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Rachmaninoff - Concerto para Piano NÂș 4 - O Patinho Feio

  • Foto do escritor: Rafael Torres
    Rafael Torres
  • 26 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de fev. de 2021

JĂĄ tendo falado sobre os outros 3, detenho-me agora no 4Âș Concerto para Piano de Sergei Rachmaninoff. Ele definitivamente nĂŁo Ă© o mais gostado dos 4. O 1Âș Ă© considerado um começo promissor; o 2Âș, a volta por cima (depois de um fiasco com a 1ÂȘ Sinfonia); e o 3Âș, a montanha, o Everest. O 4Âș Ă© a ovelha negra. Ele foi considerado por muito tempo uma obra sem atrativos, com pouca fluidez, problemas de continuidade, temas pouco cativantes. Enfim, uma obra ĂĄrida. Vamos jĂĄ discordar.

Sergei Rachmaninoff e Eugene Ormandy
Sergei Rachmaninoff e Eugene Ormandy

Composto em 1926, publicado em 1928 e, finalmente, revisado e republicado em 1941, o concerto teve poucas execuçÔes por parte do prĂłprio compositor, que se abatia facilmente com crĂ­ticas e recebeu algumas nessa obra. A estreia teve uma reação fria. O pĂșblico queria o famoso, velho e conhecido Rachmaninoff, mas ele lhes deu um Rachmaninoff Belle Époque, um tanto industrial, sofisticado. SĂł que ele realmente esqueceu de colocar um tema forte no primeiro movimento e no segundo. O terceiro tambĂ©m Ă© um pouco confuso. Mas calma!


Dito isto, bora defender a obra. Eu demorei a me apaixonar pelo 4Âș Concerto. Poucos pianistas o gravam individualmente: mas muitos o gravam quando querem lançar uma coleção com os 4 mais a RapsĂłdia Sobre um Tema de Paganini. De forma que ele foi muito gravado. Certamente mais de 50 vezes, sem contar gravaçÔes ao vivo.


O pianista mais importante a gravĂĄ-lo solto, independente dos outros 3, foi Arturo Benedetti Michelangeli. O genial italiano, conhecido por ter um repertĂłrio nĂŁo muito vasto e por se dedicar mesmo Ă s obras que escolhia (eram poucas comparadas a outros pianistas, mas ainda eram em nĂșmero considerĂĄvel), nem tomou conhecimento dos 3 primeiros, mas defendia o 4Âș. Fez uma gravação maravilhosa, com a orquestra Philharmonia, regida por Ettore Gracis, que deve ser a mais perfeita. É considerada uma gravação de referĂȘncia. No final deixo algumas sugestĂ”es de gravaçÔes.


O Primeiro Movimento começa agitado, a melodia Ă© apresentada pelo piano ecoado pelas madeiras em tremolo. O corne inglĂȘs apresenta um motivo importante, assim como a flauta. Mas o segundo tema tambĂ©m Ă© do piano. SĂŁo temas que, pelo menos pra mim, depois que vocĂȘ se acostuma, mostram sua beleza. O movimento Ă© cheio de momentos que vocĂȘ tem que prestar atenção pra perceber que sĂŁo notĂĄveis. Quando a mĂșsica entra na sua cabeça, aĂ­ toda a sua beleza vem em cada audição. De todos os concertos de Rachmaninoff, esse Ă© o que retem mais a caracterĂ­stica de cada vez que vocĂȘ escuta, mais ele se torna atraente.


O Segundo Movimento Ă© um Largo de beleza serena e nostĂĄlgica. O ponto culminante Ă© lĂĄ pelos 5 minutos, quando ele vai crescendo e desemboca num momento tĂŁo sublime que Ă© arrebatador. Pra ser justo, ele jĂĄ tinha feito a mesma coisa num Étude-Tableau de 1911 que nĂŁo foi publicado senĂŁo postumamente (o compositor morreu de cĂąncer em 1943, aos 69 anos). É o Étude-Tableaux Op. 33, NÂș 3, que vai escalando e tem o mesmo desfecho.


O Terceiro Movimento Ă© mais problemĂĄtico. DestituĂ­do do momento de triunfo tĂ­pico do compositor, como tĂŁo eloquente no Concerto NÂș 2 e sublime no NÂș 3, ficou ele um tanto sem propĂłsito. Mas nĂŁo que seja desinteressante. Era apenas questĂŁo de marketing, deixar uma bela explosĂŁo pra fechar a obra. NĂŁo o fazendo, manteve sua integridade (sua, pessoal, e do concerto), Ă  custa do amor do pĂșblico.


Mas ouça o que eu estou dizendo: depois de se acostumar, vocĂȘ vai amar esse concerto, com curvas agudas e orquestração eficiente e muita beleza. Veja algumas opçÔes de gravaçÔes:

- Sergei Rachmaninoff, com a Orquestra de Filadélfia, regida por Eugene Ormandy;

- Vladimir Ashkenazy, com a Orquestra do Concertgebouw de AmsterdĂŁ, sob a regĂȘncia de Bernard Haitink;

- Arturo B. Michelangeli, com a Orquestra Philharmonia, sob Ettore Gracis;

- TamĂĄs VĂĄsĂĄry, com a SinfĂŽnica de Londres, sob Yuri Ahronovitch;

- Alexander Ghindin, com a FilarmĂŽnica de Helsinki, sob Vladimir Ashkenazy (essa Ă© a primeira gravação da primeira versĂŁo do concerto, a que se toca mais Ă© a de 1941. O prĂłprio Ashkenazy gosta mais dessa versĂŁo. Eu acho a Ășltima mais satisfatĂłria.)


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