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- Pepeu Gomes, enfim, popular "Na Terra A Mais de Mil"
Conhecido como o exímio guitarrista dos Novos Baianos, Pedro Aníbal de Oliveira Gomes, ou simplesmente Pepeu, assumiu pouco a pouco sua porção cantor assim que Moraes Moreira (1947 - 2020) deixou os Novos Baianos para assumir carreira solo em 1975. Pepeu assumiu o microfone e a direção musical junto a Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo e já no psicodélico álbum "Caia Na Estrada e Perigas Ver" (Tapecar/1977) soltou a voz em "Eu Não Procuro Som", parceria com Moraes e Galvão. Com a dissolução do grupo, em 1978, Pepeu assinou com a gravadora CBS (atual Sony) para lançar seu primeiro disco como instrumentista, intitulado "Geração de Som", com influências que adquiriu ao longo do tempo - vão desde o chorinho ao samba. "Malacaxeta" - inspirada no riff de "Wait Until Tomorrow", do Jimi Hendrix - foi o pontapé para que a crítica não mais o visse como um músico de apoio, mas como um guitarrista de destaque. Também em 1978, Pepeu voltou a acompanhar Gilberto Gil como guitarrista no show gravado ao vivo em Montreux, na Suíça. Quando o produtor André Midani fundou a filial brasileira da Warner Music, contratou Pepeu para fazer parte do casting e "Na Terra A Mais de Mil", seu segundo LP, foi lançado. Foi aí que, pela primeira vez, Pepeu foi visto como cantor popular, devido ao sucesso de "Meu Coração", primeira faixa de trabalho usada para promover o disco e que foi incluída na trilha sonora da novela "Marina", exibida pela Rede Globo. Sobre essa música, Pepeu contou, em depoimento para o seu DVD de 2004, que a letra foi composta com Gil, numa carona até o aeroporto. Dócil, a canção remete à chegada de um novo amor e a maturidade alcançada, atento para não repetir os erros do passado. "Na Terra A Mais de Mil" é pontuado por muitos como o primeiro disco do Pepeu em que ele mostrou sua voz, antes não tão bem aproveitada em faixas sem apelo radiofônico. Desta vez, o repertório foi acertado e Pepeu mesclou bem sua porção vocalista/instrumentista em faixas que, assim como no "Geração de Som", expuseram sua influência nos mais diversos estilos da música popular brasileira. E isso era só o começo. Meucarovinho (IVISSON CARDOSO) é baiano de Salvador, iniciou suas atividades no ramo da música ainda quando estudante de Letras na UCSAL pelas redes sociais. Trocou residência por São Paulo em 2010 e passou a atuar como DJ na cidade. Já foi capa da revista Starwax Magazine na França e foi convidado pelo programa "Manos e Minas" da TV Cultura a apresentar a sua coleção de LPs no quadro "Discoteca Básica". Recentemente participou da série de TV "Rota do Vinil" em exibição pelo canal Music Box Brasil. Crédito da foto: Felipe Garcia
- das kino na arara: “Estou pensando em acabar com tudo”, de Charlie Kaufman
Aos desatentos, Estou pensando em acabar com tudo (2020) se trata de um filme de Charlie Kaufman. Por ser de Kaufman, não assista com qualquer expectativa, não tente ligar pontos nem buscar sentido de forma apressada. Nada é o que parece. As cenas são absurdas, muitas flertam com o surrealismo. Assista aberto à experiência, para descobrir o que acontece. Kaufman é conhecido por seus filmes pouco convencionais. Ele escreveu o roteiro de Quero Ser John Malkovich (1999), Adaptação (2002) e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004). Ele também dirigiu Sinédoque, Nova York (2008) e Anomalisa (2015), filmes em que o cineasta trabalha todo seu simbolismo, já por nós conhecido dos roteiros. Estou pensando… é uma obra adaptada de um romance publicado em 2016 de mesmo nome, de Iain Reid, o que me leva a comentar sobre a raiva que sentiram alguns leitores do livro em relação ao filme. O final de ambos é totalmente diferente, diziam eles. E, claro, leitores não gostam quando os diretores fazem isso. Acham que filmes devem ser fiéis à narrativa literária, como se fosse possível ou mesmo desejável, pensando a duração média de um filme. Mas não, não devem. Os cineastas não estão à mercê dos escritores, como também não estão dos historiadores. Filmes trabalham com uma linguagem diferente da literária, a cinematográfica, e as narrativas necessitam de liberdade criativa. Em entrevista, Kaufman explica: “O livro tem um final muito violento, e eu não quis fazer isso no filme por uma série de razões. Existe uma revelação no livro que é um tipo de reviravolta final, e eu não queria que o filme todo dependesse disso”. Ao contrário, o diretor preferiu perpassar a verdade da história ao longo de todo o filme, de forma que o final fosse algo a mais, e não o principal, para aprender sobre aquela relação. À primeira vista, trata-se de um casal em início de relacionamento, Jake e uma jovem que não possui um único nome. Seu nome se altera dependendo da cena. Eles vão fazer uma viagem para que ela possa conhecer os pais de Jake. Antes disso, a jovem questiona se isso seria realmente a melhor decisão a fazer, tanto de viajar quanto de continuar seu relacionamento com Jake, um rapaz bastante sufocante. “Estou pensando em acabar com tudo”, pensa. Mas ela não tem coragem. Ela decide seguir viagem, durante uma tempestade de neve, mas avisando Jake que precisa voltar no dia seguinte para a cidade, para entregar um trabalho. A partir daí, estaremos acompanhados pela jovem e por todos os seus pensamentos. Nós estamos na cabeça dela. Ao chegar na casa dos pais de Jake, eles pouco nos ajudam na confusão já gerada na sequência do carro, nos confundem mais. O tempo dentro da casa passa diferente, já que vemos estes pais ficando velhos e novos de um momento para o outro, sendo retratados, inclusive, de uma forma um tanto caricata e exagerada. Enquanto isso, cenas de um zelador idoso limpando o chão de uma escola de ensino médio insistem em se intercalar. É o surrealismo tomando conta. Como entender o universo simbólico de Kaufman? É interessante perceber como o diretor - pelo gosto em refletir sobre questões de gênero, sexualidade, memória, identidade (já vimos em outras obras) - vai trazer uma temática maior, de forma alegórica, para conduzir sua narrativa a partir de seus lampejos surrealistas. Aqui, percebo a tentativa de falar sobre relacionamentos tóxicos, e que fica mais clara ao final do filme, quando o zelador e a jovem têm uma conversa emocional sobre como Jake foi um cara esquisito no bar, alguém que ela nunca falou e que rapidamente se esqueceu. É uma cena que intenta a autonomia da personagem de Jake, um abandono de um relacionamento abusivo. Em vários momentos do filme, percebemos o efeito das projeções românticas e das fantasias que Jake está constantemente fazendo desta sua relação, e como isso é sufocante quando a pessoa desejada não é, de fato, aquilo que queríamos que ela fosse. O brilhante diálogo no carro sobre o filme de 1976, Uma Mulher sobre Influência, de Cassavetes, torna mais compreensível a dificuldade da jovem em terminar seu relacionamento nocivo, uma temática, que, diga-se de passagem, é muito importante ser discutida em um país machista e patriarcal como o Brasil, um dos líderes no ranking de feminicídio. Em Estou pensando…, o diretor deixa alguns significados intencionalmente vagos, como o do porco animado mais ao fim do filme, para, nas suas palavras, “encorajar as pessoas a terem suas próprias interpretações”. Muitos acharam o filme confuso, mas assim funciona o universo autoral de Kaufman, um artista preocupado com os aspectos internos dos seus personagens e, nesta obra, veremos isso de maneira pouco usual, pela utilização da relação teatro/realidade, com o enquadramento clássico 4:3. A obra chegou na sexta-feira, 04 de setembro, na Netflix. Quem já conhece outros trabalhos do diretor, como já mencionado, tende a não estranhar seus convites para adentrar em suas narrativas labirínticas psicológicas e pouco lineares. O filme se divide entre aqueles que amaram e consideram “o melhor do ano”, e aqueles que odiaram, considerando-o “uma bizarrice no pior sentido”. É menos um filme de terror do que um filme existencial, preocupado com atributos humanos. Fala muito de solidão, arrependimento, isolamento, envelhecimento, em que muitas interpretações são possíveis. Para quem ainda não viu, deixo aqui duas palavras mencionadas pela atriz que faz a jovem personagem, Jessie Buckley: Brace yourselves (Se preparem). JÉSSICA FRAZÃO é produtora audiovisual e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É integrante do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema (Elviras) e colunista cinematográfica no jornal O Município Blumenau, com "Das Kino - Um olhar crítico sobre o cinema".
- Suzana (CONTO)
Suzana tem um cheiro doce, não sei se é por causa do brilho labial cor de rosa ou do chiclete que ela não para de mascar enquanto mexe no celular. Ela é compulsiva. Desliza o polegar pela tela, passando as mensagens dos contatinhos. De vez em quando ela cutuca minhas costelas e me mostra uma imagem sacana. Finjo que acho graça enquanto o ciúme me corrói por dentro. Suzana arruma o cabelo crespo e depois agita as pulseiras cheias de penduricalhos. Falamos de bobagens e da novela das 9 enquanto o ônibus ainda está vazio. Ela também reclama do trabalho, diz que o chefe é um chato que pega no seu pé, mas eu sei que Suzana é preguiçosa e sempre dá um jeito de enrolar. Sua vida se resume ao final de semana. Aliás, o período de segunda a quinta é só um borrão no seu calendário, já a sexta-feira… A sexta-feira é brilho, é carnaval. Sexta-feira é Suzana descalça sambando na calçada do boteco. Sexta-feira é Suzana coberta de suor bebendo cerveja direto do bico da garrafa com os lábios carnudos contra o vidro frio. — O que foi? — Nada não — respondi, me virando para a janela suja do ônibus. — Nossa, você anda estranha. — Estranha por quê? — O medo fez minha voz soar aguda. — Não sei, parece que tem alguma coisa que quer me contar e não conta. Fica me encarando com esses olhos aboticados. Forcei um sorriso. Deve ter parecido mais uma careta. Meu ventre se contorceu e as mãos gelaram. Abri a janela com mais força do que eu deveria, o cobrador me encarou. — Se quebrar, tem que pagar — ele gritou. Desejei que se engasgasse com o palito de dente grudado no canto da boca. — Pra falar a verdade, queria te perguntar um negócio. — O quê? — Retrucou Suzana cheia de curiosidade. — Você… — Eram apenas algumas palavrinhas, já tinha dito a primeira, bastava ter coragem para completar. Eu queria Suzana do meu lado, não apenas naqueles minutos dentro do ônibus, mas para o resto da vida. Queria comentar suas novelas, cantar junto aquele samba gostoso ao pé do seu ouvido, dormir mexendo nos seus cachos. "Quero te fazer mulher direita, Suzana". Eu gritaria aquelas palavras no meio do ônibus lotado, lhe daria flores e nunca haveria cinzas em nossas quartas-feiras. — Você… Vo-você quer passar no mercado comigo? Parece que tem carne em promoção — falei. — Tá bom — respondeu Suzana, antes de puxar a cordinha pedindo para o motorista parar no próximo ponto. Suspirei. Hoje não. Mas, amanhã… Amanhã terei Suzana. FABIANA FERRAZ é escritora, autora do conto “A Mulher e o Vento”, finalista do III Prêmio ABERST na Categoria Narrativa Curta de Terror. Os gêneros pelos quais se aventura são: Terror Psicológico, Fantasia Obscura, Mistério e Ficção Histórica. Fabiana também é Cofundadora do Clube de Escrita Sorocaba.
