top of page
  • Foto do escritorRafael Torres

Sinfônica de Chicago - As Melhores Orquestras do mundo 5

A melhor orquestra estadunidense, na minha opinião, é a Sinfônica de Chicago. É uma orquestra primorosa, com instrumentistas solistas respeitados e uma linhagem de maestros que permaneceram um bom tempo a liderar o conjunto.


A Orquestra de Cleveland, que quase empata com ela, é um pouco mais precisa e leve, mas a de Chicago tem a famosa seção de metais, supostamente, a melhor do mundo.


As madeiras, é verdade, embora compostas por virtuoses, têm uma leve dificuldade de afinar. Isso fica evidente nas gravações, mas não incomoda.

Como instituição, a Sinfônica de Chicago tem, ainda, o Coro Sinfônico de Chicago e a Orquestra Cívica de Chicago (uma orquestra de aprendizes).


Quero lembrar que, entre 1995 e 2004, o oboísta brasileiro Alex Klein foi primeiro oboísta da Sinfônica. Alex saiu do cargo após ser diagnosticado com Distonia Focal. Mas, em 2016, ele retornou à orquestra por mais um ano.


Sinfônica de Chicago no Symphony Hall
Sinfônica de Chicago no Symphony Hall.

 

A Orquestra


Fundada em 1891, em um período em que estavam surgindo várias Orquestras Sinfônicas nos EUA e na Europa, a Sinfônica de Chicago já foi uma das "Big Five"(um grupo selecionado pelos críticos como as maiores orquestra dos EUA, que consistia em Orquestra de Filadélfia, Orquestra de Cleveland, Orquesra Sinfônica de Boston, Orquestra Filarmônica de Nova Iorque e a própria Chicago). Essa denomimação foi abandonada com os anos, pois outras orquestras americanas: Sinfônica de San Francisco, Filarmônica de Los Angeles, Sinfônica de Atlanta, Sinfônica de Pittsburgh, Orquestra de Minnesota e muitas outras, foram aparecendo com níveis excelentes e aí já não cabia mais uma tão americana hierarquização; Mas a verdade é que as "Big Five" permanecem. Talvez a de Filadélfia e a de Nova Iorque tenham enfraquecido. Mas é só.


O primeiro concerto da Sinfônica de Chicago foi em 16 de outubro de 1891. Trata-se de um conjunto preciso, afiado, que quando quer tocar forte, a sala treme e tem, como já disse, a melhor sessão de metais dos EUA. Agora veja:


Cordas: Robert Chen é seu spalla; na Viola Principal, temos Li-Kuo Chang; o Violoncelo Principal é Jonh Sharp (e também Kenneth Olsen); o Contrabaixo Principal é Alexander Hanna; Lynne Turner fecha a sessão, na Harpa. Metais: na Primeira Trompa temos David Cooper e Daniel Gingrich (eles se alternam); o Primeiro Trompete é Esteban Batallán; o Primeiro Trombone é Jay Friedman e o Trombonista Baixo é Charles Vernon; na Tuba, Gene Pokormy. Agora vamos às Madeiras. Na Primeira Flauta, está Stefán Ragnar Höskuldsson; no Flautim, Jennifer Gunn; o Primeiro Oboé é William Welter; no Corne Inglês temos Scott Hostetler; no Primeiro Clarinete temos Stephen Williamson; alternando no Primeiro Clarinete e também no Clarinete em Mi Bemol, Jonh Bruce Yeh; no Primeiro Fagote alternam-se Keith Buncke e William Buchman e no Contrafagote, Miles Maner. Percussões: nos Tímpanos temos David Herbert e Vadim Karpinos e nas Percussões em geral, temos Cynthia Yeh e Patricia Dash.


Um fato que preocupa muito as orquestras (e a mim) é a proporção homens/mulheres. Na Sinfônica de Chicago, de um total de 91 músicos, 36 são do sexo feminino. Pouco mais de um terço. Para falar a verdade, é até uma evolução em relação ao Século XX, em que a Filarmônica de Viena simplesmente vetava mulheres; em que o regente Herbert Karajan, ao tentar emplacar a clarinetista Sabine Meyer na Filarmônica de Berlim, encontrou forte resistência e sofreu irreparável desgaste; em que a reputadíssima trombonista Abbie Conant foi sucessivamente boicotada depois de ter conquistado o papel de Primeira Trombonista da Orquestra Filarmônica de Munique, em uma audição às cegas. Problemas surgiram quando descobriram que a Primeiro Trombonista era mulher. Os outros trombonistas disseram que seu período probatório tinha terminado e a ofereceram a vaga de Segundo Trombone. O maestro Sergiu Celibidache não parava de aborrecer a moça e, dois anos depois, a colocou no cargo de Segundo Trombone (nada contra segundos trombonistas, mas é um cargo subalterno ao primeiro e ganha consideravelmente menos, sem falar que o primeiro de cada naipe tem que ser aquele que toca melhor). E ela passou na vaga de Primeiro Trombone. Na audição às cegas, em que os julgadores não veem o candidato, ela foi aprovada como a "esmagadora primeira opção".


