diabo ", o " Tema de Deus " etc. E encontra na estrutura, que para você é o enredo, a sequência de acontecimentos da história. Há quem a veja como uma " autobiografia espiritual " do compositor . É possível, também, como eu prefiro , enxergá-la como música pura , sem grandes alusões , ou pelo menos sem um programa . Isso não a impede de ser programática , pois, como veremos, sugere emoções humanas , sensações e estados de espírito com bastante clareza. Sua estrutura é um mistério . A Forma Sonata em si, está, de certa forma presente, mas o que se discute é como , exatamente, ela é aplicada . Há os que defendam que ela tem quatro movimentos interligados ; há os que digam que tem três ; ou que é, toda ela, um movimento único . Em Forma Sonata . Importante observar que você pode encaixar a sua concepção de Forma Sonata a quase qualquer obra grande . Basta dividi-la em Introdução , Exposição (de preferência com dois temas ), Desenvolvimento , Recapitulação e Coda . Vamos ver isso. Quanto à execução de Nelson Freire , ela me deixa sem palavras , por seu virtuosismo , potência sonora , lirismo poético (de extrema sensibilidade, mas sem jamais se tornar piegas ) e capacidade de mudar repentinamente a atmosfera , como se vários pianistas se revezassem em passagens diferentes. Pouco importa se ele segue ou não com precisão as milhares de articulações , pedalizações e instruções dados por Liszt (ninguém segue todas elas, faz parte do ofício do intérprete eleger as indicações mais relevantes , executá-las do seu jeito e detectar as que são desnecessárias ou que, até mesmo, comprometem a inteligibilidade do discurso geral da peça ). O disco, de 1972 , contém, ainda, a magnífica Sonata Nº 3 de Frédéric Chopin , que Nelson chegou a regravar , alguns anos atrás . A Sonata em Si Menor dura cerca de meia hora e não tem uma divisão clara de movimentos ou interrupções , de modo que fica daquele jeito: o intérprete e o produtor do disco decidem se vai haver uma troca de faixa a cada nova indicação de andamento, ou se apresentam a peça inteira em uma só faixa , como se fez no disco de Nelson. Tomando como base a primeira edição , de Breitkopf und Härtel , a partitura tem 32 páginas e a primeira delas já contém elementos básicos de praticamente todo o material que permeará a sonata. São eles (e eu vou escrever por pontos , que é mais adequado): (A capa do LP em que Nelson Freire tocou a Sonata, de 1972 .) Introdução e Exposição A introdução contém os elementos básicos em forma bruta , que comporão a estrutura da obra. Uma escala descendente ( Motivo 1 ) que será amplamente aproveitada e transfigurada , como já é aos 22s , o Motivo 1 , o Tema A e o Motivo 2 , a seguir; O Motivo 1 é o que inicia a obra: duas notas em staccato , seguidas por uma escala descendente . O interessante, nesse trecho, é que, na primeira escala descendente, Liszt usa uma escala diferente, estranha aos ouvidos: a Escala Frígia Dominante . Já na segunda escala descendente, uma ainda mais exótica . É a Escala Menor Húngara ; Tema A ( 40s ) - Marcado Allegro Energico , aparece já na introdução , quase como um subito forte , já que a dinâmica muda bruscamente (na partitura, muda de maneira mais gradual , mas quase nenhum pianista faz assim ), é uma frase um tanto diabólica em oitavas duplas , ou seja, oitavas nas duas mãos ; Motivo 2 ( 49s ) - Facilmente negligenciável e tratável como uma simples passagem de transição , o Motivo 2 , no registro grave , na mão esquerda , também terá importância gigantesca no desenvolver da obra; O Tema A parece ser desenvolvido antes da hora, mas está, na verdade , sendo apresentado formalmente . É o início da Exposição ; Tema B ( 3m11s ) - Em Ré Maior e majestoso (marcado Grandioso ), surgindo após vários compassos de preparação , temos o Tema B , seguido por aparições do Tema A adocicado ; Os outros temas e motivos reagem ao Tema B , como se fossem domados por este, e, consequentemente a atmosfera é bem menos tensa e mais agradável (por enquanto); A partir de então, Liszt trabalha os temas, alternando-os e modulando-os . Mas ainda não estamos no Desenvolvimento ; O que ouvimos aos 5m31s é nada mais que o Motivo 2 transfigurado . Anteriormente exclusivo da mão esquerda , em registro grave , ele surge, agora, doce e suave , na mão direita e em tom maior . Essencialmente, ele foi transformado no Tema C ; Perceba, aos 6m42s , uma passagem cromática descendente da mão direita, bisneta do Motivo 1 , em sobreposição com o Tema A , na mão esquerda . Logo depois ( 6m50s ), o que a mão direita estava fazendo se transforma no Tema C . E se torna ainda mais evidente que o compositor não nos entregará mais melodias novas , mas elaborações destas 5 ideias : Motivo 1 , Tema A , Motivo 2 , Tema B e Tema C ; Aos 7m11s , sob um trinado e cadências da mão direita, a esquerda, hesitantemente, nos lembra do Tema A , tentando começá-lo por duas vezes ; Desenvolvimento O Desenvolvimento , em duas partes , começa aos 7m31s , com o Tema A aparecendo mais assertivamente, em oitavas , na mão direita , em ff (fortíssimo). Os temas serão tratados aqui de diversas formas : de maneira rapsódica , improvisativa , com cadências e, até mesmo, de maneira mais padrão , como se espera ouvir em uma sonata , digamos, comum ; Na primeira parte a tensão e a turbulência são crescentes , culminando aos 9m26s e seguindo até as profundezas do inferno ; Tenebrosamente (9m34s ), o Tema B surge desprovido de todo o magnetismo e otimismo de sua personalidade; Aos 11m38s atingimos duas coisas, uma melodia que pode ser vista como um novo tema ( Tema D ) ou como um amálgama alterado dos outros temas , e, para os que consideram que a Sonata tem três movimentos , o Segundo Movimento ; Mas para a nossa análise , será, simplesmente, a segunda parte do desenvolvimento , marcada Andante Sostenuto ; De qualquer forma, é o começo da virada de sorte da obra, em que a turbulência e o inferno são deixados para trás ; Aos 12m19s há uma instrução de ritenuto , ou seja, deve-se desacelerar ainda mais até que se caia no Quasi Adagio (esses termos são todos em italiano , mas acho bom vocês irem se habituando ) ( 12m30s ); Logo em seguida, aos 12m39s , surge o Tema C . Vejam que beleza; Aos 13m34s , com sua dignidade restaurada , o Tema B aparece em registro mais grave e no tom da dominante de Si Menor (o tom geral da obra): Fá Sustenido Maior ; Aos 14m18s , depois de mais uma modulação , o Tema B é repetido , desta vez em Sol Menor ; Repare, aos 14m28s , Tema A começa, sutilmente, a dar as caras; O ponto culminante da obra acontece aos 14m44s , quando, após um rinforzando assai , uma espécie de crescendo exagerado e rápido, chegamos a um acorde de Fá Sustenido Maior em fff (triplo forte); É o Tema D gerando um clímax memorável ; A música vai perdendo ímpeto , utilizando, sempre, Temas e Motivos que já vimos, até chegar o fim do Desenvolvimento ; Recapitulação Aos 17m38s , em ppp (pianississimo) tem início a chamada Recapitulação Motívica , com as mesmas notinhas com que a obra começou (ou alterações : temos a escala menor natural , a menor melódica , a menor harmônica , e Liszt gostava de usar muito a escala menor húngara - não vou explicar, mas era para dar um elemento exótico , da " sua terra ", como se ele não fosse completamente germanizado e sequer falasse Magiar ). Na Forma Sonata , a Recapitulação é quase uma duplicação da Exposição . Então, chamamos de Recapitulação Motívica aquela que traz de volta, antes dos elementos da Exposição , os da Introdução ; Quando entra o Tema A , ele está mais leve , desacompanhado e lépido . E quando termina o Motivo 2 , também em piano, ele se transforma no Sujeito do Fugato (é uma passagem com características de uma Fuga, mas dentro de uma peça que não é, em si, uma Fuga ). Sujeito é como chamamos o Tema Principal da Fuga , que será imitado por outras vozes ou, no piano, em outros registros ; Nesse caso, temos 3 vozes ; Elas evoluem até que caímos, aos 20m01s , na Recapitulação Temática , que é a Recapitulação da Exposição , com o Tema A , novamente turbulento e no tom principal da obra, Si Menor ; Aos 21m38s , após uma transição sensacional , surge o Tema B , um pouco cansado , talvez, mas só; Aos 22m34s temos, por fim a recapitulação do Tema C , em um ambiente de quietude de paz; Aos 23m57s Liszt marca na partitura Stretta Quasi Presto , o que significa, basicamente, que deve-se passar de uma atmosfera lírica para uma mais rápida . Presto é um andamento bem rápido . Mas ele disse quase ; O movimento vai acumulando serotonina e fica quase frenético . Aos 25m20s , a obra atinge novo clímax , seu derradeiro . Coda O último parágrafo do texto de Liszt começa, aos 25m30s , em paz . É agora que ele dará fechamento à obra e veremos se é positivo. Aos 26m22s o Motivo 2 ameaça a paz geral do trecho. Mas nada mais pode ocorrer depois de tanto ocorrido, não é? A obra termina marcado Lento Assai e pp > ppp . Ou seja, lento e pianissíssimo . Não é apenas uma sonatas. É uma jornada por dentro de nós mesmos - se você for como eu, irá se certificar de que não será incomodado por uma hora, vão colocar fones de ouvido, deitar (mesmo que seja no chão) e ouvir a obra, como em ritual. E vai ter um dos momentos mais profundos de sua vida. Não esqueça de comentar. São os comentários que nós mantém vivos. sujeita pautas, aquela música que você sempre achou linda e gostaria de saber mais sobre etc. Boa noite!