- TOP 8 STREAMINGS QUE VOCÊ DEVERIA CONHECER
Sabemos que a Netflix é uma das plataformas mais conhecidas dos consumidores no que diz respeito à exibição de video on demand (VOD). Em 2018, por exemplo, a Netflix ultrapassou a The Walt Disney Company, tornando-se a empresa de entretenimento com maior valor de mercado existente. Ao utilizar serviços desta natureza, as pessoas escolhem o horário, o tipo de dispositivo (SmartTV, tablet, computador, videogame, celular) e o conteúdo a ser assistido, desde que disponíveis no catálogo da provedora. Estas condições mudaram radicalmente a forma do consumidor se relacionar com o produto audiovisual, que antes era dependente de uma grade televisiva fixa, voltada para a necessidade de atender grandes audiências. Pensando em ampliar o leque de opções, listo oito plataformas de streaming disponíveis no mercado (gratuitas e pagas), e que são, em geral, bem menos conhecidas que a Netflix ou outros serviços, como o Amazon Prime Video, o Globo Play, o Google Play, o Looke, o Telecine Play ou a Youtube Store. 8. Crunchyroll O Crunchyroll é a plataforma mais indicada para os fãs de anime, mangás e séries de dorama. Se você é otaku, não pode deixar de acessar este serviço, que traz em seu acervo produções como “Naruto Shippuden”, “Attack on Titan” e “Dragon Ball Super”. As opções são atualizadas de acordo com o que é feito diretamente do Japão. O conteúdo é legendado (há algumas opções dubladas), e tudo está em alta definição. Para assistir, o assinante paga R$ 25,00 por mês. É possível receber 14 dias de teste 7. Darkflix Criada pelo brasileiro Ernani Silva, a “Netflix para os fãs do horror” é feita “com o único propósito de aterrorizar seus usuários”. Voltada para o cinema fantástico, a Darkflix reúne filmes, séries de TV e animações de horror, ficção científica, fantasia, suspense e mistério, de forma totalmente gratuita. Para acessar, basta fazer um cadastro com e-mail e senha. O streaming estreou de forma gratuita com um catálogo de 666 filmes e 333 episódios de séries. Novas produções estão constantemente sendo adicionadas e atualmente ela disponibiliza um período de carência de sete dias, bastando fazer um cadastro simples e rápido. Depois da carência, é necessário pagar uma mensalidade de R$9,90. 6. SnagFilms O SnagFilms é indicado para aqueles usuários que procuram opções mais independentes, indies, cults, e vencedoras de festivais de cinema, entre ficções, documentários ou séries, entre longas e curtas-metragens. Há, entretanto, dois contras: o primeiro é que, por ser um serviço gratuito, é necessária alguma publicidade, que pode estar no começo, meio ou final do filme. O segundo é que a plataforma disponibiliza seu conteúdo apenas em língua inglesa, sem opções de produções brasileiras ou legendas em português. Se a barreira do idioma não for um problema, é uma ótima alternativa. 5. Afroflix O Afroflix é uma plataforma colaborativa, que oferece produções audiovisuais que tenham, pelo menos, uma pessoa negra assinando na parte técnica/artística das obras. Você encontra não apenas filmes de ficção, experimentais e documentais, mas também videoclipes, séries e webséries, vlogs e programas diversos que são produzidos, roteirizados, dirigidos ou protagonizados por pessoas negras. Todo o catálogo é gratuito para exibição. A plataforma disponibiliza, inicialmente, apenas conteúdos nacionais. 4. Philos Esta plataforma é, de longe, a mais indicada para quem é fã de documentários. Seu acervo está dividido em categorias, sendo elas: “Arte e Cultura”, “Ciência e Pensamento” e “Povos e Culturas”. Algumas produções são classificadas como “especiais”. Dessa forma, é possível assistir séries e espetáculos inteiros de dança e música, documentários sobre artes plásticas, ciência, filosofia, história, biografias e entrevistas. O serviço custa R$ 9,90 nos 12 primeiros meses, e depois passa para R$ 14,90 por mês. 3. Oldflix Com a ideia de apresentar produções “old but gold”, a Oldflix tem em seu catálogo cerca de 800 títulos, entre filmes, séries e animações, de produções realizadas até meados da década de 1990. A mensalidade custa R$ 12,90. Com o slogan “as emoções do passado você revive aqui”, é possível assistir desde Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio De Sica; Ensaio de Orquestra (1979), de Federico Fellini; A Felicidade Não Se Compra (1947), de Frank Capra; até séries e desenhos como A Feiticeira (1974-1982), Caverna do Dragão (1983-1985) e Dragon Ball Z (1989-1996). O serviço foi criado em 2016, no Rio Grande do Norte, por Manoel Ramalho e seu filho Wagner Wanderley. 2. SPcine Play Para quem é amante do cinema brasileiro, esta é a única plataforma pública de streaming do Brasil, feita com iniciativa da Prefeitura de São Paulo, com intermédio da Secretaria de Cultura. A curadoria é responsável por disponibilizar filmes integrantes das principais mostras e festivais de cinema de São Paulo. Entre os títulos, estão: O Menino e Mundo (2014), de Alê Abreu; Mãe Só Há Uma (2016), de Anna Muylaert; Ausência (2014), de Chico Teixeira, entre vários outros. O aluguel da obra pode ser gratuito ou custar R$ 3,90, e o usuário tem até sete dias para assistir. A mediação até o espectador é feita pelo serviço do Looke. 1. Mubi Por fim, o Mubi é indicado para quem é cinéfilo, uma vez que seu catálogo é dedicado aos filmes de arte, premiados em festivais, produções independentes, clássicos e cults. Por R$ 27,90 por mês é possível assistir aos filmes, que passaram por uma curadoria. A cada dia, uma nova opção aparece e outra sai do catálogo (por isso serão sempre 30 filmes disponíveis por mês), de forma que o espectador precisa se organizar para assistir determinada produção, antes que ela saia da plataforma. É uma maneira interessante de se relacionar com aquela obra específica, bastante diferente da imensidão de filmes que a Netflix oferece, e que por vezes damos pouco valor. JÉSSICA FRAZÃO é produtora audiovisual e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É integrante do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema (Elviras) e colunista cinematográfica no jornal O Município Blumenau, com "Das Kino - Um olhar crítico sobre o cinema".
- Papo de arara: Daniel pirraça
Colaborou: Luiz Pedro Reis Pinheiro 1. Primeiramente gostaríamos de saber como está o cenário para game designers independentes aqui no Brasil. Como você vê esse mercado e que tipos de desafios pessoas que desejam criar seus próprios jogos precisam enfrentar? O cenário vinha melhorando aos poucos até a chegada da pandemia. Temos um bocado de game designers competentes aqui no Brasil, e criatividade não falta. Mas agora a situação está complicada. Vejo muitos projetos (até mesmo de editoras grandes, bem estruturadas) obtendo resultados pífios em seus financiamentos coletivos. Estamos passando por uma crise das brabas, e o pessoal que está sem dinheiro precisa escolher entre pagar as contas ou gastar com lazer. Para os produtores de conteúdo independente, que trabalham no ramo do entretenimento e da arte, o momento é particularmente difícil. É preciso ter, além de garra e perseverança, muito preparo. 2. A escolha do Catarse para o financiamento coletivo foi algo natural? Você tentou outros meios? Foi a alternativa mais óbvia, porque nenhuma editora no mundo ia investir tanta grana em um autor de primeira viagem. Então o Catarse foi minha salvação, porque eu também não tinha condição de bancar tudo com dinheiro do meu próprio bolso, estava desempregado. 3. Existem muitos editais de incentivo governamental para arte e cultura. É comum vermos livros, filmes, espetáculos teatrais sendo realizados com dinheiro público provenientes de editais como esse. Mas existem muito poucos ainda para jogos. Ao mesmo tempo também existem entraves burocráticos, por parte do Estado, que facilitem a vida de quem quer empreender na economia criativa seja fazendo games, aplicativos ou mesmo quem quer abrir uma produtora cultural ou um estúdio de jogos. Como você enxerga isso? Sequer cogitei buscar apoio governamental para o projeto e acho que as chances seriam mesmo baixas. Quando se trata do setor público, contatos influentes são mais importantes do que boas ideias, infelizmente. Acredito que o financiamento coletivo era de fato a opção mais viável, pois o sucesso do projeto só dependeria de boa divulgação e pessoas interessadas, e Kalymba não ficaria refém de processos burocráticos estressantes. Me traz uma felicidade tremenda saber que conseguimos transformar esse sonho em algo tangível apenas com a participação da comunidade, com dinheiro arrecadado voluntariamente. No nosso caso, por sorte, o investimento público não fez falta. 4. - Especificamente sobre o universo diegético do jogo... De fato é muito interessante sua escolha pela cultura de matriz africana para o desenrolar desse novo RPG. Algum recorte específico ou você procurou ser panafricanista? E o que te fez escolher esse recorte? Eu não diria que fiz um recorte específico. A maior influência do cenário é, com certeza, a cosmologia iorubá, que escolhi por ser mais familiar para nós, brasileiros. Mas também há muitos elementos de outras regiões e culturas africanas, todos adaptados à realidade ficcional do cenário que criei. Então Kalymba pode ser chamado de panafricanista, certamente. 5- Na sua opinião existe uma overdose de mitologia européia no universo da fantasia, horror e ficção científica (gêneros onde majoritariamente se passam a maioria dos jogos) no entretenimento? Tipo, todo mundo sabe o que é um troll, um orc, um elfo mas não reconhece com facilidade seres de outras culturas como as do oriente médio e mesmo as do Brasil... Então o que você pensa sobre isso e em que medida isso foi uma questão propulsora para o Kalymba? É fato que no mundo do entretenimento algumas temáticas são exploradas à exaustão enquanto outras são renegadas. No caso dos jogos de RPG, a estrutura que chamamos de fantasia medieval europeia (que se tornou a tal "fantasia clássica", afinal) é a que reina soberana. Há muito conteúdo desse tipo sendo produzido e lançado todos os anos, às vezes mais do que o mercado pode absorver. Mas não há como negar que a maioria dos jogadores de RPG continuam sendo atraídos por esses materiais, por mais que, a meu ver, tenham se tornado repetitivos. Então eu resolvi apostar em uma temática diferente, que atraísse jogadores de outros nichos, mas que também soasse familiar para esse público adepto ao mainstream – a fantasia "medieval" africana. E deu certo: Kalymba bombou! Ao que parece, era um material com demanda latente. As pessoas queriam, mas não sabiam disso ainda, pois não havia nada semelhante no mercado. 6 - Como foi o seu processo de pesquisa para conseguir adaptar essa mitologia dentro do seu universo? Quais suas fontes de pesquisa e dificuldades? A pesquisa foi intensa e cheia de obstáculos, desde barreiras linguísticas até a completa ausência de material de referência. Várias das culturas nas quais me inspirei foram negligenciadas pela História durante séculos, então os estudos ainda são escassos, principalmente na língua portuguesa. Também tem o fato de muito do conhecimento mitológico da África – que foi meu principal objeto de pesquisa – ser baseado na tradição oral. Minha vontade de viajar para lá para absorver inspiração direto da fonte é grande, mas falta quem me banque, hahahaha. Enquanto isso, preciso me contentar com aquilo que o Google e os livros têm a me oferecer. 