Na Sinfônica de Chicago o caso não é tão alarmante, pelo menos não o fato de as mulheres serem minoria. O que preocupa é que nenhuma delas ocupe posição de liderança, sendo sempre relegadas às últimas cadeiras. Isso é um crime e saber que mulheres que tocam melhor que homens estão perdendo vagas para eles é simplesmente frustrante.


Voltando ao asssuto, orquestra é famosíssima desde a época de Fritz Reiner (anos 50). A sessão de metais é glorificada (por lá, os admiradores conhecem o nome de cada músico deste naipe), desde os mesmos anos 50.


É uma orquestra áspera (em comparação com as européias "de veludo"). Os instrumentistas individualmente são excelentes. Eles têm boas cordas, excelentes metais, percussão igualmente excelente e apenas dois problemas, como já mencionei: as cordas são meio rudes e as madeiras, em conjunto, tendem a desafinar um pouco.


No ano 2000 a Sinfônica de Chicago participou, com o maestro James Levine, de quase todo o filme Fantasia 2000, uma espécie de continuação do clássico Fantasia, de Walt Disney, 1940 (na primeira vez, com a Orquestra de Filadélfia, sob a regência de Leopold Stokowski).


 

O Festival de Ravinia


A Sinfônica de Chicago participa, anualmente, do Festival de Ravinia, que acontece em Highland Park, a 40 km de Chicago. O festival apresenta cerca de 150 atrações e atrai um público de 600.000 pessoas. Ravinia é o nome do espaço, que contém salas de concerto e recital e muito espaço ao ar livre.


O Festival acontece nos verões (várias orquestras têm isso, um lugar que as acolha no verão, já que, no inverno, o grupo volta à sua sede e toca em sua sala de concertos usual) e engloba apresentações de música clássica, jazz e teatro.


Fundado em 1904 como um parque de diversões, o local ainda abriga construções da época. O Martin Theatre, um belo teatro de recital, é uma sala mediana, voltada a recitais de piano ou de música de câmera. Abriga 850 pessoas.


O Martin Theaterr.

A orquestra se apresenta em um lugar chamado O Pavilhão, que tem capacidade para 3.350 pessoas e foi todo readequado na parte acústica, iluminação e na estrutura mecânica. E, como podem ver, é um local semiaberto e com sutilezas tropicais.


Nos anos 1920 o festival se aventurou pela ópera, mas essas incursões, caríssimas, acabaram por acarretar, entre 1930 e 1934, problemas financeiros. E foi só em 1936 que a Sinfônica de Chicago passou a ter residência permanente no Festival. Se bem que, desde 1906, eles passaram a perambular por lá com frequência.


O Pavilhão.

 


Orchestra Hall (a sala de concertos)


Em Chicago, a orquestra se apresenta no Orchestra Hall (com 2.522 acentos), que faz parte, hoje em dia, de um complexo cultural chamado Symphony Center. O Orchestra Hall também foi construido em 1904 e é estranho pensar que, durante os anos 1910 ele foi utilizado como sala de cinema para poder se manter durante os meses em que a orquestra estava no Festival de Ravinia.


A sala foi encomendada pela orquestra a um famoso arquiteto. A ideia é que o nome dela fosse "Theodore Thomas Orchestra Hall" (nome do primeiro diretor da orquestra), e o fato é que esse nome ainda está inscrito na fachada.



 

Os Maestros


A Sinfônica de Chicago tem três diferentes cargos de regente. O Regente Principal, que é aquele que vai morar lá em Chicago, rege a maioria dos concertos e ensaia mais pesado. O Regente Principal é o regente oficial da orquestra. Há o cargo de Regente Entitulado, que equivale ao chamado Regente Convidado. Por fim, há o Regente do Festival Ravinia, que cuida exclusivamente do festival. Façamos uma lista rápida dos regentes principais do início da história da orquestra. Os mais recentes, com que estou mais habituado, merecerão uma sessão dedicada.

  • Theodore Thomas (entre 1891 e 1905) - Este violinista, orquestrador e regente alemão-americano é considerado o primeiro grande maestro dos EUA. Fundou a Sinfônica de Chicago;

  • Frederick Stock (1905–1942) - Outro regente alemão, ficou 37 anos no posto de diretor musical (a antiga denominação do regente titular ou principal). Foi grande incentivador de Florence Price, a primeira compositora mulher e negra a ser tocada por uma grande orquestra (está havendo a volta do interesse por sua obra, gravações estão pipocando - merecidamente, porque ela é demais). E a orquestra que a estreou foi a Sinfônica de Chicago e o regente, Friederick Stock;

  • Désiré Defauw (1943–1947) - Violinista e regente belga;

  • Artur Rodziński (1947–1948) - Um regente americano-polonês, Rodziński era famoso, tinha uma carreira invejável como maestro. Já tinha regido as grandes orquestras do mundo, como a Filarmônica de Varsóvia, a Ópera Nacional de Varsóvia, a Orquestra de Filadélfia, a Filarmônica de Los Angeles, a Orquestra de Cleveland e a Filarmônica de Nova Iorque. Mas sua pouca paciência em lidar com a burocracia fez com que o mandato fosse de apenas um ano;


 

Maetros Modernos



Rafael Kubelík (1950–1953)


O célebre regente tcheco, de quem já falamos na postagem sobre a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara, teve, entre 1950 e 1953, uma rápida passagem com a Sinfônica de Chicago. Foi marcada por críticas, especialmente à sua teimosia em incluir no repertório um número aparentemente aterrorizante de obras modernas. E à sua demanda exaustiva de ensaios.