  • Conto sobre Jaime, se não me engano

    - Jaime , eu tive uma ideia. - Sério? - Mayara nunca tinha ideias. - Você vai ser vendedor de chegadinho . - Como assim? O casamento ia bem, já tinha uma década , forte, firme. Eram os melhores amigos . Mas Jaime tinha perdido a irmã e o emprego há três anos e entrado numa depressão com toc com síndrome do pânico com tudo . Quando saiu da crise estava sem forças para arranjar emprego . Vivia sustentado por Mayara . Tinha se acomodado . - Assim, literalmente . Vender chegadinho . A dona Ruth do escritório sabe fazer e disse que não ia cobrar nada . Nem o material , no começo. E eu aprendo rapidinho . - Olha , Mayara , calma . Se tem alguma coisa que você quer me dizer , ou me contar ... - Claro que não , bobo . Eu tô falando de ganhar dinheiro ! - Com chegadinho ? - Sim . Mais pra frente você pode migrar pra pamonha , se preferir . Ele sabia que ela não estava brincando . Ela não tinha sutilezas , ironias . Era pá pei . Ou pei bufo . Só que aquilo estava surreal demais. - Certo , - fingiu - digamos que eu vá vender chegadinho . A gente tem que voltar pro Ceará , porque aqui em São Paulo ninguém sabe nem o que é ! - A dona Ruth falou que tem muita gente ... Tem mercado . - Mas como é que pode ? - Você sabe o que o vendedor de chegadinho faz? - Sim, toca triângulo e sai pelas ruas vendendo . Chegadinho . - Isso ! - E agora isso ? E eu vou ser vendedor de chegadinho pro resto da minha vida ? - Claro que não ! A gente estabelece uma meta . Tipo " até comprar a bolsa ". Não acreditava . Isso tudo pela bolsa que eles viram numa exposição nordestina . Ela ficara louca por essa bolsa , o próprio Jaime ficara apaixonado . Era de um grande artesão . Mas era o preço da televisão , e ela concordara que a televisão era mais em benefício mútuo . Se bem que se arrependera . Hoje em dia a gente fica mesmo é enfiado dentro do celular . Só que Jaime gostava de fazer outras coisas com o barulho da tv . - As pessoas aqui já olham pra gente como ' iguais ', né? - Raramente . - pá pei , ela não tinha ironia . - Então ? Imagina um nordestino com um triângulo passando na calçada . - Como é que vão saber que tu , esse alemão gigante , é nordestino ? - O triângulo !!! Ela abaixou a cabeça para a mão. Levantou , respirou . - Todo dia , tu pega ele e anda três quarteirões . Vai fazendo clientela , conversando com o povo. Depois a gente abre pra Vergueiro e pronto. Pelo menos vai ter algum dinheiro . - Tipo, dez reais? - ele riu. - Faz isso por mim , amor - ela apelou praquele jeito bem sério e sincerão dela. E aí não tinha jeito . Ela podia pedir pra mudar de cidade , que ele fazia . - Cê tá falando sério ? - Olha, eu sei que parece doidice , mas... sei lá... a dona Ruth garantiu que... você está há tanto tempo parado ... - Tá bom . Tá bom, tá bom. Olha, segunda-feira eu testo . Faço três quarteirões . - Por que não começa amanhã ? - Tá doida ? Eu nem tenho nem o tambor de colocar os bichinhos - olha, ele já estava criando um laço ! - e nem o triângulo . - Eu disse pra trazer, eu sabia que ia precisar . - Como é que eu ia saber que ia precisar de um triângulo ? É uma longa história . - Que frase insólita ! - ela riu - Precisar de um triângulo ... - Não foi a frase mais insólita dita esta noite ... - Ou você quer mandar trazer o triângulo de Fortaleza ? Só não lhe deu um tapa porque sabia que não era ironia . Ela não tinha essas coisas . - Não . Aquele, não precisa . - Pois bem . A dona Ruth sabe onde vende o tambor . O triângulo a gente compra em qualquer loja de música . Naquela noite Jaime dormiu encafifado . A Mayara endoidou ? Mas tudo bem, ele vendia o troço - calma, troço, não. Os bichinhos . Curtir bem o sábado e o domingo , porque ele não sabia, mas já pressentia , que sua vida estava pra mudar . Ele jamais migraria para pamonha . Continua... Rafael Torres Comente , comente , comente . Sugestões , críticas , elogios etc. Role abaixo e encontre a caixa vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Milagres de Mozart: O Duelo Musical

    Por Rafael Torres Dezembro de 1781 veria um verdadeiro duelo de gigantes . O relativamente jovem ( 25 anos) Wolfgang Amadeus Mozart e o célebre virtuose italiano Muzio Clementi (de 29 ) tocariam ao teclado , perante um público enorme e o imperador José II . Era mais do que um duelo musical . Cada parte tinha seu interesse . Para Clementi , era mais um concerto natalino e, ainda mais, um que valia um prêmio . Para Mozart , era chegada, finalmente, a hora de impressionar o imperador e ganhar um cargo comissionado na corte (e ainda tinha o prêmio ). Para Viena , cidade que receberia o duelo, para a Áustria e para o mundo germânico , valia a sensação de libertação . De que um compositor austríaco poderia vencer um " italiano ". O Prêmio era de 100 Ducados . Era muitíssimo . As Regras Na primeira rodada , ambos tocariam uma peça de sua escolha . Na segunda rodada , eles revesar-se-iam tocando movimentos de uma sonata . O Duelo Mozart escreve: "O Imperador (depois que eu e Clementi trocamos elogios suficientes) declarou que Clementi tocaria primeiro. 'La Senta Chiesa Cattolical' (Vamos ouvir algo da Igreja Católica, ele disse, sendo Clementi de Roma). Ele improvisou e tocou uma sonata." Clementi tocou sua própria Sonata em Si Bemol Maior , Op. 24 , Nº 2 . Logo depois, segundo Mozart , o imperador disse, simplesmente : " Allons, off you go! " (algo como vamos , vamos lá ). E "eu improvisei e toquei umas variações ". Eram as Variações sobre a marcha " Dieu d'Amour ", da ópera " Les Mariages samnites ", de 1776 , do compositor francês André Grétry . Alguns dias depois, ele as escreveria ipsis literis . No final , o público aplaodiu Mozart vorazmente. O imperador , claramente inclinado a premiar Mozart , foi tomado de surpresa quando sua cunhada , a Grã Duquesa Maria Luisa (que tinha suas preferências pela música italiana ) pediu que premiasse Clementi . José II , então, resolveu premiar os dois : cada um com 50 ducados . Mas, secretamente , depois, José ganhara uma aposta da Grã Duquesa . Não se sabe como (e nem de quanto era a aposta ), mas ela admitiu que Mozart fora melhor . Considerações finais Mozart não era (e nem pretendia ser) considerado o mais elegante dos seres humanos . Enquanto Clementi se derreteu em elogios até a morte (em 1832 , aos 80 anos ), Mozart esreveria , mais tarde: Clementi toca bem, no que concene à execução da mão direita. Sua maior força está em passagens de terça. Além disso, ele não tinha um senso de gosto e sentimento com Kreutzer - resumindo, ele é mecânico... Clementi é, como todos os italianos, um charlatão. Ele marca presto, mas toca apenas, allegro. O italiano , ao contrário, foi um entusiasta de Mozart . Até então eu nunca tinha ouvido ninguém tocar com tanto espírito e graça. Eu fiquei particularmente tocado por um adagio e por várias das suas variações, para as quais o imperador escolhera o tema, sobre o qual improvisamos alternadamente. Na Abertura de sua ópera " A Flauta Mágica ", Mozart utiliza o tema da sonata de Clementi - a mesma,  Op. 24 , Nº 2 . 1m18s , no vídeo abaixo , com a Sinfônica de Bournemouth , regida por Kirill Karabits . Mas preciso lembrá-los que era comum e perfeitamente aceitável um compositor utilizar um tema que não era seu . Podia ser uma homenagem ou uma troça ... Sinta-se à vontade para comentar o que você acha. Para comentar , basta rolar abaixo  e encontrar uma caixa de diálogo vermelha . Comente ! Seu comentário vale mais do que um comentário ! Lista de postagens da Arara Neon, aqui

  • A Infinita Guerra dos Arranha-Céus no Brasil

    Por Rafael Torres Balneário Camboriú Existe, no estado sulista do Brasil de Santa Catarina , uma cidade chamada Balneário Camboriú , que contém 140 mil habitantes. É apelidada de " Dubai Brasileira " e, se eu fosse de lá, faria de tudo para desconectar estas alcunhas . (Abre Mini Parêntesis para Dubai, ou a Dubai de Dubai Capital " simbólica " dos Emirados Árabes Unidos (país, também, simbólico , pois se trata de uma confederação de Principados da região ), Dubai é conhecida por suas amplas praias , seus prédios altíssimos e o " luxo " que cerca isso tudo. E da semi-escravidão com que foi tudo construído, especialmente proveniente de países como Índia , Paquistão , China , Etiópia e muitos outros . Fecha Mini Parêntesis para Dubai) Orla de Balneário Camboriú Voltando à Dubai Brasileira . não acho que tenham ocorrido iregularidades deste tamanho ( trabalho escravo ). Como disse em texto anterior , o Brasil tem 3 poderes , assim como cada estado e cada cidade . É muito difícil passar pelos 3 sem que a infração seja detectada . Fortaleza Pois bem, na outra ponta do Brasil , no norte do nordeste, em Fortaleza , construções monstruosas começam a surgir. Há uma lei que proíbe, na orla , prédios mais altos que 72m (cerca de 24 andares ). Pois algumas empresas deram seu jeitinho . Há uma brecha na lei que diz que, se você pagar alguns milhões à prefeitura , este limite pode ir aumentando . Está entregue o " One Residence ", no Mucuripe . Já estão encaminhados o " Sky Residential ", o " Edifício Epic " e o " Wave Beira Mar ". Este último, prometido para ser entregue em 2026 , será um pouco maior que o One Residence . E já foram liberados pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma) , 45 superprédios . Edifício "One Residence". Eu , que amo minha cidade mais que a maioria, continuarei a amá-la . Mas ela vai ficando cada vez mais elitista . Sabe quanto custa um apartamento nesse prédio ? Cerca de 20 milhões de reais. Isso, se você comprar agora , na planta . Veja foto do mesmo bairro , o Meireles , onde ficam as velas do Mucuripe , nos anos 70 . Orla de Fortaleza, final dos anos 70. Achei no ótimo blog Fortaleza Nobre . Isso era o quê? Feio , também. Teremos que voltar ao ano de 1,400 para encontrá-la satisfatória . Então, o que quero dizer? Que o progresso vem, e, com ele, benesses e mazelas . A orla , hoje, está linda . Mas não podemos garantir nada! Nem , sobretudo, nos livrar da ganância dos gananciosos . Isso vale para hoje e a partir de agora . Eu , portanto, abdico dessa disputa . Entrego a Balneário Camboriú o título de orla mais bonita - se bonito for imitar Nova Iorque . E, ao mesmo tempo, não serei o chato que fica no facebook dizendo que " bom, mesmo ", eram os anos 70 , 80 , 90 ... Sinta-se à vontade para comentar o que você acha. Quando o livro sair, farei o estardalhaço que se espera. Para comentar , basta rolar abaixo  e encontrar uma caixa de diálogo vermelha . Comente , mesmo que seja para me esculhambar de " nordestino desgraçado ", que " não sabe nada de BC "! Lista de postagens da Arara Neon, aqui