7 - A o enredo, a base da trama, você adaptou alguma ideia original sua a esse universo, ou uma outra história para esse universo ou você tentou resgatar alguma narrativa original do folclore e mitologias africanas? A estrutura clássica da Jornada do Herói (o monomito) foi usada? Kalymba é um cenário fictício, um universo meu que foi inspirado nas histórias da África. Tem muitas ideias originais minhas embutidas ali, embora o ponto de partida sejam civilizações, eventos, tradições e mitologias existentes. Nesse cenário, eu proponho o chamado à aventura e ofereço os desafios necessários para que os heróis (os jogadores) tracem suas próprias jornadas. 8 - O que você aconselharia extra jogo para que os jogadores possam ter uma maior bagagem ao entrar em Kalymba? Acho que a necessidade (ou a curiosidade) de pesquisar surgirá no decorrer da leitura. Kalymba tenta estimular essa busca por conhecimento, mas também fornece muito material para que leigos e iniciantes não precisem se preocupar com bagagem prévia. 9 - Por quais sistemas e livros você já passou dentro do universo do RPG e em que ponto você decidiu criar o seu próprio? E como esses sistemas de RPG te influenciaram? Faz uns sete anos que conheci o RPG. Comecei mestrando o sistema +2d6, que não por acaso se tornou a base das mecânicas do Kalymba. Mestrei Tormenta, Dungeon Crawl Classics, Pesadelos Terríveis e desenvolvi uns poucos sistemas próprios, como Ilha da Fantasia Homicida, que ainda narro ocasionalmente em eventos. Comecei Kalymba menos de um ano após me iniciar no hobby, foi um desastre. Demorou um bocado de tempo até que eu tivesse bagagem para construir um sistema funcional e um cenário interessante. Tudo o que consumi nesse período serviu de combustível para minha criatividade, além de me fornecer noções de game design. 10. Sabemos que um jogo é uma linguagem artística que bebe de outras linguagens como a literatura, o cinema, as artes visuais... Quais suas influências nessas áreas, que quadrinhos, romances, música e filmes, por exemplo, você consome e quais te influenciam direta e indiretamente na sua criação? Desde os quatro anos de idade consumo documentários que nem um louco. São uma grande fonte de inspiração para mim. Séries como Shaka Zulu, filmes como Kiriku e a Feiticeira e livros como Império de Diamante também deram asas à minha imaginação. 11 - Aproximadamente quantas horas de playteste de quantas pessoas foram envolvidas para que você chegasse ao nível de refinamento que encontraremos no livro? Não faço ideia. Mestro Kalymba há anos, era um projeto pessoal, para uso próprio. Ninguém conta as horas que passou jogando RPG com os amigos. Também mestrei em eventos, então... Sei lá. Só fui testanto, testando de novo, mudando e corrigindo as mecânicas. Foi um playtest feito naturalmente, na maior parte do tempo. Só mais recentemente começamos a testar mecânicas específicas e fazer uma análise aprofundada das regras, mas nesse ponto o sistema já estava bom o bastante para ser jogado. 12- O que te fez optar por criar um sistema mais simples? Não gosto de mecânicas desnecessariamente complicadas. Prefiro apostar na liberdade e na personalização. Kalymba é simples, mas robusto, pois oferece muitas opções aos jogadores, algo que sempre valorizei. 13- E qual o objetivo em não criar classes fixas dentro do jogo? Isso se relaciona diretamente com o universo escolhido ou é uma inovação na mecânica (modo de jogar)? Como disse uma vez William Wallace: "Liberdaaaaaade!". A mecânica de classes era algo que não parecia se encaixar com a proposta do jogo. Não tem a ver com o universo de Kalymba, mas com a experiência que eu queria transmitir. 14- Pra quem você recomendaria o seu livro e para quem você não recomendaria? Recomendo Kalymba para todos aqueles que desejam começar a jogar RPG ou experimentar coisas novas dentro do hobby. A exceção é para jogadores que fazem questão de sistemas narrativistas, com poucas regras e poucas rolagens de dados. Kalymba não é assim, então eu odiaria te decepcionar. Mas felizmente, para o restante das pessoas, esse jogo pode ser incrivelmente divertido. 15 - Está previsto expansão do universo atual, digo, com mais aventuras prontas ou evoluções do cenário seja de caráter físico ou virtual? Com certeza. Pretendo lançar mais aventuras, talvez suplementos, talvez romances... Se o material será pago, gratuito, impresso ou digital, aí eu já não sei. O fato é que ainda tem muita coisa pra explorar nesse universo, e espero que a comunidade de jogadores colabore no processo. 16 - A campanha do Catarse teve, como você disse que obteve 1065% da meta. A que você acha que se deve seu sucesso? Temática diferenciada. Sistema não D20 e qualidade das ilustrações. Ficou curioso com o jogo? Quer ler mais sobre jogos aqui no site? Confere este artigo super bacana aqui sobre jogos de tabuleiro modernos. Gostou da entrevista? Temos outras bem legais com a da Verônica Oliveira a faxineira mais badalada do Brasil, o Léo Drummond especialista em fones de ouvido e uma com a Yandra Lobo sobre as delícias e os desfios dela na maternidade de filhx trans.
- Top 10 discos dos Beatles na minha humilde opinião
Olha. Vamo lá. É a minha opinião. De músico, de músico que não conhece nada de música pop, mas que dessa banda conhece tudo. Nesse Top 10 conta tudo que for dos Beatles, todos os discos lançados com o nome oficial The Beatles. Incluindo Past Masters, Anthologies, Yellow Submarine, BBC etc. Vai ser a lista mais polêmica de todos os tempos. Mas eu sustento. Tem coragem? Então bora. A discografia da banda, pra você se situar, é a seguinte: Please Please Me (1963) With The Beatles (1963) A Hard Day's Night (1964) Beatles For Sale (1964) Help! (1965) Rubber Soul (1965) Revolver (1966) Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967) Magical Mystery Tour (1967) The Beatles (Álbum Branco) (1968) Yellow Submarine (1969) Abbey Road (1969) Let It Be (1970) (depois daqui o grupo se separou, e todos os lançamentos subsequentes envolvem gravações dos anos 60) Past Masters (1988) (compilação) Live At The BBC (1994) Anthology 1 (1995) (compilação e takes alternativos, com uma música nova: Free as a Bird, que foi trabalhada pelos 3 Beatles então vivos, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, sobre uma gravação antiga de John Lennon) Anthology 2 (1996) (também com uma música nova: Real Love) Anthology 3 (1996) 1 (2000) (compilação) Let It Be... Naked (2003) (uma nova mixagem de Let It Be) Love (2006) (uma colagem feita para um espetáculo do Cirque du Soleil) Live At The BBC, Volume 2 (2013) Live At The Hollywood Bowl (2016) 10 - Past Masters Quando eu era pequeno eram dois volumes. Eu indicaria o 2, mas, como agora vêm juntos, melhor ainda. São os singles que não saíram em álbuns, então tem desde a boba Love Me Do até maravilhas como Hey Jude, Across the Universe, e The Inner Light. Tem coisas esquisitas, também, como You Know My Name (Look Up The Number), uma faixa que eles tinham gravado e não sabiam o que fazer dela. Acabaram lançando como single. Eu gosto, mas não é pra todo mundo. De resto, praticamente todas as músicas são conhecidas e a maioria você não encontra nos álbuns, de modo que é um disco indispensável. 9 - Help! O último disco da fase Rock 'n' Roll, ou fase Iê iê iê, Help! é também o mais legal. Metade do álbum é composto por canções que fizeram a trilha sonora do filme homônimo. Aqui, pela primeira vez aparece um Beatle sem os outros: Paul canta Yesterday com um quarteto de cordas. Além da icônica canção título temos Ticket to Ride, The Night Before, I Need You e I've Just Seen a Face. 8 - Rubber Soul O começo da fase madura da banda. Pra quem não sabe, eles têm duas. A Iê iê iê e a madura. O Rubber Soul é a transição para a fase psicodélica. Começa com Drive My Car (adoro, veja), e você pensa que vai ser a mesma coisa dos 5 discos anteriores, mas logo vem Norwegian Wood e já dá pra notar diferenças. É a influência de Bob Dylan. Depois teremos músicas bem representativas, como Nowhere Man, Michelle, Girl, In My Life e outras. 7 - Revolver O disco é de 1966, que foi justamente quando pararam de tocar em público, virando, efetivamente, uma banda de estúdio. Isso permitiu que fizessem experiências musicais, gravando coisas que não seriam capazes de reproduzir num show. Por exemplo: Here, There and Everywhere tem a voz principal e 3 outras fazendo a harmonia. 4 vozes para 3 Beatles, já que Ringo não canta essa. Yellow Submarine tem muitos efeitos especiais: som de água borbulhando, do próprio submarino, ondas etc. E ainda uma banda de metais! Taxman, uma das 3 que George conseguiu emplacar no disco, tem um solo de guitarra gravado de um jeito e tocado ao contrário. Temos ainda Eleanor Rigby, em que eles só cantam, acompanhados por um sexteto de cordas; Love You To; Good Day, Sunshine; For No One e Tomorrow Never Knows - o disco inteiro é um clássico (eu tinha que dizer isso em algum ponto, minhas mãos estão atadas). 6 - Let It Be / Let It Be... Naked Let It Be é cheio de histórias tristes da banda brigando, da Yoko onipresente (não gosto de passar pano pra ela, mas parece que era o John que queria assim), o que atazanava os outros, claro. Além de brigas, inclusive filmadas e da saída de George. Ele largou, simplesmente desistiu. Até que foi chamado de volta, prometeram que mudariam de estúdio e chamariam seu amigo Billy Preston pra tocar teclado - uma presença nova pra melhorar o ambiente, que, de fato, melhorou. O disco foi gravado no começo de 1969, antes de Abbey Road. Acontece que foi lançado depois, em 1970, ficando sendo o último lançado pela banda. O grupo queria voltar às suas origens, tocando como banda, ao vivo - em vez de usar orquestras e efeitos de estúdio - seria um disco cru. Ocorre que no final, não tinham um material coeso, e entregaram a fita a vários produtores pra tentar tirar dali um álbum. Até que acabaram entregando a Phil Spector, que fez uns malabarismos que desagradaram o Paul: sua música The Long and Winding Road foi a mais afetada, recebendo um arranjo orquestral grandioso e extravagante, que ia totalmente contra a proposta de fazer um disco raiz. Mas foi lançado mesmo assim: o único disco de carreira dos Beatles a não ser produzido por George Martin. Então, em 2003, com autorização dos Beatles vivos (Paul e Ringo) e das famílias dos outros, eles lançam Let It Be... Naked, que parece mais com a proposta inicial. Indico esse disco porque é melhor que o antigo, mas todo mundo tem que ter a experiência de escutar o outro. Eles têm Let It Be, Across The Universe, The Long And Winding Road, I Me Mine, Don't Let Me Down, Get Back. Na verdade, é sensacional. 5 - Love Love é uma colagem de músicas de todos os discos da banda feita por George Martin, o lendário produtor e arranjador dos Beatles, e seu filho Giles Martin, para um espetáculo do Cirque du Soleil de mesmo nome. Acontece que é uma obra de arte. E sim, é um lançamento oficial dos Beatles. Altamente nostálgico, o álbum conta quase exclusivamente com sons gravados pela banda (a exceção é um arranjo de cordas sobre um take demo de While My Guitar Gently Wheeps, que é um dos pontos altos do disco). Começa com Because destituída do seu instrumental, só com as vozes. Depois, Get Back, só que começando com o acorde de A Hard Day's Night e com a bateria de The End. E aí teremos várias misturas (mashups). Que combinam muito bem. Drive My Car tem o solo de Taxman e quando sai do solo é What You're Doing, com um riff duplo: dela mesma e de Drive My Car. É muito bom. Ninguém poderia ter feito trabalho melhor. Tem até música ao contrário, como Gnik Nus, que é Sun King, desembocando em Something. 