Suas gravações, no entanto, eram bem recebidas. Entre outras coisas, ele gravou Quadros de Uma Exposição (Modest Mussorgsky); Minha Pátria (Má Vlast) (Bedřich Smetana), a Sinfonia Nº 9 "Do Novo Mundo" (Antonín Dvořák) e música de Béla Bartók, Ernest Bloch e Arnold Schoenberg.


O que importa é que ele saiu dali rumo a uma carreira estelar, vindo a reger orquestras como a Filarmônica de Berlim, a Filarmônica de Viena, a Sinfônica de Londres, a do Concertgebouw de Amsterdã, a Filarmônica de Israel e a Sinfônica da Rádio Bávara. Além de quase todas as outras norte americanas que formam o "Big Five" (Orquestra de Cleveland, Sinfônica de Boston e Filarmônica de Nova Iorque).


Rafael Kubelík
Rafael Kubelík.

 

Fritz Reiner (1953–1962)


O húngaro Fritz Reiner, um dos regentes mais intransigentes e rigorosos de todas as épocas, era um que gostava de trabalhar, sobretudo, um repertório moderno, sendo suas especialidades Richard Strauss e Béla Bartók. Mas, com ele, deu certo, pois ele era tão rigoroso nos ensaios que acabava conseguindo extrair novas sonoridades da orquestra.


Quando a assumiu, já era um maestro celebrado e famoso. Seu mandato de 10 anos só foi interrompido pela doença. Ele teve um ataque cardíaco depois do qual sua saúde deteriorou. Em 1962-1963 ele ainda constava como Consultor Musical da orquestra. Morreu em 15 de novembro de 1963.


Seu comportamento rude, quase abusivo, mas que os músicos defendiam, foi, na verdade, o caminho encontrado para forjar uma orquestra que a tudo estivesse preparada. Foi no seu mandato que ela atingiu fama mundial e a qualidade de ser um conjunto atento aos mínimos gestos do regente e de ser uma das maiores orquestras do mundo. Além de se tornar uma das orquestras mais gravadas da época.


Fritz Reiner regendo a Orquestra Sinfônica de Chicago
Fritz Reiner regendo a Orquestra Sinfônica de Chicago.

 

Jean Martinon (1963–1968)


O francês Jean Martinon é um regente subestimado. Estudou, em Paris, com Albert Roussel (composição), Charles Munch (regência), Vincent d'Indy (harmonia) e Jules Boucherit (violino). Seu pedigree era perfeito, assim como o que demonstrava no pódio.


No entanto, apenas recentemente, nos anos 2010, as suas inestimáveis gravações com Chicago foram lançadas, todas, em uma caixa com 10 discos. O que se vê ali é um regente sensível, talentoso e em pleno comando de sua maestria.


Eles gravaram, entre outras coisas, a Suíte Nº 2 de "Dapnis et Chloé" (Maurice Ravel), a Sinfonia Nº 4, "Inextinguível" (Carl Nielsen), os dois Concertos para Clarinete (Carl Maria von Weber) e trechos da Música Incidental para "Sonho de Uma Noite de Verão" (Felix Mendelssohn).


Ele fez crescer muito o repertório da orquestra, sobretudo de compositores modernos e dele mesmo, que era compositor e escreveu 6 Concertos, 4 Sinfonias e muito mais.


 


Irwin Hoffman (1968–1969)


Hoffman foi a tentativa de emplacar um regente americano. Sua escalada em Chicago foi árdua, ele começou como Regente Assistente (1964-1965), depois passou a Regente Associado (1965-1968), Diretor Musical de Atuação (1968-1969) e, enfim, Regente (1969-1970). De todos esses cargos, o que equivale ao de Regente Principal é esse tal de Diretor Musical de Atuação, de modo que eu não entedo esse último posto de Regente.


O fato é que Hoffman galgou todos estes degraus para, no fim, ficar apenas uma temporada no cargo. Por mais talentoso que tivesse se mostrado no início da carreira (ele estreou regendo a Orquestra de Filadélfia), essa carreira nunca decolou. Ele, então, se fundiu à cultura sul-americana e permaneceu regendo orquestras de segundo escalão até sua morte, em 2018, aos 93 anos de idade. Não há, no Spotify, alguma gravação dele com a Sinfônica de Chicago.


 

Georg Solti (1969–1991)


Agora estamos falando sobre um daqueles super-homens da regência (ele também era pianista). Sir (repare no Sir) Georg Solti foi um dos regentes mais bem sucedidos da história. Nascido em Budapeste, na Hungria, ele começou seus estudos lá mesmo. Foi aluno de ninguém menos que Béla Bartók e Ernő Dohnányi. Dois dos maiores compositores húngaros do Século XX.