  • Quem são (ou eram) os Argonautas, de Fortaleza

    Atenção, para os Argonautas da mitologia grega clique neste link ( externo ). Hoje vamos falar do meu grupo e a sua incrível saga . Começou quando eu conheci o Bob ( Ayrton Pessoa ), no colégio. Ele tocava violão e teclado e era uma das pessoas mais musicais que eu já conhecera. Tínhamos 15 anos , em 1996 . Lembro que ele vinha aqui em casa e a gente escutava discos de Bossa Nova , do Eugênio Leandro , Beethoven e Piazzolla . Lembro também do Hauly , que já era meu amigo desde uns dois anos antes, me dizer: " se vocês estiverem tocando , eu vou querer também , me chama ." Aí, eu e o Bob recebemos notícia de um concurso mundial de música: o Concurso John Lennon . Fizemos uma música em um inglês que não fazia sentido (era pra ser psicodélica ) e fomos gravar no Alencar , um amigo da mamãe que tinha um estúdio . Não ganhamos o Concurso John Lennon. Acabou que o Alencar nos " adotou ", ele gostava muito da nossa música , e a gente ia compondo e gravando. Viramos o Mira na Lira e, logo depois, os Argonautas . Até 2001 fizemos 2 discos demo , mas nunca lançamos . Fomos seguindo , fazendo shows esporádicos (" ah, tu tem uma banda? ", " tenho ", " e onde é que vocês tocam ?", e eu sempre tinha que explicar que a gente não tinha muito a cara de banda de barzinho etc.). Vez por outra me dava uma vontade de encerrar . E o fizemos , de fato, em 2004 , quando o Hauly foi morar em São Paulo . Quando voltamos, em 2007 , foi porque eu tinha um projeto de disco e show maravilhoso , o Interiores . Recriaríamos um ambiente rural , com cenário e figurino do Yuri Yamamoto . Nessa época, eu chamei o Ronaldinho (Ronaldo Lage , bateria) e o Germano Lima (baixo), amigo dele. Lançamos o disco com esse show em 2009 . Tanto o disco como o show tiveram a maravilhosa participação do grupo de flautas Ad Libitum , do qual faz parte a minha mãe - a musicista e professora de música Angelita Ribeiro , que me pasou tudo o que sabia . Pelejamos mais ... mas não importa o que fizéssemos , não decolávamos . Acabamos de novo , lá por 2010 . Em 2014 apareceu um show pra gente fazer, e o Ronaldo e o Germano não podiam , então a gente chamou Ednar Pinho (baixo) e Igor Ribeiro (percussão e bateria), ( formação que persistiu até 2025 ). Paramos de novo e voltamos em 2016 para gravar um álbum . O Jangada Azul , lançado em 2018 , todo com músicas nossas . Por motivos de saúde e de motivação , uma das poucas coisas que me interessam é gravar , de modo que seguimos fazendo isso a partir de então . Inventamos o " Argonautas Convidam " em 2017 , quando chamamos a Mônica Salmaso para fazer um show do repertório dela com arranjos nossos . Ela cantava e nós acompanhávamos . Novamente pensei que ia decolar , mas que nada ! Se bem que o show foi um sucesso e acarretou outros , com o Renato Braz e com o Zé Renato , do Boca Livre . Vamos aos fatos sobre os Argonautas: Tocamos o que se pode chamar de MPB. Compomos a maior parte do que tocamos. Já tive reuniões promissoras com a Biscoito Fino . Não deram em nada. A Kuarup também ia lançar um disco, mas não deu certo. Gravamos nosso terceiro disco " Argonautas Interpretam Edu Lobo " em 2018 , mas só deu pra lançar em 2022 . Tem a participação da Mônica Salmaso , do Renato Braz , do Marco Forte , do Heriberto Porto , do Leonardo Torres (meu irmão , ao piano ) e do próprio Edu Lobo , que canta Meia - Noite . Tentamos chamar o Chico Buarque para participar, mas não deu certo. Ele é elusivo (possivelmente, com toda razão ). Fiz uma música em homenagem ao Ariano Suassuna , super armorial e nordestina, e chamei a Mônica pra gravar. Tem aí em baixo . Com o Renato Braz , gravamos minha valsa " Manual da Leveza ". Já aparecemos 2 vezes na Globo em transmissão nacional , no Jornal da Globo . A fofíssima Silvia Machete gravou outra música minha " So Many Nights ", no seu álbum Rhonda , todo em inglês. Tenho umas 4 músicas em inglês pro caso de ... né ?... Temos a leve sensação de que, se tocarmos num lugar, aquele lugar fecha . Aconteceu com o Ball Room , no Rio de Janeiro , com o Vila Mosquito , aqui em Fortaleza e com os Estados Unidos , em 2001. A gente já tava certo de ir quando jogaram aqueles aviões nos prédios . Tem tuuuudo no site: www.rafaeltorresmusica.com.br . Apesar de tudo, continuamos a fazer música honesta , que, quando você olha do ângulo certo , é mais que boa . O problema é que só 2 vezes na minha vida alguém pareceu ter olhado por esse ângulo . O nosso velocino de ouro era uma carreira . Comente o que achou da música dos Argonautas ! Biscate, de Chico Buarque, por Mônica Salmaso e Argonautas. Suassuna, de Rafael Torres, cantada por Mônica Salmaso. Argonautas no CDL, por volta de 2010. Lançamento Jangada Azul, 2018. Rafael Torres, Ayrton Pessoa, Igor Ribeiro e Ednar Pinho. Comente , por favor, comente O primeiro rabisco em que Você pensar Comente , como se não Houvesse mais amanhã E basta rolar para baixo Se é assim Que vais ver uma caixa Carmim ( Poema do comentário , sobre a canção " Aquarela ", de Toquinho )