4 - Magical Mystery Tour Sim, a gente tem que ponderar a respeito desse álbum. Ele é a mistura da trilha sonora de um filme de mesmo nome que eles fizeram para a televisão, com músicas de singles. Foi lançado como EP (6 faixas) na Inglaterra. Mas o fato é que hoje, na discografia oficial deles, o que conta é o disco tal como foi lançado nos EUA, ou seja, 11 faixas. E se contarmos essas 11 o disco é excepcional. Tem Penny Lane e Strawberry Fields Forever. Além de All You Need Is Love, The Fool On The Hill, Your Mother Should Know e Blue Jay Way. 3 - The Beatles (White Album/Álbum Branco) Sobre o Álbum Branco, é consenso que seria melhor que fosse um disco simples. Resolveram lançar como duplo, e algumas faixas são criticadas. Precisavam mesmo estar lá? Bom, eu só lembro de 2 que realmente forçam a barra: Wild Honey Pie e Revolution 9. Também não gosto de Birthday e Everybody's Got Something To Hide... De bom, tem todo o resto, com atenção especial a While My Guitar Gently Wheeps, Hapiness Is A Warm Gun, Martha My Dear, Blackbird, Honey Pie. 2 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band O disco mais psicodélico dos Beatles, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é um marco na discografia popular dos anos 60. Qualquer Top alguma coisa relacionada a música Pop ou Rock, tem esse disco no topo ou perto dele. É tido como um álbum conceitual, de forma que é mais comum a gente ouvir o disco todo do que canções individuais. Mas ele tem a canção título, With A Lillte Help From My Friends, Lucy In The Sky With Diamonds e A Day In The Life. Gosto muito das do Paul: Fixing a Hole, Getting Better e When I'm Sixty Four. 1 - Abbey Road Em 69 os Beatles subiram no telhado. E também atravessaram a rua. Esse, embora lançado antes do Let It Be, foi o último disco gravado pelo quarteto. Com Come Together, Here Comes The Sun, Oh, Darling, Something e Because no lado A, o disco conta com um medley no lado B, que culmina com a fantástica The End, em que os 4 improvisam e termina com a maravilhosa frase: "E, no final, o amor que você tem é igual ao amor que você dá". A última frase do último álbum da banda mais famosa do mundo. Bom, tecnicamente, ainda tem Her Majesty, uma faixa curtinha escondida depois de vários segundos de silêncio. Eu fiquei entre ele e o Sgt. Pepper's, mas acaba que eu escuto mais esse. E aí, concorda? Discorda? Faça polêmica e barulho nos comentários. Mas a palavra é love. Leia também nossas listas de melhores faixas do Rock 'n' Roll em rolagem regressiva, dos anos 2010 até os anos 50: 2010 2000 1990 1980 1970
- A mina da Roupa de borracha #03
Uma história em quadrinhos de Dona Dora. Dona Dora Nascida no Rio e criada na Ceilândia-DF, foi estudante de escolas públicas e formada em Artes Plásticas pela UnB - Universidade de Brasília. Em 2013, passou a produzir quadrinhos participando de eventos marginais ou feiras de coletivos de produção independente Zines. Desde então faz uns desenhos diferenciados, pinta quadros, faz quadrinhos e atualmente dá aula de Artes para o Ensino Médio. Curadoria de quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado.
- Desenho Coisinhas #04
Desenho coisinhas #4, por Lele Reis. Lele Reis Meu nome é Lele, eu desenho coisinhas e não tenho interesse suficiente em mim mesma ou no meu trabalho pra dizer qualquer coisa além disso! :-D Curadoria de quadrinhos Nílbio Thé e Isabelle Prado.
- das kino na arara: Filmes lançados diretamente em streaming: a pandemia decretou o fim do cinema?
Vivenciamos uma “nostalgia” do futuro. Com um presente desolador, nos conforta mais pensar no que ainda está por vir. Por conta de uma série de mudanças que a pandemia do coronavírus bruscamente nos trouxe, parece inevitável tentar fazer previsões. Mas o futuro não é previsível. Podemos, quando muito, trabalhar com certos indicadores. Quando Renato Russo cantava que o futuro não é mais como era antigamente, quando o filme Metrópolis, de Fritz Lang, lá em 1927, já representava uma cidade de 100 anos à frente ou quando o pintor Edward Hopper, quiçá um profeta do isolamento social, há muitas décadas pintava pessoas solitárias em suas casas, compreendemos como a arte sempre nos falou de futuro. Em 2020, o cinema é um caso análogo às incertezas que a pandemia traz. Para dimensionar a crise no setor, exponho abaixo as situações que nos servem de parâmetro e de reflexão sobre essa nova fase da indústria cinematográfica e dos novos modos de fazer, ver e consumir audiovisual. Em relação ao parque exibidor, hoje, 3.600 salas de exibição no Brasil estão fechadas pela pandemia. Por conta disso, nosso país registrou, pela primeira vez na história, faturamento zero de bilheteria. Não frequentar as salas de cinema significa, na prática, interferir na vida de 40 mil trabalhadores diretos, como os lanterninhas, os bilheteiros, os pipoqueiros, os atendentes de bomboniere, entre outros. Para compreender o tamanho do impacto, geralmente, o faturamento das exibidoras vem de 50% da bilheteria e 50% da venda de produtos alimentícios. Sem público e sem produções novas sendo feitas, é praticamente impossível seguir pagando o aluguel e o salário dos funcionários. Grandes exibidoras nos Estados Unidos, como a rede de cinema AMX e Cineworld, já passam por complicações sem precedentes, podendo não sobreviver à crise. Se estas gigantes exibidoras passam por problemas substanciais, o que dizer das salas pequenas? Em Santa Catarina, cito os exemplos da Cineramabc Arthouse, em Balneário Camboriú, e do Paradigma Cine Arte, em Florianópolis, que em muito necessitam do público para sobreviver. No momento, ambos os espaços tentam amenizar a situação com programação de cinema virtual. Não bastasse isso, o grande período de confinamento também preocupa os donos dos cinemas, no sentido da situação incentivar novos hábitos dos espectadores, que agora estão cada mais adeptos ao mundo do streaming, podendo não mais apreciar à ida ao cinema. Por falar em streaming, a demanda por serviços desse tipo cresceu em 20% em todo o mundo desde o começo da pandemia. Só na Netflix, o número de assinantes aumentou em 15,7 milhões. Aproveitando-se do comportamento de mercado, a Universal Studios lançou o filme Trolls 2 diretamente nos serviços de streaming dos Estados Unidos. O que para muitos pareceu genial, para outros causou um desconforto, como o caso da Universal com as exibidoras. Exemplo é a própria AMX, já mencionada, que pretende fazer um boicote ao estúdio de cinema daqui em diante. Em outras palavras, a Universal está dizendo ao mundo e às exibidoras que as salas de cinema não são mais uma preocupação. A Disney não ficou atrás e lançou seu último filme no dia 12 de junho, Artemis Fowl: O Mundo Secreto, diretamente na sua Plataforma de streaming Disney+, disponível apenas nos Estados Unidos. Aos filmes brasileiros, esta questão também já é uma realidade. A Amazon, por exemplo, lançou o longa Vou nadar até você, protagonizado por Bruna Marquezine, em várias plataformas, como a NET Now, Vivo, Oi, bem como no iTunes, Google Play, Looke e Filme Filme. Outra questão importante que sofre a indústria cinematográfica é a alteração no calendário de produção dos filmes. As produções que seriam feitas este ano estão congeladas, sem data para voltar. Normalmente, o sucesso da obra fílmica nas salas de cinema estipula sua continuidade em sistemas de VoD ou na TV. Como vimos, essa lógica foi alterada, pulando a etapa das salas de cinema e buscando uma audiência diretamente no streaming. É grave para Hollywood saber que a temporada de verão nos Estados Unidos, que inicia agora em junho e é responsável por 40% do seu faturamento anual, está ameaçada. Sem produções, o prejuízo será gigantesco. Vários filmes foram reagendados para 2021 e 2022, como Missão Impossível 7 e 8 e Matrix 4. Alguns ainda seguem mantidos para o calendário de 2020, mas sem muita certeza quanto ao lançamento, como é o caso de Mulan, já finalizado, mas com nova data para estrear em 21 de agosto de 2020. A grande maioria dos filmes da Marvel Studios também foi reagendada, a começar por “Viúva Negra”. Essa decisão é necessária porque os filmes da franquia fazem parte de um universo compartilhado, e alterações precisam ser pensadas pelo conjunto da obra. Um questionamento que fica é: será que ainda cabe pensar, nestes tempos pandêmicos, em sequências, remakes ou adaptações em ritmo louco como fazem os produtores dos blockbusters? O Oscar também anunciou alterações para sua 93ª edição, em 2021. Dada a situação, a Academia aceitará filmes com estreia apenas em streaming. Até a edição anterior, as produções tinham, obrigatoriamente, que passar pelas salas de cinema. A decisão foi comentada pelo presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, David Rubin: “A Academia acredita firmemente que não existe um melhor jeito de experenciar a mágica dos filmes do que os assistir nas salas de cinema. Entretanto, a pandemia trágica e histórica da COVID-19 necessita-nos fazer esta exceção temporária nas nossas regras de elegibilidade”. Além disso, a Cerimônia foi adiada para o dia 25 de abril. Originalmente, ela ocorreria no dia 28 de fevereiro. Essa alteração já ocorreu três vezes ao longo da história do Oscar. Primeiro, em 1938, devido a uma inundação em Los Angeles. Depois, em 1968, dado o assassinato de Martin Luther King Jr. E, finalmente, em 1981, após a tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan. Diferentemente da Europa, que já reabre seus cinemas respeitando rígidos protocolos de saúde, por aqui, nem tão cedo teremos condições de almejar o mesmo, e sabemos que isso é o certo a se fazer. Mas, como fica nossa indústria cinematográfica nacional? Somente dia 24/06 é que foi aprovado um pacote de medidas emergenciais de apoio ao setor audiovisual. Organizado pelo Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), uma primeira reunião, há muito almejada, foi concedida junto ao atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, responsável pelo setor. A situação da Cinemateca Nacional também continua difícil, conforme abordei em uma coluna recente. Crise no cinema não é uma novidade. Quando tivemos o advento do som sincronizado, no final da década de 1920, houve crise. “O som aniquila a grande beleza do silêncio”, dizia Charles Chaplin, bastante relutante à novidade. Quando surgiu a TV aberta, houve crise. Agora, passamos por isso novamente, com uma pandemia que só reforça um movimento ligado a uma revolução tecnológica que já vinha ocorrendo, fortemente marcada pela adesão ao digital. Sempre nos adaptamos, agora não será diferente. O cinema seguirá resistindo, ainda mais em um momento em que a demanda por audiovisual nunca esteve tão alta. É hora que pensarmos sobre o futuro do audiovisual brasileiro, não como previsão, mas a partir de um horizonte de expectativas. Nem apocalípticos e nem integrados, mas, sabendo que, ao que tudo indica, o cinema não é mais como era antigamente. Jéssica Frazão é produtora audiovisual e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É integrante do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema (Elviras) e colunista cinematográfica no jornal O Município Blumenau, com "Das Kino - Um olhar crítico sobre o cinema".