Ele é um regente de Ópera e também de Música Sinfônica. Os 19 Lps em que gravou as quatro óperas que compõem o Ciclo "O Anel dos Nibelungos", de Richard Wagner, acabaram tão famosos que viraram Pop (foi com a Filarmônica de Viena), tendo vendido 9 milhões de cópias, se tornado uma das grandes gravações do século e ganhado o Grand Prix du Disque e Grammys. Foi antes do período com a Sinfônica de Chicago, tendo as gravações ocorrido entre 1958 e 1965.


Mas precisamos voltar a Chicago. A Sinfônica o convidou 2 vezes e, quando ele acabou aceitando, exigiu a presença de seu colega maestro e amigo Carlo Maria Giulini como Principal Regente Convidado. Giulini ficaria no cargo entre 1969 e 1972 e faria umas boas gravações com a orquestra. Mas o clima não estava bom. Não pela relação entre ele e a orquestra, mas porque esta estava vivendo uma crise financeira. Solti agiu, mostrou a importância de a orquestra ampliar seu alcance internacional, garantiu que seu contrato com a Decca previa gravações em Chicago e levou a orquestra para a sua primeira turnê internacional. Eles (e Giulini foi junto) excursionaram por 10 países europeus. As ações deram certo e as finanças voltaram ao normal.


Solti também trouxe experiências musicais novas à orquestra. Especialmente a interpretação do ciclo das 9 Sinfonias do Romântico Anton Bruckner e das 9 do também Romântico Gustav Mahler. E obras de compositores norte-americanos, como Charles Ives e Elliott Carter.


Eles gravaram incansavelmente e isto gerou, por exemplo, a primeira gravação completa de Solti das 9 Sinfonias de Ludwig van Beethoven, além das 4 de Johannes Brahms e das já mencionadas de Bruckner e Mahler. Também, obras de Bartók, Franz Liszt (a Sinfonia Fausto), Edward Elgar (as Variações Enigma), Johann Sebastian Bach (A Paixão Segundo São Mateus), Antonín Dvořák (a Sinfonia Nº 9 "Do Novo Mundo") e Igor Stravinsky (A Sagração da Primavera).


Solti e a orquestra continuariam fazendo música mesmo após o fim do contrato, em 1991. Ele foi nomeado Diretor Musical Laureado até 1997. Com a Sinfônica de Chicago ele regeu 999 concertos e estava programado para reger o milésimo, mas morreu um mês antes, aos 85 anos, em setembro de 1997.


Georg Solti regendo a Orquestra Sinfônica de Chicago
Georg Solti regendo a Orquestra Sinfônica de Chicago.

 

Daniel Barenboim (1991–2006)


A partir de Fritz Reiner, a Sinfônica efetivamente só contratou regentes de renome. E, de fato, depois dele não houve uma contratação ruim. É o caso de Daniel Barenboim, um regente que era um dos maiores pianistas vivos (ele se aposentou recentemente para cuidar da saúde) e tinha uma manada de seguidores.


O argentino fez a transição do piano para o pódio da maneira que achou mais simples: gravando os 27 Concertos para Piano de Wolfgang Amadeus Mozart (quase nunca gravam, de fato, os 27, já que os quatro primeiros são apenas exercícios de Mozart ainda no útero e dois são para mais de um piano) regendo a Orquestra de Câmera Inglesa e tocando ao mesmo tempo. Hoje em dia outros se aventuram nessa empreitada (tocar e reger ao mesmo tempo), mas, na época, era coisa de super gênio.


Sua primeira experiência como titular de uma orquestra sinfônica foi com a Orquestra de Paris, seguida pela Ópera da Bastilha e, então, a Sinfônica de Chicago. Depois dela, assumiu o posto de Staatskapellemeister da Staatskapelle Berlim, o que consequentemente o tornou diretor da Ópera Estatal de Berlim (ele que sempre quisera ser o maestro da Filarmônica de Berlim). Daniel não manteve a Staatskapelle como uma orquestra de ópera. Fez inúmeras e elogiadas gravações de música sinfônica com a orquestra. Ele, que é judeu mas sempre lutou pela causa palestina, fundou, em 1999, a Orquestra West–Eastern Divan, em que reuniu músicos palestinos e israelenses, como uma declaração de que esses dois povos podem viver em harmonia e fazer, simplesmente, música.


Em 1990 tornou-se notícia internacional quando regeu a Filarmônica de Israel, tocando 2 Aberturas de Richard Wagner em Israel. Acontece que Wagner era um compositor antissemita e personalidade considerada crucial na ascenção do Nazismo - mesmo que estivesse morto décadas antes que o nome Nazismo surgisse.


Barenboim foi casado com a violoncelista inglesa Jacqueline du Pré, que era uma musicista de extremo talento e refinamento. Acontece que Jacqueline veio a ser diagnosticada com Esclerose Múltipla, sendo forçada a parar de tocar aos 28 anos. A doença causaria sua morte aos 42 anos.


A passagem de Barenboim por Chicago foi profícua, eles tendo gravado vários discos, como as Sinfonias 4, 5 e 6 "Pathétique" de Piotr Tchaikovsky; a Missa em Ré Maior e a Missa Solemnis, de Ludwig van Beethoven; Um Réquiem Alemão, de Johannes Brahms; o Réquiem de Giuseppe Verdi; obras de Maurice Ravel, Gustav Mahler, Alexander Borodin e Nikolai Rimsky-Korsakov, entre muitas outras coisas.