  • Classicismo - Os Períodos da Música IV - Parte II

    Por Rafael Torres Sempre gostei do classicismo . Tenho que confessar que isto é verdade graças ao Movimento HIP . O primeiro disco que me fez apaixonar pela música de Mozart , era um de Christopher Hogwood regendo a Academy of Ancient Music e o clarinetista Anthony Pay e o oboísta Michel Piguet . Eu quase rasguei aquele disco (de tanto escutar, o CD vai perdendo a camada de informações , no que a gente chama de rasgar). Hoje, tenho uma caixinha com três CDs com todos os Concertos de Mozart para instrumentos de sopro , por Hogwood: o 1º dos para Flauta (o segundo é uma cópia em Dó Maior do Concerto para Oboé ), o para Oboé , o para Fagote , os 4 para Trompa , o para Flauta e Harpa e o majestoso e último concerto de Mozart - para Clarinete . Não pretendo encerrar essas questões: sobre os períodos da música erudita europeia . Na faculdade, temos semestre após semestre de história da música , e ainda somos estimulados a comprar (ou, digamos, "refabricar") um Grout/Palisca , livro fundamental, que custa (digamos) o dinheiro da merenda de um ano . Até pra fazer a fotocópia é caro, porque são milhares de páginas . Joseph Haydn, o pai da Sinfonia. Mas eu recomendo , se você quiser se debruçar sobre este assunto tão fascinante : A História da Música - Otto Maria Carpeaux , que todo mundo vai te dizer para não levar a sério (e você vai se pegar pensando " Por que estou lendo um livro que não devo levar a sério? Maldita Arara! "), mas é um excelente primeiro passo ; A Vida dos Grandes Compositores - Harold C. Schonberg - Perceba, não há nenhum parentesco com o compositor Arnold Schönberg . Também é uma ótima iniciação , focando em biografias de dois ou três compositores por capítulo. Fundamental , assim como todos os livros dessa lista ; Música Impopular - Júlio Medaglia , maestro brasileiro que vai te contar sobre o início da música moderna , desde Eric Satie , Debussy , Ravel , Stravinsky , até a música de cinema que era feita na época em que escreveu o livro. A Sagração da Primavera - Modris Eksteins , também é um livro episódico , em que o autor vai nos contar o Século XX a partir da noite de 29 de maio de 1913 , em que foi estreado um balé com música de Igor Stravinsky que mudaria não só a música , mas o mundo . E os sérios , para quem quer entender mesmo a evolução da música ( sim , porque, se você quiser entender a história da música , até mesmo do rock , ajuda muito ler isso). História da Música Ocidental - Jean e Brigitte Massin - Quando você vir no título " Música Ocidental ", é porque é sério . Eles já passaram pela discussão da música clássica ser um fenômeno ocidental e, até o século XIX , eurocêntrico . E vão nos contar, na melhor das suas possibilidades , sobre essa música , que é riquíssima e que nos ajuda a compreender a história do mundo . História da Música Ocidental - Donald J. Grout e Claude V, Palisca - " O Palisca "... Na faculdade, era o mais recomendado (caro demais para ser exigido). Lembro de perguntar à mamãe, que também cursou música na UECE : "Mãe, tem um Palisca aí ?". E ela tinha. Acho que tenho até hoje . Ele já foi atualizado e ampliado , inclusive pelo Grout , e se mantém como nossa fonte mais confiável sobre a música . O croata Palisca morreu em 2001 . Sturm und Drang Pois bem. Até agora, temos uma música completamente pacata e inofensiva . Temos a música de câmera ( trios , quartetos e quintetos ), a música para piano ( sonatas , rondós e variações ), a orquestral ( serenatas , Mozart fez muitas, sinfonias e concertos ), música sacra (Haydn: As Últimas Palavras de Cristo na Cruz ; Mozart: Grande Missa em Dó Menor e o Réquiem ) e ópera (as mais conhecidas são de Mozart: Don Giovanni , A Flauta Mágica etc.). Entre 1760 e 1780 o mundo Germânico se vê tomado por um movimento artístico diferente. Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto), que preconizava que, nas artes , o individualismo , as lutas internas , enfim, o ser humano e, especialmente, seus arroubos sentimentais deveriam prevalecer. Em 1776 , o dramaturgo Friedrich Maximilian Klinger publica uma peça sobre a Revolução Americana . Concorda-se, em geral, que já havia música e literatura nesse espírito desde, pelo menos 1760 . Mas é com a montagem da peça , no ano seguinte que se tem um marco histórico bem definido. O movimento foi liderado por Johann Wolfgang von Goethe , na literatura e teve em Mozart (especialmente na Sinfonia Nº 25 , em Sol Menor ) um grande representante (ainda que se busque afastar dele a influência do Sturm und Drang e atribuir essas mesmas características à música de Viena , em sua época) na música . Ouso acrescentar que este movimento , em pleno classicismo , já era um aceno ao romantismo , essencialmente do século seguinte (o XIX ). Escute a 25ª Sinfonia de W. A. Mozart , escrita quando o compositor Austríaco tinha 17 anos . Orquestra e regente desconhecidos por mim e pelo Youtuber responsável pelo upload , que aceita sugestões . E os tempos estavam ficando violentos . A revolução francesa conduziu muitos aristocratas para a forca . Mozart, que, em 1781 mudara-se para Viena a fim de tornar-se o primeiro compositor free lancer , isto é, não empregado a uma corte , da Europa. Pode-se dizer que não conseguiu , mas agora, em 1791 , no último ano da sua vida , temos motivos para crer que isso ia mudar . Não fosse a doença , a morte e os acontecimentos desta postagem . Parêntesis para Beethoven Em 1787 visita Viena um jovem de Bonn , chamado Ludwig van Beethoven , e lá passa duas semanas , a fim de falar com Mozart e, possivelmente, ter aulas com ele. Não se sabe se esse encontro aconteceu . Por Bonn , em 1790 , temos a passagem de Haydn , que ouve o jovem tocar e se compromete a lhe dar aulas , quando voltasse de Londres . Beethoven vai de vez para Viena em 1792 e tem aulas por correio de Contraponto com Haydn , violino com Ignaz Schuppanzigh e de composição de ópera italiana com Antônio Salieri (habilidade que ele jamais usaria , mas sua relação com Salieri continuou boa até, pelo menos, 1812 ). Assim que chega a Viena, Beethoven fica sabendo da morte do pai (Nota mental: escrevi Morte do Pai iniciando em maiúsculas. Que será isso?). Fica de saco cheio de ser comparado a Mozart e apontado como o " próximo Mozart ". E, a partir de 1795 , ele se torna de fato o primeiro músico free lancer . Arranjava um fim de semana num teatro , sentava-se ao piano , improvisava e tocava músicas recém publicadas . Existem 3 Beethovens em um só. O primeiro era esse do período clássico . São composições dos anos 1790 , como os dois primeiros Concertos para Pianos , as duas primeiras Sinfonias , os três primeiros Trios com Piano , os primeiros 6 Quartetos de Cordas e as primeiras 12 Sonatas . Em todos eles, Beethoven experimentava e expandia as possibilidades musicais . Por exemplo, ele começou a usar, no terceiro movimento, o Scherzo , em vez do Minueto . Seu Scherzo podia bem mais. Enquanto o Minueto era " para relaxar ", o Scherzo aproveitava para ser música , com conteúdo e força próprias. Praticamente todos os compositores que vieram depois de Beethoven usaram, no terceiro movimento das suas sinfonias ou sonatas , um Scherzo . O tal Scherzo , de que falo, começou assim: como uma forma de Beethoven não pausar o fluxo de raciocínio da música e, simplesmente, dar continuidade a este. Vocês podem perguntar : mas não é melhor retirar o Scherzo ? Não . O Minueto , às vezes, sim , mas o Scherzo contém elementos essenciais no discorrer da música. A palavra significa brincando . Vejam abaixo o denso Scherzo da 9ª Sinfonia de Beethoven . Claro que não vão compreender o Scherzo sem antes ouvir o Minueto e desconhecendo o restante da obra . No vídeo abaixo, o Minueto está aos 14m16s . Sendo de Mozart , claro que é interessante , mas não essencial . Ouça , abaixo, um verdadeiro Scherzo de Beethoven incorporado à Sinfonia . Trata-se da 3ª Sinfonia , apelidada de " Eroica ", dele. O Scherzo começa aos 32m02s . Só isso já nos mostra o quanto o compositor lutava para " educar " o público em Viena . Aos 30 minutos , a Sinfonia de Mozart e Haydn está dando seus acordes finais . Ou os deu há 5 minutos . Na prática, um Scherzo é um movimento um tanto mais rápido que o Minueto e, assim como este, contém as partes A - B - A , sendo B chamada de Trio (isso porque, geralmente, mesmo hoje em dia, o trio , quando não é tocado por três instrumentos da orquestra , dá a sensação de que sim , pois são três vozes ). Antes que eu me esqueça , os outros dois Beethovens são do romantismo . Fecha Parêntesis para Beethoven Outros compositores importantes do Classicismo Carl Philipp Emanuel Bach - O segundo filho de Bach e Maria Barbara foi um dos compositores mais famosos da Europa na era do Classicismo . Era prolífico , especialmente em composições para teclado , em Trio-Sonatas (que Haydn transformaria em Trio com Piano - Violino , Violoncelo e Piano ) e sinfonias . Karl Philipp passou por tudo. Teve educação musical barroca , com contraponto , as formas barrocas , etc., sobreviveu à passagem do Estilo Galante , tornou-se um importante compositor do classicismo e ainda observou a interferência do Sturm und Drang . Johann Christian Bach - Esse era o caçula de Bach com sua segunda esposa, Anna Magdalena . O " Bach Inglês ", porque foi na Inglaterra que sua carreira atingiu seu ápice , enquanto seu irmão Carl Philipp Emanuel era o " Bach de Berlim " e, posteriormente, o " Bach de Hamburgo ", quando recebeu de Telemann , seu padrinho (lembram dele?) o cargo de Kapellmeister de Hamburgo . Gioachino Rossini - Nascido já no final do período clássico , Rossini meio que se recusou a ser um compositor romântico , com suas óperas , aberturas e música de câmara , que mais pareciam Haydn . Além disso, o compositor Bolonhês morava na Fran ça, meio alheio às inovações de Beethoven . E, em seus últimos quarenta anos como compositor , misteriosamente, não escreveu uma ópera sequer . Christoph Wilibald Gluck - Compositor alemão de ópera Francesa e Italiana . Compositor de Orfeu e Eurídice , Iphigénie en Aulide e Armide , era realmente muito conhecido na época. Hoje, suas óperas ainda são montadas . Mas correu para fora das casas de Ópera sua obra ( minúscula ) mais conhecida . Veja a Melodie , de Orfeu e Eurídice , transposta para piano por GIovanni Sgambati , compositor e pianista Italiano que viveu entre os séculos XIX e XX . Luigi Boccherihni - Contemporâneo de Mozart . É um dos maiores contribuidores , no Classicismo, para a ascensão do violão . Embora pouco tenha escrito para o instrumento como solista , escreveu vários quartetos e quintetos para violão e cordas . Sua obra mais conhecida , porém, é um concerto para Violoncelo , inicialmente alterado pelo violoncelista alemão Friedrich Grützmacher . Recentemente, foi, através de pesquisa musicológica , restaurado à sua versão original . Carl Ditters von Dittersdorf - Este compositor , violinista e silvicultor austríaco era amigo de Mozart e Haydn . São conhecidas suas sinfonias 1-6 " Sobre as Metamorfoses de Ovídio ". A Primeira Escola de Viena Primeira escola de Viena é um nome extremamente problemático que teimam em atribuir ao trio Joseph Haydn , Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven . Problemático porque não é " Primeira " nada e não é " Escola " nada. Quando vemos o nome original , no alemão , minha revolta diminui (um pouco). Wiener Klassik . Música Clássica Vienense . Tudo bem. Mas e o restante da música que era feita em Viena no mesmo período ? Além do mais, Haydn foi o único que, com toda a certeza , conheceu os outros dois . O termo " Primeira " veio quando apareceu a " Segunda ", com os compositores Arnold Shoenberg , Alban Berg e Anton Webern , já no começo do século XX . Quer ler a minha opinião sobre estes ? Leia ! Então , você está chamando de Primeira Escola Vienense algo que de " Primeiro " só tinha Beethoven (foi o único revolucionário do trio), que, de " Escola ", não tinha nada (posso garantir que quase nenhum dos três pretendia mudar a maneira com que se fazia música na Europa ). E, ainda, que nenhum era nascido em Viena . Haydn sequer morava lá. Mozart = Salzburgo , Haydn = Rohrau e Beethoven = Bonn (este era da Alemanha ). Me parece coisa que você diz se quiser se passar por espertinho . Tipo: "Ai, a Segunda Escola Vienense me parece tão tediosa , se comparada à Primeira !" "Ai, a Primeira Escola Vienense me parece tão tediosa , se comparada à Segunda !" Ou seja, linguajar de crítico ! Ou seja, frescura ! Dessa vez você vai entender a diferença entre interpretação moderna (ou romântica) e interpretação histórica Primeiro, ouça a gravação de um trecho do Réquiem de Mozart (o Rex Tremendae ) pelo maestro Karl Bohm , com a Filarmônica de Viena , coro e solistas . Agora vamos ouvir a mesma música tocada à maneira de Interpretação Histórica , pela Orquestra e Coro Academy of Ancient Music , Coro da Catedral de Westminster e solistas . Percebeu? No segundo vídeo a música é muito mais seca , lépida , ritmada . Há menos instrumentos , as dinâmicas (do pianíssimo ao fortíssimo ) são apresentadas de outra maneira , O que mudou? Qual delas prevaleceu? Os pregadores da interpretação histórica não têm do que reclamar . Há muitas orquestras com " instrumentos de época " por aí. E além disso eles intimidaram os grandes maestros , que já não tocavam muito Música Barroca , a maneirar nesta e na Música Clássica . Não exagerar nos rubatos (rubato é uma espécie de freada que a música dá, seguida de uma aceleração . Ela está na partitura , é um desejo do compositor , mas exagerar é considerado de mal gosto ), adotar articulações claras e pedir menos instrumentos para obras mais antigas . O resultado é que tanto há espaço para músicos de interpretação histórica quanto nas grandes orquestras sinfônicas se vê um esforço para adotar algumas mudanças , ao tocar música Barroca ou Clássica . O maestro Claudio Abbado foi um gigante que admirava muito os teóricos HIP , como Nikolaus Harnoncourt . Por outro lado, o próprio Harnoncourt gravou obras românticas (do alto romantismo ), como Sinfonias e Poemas Sinfônicos de Antonín Dvořák . Veja como Abbado , regendo a Filarmônica de Berlim , coro e solistas, faz uma interpretação que pende para o HIP (mesma obra, mesmo trecho). Música de Transição? Certamente . Pode-se enxergar dessa forma. Principalmente porque o Classicismo não ocorreu em outras áreas . Na literatura , por exemplo, fala-se em: Primeira Maturidade (Séculos XV a XVIII ), Segunda Maturidade (Séculos XVIII a XX ) e, em português, existe até o arcadismo , que corresponde temporalmente mais ou menos ao Classicismo . Mas não existe um movimento na pintura , na arquitetura ou na literatura que tenha todas as características do classicismo. Verdade que todas as artes se voltaram novamente àquele ideal de limpeza e inteligibilidade absurdas da Antiguidade Grega . Foi, também, o que a música fez . Removeu os ornamentos e as camadas ricamente elaboradas da música barroca e era capaz de existir apenas com uma linha melódica e um acompanhamento . E foi uma transição rápida como nunca tinha se visto. Lembram da idade média ? Em que os séculos se passavam sem que nada evoluísse ? Da música renascentista ? Aqui, não. Em 50 anos, graças a Mozart , Haydn e Beethoven , já estávamos no romantismo , que corresponde quase que perfeitamente ao Século XIX . Quando Mozart morreu , em 1791 , ia nos deixando o Réquiem , obra que, a meu ver, se ele tivesse completado seria romântica . Haydn compôs 12 sinfonias enquanto estava em Londres , incluindo a sua última, 104ª , " London ". Em suas últimas obras , Haydn começa a usar o Scherzo . Ouça o Scherzo da Sonata em Fá Maior , executado por uma IA . Página Inicial do Manuscrito da Sinfonia Nº 104, "London", de Joseph Haydn. Vou lhes deixar com uma playlist do período Clássico e nos vemos no Romantismo , com personagens fantásticos como Beethoven , Carl Maria von Weber , Hector Berlioz , Robert e Clara Schumann , Franz Schubert , Johannes Brahms , Felix Mendelssohn-Bartholdy e muitos outros. Gravações recomendadas - Beethoven - Concertos para Piano nos. 1 e 2 - Com a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara , regida por Kurt Sanderling , com Mitsuko Uchida ao piano - Foi lançado em 1998 como parte de uma integral dos concertos para piano de Beethoven (são 5 ). Uchida e Sanderling se dão o luxo de alternar entre duas das maiores orquestras do mundo , a da Rádio Bávara ( Concertos 1 , 2 e 5 ) e a do Concertgebouw de Amsterdam ( Concertos 3 e 4 ) - Haydn - Name Symphonies - Com a Orquestra Haydn Austro-Húngara regida por Ádam Fischer . Haydn escreveu 104 ou mais sinfonias. Se voçê está começando agora, ou está atualizando sua paixão pela música erudita, é um bom começo conhecer as 31 que têm nome . No futuro você ouvirá músicos se queixando que uma certa obra não é muito tocada porque não tem nome , etc. Aí você responde : " Mas 104 , né meu amigo? TInha que começar de alguma maneira ". Ao contrário de Mozart , cujas sinfonias só são tocadas, no máximo, a partir da 21 até a 41 , as de Haydn vêm perfeitinhas desde a Nº 1 . Sem sinfonias de exercício . A interpretação de Ádam Fischer , irmão do também maestro Iván Fischer , é na medida certa , quase irrepreensível , especialmente se você compará-la à versão meio Nutella da Academy of St. Martin in the Fields com Neville Marriner . Esta coletânea , extraída do empreendimento de Fischer e sua orquestra de gravar todas as sinfonias de Haydn , é de 2007 . - Haydn - 11 Sonatas - Por Alfred Brendel - DIsco quádruplo do mestre Alfred Brendel , de 1986 , trata-se de uma coletânea , um amálgama de três discos gravados entre 1979 e 1985 . As sonatas de Haydn , assim como as sinfonias , são especiais . Diferente de Mozart , que usa pura musicalidade , Haydn lhe mostra como cada compasso foi obtido com trabalho e aplicação de teoria . Nem por isso são menos interessantes . E Brendel tocando... Melhor que ele, só Alexis Weissenberg , nesse repertório, mas Alexis gravou apenas 3 sonatas . - Mozart - Sonatas para Piano Nos. 16 e 15 e Rondó em Lá Menor - Por Mitsuko Uchida . A rainha pianística de Mozart . 16 e 15 , coloquei, porque é como vem no álbum . O toque sutil e, ao mesmo tempo, envenenado da pianista devia ser congelado para a posteridade. Aliás, já foi : está neste CD e em qualquer outro dela. De 1984 . - Mozart - Concertos para Piano Nos. 20 e 27 - Mitsuko Uchida tocando e regendo a Orquestra de Cleveland . As peças mais ouvidas do classicismo são de Mozart . Das de Mozart, são os Concertos para Piano . Estes dois , que não lembro de ter visto juntos (geralmente é 20 e 21 ou 20 e 24 ), são absolutamente contrastantes . O 20 é uma das obras mais sombrias do compositor e um dos únicos em tom menor (o outro é o 24 ). É uma obra de tormenta e ameaça . O 27 , composto no último ano de vida de Mozart, é também seu último Concerto para Piano . Mitsuko , lembrem-se, é a maior intérprete de Mozart ao piano , tendo criado uma tradição . E regendo a Orquestra de Cleveland , revela-se uma excelente regente . Gravado em 2010 . - Carl Philipp Emanuel Bach - Sonatas & Rondos - Por Mikhail Pletnev . Pletnev ten 67 anos. Quando saiu a coletânea Great Pianists of The 20th Century , ele era um dos mais jovens . Foi em 1998-1999 , Logo depois, em 2001 , lançou este CD , todo dedicado à música para piano de CPE Bach . Hoje Pletnev mais rege do que toca - foi regente principal e é diretor artístico da Orquestra Nacional Russa , que ele mesmo fundou . As sonatas de CPE Bach são graciosas, pertencem ao estilo (outro) Empfindsamer Stil , ou Estilo Sensível , o que o levou a ser considerado um precursor do Romantismo . O disco contém 6 Sonatas e 3 Rondós , cada qual mais perfeito , mostrando-nos que CPE deveria desgarrar de J. S. Bach e se tornar um compositor de renome próprio . - Mozart - 4 Sonatas para Violino e Piano - Hilary Hahn (violino) e Nathalie Zhu (piano) - Mozart escreveu 36 Sonatas para Violino e Piano . Aqui temos a 24ª , a 18ª , a 21ª e a 35ª . A interpretação é impecável . A pianista segue os passos de Mitsuko Uchida , um toque suave e expressivo . Mas é ao violino que cabe o estrelato . A estadunidense Hilary Hahn é um dos maiores fenômenos do violino moderno . Ela chegou a gravar um Concerto para Violino do compositor, o 5º . Mas acho que seu testamento são estas sonatas . Disco de 2005 . - Mozart - Concerto para Clarinete - Anthony Pay (Clarinete-basset) e a Academy of Ancient Music , regida por Christopher Hogwood - Essa é a " mãe " de todas as interpretações do último concerto de Mozart. Não vou me delongar, porque estou preparando uma postagem sobre o concerto. Gravado em 1984 , lançado em 1986 . - Mozart - Réquiem - Colin Davis regendo a Sinônica de Londres , coro e solistas - Colin Davis, tenho impressão, é tratado como um regende de segunda categoria . Mesmo com seu repertório colossal e interpretações sempre surpreendentes . Portanto, é a minha indicação para uma interpretação moderna da obra mais importante do Século XVIII . Gravado ao vivo (mas sem aplausos) em 2008 . - Mozart - Requiem - Orquestra e Coro da Academy of Ancient Music , Coro da Catedral de Westminster , e solistas , regidos por Christopher Hogwood . Essa versão é covardia . É a minha favorita no estilo de interpretação historicamente informada (nome horrível). Hogwood adota uma prática da época em que mulheres não podiam cantar na igreja . Usam crianças . E é arrepiante (ainda que triste pelos séculos que viram mulheres como inferiores ), aquele começo difuso , pefeito , então entram os baixos , os tenores (homens), os contraltos e os sopranos (crianças). A voz delas e as técnicas de estúdio farão você se arrepiar . E, no meio do primeiro movimento , a voz mais angelical de todas: a soprano Emma Kirkby canta o " te decet hymnus ". Outra particularidade dessa gravação é que Hogwood não usa a partitura completada por Süssmayr . Ele usa uma edição do musicóloco e matemático Richard Maunder , que pretende ser o mais fiel possível a Mozart e acrescenta a fuga Amen , depois da Lacrimosa . Gravado em 1983 . Comente sempre ! Agradeço-os  pela visita. Por aqui, sintam-se em casa . Aqui , os links para as matérias da Araras Neon .

