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Portugal vs. Brasil. Isso Existe?

  • Foto do escritor: Rafael Torres
    Rafael Torres
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Por Rafael Torres


Resposta curta: não. Resposta longa: não da parte de quem nos interessa. A nós brasileiros e aos portugueses. Pense bem: de que você menos gosta de ser chamado? De "moleque" ou de "racista"?


Se você for como eu, faz de tudo para não ser racista/xenófobo/sexista. (Digamos que uns 10% desse esforço, nós aplicamos a "moleque".) E os exemplos que vemos de Portugal, na internet, são os mais absurdos. É como se pegássemos o pior deles. Que, claro, podem cometer o mesmo erro (afinal, o melhor exemplo de brasileiro vivendo em Portugal é a Luana Piovani). Generalizações nunca são bem-vindas.



Saudade


Mas vejamos. Eu, mesmo, nunca emigraria do Brasil. E isso não quer dizer que o país me represente 100%. Não gosto de futebol, não gosto de samba, de forró e nem de praia! Sou o "brasileiro bossa nova". Gosto de música clássica, de fado, de MPB.


Mas se você "sente" a diferença entre os quadros abaixo como eu sinto, você é lusófono.


Saudade, óleo sobre tela de Almeida Júnior, 1899.
Saudade, óleo sobre tela de Almeida Júnior, 1899.
Moça lendo uma carta à janela, óleo sobre dela, de Johannes Vermeer, renascença.
Moça lendo uma carta à janela, óleo sobre dela, de Johannes Vermeer, renascença.

Porque o que estas "raparigas" estão a fazer é ler uma carta. Mas a primeira lê com dor. Com saudade. A segunda, holandesa, não demonstra seus sentimentos.


Aliás, acho que é isso: a questão não é sentir, é demonstrar. Melhor dizendo: é não ter vergonha de mostrar. Que tenha Portugal em mente que a maioria dos Brasileiros que vão morar em Portugal são, mesmo, uns monstrinhos autocentrados, que sempre ficarão com esta mesma saudade (misturada com ódio) do Brasil.


E portugueses, de Portugal. Sempre vão reclamar do tamanho das nossas bodegas, do caos de algumas filas e, para nosso espanto, dos carros descapotáveis (por favor, não tente "descapotar" um automóvel).


Variações linguísticas


Parabéns, você chagou à seara das Variações Linguísticas. Elas existem dentro, mesmo, do Brasil. No Rio Grande do Sul, até hoje não sei por que o pão carioquinha é menor. Nunca perguntei: teria que mencionar o tamanho do "cacetinho" gaúcho.


Mas, para além disso tudo, temos o passado. O brasileiro, explorado e o português, explorador. Queiramos ou não. Já comentei que a América do Sul foi descoberta no Ceará, no Mucuripe, 2 anos antes de Pedro Álvares Cabral? Eu, pessoalmente, preferia descender de tupinambás e tremembés do que de ter essa migalha de ascendência europeia.


Mas é questão pessoal.



Ouro Preto


Foi em Ouro Preto, Minas Gerais, que eu vi o que os portugueses fizeram aos negros e aos indígenas. Nós, os turistas entramos por baixo das pedras e os guias ficam lembrando: "nessa época não tinha corrimão". Não tinha corrimão! Corrimão, para se apoiar! Era luxo.


Quando saíam da jazida, os negros eram vergonhosamente revistados, para que se tivesse certeza de que não levavam consigo um pedacinho de ouro sequer. Em um buraco qualquer.


Lembro fielmente da impressão que tive em Ouro Preto. Quase vi os senhores de engenho chibateando os negros por um ouro que estes nem haviam pego para si.


E, enquanto isso, os negros, os mulatos, faziam igrejas para que pudessem expiar os pecados. Não os deles, mas os desses mesmos patrões.


Museu do Aleijadinho - Paróquia N, S, da Conceição - Ouro Preto
Museu do Aleijadinho - Paróquia N, S, da Conceição - Ouro Preto

Aleijadinho


Antônio Francisco Lisboa (1730 ou 1738 -Ouro Preto - a 1814 - Ouro Preto) foi um escultor, arquiteto e marceneiro mineiro. Sua biografia é repleta de incertezas e fatos dúbios. Isso porque, basicamente, os elementos de sua biografia datam de pequenas notas escritas mais de 40 anos após sua morte.


O que se sabe é que ele existiu. Que seu estilo era Rococó e Barroco e que todo seu trabalho foi feito em Minas Gerais. Pertenceu ao "Barroco Mineiro", que tinha, na música, mestres como Manoel de Oliveira, Francisco Gomes da Rocha, Marcos Coelho Neto, Jerônimo de Souza Lobo, José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita e Manoel dias de Oliveira e outros.



E Hoje?


E hoje, não vejo (simplesmente, não vejo) como um português pode arranjar argumentos para xenofobia contra brasileiros. Mais uma vez, não os culpo, exatamente. O brasileiro é barulhento (acredite, nós sofremos também), aparecido e sem-noção. Da Luana Piovani para baixo.


Mas tudo que nós somos para eles, hoje, eles já foram para nós, elevado ao quadrado.



Guiana Brasileira


A história que circulou na internet, de se referir a Portugal como "Guiana Brasileira", tem mais maldade do que se admite, mas menos do que o português acha. Trata-se de uma piada (de extremo mal gosto), coisa com que nós, sul-americanos, somos acostumados. Os europeus, não.


É sem preconceito. Porque "Guiana" só é uma palavra ruim se você tem algum tipo de preconceito.


Chovem vídeos no YouTube (e, aparentemente, no TikTok) de portugueses irritadíssimos com essa, digamos, comparação. Veja alguns, um, bem puto e o outro, mais conciliador.




Considerações finais


Dito isto, acho sacanagem com os portugueses insinuar que eles são, agora, uma "colônia" do Brasil. Mas, como disse, é apenas uma piada. De mal gosto. Mas, talvez, merecida. Se você não foi ainda, sugiro que a Ouro Preto, Minas Gerais.


E tente não vomitar.


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A Arara Neon é um blog sobre artes, ideias, música clássica e muito mais. De Fortaleza, Ceará, Brasil.

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