 

Bernard Haitink (2006-2010)


O regente holandês Bernard Haitink passou quase sua vida inteira como titular da Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdã, entre 1961 e 1988. Depois, foi para a Inglaterra, onde obteve o cargo de regente principal da Filarmônica de Londres (1967-1979). Depois, Kapellemeister da Staatskapelle de Dresden, entre 2002 e 2004 (uma orquestra de muito mais tradição do que a Staatskapelle de Berim, que Barenboim regeu - se bem que esta também é uma orquestra excelente), e, finalmente, Chicago, chegando, em 2006, para ocupar a vaga de Regente Principal.


Era um regente de primeiríssima categoria, tendo ficado tanto tempo à frente da Concertgebouw, que sempre aparece entre os três primeiros lugares nas listas de melhores orquestras do mundo (na da Arara, ficou em 2º). Sua especialidade, como a de muitos, é a música (especialmente as Sinfonias) de Anton Bruckner e de Gustav Mahler. Aliás, ele é um dos responsáveis por, nos anos 60, ressucitar a música de Mahler, juntamente com Leonard Bernstein, da Filarmônica de Nova Iorque. O feitiço foi tão bom que temos, hoje, uma verdadeira predominância de Mahler nas Salas de Concerto.


Foi durante o seu mandato, precisamente em 2007, que a Sinfônica de Chicago tomou uma libertadora atitude, que outras orquestras estavam tomando. A de lançar seu próprio selo de gravação, o CSO Resound. Isso permite à orquestra gravar seus próprios concertos, contratar técnicos de som, engenheiros de som, produtores e, no fim, colocar seus discos à venda sem depender de uma gravadora. Eles já lançaram várias Sinfonias de Mahler, de Bruckner, de Schostakovich e obras de Ravel, Schoenberg, Berlioz e mais. Com Bernard Haitink, foram oito álbuns.


Orquestra Sinfônica de Chicago, com Bernard Haitink
Orquestra Sinfônica de Chicago, com Bernard Haitink.

 

Riccardo Muti (2010-hoje)


Riccardo Muti é um regente italiano, hoje com quase 82 anos, que tem facilidade tanto com Ópera quanto com Música de Concerto. Ele começou sua carreira quando, em Milão, 1967, ganhou, por unanimidade, o Concurso de Regência "Guido Cantelli", que também tinha como prêmio o cargo de Diretor Musical do Maggio Musicale Fiorentino, um festival de Música Clássica em Florença que inclui ópera. Ele permaneceu em por 11 anos.


Em 1971 ele passou a ser frequente convidado do Festival de Salzburgo (acontecendo na cidade natal de Mozart, o festival tem grande foco nas óperas do compositor austríaco).


Muti seguiu sua carreira assumindo, em 1986, o posto de Regente Principal da Filarmônica della Scalla. Ao mesmo tempo, entre 1980 e 1992 ele foi Diretor Musical da Orquestra de Filadélfia, assumindo a batuta direto das mãos do grande Eugene Ormandy. Muti prometeu que manteria o "Philadelphia Sound", a sonoridade especial da orquestra, rica, gorda, exuberante, com boas doses de portamento. Só que ele não fez nada disso, o que não é de todo mal, porque a orquestra já soava antiga.


Em 1989, quando Herbert von Karajan morreu e deixou vago o posto mais cobiçado da Terra, Muti era um dos cotados, assim como Daniel Barenboim, para assumir a Filarmônica de Berlim. Não aconteceu a nenhum dos dois. O contemplado foi o italiano Claudio Abbado.


Riccardo Muti seguiu. Tornou-se um dos maestros mais respeitados do mundo, regeu muita ópera, preparou novos regentes até que, em 2010 foi convidado a ser Regente Principal da Sinfônica de Chicago.


Em Chicago, Muti vem fazendo um excelente trabalho. Foi contratado, primeiro, por 5 anos e depois teve uma extensão de 2 anos e outra, até 2023. Ele já deixou claro que quer encerrar seu mandato em 2023. Vamos esperar que um novo talento venha contribuir na construção do som e da técnica dessa fantástica orquestra.


Algumas das gravações principais de Muti e Chicago são: a 9ª Sinfonia de Bruckner; a 13ª Sinfonia de Dmitri Shostakovich, chamada "Babi Yar"; a Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz (todo regente que vai até Chicago tem quase a obrigação de gravar essa sinfonia); a Suíte Romeu e Julieta, de Sergei Prokofiev; a Ópera Otello, de Giuseppe Verdi e outras.


Riccardo Muti com a Sinfônica de Chicago e Solistas
Riccardo Muti com a Sinfônica de Chicago e Solistas.

 

Outros Regentes Importantes


Outros regentes extremamente talentosos tiveram uma relação próxima com a Sinfônica de Chicago. Ao menos dois têm que ser mencionados.