  • As 5 Melhores Marcas de Piano da Atualidade

    Os grandes pianistas não tocam nem possuem Pianos de uma fábrica qualquer . 90% dos instrumentos que eles tocam pertencem a essas 5 marcas . O Piano veio substituir o Cravo e surgiu a partir do Fortepiano , instrumento que criado em 1687 pelo construtor de instrumentos musicais Bartolomeo Cristofori , de Pádua , Reino de Veneza . Um papel dos Inventários Medici , em 1702 , refere-se a: "Un Arpicembalo di Bartolomeo Cristofori di nuova inventione, che fa' il piano, e il forte , a due registri principali unisoni , con fondo di cipresso senza rosa ...". Traduzindo : Um Cravo de Bartolomeo Cristofori , inventado recentemente, que faz o piano e o forte , em dois registros (dois jogos de cordas) uníssonos principais, com tampo harmônico de cipreste sem rosácea . Piano Bartolomeo Cristofori do Século XVIII. O próprio nome Fortepiano faz referência ao fato de o instrumento tocar forte e fraco ( piano ). No Romantismo (Século XIX), o instrumento passou a ser chamado alternadamente de Piano ou Pianoforte. No Século XX , ele ficou com apenas metade do nome . Piano significa fraco , suave . Enquanto no Cravo a intensidade com que o instrumentista pressionava a tecla era irrelevante , pois não influía na força com que a nota soaria , o principal avanço do Fortepiano era justamente a superação disso. No Fortepiano, se você pressionasse a tecla fraco , a nota soava fraca . Com força e ela soava mais forte . As possibilidades expressivas e de tradução sentimental que isso trazia, e que só começariam a ser explorados no Classicismo (1750-1810 , por Joseph Haydn e Wolfgang Amadeus Mozart ) acabaram por aposentar o Cravo no Barroco . Se bem que ele voltaria a ter enorme relevância a partir do século XX , tanto por intérpretes de Música Barroca , quanto em novas composições (com o Concert Champêtre , de Fancis Poulenc ; concertos de Manuel de Falla , Philip Glass , Bohuslav Martinů e Elliott Carter , Les Citations , de Henri Dutilleux , Comboï e Oophaa , de Iannis Xanakis , HPSHD , de John Cage e Lejaren Hiller e obras de diversos outros compositores ). Um instrumento de teclado que fosse capaz de tocar forte e piano como o Violino , revelava uma envergadura infinita , que tanto beneficiava instrumentistas como compositores . Agora você podia , por exemplo, tocar a mão esquerda mais fraco e a direita com mais força . Até na mesma mão você podia equilibrar um acorde , elegendo que notas deveriam soar mais fortes . Além disso, os futuros Pianos ultrapassariam a envergadura do Cristofori , de 54 teclas até o padrão atual de 88 teclas (tem Pianos com até 97 teclas , como você verá abaixo ). Superariam seu tamanho do teclado à cauda . Era, enfim, um instrumento mais versátil e adaptável que o Cravo . E também, logo no começo da trajetória do Pianoforte , ele foi ganhando os pedais , importantíssimos na ampliação da possibilidade de coloração desse instrumento . Sobretudo o pedal Sustain , criado em 1730 , por Gottfried Silbermann , que permite que o músico largue as teclas e mantenha as notas correspondentes soando enquanto o pedal estivesse pressionado (ou até que o som decaia ). Esse pedal , o mais crucial do Piano , possibilita também a produção legato , em que uma nota se liga à próxima sem pausas. São as 5 marcas mais cobiçadas e que atingiram um padrão ade sonoridade e de mecânica alto. Sem delongas , vamos a elas , sem ordem ou hierarquia : Edição "Quadros de Uma Exposição", da Steinway & Sons. I. Yamaha Uma fabricante versátil , a japonesa Yamaha fabrica todos os instrumentos da orquestra , e mais alguns , incluindo o Piano e a motocicleta . São os pianos de escolha de Cipryen Katsaris , Maria João Pires , André Mehmari , César Camargo Mariano e Chick Corea . Sua sonoridade é perfeitamente adequada e a mecânica é fácil de manipular . Seu modelo de concerto , o CFX é conhecido por sua facilidade em tocar muito forte ou muito piano . Foi desenvolvido ao longo de 12 anos , por 60 profissionais que chegaram a produzir 30 protótipos até chegar à versão ideal . A Yamaha tem, ainda, a linha híbrida Enspire Pro , de instrumentos capazes de gravar o que você tocou e reproduzir com a mais alta fidelidade . Além disso ele vem com um tablet , com o qual você pode acessar uma gigantesca biblioteca de música gravada por grandes pianistas do mundo todo . Ao colocar para tocar , você os tem na sua sala , o piano reproduzindo exatamente o que eles gravaram . Isso, o Piano fica tocando sozinho , baixando as teclas e os pedais , conformemente. II. Bösendorfer A fábrica austríaca , fundada por Ignaz Bösendorfer em 1828 evoluiu para se tornar uma das mais queridas pelos pianistas . O Bösendorfer tem por característica o som cristalino e os baixos mais responsivos . Seu modelo máximo é o Concert Grand 290 Imperial , o 290 descreve seu tamanho : 2,90m do teclado ao fim da cauda . Isso lhe proporciona um alcance sonoro sem precedentes. Além disso, ele tem 97 teclas , em vez das costumeiras 88 , aumentando sua amplitude de 7 oitavas e pouco para 8 oitavas . O Piano tem mais notas graves e mais notas agudas . Foi adotado por pianistas como: Stephen Hough , András Schiff , Valentina Lisitsa , Daniil Trifonov , André Previn e, no passado, por Arthur Rubinstein , o jazzista Oscar Peterson , Alfred Brendel , Arturo Benedetti Michelangeli , Friedrich Gulda e até Franz Liszt . A fábrica tem também uma linha Disklavier , semelhante ao Yamaha Enspire Pro , e a linha Silent , que permite que você estude sem incomodar e sem ser ouvido por outras pessoas - você se escuta com um fone de ouvido . Já os Pianos enquadrados na categoria Item de Colecionador têm como diferencial os diversos desenhos , como o Dragonfly e o Barroco , que você vê abaixo . III. C. Bechstein A fábrica sediada em Berlim é famosa por seus Pianos especiais , de aparência surpreendente e feitos com o auxílio de designers . Fundada em 1853 , já no seu começo foi endossada por Franz Liszt . É um Piano de alta qualidade , que chamou a atenção de Edvard Grieg , Maurice Ravel e, mais recentemente, Edwin Fischer , Wilhelm Backhaus , Jorge Bolet , Walter Gieseking , Wilhelm Kempff , Pierre-Laurent Aimard , Kit Armstrong , Vladimir Ashkenazy e outros . É considerado um dos 4 grandes fabricantes de Piano , os outros 3 são Blüthner , Bösendorfer e Steinway & Sons . Em 1986 , com a reputação em baixa , a fábrica foi comprada por Karl Schulze . Depois, foi dando passos sempre mais longos . Nos anos 2000 recuperou seu prestígio e a empresa voltou a dar lucro , os pianos voltaram a ser comprados por salas de concerto , estúdios e indivíduos . IV. Steinway & Sons A mais famosa marca de Piano da atualidade . Quer ter uma ideia ? São ou foram endossados por Ignacy Jan Paderewski , Daniel Barenboim , Evgeny Kissin , Lang Lang , Irving Berlin , George Gershwin , Cole Porter , Benjamin Britten , Vladimir Horowitz , Sergei Rachmaninoff e estão em 90% das salas de concerto do mundo . Um Piano Steinway de cauda completa custa cerca de US$ 150.000,00 , ou R$ 760.000,00 . Sua notoriedade é sem precedentes, se assistirmos a um concerto na tv é certo que veremos um Piano preto com a inscrição em dourado ao lado: Steinway & Sons . Seu modelo de concerto , o Modelo D , tem 2,74m , do teclado ao final da cauda . No site você pode escolher , se quiser, entre 14 tipos de madeira para o corpo, caso não o queira preto . A Steinway também fabrica Pianos tecnológicos , como a linha Spirio , que também lhe permite fazer com que o instrumento toque performances pré-gravadas por uma infinidade de pianistas . A marca também tem as Coleções Especiais e Edições Limitadas , desenhadas por artistas como Karl Lagerfeld e Dakota Johnson . São várias opções . V. Fazioli O título de melhor fabricante de Pianos tem que ir para a Fazioli , de Sacile , que é quando voltamos à Itália . Fundada em 1981 pelo engenheiro e pianista Paolo Fazioli , a fábrica logo ganhou fama . A fama de melhor do mundo . Aliás, não é uma fábrica comum , é mais uma espécie de butique . Eles fazem apenas cerca de 140 Pianos por ano , artesanalmente, e o mais caro pode custar US$ 347.000,00 ou R$ 1.757.000,00 . É o Fazioli F308 , um piano enorme , com 3,08m de comprimento. Aliás, esse é o mais caro dentre os produzidos em série . Nos Modelli Speciali tem o Fazioli M Liminal , custando US$ 695.000,00 , ou R$ 3.519.000,00 . É admirado e tocado por pianistas como Murray Perahia , Alfred Brendel , Angela Hewitt , Herbie Hancock , Hélène Grimaud , Tamás Vásáry , Vladimir Ashkenazy e muitos outros . Assista a Angela Hewitt interpretando a Aria das Variações Goldberg , de Johann Sebastian Bach em um Piano Fazioli . Espero que esse texto seja útil . A Lista com as outras postagens agora fica aqui . Deixe seu comentário!