- Opereta de Casamento, de Edu Lobo e Chico Buarque, com Argonautas
Mais uma música do disco "Argonautas Interpretam Edu Lobo". Agora estamos com esperança de que poderemos lançar o disco nas plataformas digitais. Opereta de Casamento é do espetáculo e disco O Grande Circo Místico, com músicas de Edu Lobo e Chico Buarque, de 1983. É uma música pouquíssimo regravada, porque é difícil achar o tom certo (a cor certa, não o tom musical). É uma música bem teatral, cantado no disco por um coro, orquestra, num arranjo circense. A falta de concorrentes nos deu liberdade para tentar o arranjo que quiséssemos. Gostamos disso. Mais uma vez, Luiz Orsano dos deu uma força, tocando a bateria. Igor Ribeiro estava de férias. Violão, voz, saxofones e arranjo: Rafael Torres Piano: Ayrton Pessoa Baixo: Ednar Pinho Bateria: Luiz Orsano Comente o que achou aí em baixo. E ouça as outras músicas do disco: A Moça do Sonho A Permuta dos Santos Escute o disco em: www.grupoargonautas.com.br Opereta de Casamento Edu Lobo e Chico Buarque Nem assaz alhures e antanho Era um evento tamanho A sagração nupcial Vinha a noiva de gargantilha Caçoleta e rendilha Diadema e torçal Mas se houvesse algum embaraço Dera a moça um mal passo Quanto horror e desdém Ela ia parar no convento Ia dormir ao relento Ou deitar nos trilhos do trem Do pudor da noiva a bandeira Após a noite primeira Desfraldava-se ao sol A sua virtude escarlate Igual brasão de tomate Enobrecendo o lençol Mas se não houvesse tal mancha É que outra mancha mais ancha Se ocultava por trás E o rapaz pagava o malogro Com a vendeta do sogro Ou com a malícia dos mortais "Oh meu pai, oh meu pai, por favor Condenai o nosso amor De langor e luxúria! Mas poupai, oh meu pai Nosso filho Da fúria do Senhor!'' O guri nasceu apressado Nem um mês de casado Tinha quem o gerou Quando o pai caiu nos infernos Foi nos braços maternos Que ele se pendurou Quando a mãe caiu na sarjeta Foi seguindo a opereta Na garupa do avô Quando o avô caiu do cavalo Foi chorar no intervalo E mais um ato começou Palhaço, corista Trapézio, dançarina Maestro, cortina É fé na flauta e pé na pista
- Cartagena das cores
Cartagena é amarela. Amarela como minha mala de mão e 80% das minhas roupas. Amarela na Torre do Relógio, nas roupas das palenqueras, nas paredes de muitas casas da cidade amuralhada. Amarela na luz intensa e quente do sol que a tudo ilumina. Cartagena é azul. Azul do céu de um verão que já se despede, do mar do Caribe (em que não pude me banhar) e novamente na roupa das palenqueras, negras, que num parentesco diaspórico lembram as baianas de uma outra cidade que um dia também foi murada. Cartagena é preta, negra, nas mulheres que vendem as frutas e sua própria imagem nas fotos, a cada esquina, nos garçons, nos ambulantes que me gritam "Hola Chica", "beautiful lady", "my color"... Negra nas comidas caribenhas, nas pinturas, nas vitrines, nos turbantes, assim como também é indígena, nas mesmas vitrines, nos muitos rostos nas calçadas, caminhando, vendendo, vivendo. Só que não existe luz intensa que não traga também sombras densas, e elas estão aqui. Na dureza de um Museu da Inquisição que rememora o Santo Ofício que, com seu medo do diferente, aterrorizou e vitimou mais de 4.000 pessoas - bruxas, erveiras, hereges, sodomitas, judeus, muçulmanos... A partir de uma pureza duvidosa, posta em causa apenas observando o mourisco presente nas construções espanholas. A Inquisição, a Reconquista, a escravidão, como o contracampo sombrio do horror que habitou e ainda escorre por esse chão que desavisada e alegremente pisamos hoje. A sorte nossa é que casa sorriso, cada corpo que se colore por esse amarelo e azul é um Palenque cotidiano, e que o calor do sol, o frescor das águas e o poder das folhas é sempre maior. Cartagena amarela, preta e azul, tão real e tão fantástica que se inscreve na pele pelo sal e suor dos dias. Tudo é outra coisa depois dela. Bel Melo Chegou ao cinema pelos caminhos dos afetos e da História. É Professora da UNEB, doutora em Meios e Processos Audiovisuais e pesquisadora de história do cinema. Já escreveu livro, plantou árvore, mas não tem filho. Gosta de uns filmes esquisitos, de livro impresso, ama abraço gostoso, olhar no olho, cozinhar, ouvir muita música, e às vezes vira modela pras migas artistas.
- abajur #03
Quadrinhos autorais por Brida. Pensamento proibido. Brida ''Abajur'' Vive e trabalha em Brasília. Procura observar o trânsito embolado dos pensamentos e explorar tragicomédias diárias através de tirinhas, animações, pintura e escultura. Curadoria de quadrinhos Nílbio Thé e Isabelle Prado
- A lista do lauro: anos 70 pra se ouvir#01
Anos 70! Uma década tão emblemática que é impossível esgotá-la, mesmo depois de cinco décadas. E pensando nisso a coluna novidades do passado tem um momento só pra ela com um especialista no assunto! Trata-se de Lauro Almeida que graças a tecnologia de ponta tem uma cáspula temporal estacionada em 31 de dezembro 1979 para que ele possa vislumbrar a a década inteira desde primeiro de janeiro de 1970. Diretamente dessa cáspula o Lauro todo mês vai nos presentear com uma lista de 10 discos que merecem ser descobertos (quando não redescobertos) por nós aqui do futuro. Aproveite a viagem! ÁLBUNS/DISCOS PARA (RE)DESCOBRIR/OUVIR: 10. CÉSAR COSTA FILHO - "BAZAR" (1977) - um dos grandes compositores que surgiram na viradas dos anos 70, seguindo a linha crônica e ácida de Gonzaguinha e Vitor Martins. Não alcançou o sucesso de seus colegas, mas deixou excelentes discos na década. É de sua autoria com Aldir Blanc a canção Ela, interpretada por Elis Regina em 1971, no álbum de mesmo nome. Até hoje nenhum álbum do artista foi editado em cd. Felizmente a RCA disponibilizou alguns discos de César Costa Filho no streaming. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Tigre de Papel, Consumatum Est, Assim Simplesmente. 9. HUDSON/FORD - "NICKELODEON" (1973) - obscuro duo de folk-rock, seguindo o caminho de Seals & Crofts e Loggins and Messina, com baladas e vocalises melódicos. Esse é o primeiro dos 4 álbuns lançados pela banda, que teve seu final em 1977. Originalmente gravado e lançado pela A&M Records, que já vinha apostando em artistas desse segmento, como Stealers Wheel e Supertramp. A faixa I Wanted You teve um relativo sucesso no Brasil em 1974, por ter sido incluída na trilha da novela O Rebu. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Crying Blues, I Wanted You, Pick Up The Pieces. 8. UMAS e OUTRAS - "POUCAS e BOAS" (1970) - o trio formado por Dorinha Tapajós, Malu Balona e Regininha gravou apenas esse álbum com um som que é uma mistura bacana de samba com Motown, releituras no estilo boogie-oogie dos anos 40 e muito balanço. Músicas de Joyce, Ivan Lins e a música tema de abertura da novela Pigmalião 70 escrita pelo irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle com Novelli especialmente para as meninas. Em 2015, o álbum foi editado em CD no Japão em uma edição limitada. ATENÇÃO NAS FAIXAS: No Nepal Tudo É Barato, Abraçe Paul McCartey Por Mim, Trem Noturno. 7. GLADYS KNIGHT & THE PIPS - "Pipe Dreams (Original Soundtrack) (1976) - surfando na onda das "cantrizes", como Liza Minnelli e Diana Ross, Gladys Knight se aventurou em Pipe Dreams atuando e cantando as músicas da trilha do filme, que nada tem de musical. Trata-se de um dramalhão romântico, típico da década. O filme não obteve sucesso mas a sua trilha trouxe um dos grandes hits da carreira da cantora, a lindíssima balada So Sad Song. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Nobody But You, I'll Miss You, So Sad The Song. 6. BIAFRA - "PRIMEIRA NUVEM" (1979) - primeiro álbum do cantor Biafra, bem diferente do estilo extremamente popular que o consagrou nos anos 80. Temos aqui um trabalho denso, crú, belo e bem executado. Como é sabido, o ano de 1979 é considerado mágico no mundo da música, com inúmeros artistas lançando seus primeiros discos (Marina, Elba Ramalho, Angela RôRô...) e também, claro, pela anistia e início da abertura política no Brasil. O debut de Biafra se encaixa perfeitamente nessa nova onda que surgiu. A faixa Helena foi o grande sucesso do disco, mas apenas como single. Primeira Nuvem é um álbum que merecia ter sido editado em cd, mas infelizmente até hoje permanece inédito no formato. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Bandido Solitário, Tardes de Viagem, Juriti. 5. RASPBERRIES - "SIDE 3" (1973) - banda que revelou o cantor Eric Carmen, do clássico hit All By Myself de 1975, Raspbeberries fazia um hard rock melódico, na linha do Badfinger e Humble Pie, com influência do blues e do rock dos anos 50. O primeiro álbum da banda trouxe o seu maior sucesso, a linda balada Don't Want To Say Goodbye em 1972. Para o lançamento do seu terceiro disco, a produção foi caprichada, com direito a uma capa texturizada e recortada, em formato de um pote cheio framboesas (raspberries em inglês). Milagrosamente, o lançamento do álbum no Brasil trouxe a capa nesse padrão também. Um detalhe curioso é que o disco foi gravado extremamente alto, nas raias da distorção, propositalmente, criando um ambiente de "ao vivo" em sua audição. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Tonight, On The Beach, I'm a Rocker. 