Claudio Abbado - Regente Convidado Principal (1982-1985). O regente italiano, que, em 1989, seria consagrado o 10º Regente Principal da Filarmônica De Berlim, teve uma saudável rotina de gravações em Chicago. Podemos incluir os Concertos Nos. 1 e 2 para Piano e Orquestra de Béla Bartók, com o pianista Maurizio Pollini; a (adivinha) Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz; o Concerto para Violino em Mi Menor de Felix Mendelssohn e o Concerto para Violino Nº 1 de Max Bruch, ambos com Shlomo Mintz ao violino, Sinfonias de Mahler e obras orquestrais de Sergei Prokofiev, entre outras coisas.


Pierre Boulez - Regente Convidado Principal (1995-2006) e Regente Emérito Helen Regenstein (2006-2016). O compositor francês que virou maestro, Boulez começou a reger compositores não apenas modernos, mas românticos. Sua discografia com a Sinfônica de Chicago inclui: a Suíte de "O Pássaro de Fogo", de Igor Stravinsky; obras orquestrais de Edgard Varèse e Assim Falou Zarathustra, de Richard Strauss.


 

Gravações Recomendadas


- Dmitri Shostakovich - Sinfonias Nos. 4 e 5, regidas por André Previn - Gravadas em 1977, as duas antagônicas Sinfonias (uma foi considerada subversiva pela União Soviética, e a outra, Shostakovich a apresentou como um duvidoso pedido de desculpa) têm, na verdade, muito em comum. É a linguagem sinfônica de Shostakovich, que é única e facilmente reconhecível. A , de 1936, tem um linguajar mais moderno, mais dissonante, além de flagrantemente militar. Foi sugerido pela orquestra que a ensaiava que Shostakovich desistisse da estreia. E estreada ela só seria em 1961. Já a , de 1937, considerada mais amigável por Stalin (e uma das mais célebres e adoradas do compositor), é, na verdade, cheia de códigos e piscadelas ao povo russo. As duas são brilhantes e colocá-las lado a lado em um disco (ainda que elas tenham sido lançadas casadas apenas recentemente) foi uma jogada sagaz. A atuação de Previn é impecável, tranzendo-nos uma versão da para entrar na história. A tem muito maior concorrência. Mesmo assim ele se sai bem. A Sinfônica de Chicago está fantástica (as obras têm vários momentos de solo dos sopros e pode-se dizer que são virtuosísticas).


- Sergei Rachmaninoff - Concerto para Piano Nº 2 e Rapsódia Paganini, regidos por Fritz Reiner, com Arthur Rubinstein ao piano - Tendo sido gravados com a tecnologia Living Stereo, o som é muito próximo do moderno (foram gravadas em 1958 e 1960, e isso é assustador). Foram durante muito tempo as gravações definitivas de ambas obras. O disco abre com o Concerto Nº 2, que soa febril (no bom sentido). As cordas da Sinfônica soam gloriosas. O terceiro movimento ficou um pouco mais lento do que de costume (não que precisemos de provas do virtuosismo de Arthur Rubinstein), mas o final é arrebatador. A Rapsódia Paganini é tocada delicadamente, onde deve ser, e com virilidade, onde cabe. Tanto Rubinstein quanto a orquestra timidamente se soltam em um lindo momento, na Variação XVIII.


- Carl Nielsen - Sinfonia Nº 4, "Inextinguível", regida por Jean Martinon - As 6 Sinfonias do compositor dinamarquês Carl Nielsen são fortes. As mais conhecidas são a e a . Ela é de 1916 e tem um grande e famoso duelo de tímpanos no último movimento. Logo de entrada percebe-se como é mágico o som da Sinfônica. Martinon, como disse, um regente subestimado, extrai da orquestra a última cor, o último perfume em uma gravação que só pode ser louvada. O título "Inextinguível" refere-se, segundo o compositor, ao "espírito da vida ou manifestações de vida, isto é: tudo que se move, que quer viver... apenas vida e movimento". O disco contém, ainda, a igualmente excelente Abertura Helios, também de Nielsen. A gravação é de 1966.


- Gustav Mahler - Sinfonia Nº 5, regida por Daniel Barenboim - Só não se pode dizer que a , de 1902, é a mais famosa de Mahler porque quase todas são. A versão de Barenboim é sensível e convincente. O Adagietto não soa nem um pouco piegas, enquanto os movimentos extremos soam vorazes e afirmativos. A expressividade dessa gravação é prodigiosa. A orquestra responde perfeitamente. Trata-se de uma das sinfonias mais belas e carregadas de significado em todo o repertório. Gravada em 1998.


- Anton Bruckner - Sinfonia Nº 9 (versão original de 1894), regida por Riccardo Muti - Outro disco que nos mostra o poder sonoro da Sinfônica de Chicago. O nível de afinação entre os metais é realmente de outro mundo. Muti não é um regente tão talentoso quanto Martinon e outros aqui (mas é extremamente confiável), então o que ele faz é trabalhar nos habituais accelerandi, ritardandi, dinâmicas e se confiar na sonoridade magistral da orquestra. Gravação ao vivo de 2017.


- Igor Stravinsky - A Sagração da Primavera / Claude Debussy - La Mer / Pierre Boulez - Notations VII, regidos por Daniel Barenboim - Gravadas em 2000, as obras recebem diferentes tratamentos e têm diferentes resultados. Na Sagração, brilha a orquestra, em uma performance equilibrada: por vezes é recatada, outras vezes é animalesca. É uma excelente gravação. La Mer, de Debussy me parece um pouco magra, enxuta demais, removendo o encanto da música. Notations VII, de Boulez (o mesmo regente) por incrível que pareça, é a mais espontânea, tocada como se pela milésima vez. O som gravado é excelente, o som da orquestra é magistral e a transparência de textura é fantástica.