  • Conto entre Parêntesis

    Por Rafael Torres Fiquem com mais um dos meus " Contos Medonhos e Desarranjados, Opus 1 - A Ilha Vermelha ". Ficava tão frio à noite quanto quente de dia. Era por isso que Jaime e Marcelinha se abraçavam na rede. Eram irmãos apaixonados , no bom sentido . Um sabia tudo do outro, desde os segredos do casamento dele às paqueras dela . Todos já sabiam que ela gostava de meninas . Sabiam desde antes , mas antes ela era nova demais pra saber qualquer coisa . Agora ia com 18 , bem menos que Jaime . - Essa redinha é tão confortável ! - ela quase bocejou. - Também, por 800 reais, tinha que ser um palácio ! Ela riu. Marcelinha era muito bonita , era a mulher mais bonita que já tinha visto . - Cabe três ? - era Mayara . - Cabem ! - Marcela falou e não sabiam se ela concordava ou corrigia Mayara - Principalmente quando a terceira pessoa vem com castanha . - Pois eu não arrisco , não - Jaime se levantou , ajudando Mayara a deitar . Deu um beijo em cada testa e foi beber suco de graviola . Suas duas criaturas preferidas estavam naquela rede. A esposa e a irmã . O que tramavam ? Ainda era começo de noite , mas ele já ia deitar . De alguma forma se pegou pensando no que as duas estariam conversando . Será que a Marcelinha estava contando pra Mayara sobre aquele cidadão grisalho ? Jaime não ficara com ciúme, porque sabia que ela gostava de meninas, mas, se fosse o caso, podia ficar rapidinho . Nunca tinha sido ciumento com a irmã, na verdade, fazia um certo esforço para não ser (mesmo em seu íntimo ), mas aquele homem específico o tinha deixado encafifado . Um cara madurão, com um sorriso pilantra . Devia ser mais um estrangeiro se esbaldando em Canoa Quebrada . Foi pro quarto , que tinha as coisas de que mais gostava . O violão e ar-condicionado . E a promessa de Mayara . Agora, a descrição de Mayara, pois era um tipo muito específico de mulher . Era bela , especialmente com raiva . A paleta era o oposto de Jaime e Marcelinha : era morena jambo (sua avó era indígena ). Cabelos pretos , no ombro . Olhos negros . Quando a Marcelinha estava aprendendo violão , bem novinha, dizia que aquela música russa se chamava Mayara . Era séria , mas quando sorria a sala toda sorria junto . A família adorava aquela mulher . Dando-lhe um susto , a porta abriu e ela entrou, de canga e biquine . No bar vizinho , fechado , mas certamente já juntando gente na varanda , ele ouviu um xote . E era Marcela , no triângulo , tinha certeza. A Mayara entrou calada e passou para o banheiro. Dali a pouco saiu só de calcinha , deixando a luz do banheiro acesa e desligando a do quarto . Ela gostava assim . Pena que não tinha televisão . Ele gostava do barulho. Deitaram e Jaime notou que ela não dissera uma palavra desde que entrara. - Tá tudo bem, Mayara ? - Arrã. Tá, sim. Ele sabia que ela estava mentindo. Ela não sabia enganar. Faltava-lhe sutileza . - Agora você me assustou . A Marcelinha falou alguma coisa? - Talvez . - É aquele sujeito , não é? Aquele da camisa abotoada até o peito ? Aquele. - Sim, sim. - Sim, sim o quê ? - Sim, sim, sei quem é. - Tá, e o que mais ? - Nada, quase nada. - Eita. Eita, eita, eita. Ela tá apaixonada por aquele canastrão ? - Eu não diria apaixonada . É mais encantada . Jaime levou as mãos em postura de prece ao rosto , respirou . Então quer dizer que ela era bi ? E o fator decisivo pra isso era aquele homem ? - Me conta ! Eu juro que não falo pra ela . - Pensa, Jaime , pensa. - Pensar o quê ?... Que se ela te contou é porque tinha certeza de que eu ia acabar sabendo ? - É. - Tá , pois então eu estou aqui, calmíssimo, esperando que você me conte TUDO , desculpa, tudo que tiver pra contar. - Sua voz quase tremia . Se a Marcelinha estiver grávida daquele cidadão, logo dele , eu o mato , pensou, sem lembrar que tinham chegado em Canoa Quebrada havia apenas três dias . - Vixe , se acalma , menino. Também não tem nada pra contar . Ele se apresentou pra gente , parece ser uma ótima pessoa . De manhã . - É uma ótima pessoa de manhã ? - Ele se apresentou pra gente de manhã . E eu os deixei conversando . - E aí? - E aí nada . Ela disse que ele falou que ela era muito bonita e... - E?... - Chamou ela pra ir com ele pra Fernando de Noronha . Parece que tem uma pousada lá. - E ela ? - Nãaao, não... Ela não vai, não. Então era isso ? A Marcelinha queria morar com um sujeito com o dobro , o triplo da idade dela , que acabara de conhecer ? - Calma, Jaime . Ela não disse nada. - E o que é que você acha ? - Que não . Que ela vai ficar . - Tem certeza ? - Tenho quase . Naquela noite não teve sexo . Não tinha clima . Ele estava chateado . Só queria entender o porquê de a Marcelinha sequer considerar largar tudo pra ir viver com aquele sujeito . Amanhã teria uma séria conversa com ela. Na manhã seguinte acordou bem cedo . Foi procurar a Marcela e não a encontrou na cozinha , na mesa , na rede . Podia ainda estar dormindo . Só que deu 8 horas e ela não saiu , de modo que ele abriu a porta e viu a cama vazia . Vazia , não , tinha o triângulo , e em baixo dele , um bilhete. Naquele momento , Marcela morreu para ele . “Ele não é a noite , É o sol do dia. Eu que falei 18 ! Sempre os amarei muito ...” Continua ... Comente , comente sempre . O que quiser . Basta rolar abaixo até a caixa vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Conto de morte

    "Eu sou muito burro !" - pensou Pedro . Os pelotões estavam ali, um correndo contra o outro e ele deixara a adaga cair . E agora não tinha volta . Eles já estavam há menos de cinquenta metros do outro grupo. " Calma ", falou seu pai em sua cabeça . "O que foi que a gente combinou ?" Pedro não sabia por que tinha pensado aquilo , porque nem cabia na situação . O que eles tinham combinado é que, no momento mais deseperador , Pedro ia simplesmente se sentar de olhos fechados . Mas claro que pai tava falando em outro sentido . Relaxar , respirar e deixar a mente se acalmar . Ou não ? O fato é que ele estava sem adaga ... A adaga de seu pai , feita pelo melhor ferreiro da região . Pedro foi perdendo velocidade , até que parou . Já estava morto , mesmo. O grupo passou e ele ficou ali . Logo à frente , os dois exércitos se encontraram e aí não tinha mais jeito. "Não vou desertar , não. Vou só sentar um pouquinho." Sentou , cruzou as pernas e fechou os olhos. Respirou fundo e soltou o ar com ruído. E não ouviu mais nada . Sentiu o corpo ficar leve , leve . Será que tinha morrido ? Isso nem importava mais , Pedro estava simplesmente flutuando . Jessé vinha de cavalo , veloz, mas nem tanto, pra não sobrar sozinho na frente. Quando os dois lados se bateram, ele atacou com a adaga , mas, por mais estranho que pareça , não acertou uma alma . Queria por sangue na adaga nova . Ia fazer a volta quando viu aquele homem sentado , um pouco à frente . Ah, diacho ! Achava que guerra era pra relaxar , é? Acelerou pra ele e preparou a adaga . Quando estava perto, em cima do homem , viu que começou a levitar. Sério mesmo , o homem estava voando . Só que Jessé já tinha dado ao cérebro o comando de matá - lo . Porque, se não, queria saber que diabo era aquilo . Um vivente flutuando ! E tchum - cortou-lhe a cabeça. E ouviu o som seco do corpo caindo . "Eu sou muito burro !" - pensou. Parou o cavalo e olhou para trás . Só que nada . Nem o corpo , nem a cabeça . Aproximou-se do local onde via sangue . Porque sangue tinha . Tinha que investigar, ele sabia que tinha matado o homem . Já tinha matado antes , e era assim que sentia . Estacionou o cavalo numa árvore e, quando se virou, deu de cara com a Mula-sem-Cabeça . Todinha . Quer dizer, sem a cabeça . E por, isso mesmo, completa . Uma labareda lhe saía do pescoço. Jessé sabia que não adiantava mais fazer nada . Olhou em volta e não havia ninguém . Nem a companhia , nada . Só a árvore , o cavalo , ele e a Mula . "Eu digo alguma coisa?" - isso ele disse. Será que ele tinha criado a Mula ? Ela se aproximava , já estava sem jeito . Fechou os olhos e esperou . Só que o tempo passou e nada acontecia . Será que tinha morrido ? Abriu os olhos . Ela ainda estava lá , bem diante dele . E agora ele podia reparar um novo elemento . A cabeça do homem , de olhos fechados , logo ali. Jessé suava , até porque a Mula era quente . As chamas pareciam vir em direção dele para, no último segundo, o evitar . Ele ficou ali, sem saber o que fazer. O que é que a Mula queria? Olhou para a cabeça no chão e imediatamente soube . Não poderia explicar o que compreendera , mas entendera . O lenço vermelho no pescoço do rapaz . Todo se tremendo , ele caminhou até lá e tirou o lenço . Foi voltando , desfazendo o nó e o amarrou no pescoço da Mula-sem-Cabeça . Ela deu as costas e foi sumindo , rumo à ainda pálida alvorada . Ele respirou , aliviado . Tinha que admirar aquele ali . Maragato até depois da morte . Continua... Rafael Torres Comente aí! Sobre qualquer texto . Basta rolar abaixo até a caixa vermelha . Lista de postagens da Arara Neon, aqui !