4. TRILHA SONORA ORIGINAL DA NOVELA "FOGO SOBRE TERRA" (1974) - entre 1969 e 1975, as trilhas nacionais das novelas da Rede Globo foram encomendadas aos grandes nomes da nossa música (Marcos Valle, Roberto Carlos, Zé Rodrix entre outros). Em 1973, a dupla Toquinho & Vinícius de Moraes foi convidada para desenvolver a trilha da primeira novela em cores da emissora: O Bem Amado. O sucesso foi imediato e até hoje é considerado um dos melhores discos do gênero. Devido a isso, no ano seguinte a dupla foi novamente requisitada, agora para a trilha da novela Fogo Sobre Terra. Dividido com o cantor Ruy Maurity, que aparece cantando 5 composições de sua própria autoria, o álbum conta com apenas uma faixa cantada por Toquinho & Vinícius (Como É Duro Trabalhar). As outras canções são executadas por Marília Barbosa, MPB-4 e Quarteto em Cy, Betinho e Djavan, ainda no começo de sua carreira, antes mesmo de gravar seu primeiro disco. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Uma Rosa em Minha Mão, Calmaria e Vendaval, Com Licença, Moço. 3. ETTA JAMES - "ETTA JAMES" (1973) - já consagrada nos anos 60 por gravações antológicas como At Last e I'd Rather Go Blind, fixadas com estrelas no mural dos standards da música americana, Etta James iniciou a nova década mergulhando no soul e no funk, movimentos em voga naquele período. Divas do jazz e do blues também se aventuraram nesse caminho, como Ella Fitzgerald e Carmen McRae. Etta, uma das maiores potências vocais de todos os tempos, foi além. No seu álbum homônimo de 1973, não se limitou ao groove e reverenciou o pianista trovador Randy Newman em 3 faixas, incluindo o seu clássico Sail Away. O clima misterioso e super bem elaborado de All The Way Down se tornou o grande hit do trabalho, que merece ser (re)ouvido com atenção. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Leave Your Hat On, All The Way Down, Only A Fool. 2. PAULINHO DA COSTA - "HAPPY PEOPLE" (1979) - um dos nossos maiores instrumentistas, reconhecido internacionalmente e com participações em álbuns de Michael Jackson, Aretha Franklin e Madonna entre mais de mil outros, Paulinho da Costa gravou apenas 6 discos solos, entre 1977 e 1991. No auge do movimento DISCO, em 1979, lançou pela gravadora Pablo (especializada em jazz), um álbum super dançante e, como não poderia deixar de ser, magistral. Um time de peso o acompanhou, com a presença mais do que especial de Phillip Bailey, vocalista da banda Earth, Wind & Fire, nos vocais da faixa Deja Vu. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Happy People, Carnival of Colors, Deja Vu. 1. MARISA - "MARISA" (1974) - também conhecida como Marisa Gata Mansa, a cantora vinha desde os anos 50 lançando discos, passeando pelo bolero, o samba-canção e a dita "fossa". Com um timbre grave e melancólico, Marisa chegou ao sucesso em 1973, com a inesquecível gravação de Viagem, uma parceria de João de Aquino com Paulo César Pinheiro. No seu álbum de 1974, a cantora seguiu com o mesmo requinte, escolhendo canções densas e de forte apelo emocional, como a faixa que abre o lado B, a pungente Aldebarã de Sueli Costa e Tite Lemos. Um disco pra se ouvir com o coração, de preferencia sozinho... e no escuro. ATENÇÃO NAS FAIXAS: Chuva, gente e Carnaval , Confetes o Samba que eu lhe fiz. Lauro Almeida Amante de música desde criança, colecionador de discos, dj e curador musical, aficionado nos anos 70 e em suas vertentes. Do clássico ou obscuro, do compacto de vinil ao cd.
- território marginal #04
O Homem com uma Dor. Um quadrinho de Vitor Batista Vitor Batista: é cartunista, designer e arquiteto, nasceu em Barbalha (CE) em meados de 1981, acredita nas três partes da filosofia universal e fica puto quando confundem ele com um gringo. Curadoria de Quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado
- Território marginal #03
O Ser Bipolar. Um quadrinho de Vitor Batista. Vitor Batista: é cartunista, designer e arquiteto, nasceu em Barbalha (CE) em meados de 1981, acredita nas três partes da filosofia universal e fica puto quando confundem ele com um gringo. Curadoria de Quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado
- Seu Bichinho
Eu prometi que não ia falar sobre política. Mas também prometi que seria contraditório. Oh, seu bichinho O que é que foi fazer You made a fool of everyone E avacalhou de vez Com o futuro da nação Oh, seu bichinho Como é que vai ficar Quantas cabeças vão rolar Pra fichinha cair Na cabecinha que restar Não dá uma dentro Toda entrevista é um tormento Hashtag machista Hashtag fascista Hashtags muitas mais Pega tua frota e sai pra lá Deixa-me aqui quieto em meu lugar Leva todo o comitê Já imaginou o fuzuê Se todos fossem no mundo Iguais a você Oh, seu bichinho Agora eu era um herói A minha arma é um violão Cabeça-chata Boy E eras tu o arquivilão Oh, seu bichinho Que marmelada foi O kit que te apavorou De que armário foi Que essa notícia tu tirou Teje só passando É melhor não ir se acomodando Morde, mas não late Verás que um filho teu foge ao debate Amante das artes Filósofo nato Um lorde, só que não Queres sempre tão bem à tortura Desde que no outro seja a dor Saudoso, afaga a ditadura Desde que sendo o ditador Sem fraquejar, sem frescura Ponho a boca no trombone Já começaste a tortura Ao sacar o microfone
- Top 14 jogos para entrar no mundo dos jogos de tabuleiro modernos.
Olá, meus amigos. Pensando nesse nosso começo de relacionamento, resolvi iniciar essa conversa com vocês apresentando 14 jogos que seriam interessantes para que busquem e tenham um primeiro contato agradável sem demorar tanto assim na etapa “aprender regras”. E pensando que somos todos iniciantes aqui, dividi entre jogos com poucas regras e bastante interação, e os últimos 4 já são com um tantinho mais de regras para que os senhores possam começar a se aventurar melhor. A ordem aqui vai de “menor quantidade de regras” para os de “maior quantidade de regras”. E um outro critério utilizado foi que todos os jogos aqui desta lista já têm a sua edição localizada, então é totalmente possível encontrá-los nas lojas brasileiras e com manual em português. 14 – Dixit (2 – 6 Jogadores) Dixit é o típico jogo que mesmo aquele seu amigo mais resistente a “joguinhos” vai pedir pra repetir; a mecânica principal do jogo gira em torno de dedução, então se você é do tipo que curte tentar entender a cabeça do amiguinho, com certeza vai amar o jogo. No jogo, todas as cartas possuem artes belíssimas e bem “loucas” em que os jogadores irão se organizar para um "advinhar a carta do outro" através de dicas. 13- Coup (2 – 6 jogadores) Coup também é um jogo que tem praticamente só cartinhas, mas o espírito é um tantinho diferente, aqui você e seus amigos irão dialogar para eliminar os seguidores uns dos outros através de blefes e intrigas, até que reste somente um jogador. Aqui temos um jogo de bastante dedução e análise dos participantes, super recomendável para grupos de amigos que gostam de se sacanear no “UNO” mas querem se aventurar por novas águas. 12– Santorini (2 – 4 jogadores) Santorini é um jogo lindo com regras bem objetivas e simples. Na prática você apenas mexe o seu bonequinho e constrói um pedaço de estrutura. Fácil né? O charme do jogo reside em algumas cartinhas de deuses e monstros gregos que nos auxiliam a construir e a impedir o nosso oponente de construir. 11– The Climbers (2 – 5 jogadores) The Climbers é um joguinho de escalada de montanha, veja bem. Mas escalada de montanha? E isso é legal? Ué, claro que sim, além de escalar a montanha na frente dos seus amigos, você ainda vai alterando a montanha no meio do processo criando toda uma plataforma e estrutura em 3D, super lindo na mesa e quanto mais amigos pra juntar, mais divertido fica. 10– Sugar Gliders (2 – 4 jogadores) Sugar Gliders é o típico joguinho simples, quase infantil, que fica cada vez mais legal a medida que os jogadores vão ganhando experiência nele. Aqui nós somos esquilinhos voadores em busca de comida e aquele que conseguir coletar mais comida vence, simples assim. A graça fica em como fazemos isso, escolhas lógicas e tomadas de decisão em busca das melhores rotas nos fazem pensar bem em um joguinho aparentemente bobo. 9 – Hive (2 jogadores) Hive entra na lista para aqueles que gostariam de conhecer uma versão moderna e alternativa para o xadrez/dama da vida. Em Hive nós precisamos utilizar um exército de insetos para proteger a nossa rainha do time inimigo. Com movimentações bem peculiares, assim como no xadrez, o Hive acaba se tornando bem estratégico e super divertido. 8 – Azul (2 – 4 jogadores) Em Azul você e seus adversários irão competir para ver quem lajota primeiro um muro português. Pois é meus amigos, jogos europeus têm bastantes dessas temáticas “peculiares” mas garanto que a mecânica e organização para tomadas de decisões geram momentos bem descontraídos e por vezes até tensos entre os jogadores. 7– Fórmula D (2 – 10 jogadores) Quem nunca quis pilotar um carro de Fórmula 1? Pois bem, em Fórmula D você vai correr em um circuito disputando uma corrida com tudo que tem direito, passar marcha, troca de pneus e ultrapassagens emocionantes, tudo vai depender de o quão ousado você se dispõe a ser. 6 – Bang: Dice (2 – 8 jogadores) Mais um jogo de intriga aqui para as senhoras e os senhores: Bang, o faroeste de cartinhas tradicionais, já é um tanto conhecido pelo público brasileiro por ter sido comercializado por essas bandas pelos anos 2000, mas nessa edição com dados, o jogo se torna bem mais dinâmico e divertido, trazendo todas as características do jogo original em descobrir quem são seus aliados e inimigos a medida que o jogo flui, só que mais rápido. 