- Frédéric Chopin - Concerto para Piano Nº 2, regido por Claudio Abaddo e com Ivo Pogorelić ao piano - Aqui o som da orquestra está exuberante e desinibido. A concepção de Abbado para a obra é de uma música à vontade consigo, tirando fogo da orquestra, quando quer. Em início de carreira, mas já apontado como gênio por ninguém menos que Martha Argerich, o pianista croata Ivo Pogorelić era jovem, mas já era confiante e tecnicamente preparado para esse que, segundo Nelson Freire, é o concerto mais difícil do repertório (insisto que não é, mas entre a palavra de Nelson Freire e a minha...) No segundo movimento, Larghetto, todos estão em sintonia, a orquestra produzindo o som mais delicado antes do silêncio. É uma das maiores gravações desta obra e da história do disco. A maior, de fato, é de Nelson Freire (piano), com a Orquestra Gürzenich de Colônia regida por Lionel Bringuier. A de Pogorelić / Abaddo é de 1983.


- Franz Schubert - Sinfonia Nº 9, "A Grande", regida por Carlo Maria Giulini - Um disco em que Schubert não soe tolo (genial e tolo), só pode ser obra de Carlo Maria Giulini. Os temas quase infantis são tratados com seriedade e graciosidade. É um disco bastante célebre e bem-falado. Giulini também consegue da orquestra uns contrastes encantadores. O disco traz também a Abertura de Concerto "Manfred", de Robert Schumann, mas esta é tocada pela Orquestra Filarmônica de Los Angeles. A Sinfonia foi gravada em 1977.


- Edgard Varèse - Obras Sinfônicas, regidas por Pierre Boulez - Este disco, de 2001, contém as seguintes obras: Amériques, Arcana, Déserts e Ionisation (que têm entre 6 e 25 minutos, cada), as peças mais conhecidas do compositor francês de vanguarda Edgard Varèse. Uma música repleta de sonoridades que você não esperaria de uma orquestra, mas que a Sinfônica de Chicago executa com a maior precisão e altivez. Se outrora louvamos os metais, as percussões brilham, aqui. Boulez faz um trabalho ímpar, na musica do seu amigo. O disco é de 2001.


- Johann Sebastian Bach - Missa em Si Menor, regida por Georg Solti - Temos aqui uma gravação de Bach da época em que uma grande orquestra ainda podia gravá-lo. Hoje em dia ele foi confiado às Orquestras Barrocas, que têm instrumentos do Século XVIII e técnicas que juram ter encontrado em cartas e tratados. Acabam convencendo você que só elas têm capacidade moral para tal empreendimento. É por isso que eu gosto de uma boa interpretação à moda antiga, com vibrato nas cordas e nas vozes e um som cheio, mais capacitada a lhe pôr a chorar. Essa gravação, de 1988, tem a grandeza que Bach merece. E não é que eu não goste das interpretações "de época". Mas esses dois estilos deveriam coexistir.


- Béla Bartók - Concerto para Orquestra, Suíte de Dança e Música para Cordas, Percussão e Celesta, regidos por George Solti - Mais um disco espetacular de Solti. Ele rege obras do compositor que foi seu professor, em Budapeste. E Solti tem uma autoridade, um traquejo na música de Bartók, aos quais só nos sobra contemplar. O dificílimo Concerto para Orquestra é tocado com a maior facilidade que eu já vi. Sendo um Concerto para Orquestra, ele deve pôr à prova cada músico, cada naipe. Os múicos tiram de letra, mas sem relaxamento - eles tocam na ponta de suas cadeiras. A Suíte de Dança é uma peça mais simples, mas igualmente divertida. São 6 movimentos curtinhos e o Allegro final é bestial. A Música para Cordas, Percussão e Celesta é outra coisa: amorfa, arrítmica, abstrata, é uma música de outro planeta. Algum gigante gasoso em que pairaremos eternamente sem nunca pousar. As peças foram gravadas em 1981 e 1989.


- Modest Mussorgsky - Quadros de Uma Exposição, regido por Carlo Maria Giulini - Giulini. Com seus tempos largos e gestos lânguidos. Mas espero que concordem que, enquanto esteve lá com Solti, era Giulini que produzia os melhores resultados. Esse Quadros de Uma Exposição é tocado com tanta naturalidade e frescor... E quando as dissonâncias e os fortes têm que vir, vêm da maneira mais natural. O disco tem outras peças, mas não liguem, são outros regentes com outras orquestras. A gravação é de 1977.