  • Romantismo - História da Música 4, Vol. I - Visão Geral

    Por Rafael Torres O meu querido e finalizado livro Contos Medonhos e Desarranjados ( Vol. 1 - A Ilha Vermelha ), costumo definir como um livro de contos em que um depende vagamente do outro ; ou como um romance cujos capítulos são contos. Desarranjados , porque a ordem em que estão propostos não segue uma linha temporal estrita . Falo isso porque, quando eu vou escrever sobre algum período da história da música , adoto esta mesma abordagem. No Romantismo , brotava compositor em cada esquina . A música ficou tão complexa que tinha compositor só de música para piano . Ou só de ópera . A história toda é centrada na Alemanha e na Áustria , mas, vez por outra, surge um Tcheco , um Norueguês ... Portanto, paciência . A gente tenta dar um fio para essa história, abre um parêntesis aqui, uma nova sessão acolá e dá certo. No fim, vocês entendem . Imagem imaginária de Kasper David Friedrich, "O Viajante Sobre o Mar", 1818. Como dito anteriormente, nos escritos sobre o Classicismo , não há consenso a respeito do ano exato do começo do Romantismo . Isso é normal , não se pode imaginar que todos os compositores fizessem algum tipo de votação em que vencesse o Romantismo , assim, de chofre. Eu considero duas datas : 1806 , quando Ludwig van Beethoven apresentou a primeira obra claramente romântica : sua 3ª Sinfonia , apelidada “ Eroica ”; e a década de 1820 , quando toda a Europa já compunha música plenamente romântica. Mas por que Romântica? Dentre as características principais do romantismo estão: a presença , na música (especialmente na instrumental ) da personalidade do compositor ; contradições musicais (por exemplo, o uso de um mesmo tema com vários caracteres diferentes) e, na música , a expansão da tonalidade e da instrumentação . Johannes Wolgang von Goethe na Champanha Romana , de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein , 1786 . Ocorre que, na virada dos séculos XVIII para XIX , surgiu o movimento artístico Romantismo . Ele evoluiu a partir de um movimento do Classicismo chamado " Sturm und Drang " ( Tempestade e Ímpeto ). Na Alemanha , que, por alguns motivos , é o que nos interessa , agora, o escritor Johannnes Wolfgang von Goethe lança, em 1774 , o romance " Os Sofrimentos do Joven Werther ", com caráter autobiográfico . Trata-se de um dos primeiros romances (e não me refiro ao romantismo , mas ao estilo literário ) de que se tem notícia . É um romance epistolar (os capítulos são cartas de Werther a seu amigo Wilhelm ) e influenciou profundamente a arte na Europa . Os primeiros compositores a aplicar esses ideais na música foram os do " Sturm und Drang ", compositores ainda do classicismo que já atribuíam dramaticidade à música. Exemplos são: de Christoph Willibald von Gluck , o balé " Don Juan ", de Joseph Haydn , a Sinfonia Nº 45 , " Adeus ", Wolfgang Amadeus Mozart , os concertos para piano e orquestra nos. 20 e 24 e seu uso geral do modo menor . O Romantismo , mesmo, começou com Ludwig van Beethoven e sua raiva . Costuma-se considerar sua 3ª Sinfonia , " Eroica ", a primeira obra romântica , É de 1803 . Eu enxergo ( ou sou eu que escuto vozes, não há gente tão insana, nem caravana do Arará ) romantismo ainda mais cedo, em Beethoven (isso prara não falar em Mozart). Escute, abaixo, o 2º movimento da Sonata Nº 3 de Beethoven , na interpretação de Alfred Brendel . Mozart poderia ter escrito isso ? Certamente . Especialmente se tivesse vivido mais tempo . Vemos sinais dessa força dramática nos seus concertos mencionados , no 2º movimento do 23º , na 25ª Sinfonia e na ópera " Don Giovanni ". E em peças avulsas tardias para piano , como suas Fantasias , Adagios e Rondós em tom menor . Escute, abaixo, o 2º movimento do 23º concerto para piano e orquestra de Mozart , com Maurizio Pollini e a Filarmônica de Viena , regidos por Karl Böhm . Os críticos tendem a atribuir a chegada do Modernismo à dissolução do sistema tonal . Nesse caso, peço que ouçam este pequeno trecho de uma Suíte do Barroco Georg Muffat . Ela é, no mínimo, politonal (muda de tom várias vezes) e meio atordoadora de se acompanhar. Outro em quem se vêem quebras de paradigmas é o clássico Wolfgang Amadeus Mozart . O que sabemos sobre o compositor que Mozart seria em dez anos é o que podemos especular da sua obra nos seus anos finais de vida , e não mirarmos no conservador Joseph Haydn . O que dizer das cadências que ficam como pendentes nesse despretensioso Minueto ? Embora perfeitamente tonal , suas implicações são ambíguas , com seu excesso de cromatismos . Liszt , o próprio Romântico Franz Liszt , chegou a escrever uma Bagatela sem Tonalidade . Ele atinge a atonalidade do jeito que se propunha , em sua época: através dos cromatismos . Cromatismos são escalas (escala cromática) que não selecionam notas . Por exemplo: Dó Maior = Dó , Ré , Mi , Fá , Sol , Lá . Si , Dó . Você não deve ter percebido , mas, das doze notas , cinco foram omitidas . Nenhuma tecla preta do piano foi tocada . Desse modo, uma escala cromática começando em dó ficaria: Dó , Dó Sustenido , Ré , Ré Sustenido , Mi , Fá , Fá Sustenido , Sol , Sol Sustenido , Lá , Lá Sustenido , Si , Dó . Doze notas , se repetirmos o Dó . Viena em 1873, por Franz Alt. Ludwig van Beethoven, Bonn, Alemanha, 1770, 1827. Aqui será acrescentada, em breve, uma pequena biografia e análise da estatura de Ludwig van Beethoven. E em Paralelo a Beethoven? A música é uma arte que nunca parou de evoluir. Havia, nós sentimos, hoje, uma certa escassez de sinfonistas . Mas, primeiro , havia muitos compositores escrevendo sinfonias e concertos , basta lembrar dos citados acima . Johann Nepomuk Hummel , Gioachino Rossini (este, especializado em ópera ), Carl Maria von Weber (tem 2 sinfonias e 6 concertos ) e Ferdinand Ries , que foi um compositor fértil e criativo (compôs 8 sinfonias , 9 concertos para piano etc.) Mas só isso ? Sim, na Alemanha , só. Mas na Itália e, especialmente, na Espanha , crescia um movimento , iniciado por Luigi Boccherini e Nicolò Paganini , de especialização em um instrumento que só agora vai aparecer (embora vivamos cercados por ele): o violão . A Música Descritiva Sei que acabamos de sair de Beethoven, mas teremos que voltar . É que música descritiva era uma novidade e, ao mesmo tempo, não. Lembram-se das Quatro Estações de Vivaldi ? Do Barroco ? São 4 Concertos para Violino e, cada um, descreve, com uma orquestra de cordas e um violino solo , uma estação do ano . Veja o 3º Movimento do " Verão ", na interpretação de Ashot Tigranyan e da Classical Concert Chamber Orchestra . É uma tempestade . E o compare ao 3º Movimento do " Outono ", tocado por Oliver Braut e a Orquestra Barroca de Cleveland . É incrível . Eu diria até prodigioso . Existem, de autoria de Vivaldi (ou não ), 4 Sonetos que a música vai acompanhando . O 1º Movimento do Verão , por exemplo, tem um " langor, causado pelo calor "... No Outono , aos 37s do segundo vídeo , o solista imita as trompas de caça . Imagino que a cadência ( 2m40s ) do Violino Solo (esse solista não é muito bom) aluda à morte da fera (abaixo). No 3º movimento do Outono , o poema diz: " Os caçadores emergem com a aurora / E com trompas e cães e armas, partem para sua caça / Os bichos correm no encalço das suas trilhas / Assustados e cansados do grande barulho / De armas e cachorros a fera, ferida, ameaçada / Languidamente para voar, mas atormentada, morre . " No Barroco e no Classicismo existia, sim , música descritiva . Basta lembrarmos das Fantasias para Piano de Mozart . Mas precisamos ter em mente que elas não descrevem algo exato . São sensações , sentimentos etc. András Schiff interpreta a Fantasia em Dó Menor , K. 475 , de Wolfgang Amadeus Mozart . Aberturas de Óperas Desde o Barroco , existiam as aberturas de ópera . No começo, eram isso, mesmo, peças tocadas apenas pela orquestra , antes da ópera . Mas, eis que, no Classicismo , a abertura passa a ser tocada em concertos , apenas com a orquestra , sem os cantores . Era usada como um cartão de visita da ópera . Ex. Mozart : aberturas de Don Giovanni , Cosi fan Tutte , A Flauta Mágica . Abertura de Concerto No Romantismo , passa a existir a abertura de concerto . Ela independe de Ópera . É o caso da abertura de " Sonho de uma Noite de Verão ", " Mar Calmo e Viagem Próspera " e " As Hébridas ", de Felix Mendelssohn . Beethoven escreveu " Egmont ", " Coriolano ", " Rei Estêvão ". Todas estas sem ópera . Hector Berlioz teve enorme importância por causa de sua Sinfonia Fantástica e as aberturas " Les Francs-Juges " e " Le Corsaire ". Poema Sinfônico O conceito de Poema Sinfônico é muito parecido com o da Abertura de Concerto . É uma peça longa , geralmente descritiva , com um só movimento (no geral). Franz Liszt foi o primeiro a usar o termo poema sinfônico (ele publicou 13 peças com esse nome ). Dentre estes temos: Tasso: Lamento et Triunfo , Les Préludes e Mazzeppa . Georg Solti rege Les Préludes , com a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara . A partir de então, poema sinfônico se tornou a principal forma de composição (com excessão da sinfonia ), influenciando compositores como Antonín Dvořák , Edward Elgar e César Franck . O Violão Começou na Renascença , com o alaúde . Até hoje, grava-se muito John Dowland , que escrevia para alaúde , em transcrições para violão . Depois, veio o violão barroco , para o qual pouco foi esccrito . O primeiro virtuose do violão e compositor de cerca de 400 obras  para o instrumento, foi o napolitano Ferdinando Carulli  (1770-1841). Seguiram-no Mauro Giuliani  (1781-1829) e o espanhol Fernando Sor  (1778-1839). Confira, abaixo, o Estudo Op. 35 Nº 22 , de Fernando Sor , por David Jaggs . Hoje em dia, toca-se música de Johann Sebastian Bach ao violão . Mas é importante que lembremos que se tratam de transcrições . As peças não foram escritas para violão . Algumas, para alaúde , outras para violino , violoncelo , cravo , órgão etc. Um bom exemplo é a Tocata e Fuga em Ré Menor , para órgão , transcrita para violão por Edson Lopes e executada, abaixo, por Tariq Harb . Ainda no Classicismo Luigi Boccherini (1743-1805) Ainda no Classicismo , o violão moderno começava a aparecer , com, por exemplo, Luigi Boccherini . Ele escreveu uma dúzia de obras de câmara com violão . Mas ainda não havia repertório específico para (apenas) violão . No Romantismo Fernando Sor (1778-1839) O catalão Fernando Sor foi o primeiro grande compositor a se dedicar ao instrumento . O primeiro de muitos . O romantismo é a era do violão . Ele compôs obras exclusivamente para o instrumento: 4 Sonatas , diversas Fantasias , música didática , além das normais Sinfonias e obras de câmara . René Lacôte interpreta a Fantasia , Op. 7 de Fernando Sor . Sor estudou no Mosteiro de Montserrat entre seus 12 e 15 anos. Mas foi quando voltou a Barcelona , que ele resolveu se dedicar ao violão , criando técnicas , componto exclusivamente para o instrumento e estabelecendo técnicas que são usadas até hoje . Por exemplo: ele evitava usar o dedo mínimo da mão direita . Quando o fazia, era em acordes , jamais na melodia . Usamos estes preceitos até hoje . Mauro Giuliani (1781-1829) O italiano Mauro Giuliani era um prodígio . Tocava violoncelo , violão , compunha e cantava . Ana Vidovic toca a Grande Abertura , Op. 61 , de Mauro Giuliani . Nicolò Paganini (1782-1840) Muito mais conhecido como compositor para violino e violinista , Paganini era considerado um prodígio do violão . Escreveu pouco para o instrumento solista (por exemplo: 5 Peças para Violão , de 1800 ), mas é considerado o primeiro virtuose do instrumento, tanto quanto do violino . Luigi Attademo toca a Romanza da " Grande Sonata " de Nicolò Paganini . Matteo Carcassi (1792-1853) Outro compositor importante para o violão , Matteo Carcassi teve fama tardia . Insistiu no violão , fez alguns concertos de sucesso pela Europa . Alexandra Whittingham toca o Estudo Nº 7 dos 25 Estudos , Op. 60 , de Matteo Carcassi . Francisco Tárrega (1852 – 1909) O espanhol Francisco Tárrega é um dos compositores de música para violão mais gravados e bem sucedidos de todos os tempos . É dele a famosíssima peça " Recuerdos de la Alhambra ", assim como " Oremus " e o " Capricho Árabe ". Pepe Romero toca " Lágrima ", de Francisco Tárrega . O violão seguiu sua trajetória de instrumento solista no modernismo (especialmente com Heitor Villa-Lobos ) e até hoje (tendo uma tradição extraordinária no Brasil e com o cubano Leo Brower ). O Piano Até o início do Classicismo , os principais instrumentos de teclado eram o órgão e o cravo *. No primeiro , de certa forma, pode-se controlar a intensidade do som , mas não de notas individuais . Já no cravo , o máximo que se pode fazer é alternar entre os teclados (cravos costumam ter dois ou mais teclados ). Por exemplo: fica a mão esquerda no teclado de baixo , que aciona todas as cordas (cada nota aciona duas ou três cordas ), enquanto a direita , vai ao teclado de cima , que geralmente, aciona apenas uma corda para cada nota e tem um som mais doce . * As obras para órgão e cravo de J S Bach , por exemplo, podem ser executadas ao piano , mas isso exige uma transcrição , feita, geralmente por compositores ( F Liszt , F Busoni ). Elas podem até ser tocadas por uma orquestra moderna inteira , como nas transcrições de Leopold Stokowski e Ottorino Respighi . Eis que, no século XVIII , Bartolomeo Cristofori criou um instrumento em que o músico podia controlar a intensidade da nota de maneira imediata , o Fortepiano . Ele tem esse nome porque pode-se tocar forte e fraco ( piano ) apenas controlando o toque . Não foi uma grande revolução , a princípio. W A Mozart chegou a escrever concertos para cravo . Mas foi graças a ele , a Haydn e a Beethoven que o Fortepiano se consolidou . Frédéric Champion toca, em um Fortepiano , o Rondó em Ré Maior , KV 485 , de W A Mozart . Esse era o Fortepiano da época de Mozart . Sobre o piano moderno , é muito difícil dizer quando nasceu . Ele foi evoluindo a partir do Fortepiano , ganhando pedais - especialmente o de sustentação , que permite que as notas tocadas continuem a soar mesmo que se tire a mão . Com o tempo e a evolução , o Fortepiano passou a ser chamado de, apenas, Piano . Ludwig van Beethoven escreveu suas 32 sonatas para piano (até hoje estão entre as mais gravadas ) e ajudou a consolidar o instrumento . Petra Somlai toca a Sonata Nº 8 , Op. 13 , " Pathétique ", de Ludwig van Beethoven , em um Fortepiano réplica de um instrumento de 1795 . A mesma peça , tocada em um piano moderno , por Anastasia Huppmann . A Sinfonia A sinfonia , tal como a conhecemos, existe desde o Classicismo , sendo um meio de o compositor demonstrar seu virtuosismo . São famosas várias sinfonias de Joseph Haydn , de Wolfgang Amadeus Mozart e de Carl Philipp Emanuel Bach . Mas foi no início do Séc. XIX que Beethoven (especialmente a partir de sua 3ª Sinfonia , " Eroica ") atribuiu à sinfonia o status de obra sinfônica mais importante do repertório . A partir da " Eroica ", surgiram a " Sinfonia Fantástica ", de Hector Berlioz , as 4 Sinfonias (são 5 , mas a segunda não é uma sinfonia ) de Félix Mendelssohn , as 4 de Robert Schumann , ao menos 2 das Sinfonias de Franz Schubert (a 8ª , " Inacabada ", e a 9ª " A Grande ") e, posteriormente, as 6 (ou 7 , ou 8 ) de Tchaikovsky , as ao menos 4 das 9 de Antonín Dvořák , a Sinfonia em Ré Menor , de César Franck e uma infinidade de outras. A sinfonia persiste como principal meio de comunicação entre o compositor e o ouvinte . Abaixo, a Sinfonia Fantástica , de Hector Berlioz , com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Frankfurt , regida por Andrés Orozco-Estrada . A Orquestra Romântica Enquanto na Idade Média e Renascença prevaleciam os Consorts ( grupos de instrumentos de uma mesma família ), a partir do Barroco começou-se a consolidar a Orquestra . Geralmente, com ( poucas ) cordas , e dois oboés . No Classicismo , ela cresceu . Eram mais cordas em uníssono , agora, com o contrabaixo , fagotes e oboés ou flautas . No final do Classicismo , Mozart implementou o clarinete . A Orquestra Romântica é muito parecida com a atual . As cordas : cerca de 12 Violinos I , 10 Violinos II , 8 Violas , 8 Violoncelos e 4 a 8 contrabaixos . As madeiras : 2 Flautas , 2 Oboés , 2 Clarinetes e 2 ou 3 fagotes . Os metais : 4 Trompas , 3 Trompetes , 3 Trombones . As percussões : 4 Tímpanos . E alguns instrumentos extras , como o Clarinete em Mi Bemol , o Clarone , o Contrafagote , o Piano , a Celesta etc. Abaixo, o regente Paavo Järvi rege a Sinfonia Nº 9 , " Do Novo Mundo ", de Antonín Dvořák ., com a Tonhalle-Orchester Zürich . Fim da parte 1 - Parte dois vem logo. Confira aqui uma lista de postagens da Arara .