5 – The Manhattan Project: Chain Reaction (2 – 4 jogadores) Bem, se você já ouviu falar do Projeto Manhattan já deve saber do que se trata o jogo, mas caso não conheça: aqui você vai criar uma bomba atômica. Este jogo possui uma versão maior e bem mais complexa, mas como o nosso foco aqui são jogos simples, trouxe aqui o Chain Reaction que é um jogo só de cartas, mas com a mesma temática de criar bombas. É um jogo extremamente inteligente quanto ao gerenciamento de cartas que ele propõe, vale a pena conferir. 4 – When I Dream (4 – 10 jogadores) Querem jogos fofos também? Aqui temos, vamos brincar de adivinhar o sonho alheio através de dicas e sugestões; o jogo é bem charmoso por ser um jogo semi-cooperativo, ou seja, de um time contra o outro, então, no meio das dicas, surgem algumas bem nada a ver pra confundir a cabeça da pessoas, o que torna o jogo bem divertido, principalmente se quem está tentando adivinhar, curtir, viajar na maionese. 3 – Viral (2 – 5 jogadores) Em tempos de vírus em alta, aqui em Viral nós vamos representar vírus atacando o corpo humano, e nossos oponentes serão outros vírus fazendo a mesma coisa, então acabamos por nos destruir e traçar o melhor modo de nos espalharmos no corpo, com mecânicas interessantes de controle de área e planejamento de ação. Surpreenda-se com as ações dos seus oponentes e as vezes mostre a eles o quanto você consegue se antecipar aos seus movimentos. 2 – Takenoko (2 – 4 jogadores) Provavelmente o jogo mais bonitinho desta lista, Takenoko é um jogo de cumprir objetivos utilizando bonequinhos de panda e bambus, o tabuleiro deste jogo fica extremamente bonitinho à medida em que o jogo vai evoluindo. Então gerencie as ações que você vai fazer e torne o seu panda feliz comendo os bambus e fazendo pontos. 1– Tiny Epic Galaxies (2 – 4 jogadores) Explorar a galáxia é o que você gosta? Pois bem, esse jogo vai suprir perfeitamente as suas necessidades em se achar explorando o espaço e com mecânicas mais simplificadas. A série Tiny Epic é conhecida por criar jogos de caixas pequenas e regras que ficam entre o básico caminhando para o mais avançado. Então ele fica aqui na última colocação porque se você chegou até aqui, já está no ponto de partir para novos horizontes. Luiz Pedro Reis Pinheiro Paraense de nascença e cearense de coração, é um genuíno millenial. Adora tanto jogo, que se formou e especializou na área e utiliza este meio como forma de vida e evolução enquanto gente. Mesmo sem querer, ou não, vive em constante mudança, muda de casa, muda de cidade, muda de personalidade, muda de ideia, só procura nunca mudar a sua base. Tirando isso, o que vier de novidade apresentado pelo mundo, aceita de bom grado. Atualmente trabalha como professor universitário e game designer. Sempre que aparece algum projeto legal, tenta se focar em projetos educativos e sociais com o ideal em utilizar os jogos para a evolução das pessoas.
- A mina da Roupa de borracha #02
Uma história em quadrinhos de Dona Dora. Dona Dora Nascida no Rio e criada na Ceilândia-DF, foi estudante de escolas públicas e formada em Artes Plásticas pela UnB - Universidade de Brasília. Em 2013, passou a produzir quadrinhos participando de eventos marginais ou feiras de coletivos de produção independente Zines. Desde então faz uns desenhos diferenciados, pinta quadros, faz quadrinhos e atualmente dá aula de Artes para o Ensino Médio. Curadoria de quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado.
- Argonautas Interpretam Edu Lobo
Nosso terceiro disco, quisemos fazer sobre Edu Lobo. Só músicas dele. Eu queria gravar umas 30, mas claro que ficava muito grande. E, mesmo com as 16 finais, ele ficou grande, ainda. Você pode encontrar o disco todo aqui. Jogo 3 (Edu Lobo) - essa ele fez para o balé "Jogos de Dança", em que todas as peças são instrumentais. São 6 Jogos, e o terceiro é o que chama mais atenção, porque sobre ele foi colocada uma letra (de Chico Buarque) e seu nome mudou para "Meu Namorado". Mas fizemos a instrumental, mesmo. Choro Bandido (Edu Lobo e Chico Buarque) - é a minha favorita ao lado da "Valsa Brasileira". Eu canto e faço violão. Pra Dizer Adeus (Edu Lobo e Torquato Neto) - uma canção de adeus que, depois que o letrista cometeu suicídio, anos depois, adquiriu um sentido muito diferente. É a única faixa do disco em que tem guitarra. A Permuta dos Santos (Edu Lobo e Chico Buarque) - luxuosamente cantada pela Mônica Salmaso. Canção do Amanhecer (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) - canto essa, com um arranjo simples, mas que me agrada. Meia-Noite (Edu Lobo e Chico Buarque) - quem canta é o Edu. Fui até o Rio gravar a voz dele. Podia ter gravado remotamente? Podia, mas eu não ia perder a oportunidade de trabalhar com o ídolo. Beatriz (Edu Lobo e Chico Buarque) - tem a participação do meu irmão, Leonardo Torres, ao piano. Imagino que as pessoas estranhem ela ser cantada tão quadradinha, mas essa foi a ideia. A tendência de todo cantor é de, não só fazer rubatos, mas os rubatos do Milton. Fiz mais ou menos como está no Songbook. Forrobodó (Edu Lobo e Chico Buarque) - essa música simpática, eles fizeram para o filme "O Xangô de Baker Street", de 2001. Não é conhecida, e nenhum dos dois gravou, até onde eu sei. Sobre Todas as Coisas (Edu Lobo e Chico Buarque) - essa, que tem na versão de Gilberto Gil a gravação perfeita, gravamos com Renato Braz. Ele cantou lindamente. Valsa Brasileira (Edu Lobo e Chico Buarque) - junto a Choro Bandido, a minha favorita. O arranjo é meio baldio, ermo, com clarinete, piano, baixo e voz. Ficou do jeito que eu queria. A Moça do Sonho (Edu Lobo e Chico Buarque) - Edu e Chico fizeram para a peça Cambaio, em 2001. No disco Cambaio quem canta é o Edu, num arranjo luxuoso, com cordas, flugel e banda. Já o Chico gravou só voz, violão e violoncelo. Aí eu fiz essa versão com violão e voz, mas cantando na métrica do Edu Lobo (Chico mexeu na métrica toda). O Circo Místico (Edu Lobo e Chico Buarque) - o Bob (Ayrton Pessoa) cantou e tocou piano e acordeon nessa daqui. Super delicado. Ave Rara (Edu Lobo e Aldir Blanc) - pra essa nós fizemos um arranjo de samba, mas é o samba mais sério que eu já ouvi. Canta o Marco Forte, um querido amigo cearense radicado no Rio. No Cordão da Saideira (Edu Lobo) - essa é a única com letra do próprio Edu. É linda, e eu sempre quis gravar. Opereta de Casamento (Edu Lobo e Chico Buarque) - pouca gente grava essa música genial. Não sei bem por quê. Corrupião/Ode aos Ratos (Edu Lobo / Edu Lobo e Chico Buarque) - pra encerrar, chamamos o flautista Heriberto Porto, que gravou na transversa normal e na baixo. O disco contou ainda com a participação inestimável de Luiz Orsano, o engenheiro de som, que é um baita baterista e percussionista. Acontece que bem na fase final do disco, o baterista e percussionista dos Argonautas, Igor Ribeiro, teve que viajar e passou uns 2 meses fora.
- Doce infância
Bom gente, hoje eu vou fazer minha estréia no site falando um pouco de mim. Eu era garçonete e, de repente, me encantei pela coquetelaria. Eu fiquei impressionada porque percebi uma coisa: muitas das reduções, xaropes e praticamente todas as misturas que eu via sendo feitas no bar lembravam a minha infância e a minha mãe, porque sempre que a gente ficava doente ela aparecia com algum xarope caseiro que ela mesma fazia com ervas que ela apanhava do nosso quintal. Então aquele mundo ali eu meio que já conhecia. E o mais legal que a coquetelaria sustentável, que é o que eu faço desde que virei bartender é exatamente isso, uma volta pras raízes. Tirar uma coisa da horta e colocar no copo do jeito mais curto possível. Então vou aqui ensinar um coquetel que fiz justamente em homenagem à minha mãe (e por isso o nome dele é Doce Infância) e que foi premiado na edição de 2016 do Ilha Drinks em Fernando de Noronha onde eu moro e me inspiro para criar meus drinques. Doce Infância 50 ml de cachaça 20 ml de uma redução de hibisco com canela 25 ml de sumo de limão siciliano Adicionar todos os insumos na coqueteleira e bater por 20 segundos. Sevir em uma taça de Martíni e, como guarnição, uma rodela de limão desidratado Beba com moderação! Até a próxima com mais receitas! Cintia Maria Lopes Bartender em Fernando de Noronha especialista em Coquetelaria sustentável. Amante da natureza torcedora do sport rubro-negra doente.
- A mina da roupa de borracha #01
Um quadrinho de Dona Dora. Dona Dora Nascida no Rio e criada na Ceilândia-DF, foi estudante de escolas públicas e formada em Artes Plásticas pela UnB - Universidade de Brasília. Em 2013, passou a produzir quadrinhos participando de eventos marginais ou feiras de coletivos de produção independente Zines. Desde então faz uns desenhos diferenciados, pinta quadros, faz quadrinhos e atualmente dá aula de Artes para o Ensino Médio. Curadoria de quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado.