- Ludwig van Beethoven - As 9 Sinfonias, regidas por George Solti - São 7 discos. Um deles é uma entrevista com Solti. Foi o primeiro ciclo das 9 Sinfonias de Beethoven que ele gravou. Ele diz que abraçou Beethoven "na segunda metade da [sua] vida". Atribui seu estilo, ao reger o compositor, ao lendário maestro italiano Arturo Toscanini. Comenta, também, que não precisou ensinar nenhuma técnica européia de tocar Beethoven à Sinfônica de Chicago, explicando que, desde Fritz Reiner, a orquestra havia adquido qualidades que se encaixavam no seu estilo: "a qualidade sonora, a precisão rítmica, os propósitos de dinâmica... então, tudo que eu pedia, já estava bem perto deles". Já as tinha, obviamente, tocado separadamente em outras ocasiões. As gravações com a Sinfônica de Chicago estão perto do topo de uma pilha descomunal de integrais das Sinfonias de Beethoven. A qualidade é insanamente alta. A 1ª Sinfonia é assertiva, com os vários acordes tocados simultaneamente jamais terem soado tão simultâneos. As cordas estão perfeitas em timbre e expressão. A , "Eroica" soa tão convincente! É uma sinfonia dificílima de fazer soar corretamente. Eles adotam um andamento um tanto mais lento que o usual. O Segundo Movimento, a "Marcha Fúnebre" é tocado com uma dignidade ímpar. Na 4ª Sinfonia eles produzem a atmosfera perfeita, na introdução. A 5ª Sinfonia é o ponto alto do álbum, na minha opinião. Sem o polimento das gravações europeias, aqui ela soa crua e ameaçadora (no primeiro movimento) como nunca soou. O Finale, embora tocado um pouco lento, é eletrizante. A , "Pastoral", nos traz uma boa tranquilidade, sem abrir mão da robustez sonora. A pode soar ora desolada, ora festiva, características das quais maestro e orquestra se aproveitam de maneira exemplar. A é executada com uma precisão rítmica e das dinâmicas que a tornam outro ponto alto do álbum. A está frenética, mas não posso dissertar sobre o último movimento, que nunca fez a minha cabeça. O disco ainda contém as aberturas "Egmont", "Coriolano" e "Leonora III", todas igualmente soberbas. Foi tudo gravado entre 1972 e 1974.


- Gustav Holst - Suíte Os Planetas, regida por James Levine - Não gosto de falar de James Levine. É difícil falar dele, tem que explicar que ele era um monstro, mas um dos músicos mais talentosos que os Estados Unidos já produziram. E que, musicalmente, a gente tem que julgar o legado gravado. Essa gravação talvez seja a melhor de Os Planetas. A orquestra certa e o maestro certo. É conhecida a alternância de humores que percorre os movimentos da suíte. Pois eu garanto, ninguém jamais tocou as sessões fazendo-as tão diferentes umas das outras quanto aqui. A Sinfônica de Chicago fez, aqui, um dos seus melhores registros. E o Coro Sinfônico de Chicago aparece de forma arrepiante na última faixa: "Netuno, o Místico". Gravação de 1989.


- Richard Strauss - Assim Falou Zarathustra, regido por Pierre Boulez - Uma versão do poema sinfônico em 9 movimentos de Strauss, de 1896, que foi gravada com extrema sensibilidade, tanto por Boulez quanto pela Sinfônica. Trata-se de uma música difícil, Strauss era um gigantesco orquestrador. É baseada na obra de ficção filosófica de Friedrich Nietsche, de mesmo nome. A orquestração é avantajada, incluindo 32 violinos, 6 trompas, vasta percussão e órgão. Ela contém uma famosíssima fanfarra de trompetes que, no início, parece ser a introdução, mas acaba ocorrendo em toda a música. O disco, de 1999, traz, ainda, uma gravação impecável de "Totenfeier" (Ritual Fúnebre), de Gustav Mahler, que é o primeiro movimento de sua 2ª Sinfonia "Ressurreição".


- Richard Strauss - Don Quixote e Don Juan, regidos por Fritz Reiner - Gravação muito boa, para a época (foi gravado entre 1954 e 1959), graças à tecnologia Living Stereo, da gravadora Mercury. Mostra bem como a orquestra já era excelente. Don Quixote é, obviamente, baseado na obra de mesmo nome de Miguel de Cervantes, e exige um Violoncelo Solo (aqui, Antonio Janigro) representando Don Quixote, uma Viola Solo, mas esta, da orquestra (Milton Preves) representando Sancho Panza, além de, sendo Strauss, uma orquestra grande. É uma peça interessantíssima, que faz a orquestra produzir sons onomatopaicos e é virtuosística. Ele usa a máquina de vento, um instrumento cujo único propósito é o de imitar o som do vento. O poema sinfônico tem 14 movimentos e dura quase 45 minutos. Don Juan, mais conhecido, certamente por ser mais curto (tem um movimento só e dura, nessa gravação, 16:30 minutos). É uma peça altamente dinâmica e conhecida por ser uma das mais difíceis do repertório sinfônico. A orquestra está realmente muito bem, mostrando que não há obra difícil para ela.



 


Deixe seu comentário!

649 visualizações

Posts Relacionados

Ver tudo

1 commentaire


Invité
17 déc. 2023

Oi! Lamento discordar, mas minha preferida continua sendo a de Cleveland ( dentre as norte americanas ). Tem uma gravação dela de "Rhapsody in blue" com Ivan Davis ao piano que considero "a" definitiva. Ainda tenho o vinil ...


J'aime
bottom of page