  • Anistia a Bolsonaro? (Não!)

    Por Rafael Torrres Anistia A palavra anistia vem do grego amnistia . Perceba que ambas palavras têm o mesmo radical . Amnistia ou anistia tèm, em comum, a aparência com amnésia . E querem dizer isso , mesmo. Anistia é um " esquecimento " compulsório , um perdão , antes de mais nada. Perdão que vem antes da condenação . Se o seu marido chega a você pedindo perdão , mesmo que não queira dizer sobre o quê , você não vai perdoá-lo , vai? Ao menos não sem, antes, tentar descobrir . E eu sei que uma mulher que se suspeita traída , investiga melhor do que a . Polícia Federal . Agora, por que Jair Bol#%(@A) pede anistia? Porque viu na TV que, ao final da ditadura, ela foi concedida a todos ? Mas o caso era bem diferente . A esquerda estava totalmente acuada , após quase duas décadas de ditadura da direita . Era anistia ou nada . O caso , aqui , é bem diferente . O Jair está pedindo e estimulano uma anistia por algo por que ainda nem foi condenado . Ele tentou matar o Lula , o Alckmin e o Alexandre de Moraes . Claro, seu nome não consta em nenhuma das reuniões do grupo. E claro, ele não conseguiu porque não havia , por parte dos militares , interesse (ou necessidade). E, obviamente , por pura incompetência dos executores . Pedir anistia antes da condenação é o mesmo que dizer: " olha, vocês vão encontrar muita coisa errada , mas, por favor, relevem ". Tentei falar como o Bols)³£¢£¢?) , mas percebi que ele. com sua inteligência , não deve saber falar " relevem ". Traidor da Pátria Jair é o maior " traidor da pátria " que o Brasil já colocou no poder . Imagine que ele foi aos Estados Unidos para pedir, pessoalmente, a Donald Trump , que este aplicasse uma tarifa absurda sobre produtos brasileiros . E que condicionasse a isso a sua anistia . Se isso não é jogar contra seu próprio país , eu não sei mais o que é . Sobre Alexandre de Moraes O Xandão , ministro do Supremo Tribunal Federal , em 2018 , votou contra o habeas corpus preventivo pedido pela defesa de Lula . Em 2021 , já com Bos¢¬£/£²² no poder, protocolou um pedido de impeachment deste. Precisamos lembrar que o Brasil tem 3 poderes com importância semelhante : o executivo (presidente, governadores e prefeitos), o legislativo (deputados, senadores etc.) e o judiciário (o Supremo Tribunal Federal}. Ou seja, ele não decide nada . Cabe ao judiciário interpretar as leis (investigadas, no geral, pela Polícia Federal ), e julgar . Alexandre de Moraes não tem um " lado ". Ele é refém das leis , da constituição federal etc. Além do mais, Alexandre não faz (nem pode ) nada que não esteja escrito nas leis . Ele tem , claro, suas preferências políticas . E não são de direita . Mas também, com essa direita caótica , burra e incompetente , quem não teria ? Comente na caixa vermelha abaixo. Elogie , esculhambe , desabafe ... Faça o que quiser . Veja uma lista organizada com as postagens da Arara . Aqui,

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