- Disco - Labyrinth de Khatia Buniatishvili
A georgiana Khatia Buniatishvili é uma daquelas pianistas modelos. Porque toca muito bem, certo. Mas também porque é sexy e explora isso na construção da sua persona. Não vejo nada de errado. Tive um professor que estudou com ela no Conservatório de Tblisi, ele diz que ela sempre foi assim. Pelas entrevistas que eu vejo, ela deve ser muito simpática. Mas o que importa é que toca piano como ninguém. E acaba de lançar um disco novo, Labyrinth, só com souvenirs. Peças que ela tocaria num bis. Vários pianistas lançam esse tipo de disco: Nelson Freire - Encores; Andras Schiff - Encores After Beethoven; Yuja Wang - Berlin Recital Encores; Denis Matsuev - Encores etc. São todos fantásticos, e têm a mesma proposta. Trazer peças conhecidas numa espécie de coletânea meio lounge. Mas o disco de Khatia é maravilhoso. Aos 33 anos (2020), ela já não precisa mais provar nada sobre sua técnica. Ela é a queridinha do mundo do piano, junto com Yuja Wang. Então, o disco é bem relaxado. O repertório me lembra a minha infância, porque tem peças que eu escutava a minha mãe ensaiando, como Les Barricades Mystérieuses, do barroco François Couperin; ou a Gymnopedie Nº 3, de Erik Satie. É um disco de clima, que inclui música de cinema: Deborah's Theme de "Era uma Vez na América", de Ennio Morricone; ou I'm Going to Make a Cake, de "The Hours", de Phillip Glass. Um disco desses, se fosse ter uma peça de Chopin, seria exatamente o Prelúdio Nº 4, em mi menor. Se fosse ter um Liszt, seria a Consolação Nº 3. E tem. De Rachmaninoff, temos a Vocalise, uma belíssima melodia que ele compôs tanto para orquestra quanto para piano solo. Temos ainda uma versão nada brasileira, mas muito musical da Valsa da Dor, de Villa-Lobos. Essa música dá arrepios. E Khatia toca com carinho. A mais estranha é 4'33'' de John Cage. Que consiste em 4 minutos e 33 segundos de silêncio. Não faz meu estilo. Muito monótona. (Na verdade, é mais uma declaração do que uma música. Depois escrevo sobre ela.) De Bach temos a Ária na Corda Sol (ou Ária na 4ª Corda), de sua Suíte Orquestral nº 3. Temos também a Badinerie, num arranjo curtinho que ela toca com sua irmã, Gvantsa Buniatishvili (também tocam juntas Pari Intervallo, de Arvo Pärt). O disco encerra com o célebre Adagio do concerto para oboé em Ré menor de Marcello, transcrito para piano por Bach. Podia ser mais um disco com nome misterioso e vago, mas sem substância. Afinal, o repertório é clichê, mas Khatia não faz concessões, não faz rubatos demais, não toca mais lento pra comover. Parece que você entregou uma partitura pra ela e ela lhe devolveu toda colorida. https://open.spotify.com/album/5YuoyZkNZRLYISzFh7cS7e?si=WCfGkFe9REelv3qaZke6WA
- Desenho Coisinhas #03
Por Lele Reis Curadoria de quadrinhos Nílbio Thé e Isabelle Prado. Lele Reis Meu nome é Lele, eu desenho coisinhas e não tenho interesse suficiente em mim mesma ou no meu trabalho pra dizer qualquer coisa além disso! :-D
- Great Pianists of the 20th Century
Em 1998 e 1999 a Philips lança o maior projeto fonográfico da história. A caixa Great Pianists of the 20th Century. Os discos duplos custavam, à época, exorbitantes 50 reais. Que na época valiam 50 dólares! Não me pergunte onde eu arranjava esses reais. Foi assim, escolheram 72 pianistas e os organizaram em 100 volumes. Isso porque, embora a maioria tivesse apenas 1 volume, alguns tinham 2, como a Martha Argerich, o Walter Gieseking e o Friedrich Gulda. Outros chegavam à marca de três volumes: Vladimir Horowitz, Emil Gilels, Sviatoslav Richter, Claudio Arrau, Alfred Brendel, Arthur Rubinstein... Eram 100 volumes duplos, ou seja, 200 CDs. E cada CD tinha cerca de 80 minutos, o que até então nós considerávamos impossível: sabíamos que os CDs tinham sido projetados para comportar 74 minutos de música (quando a Sony e o maestro Herbert von Karajan estavam idealizando o formato do CD, chegaram a esse número pensando na duração da 9ª Sinfonia de Beethoven). Eu e meu irmão passávamos horas discutindo sobre as gravações, algumas tão perfeitas que é difícil hoje achar iguais. Claro que, numa seleção de 72 não podiam caber todos os pianistas notáveis do século, e as ausências mais notáveis foram: Guiomar Novaes, Emanuel Ax, Philippe Entremont, Ferruccio Busoni etc. Mas era graças às inclusões que ficávamos sabendo de intérpretes do piano sobre os quais dificilmente ouviríamos falar de outro modo. Sofronitsky, Solomon, Bruk e Taimanov, Fischer, Friedman e tantos outros. Era difícil, na época, acharmos discos de Nelson Freire, por exemplo. Ainda mais Alfred Cortot. Aí veio a coleção e trazia não só gravações remasterizadas como, muitas vezes, inéditas. As lojas de disco tinham uma seção para música clássica, e nelas sempre tinha vários volumes. Havia aqueles que eram fáceis de achar: Argerich, Arrau, Horowitz, Nelson Freire; e outros que não achamos nunca. Tinha, na Amazon americana, a caixa com todos os volumes. Era 2.500 dólares. Ainda hoje, sempre tem lá. E pelo mesmo preço. Eu tenho 32 volumes, porque continuo comprando até hoje. Os outros eu consegui baixar, na época. Com os encartes e tudo. O que não me impede de comprar quando os encontro. As gravações que mais me chamaram atenção foram: Nelson Freire - Fantasia em Dó, de Schumann e das Terceiras Sonatas de Chopin e Brahms; Martha Argerich - Concertos para Piano Nº 3 de Rachmaninoff e Prokofiev e o Concerto em Sol, a Sonatina e Garspard de la Nuit, de Ravel; Michelangeli - os Prelúdios de Debussy; Horowitz: a Kreisleriana e a 3ª Sonata de Schumann; Gilels - a 8ª Sonata de Prokofiev; Weissenberg: os 3 Movimentos de Petrushka, de Stravinsky e as Estampes, de Debussy (na verdade, acabei de perceber que vou ficar o dia todo aqui, de modo que vou parar agora). Aconselho a você pesquisar sobre esta coleção e sair atrás de escutar algumas dessas gravações. Infelizmente os discos não podem ser encontrados no Spotify nem no iTunes, exceto alguns poucos. Mas os encartes, responsáveis por grande parte da graça, só se você compra-los no mercado de usados.
- Preconceito contra música clássica
É muito presente na nossa cultura a imagem do apreciador de música clássica ranzinza, arrogante, que se julga superior etc. Recentemente vi uma esquete no YouTube em que o ator interpretava dois personagens: um sujeito que tocava casualmente um jazz no piano; e um passante que o reprovava. Com fala pomposa e sotaque britânico, ele falava coisas como "academicamente incorreto"... Nos comentários, eu postei que quem gosta de música clássica mais sofria preconceito do que o praticava. Outro canal de YouTube que contribui para essa imagem, embora sob o pretexto de difundir a música clássica, é o do Lord Vinheteiro. Ele faz crítica feroz e, a meu ver, deselegante, da música pop, do funk etc. A nós, os divulgadores de música clássica, não cabe discorrer sobre os defeitos de outras músicas, mas mostrar e ajudar a apreciar os encantos da erudita. A imagem do playboyzinho, com blusa polo e casaco de lã em torno do pescoço, está mais próxima da de um jogador de golfe do que da de um músico. (E agora, eu mesmo fui preconceituoso.) O apreciador de música erudita é uma pessoa comum que, na infância foi apresentada a essa música e apaixonou. Ela é irresistível, porque é mágica, cria os efeitos mais impossíveis e nunca acaba. Você não esgota o repertório. Não, mesmo: para dar conta, você tem que se especializar - no meu caso, gosto principalmente de música orquestral e para piano dos séculos XIX e XX. Gosto também de música barroca e não curto muito ópera. Eu lembro que, na adolescência, eu praticamente precisava pedir perdão quando revelava gostar da coisa. Porque me lançavam um olhar de estranheza, misturado com respeito, misturado com falta de respeito, despeito... E, vejam, apesar disso, meu trabalho é com a música popular. A chamada MPB. Componho sambas, xotes, cantigas, baiões, valsas... E, como gosto de música erudita, meu interesse sempre foi deixar as minhas músicas mais instigantes. Mas não digo que esse seja o jeito correto de se fazer música. Vou deixar bem claro: eu considero a música erudita, em alguns quesitos, melhor que as outras (mas não há uma competição para saber qual música é "melhor" que a outra, e isso não é importante). O que eu não acho é que eu sou superior às outras pessoas por gostar dela. De fato, acredito que grandes seres humanos podem curtir a música mais pobre possível. Os metaleiros se orgulham muito da sua escolha musical e eu já vi alguns esculhambarem os "forrozeiros". Sem saber que a música que escutam pode ser tão simples quanto a outra. E não há nada de errado em uma ou na outra. Até a música erudita pode ser simples. E digo "pode" no sentido de "ter direito de", também. Não se peca por simplicidade. Agora, se você já soltou que música clássica é "elitista", vá lavar sua língua com sabão - eu aguardo. Amigo, já entrei em concertos da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), em São Paulo, por 30 reais. E tem dia de ensaio, quando a entrada é gratuita. Um abadá pro Fortal, festival de trios elétricos de música baiana aqui em Fortaleza, quando eu era pequeno, custava 1.000 reais, varrendo o resto da multidão pra "pipoca". Quer segregação maior? A verdade é que a desculpa do "elitismo" não cola. Seja qual for a música que você queira escutar, inclusive erudita, sempre vai poder. Tem concertos completos de virtualmente todo o repertório ocidental no YouTube. Mais democrático não se pode. No meu mundo ideal, as pessoas gostam do que quiserem, mas são, eventualmente, expostas à música clássica, com cuidado e sem preconceito. Sim, vou falar sobre o cuidado. Há quem diga que para ouvir música erudita, basta escutar. Não concordo. Precisa (ou ao menos melhora depois) de algum esforço, leitura sobre o assunto e interesse. Este último, se você tem certeza que não tem, melhor ficar no seu estilo, mesmo. É um gosto legítimo. O que não devemos é categorizar seres humanos com base em suas preferências musicais. Os músicos e amantes da música erudita são pessoas geralmente simples e amigáveis. Não tenha desrespeito por quem prefere uma música que exige certa dedicação. Seu medo de que essa pessoa lhe julgue fará com que você se torne o julgador.
























