
Contato: www.grupoargonautas@gmail.com">www.grupoargonautas@gmail.com
Resultados da busca
369 resultados encontrados com uma busca vazia
- O nó de Rubem Fonseca
Rubem Fonseca morreu. Ele morreu e a Regina Duarte nem se deu conta disso na breve passagem pela secretaria (que era um Ministério da Cultura e que, aliás, eu comento e critico aqui). Mas quem foi Rubem Fonseca mesmo? Dizer que Rubem foi um escritor ou, ainda, o maior expoente da literatura policial brasileira, um neonoir tupiniquim, um dos grandes escritores do século XX de nosso país... Bom, tudo isso já foi dito e é até meio clichê (não que eu odeie clichês) e, talvez, justamente por esta razão não tenha vontade de falar desse aspecto que, potencialmente, quase todo mundo já sabe: é o básico. A desculpa de usar o Rubem Fonseca no título (e, de quebra, nessa linda foto de cabeçalho) foi o seu potencial alegórico e metafórico, além, claro, de poder homenagear um dos meus escritores preferidos desde a época em que eu tentei ser jovem. Rubem foi policial (neste artigo da revista Fórum podemos ver mais detalhes sobre sua formação), porque acho que, com exceção de Paulo Coelho, ninguém consegue ser escritor em tempo integral no Brasil. Nas horas vagas ele escrevia. E, como um artista só consegue criar a partir do que conhece, ele escrevia histórias policiais cheias de violência, vingança e escatologia. Como boa parte dos policiais que trabalharam nos anos 60 (quero deixar claro: não todos, mas boa parte, mas não todos, mas boa parte...) Fonseca foi um convicto anticomunista e ser anticomunista na ditadura militar era quase sempre sinônimo de delator, espião e torturador. Pelos documentos levantados, Fonseca fez parte da minoria anticomunista que não torturou nem delatou ninguém. Marcelo Rubens Paiva - outro grande escritor por quem nutro admiração - escreveu um ótimo artigo para o Estadão sobre isso. Marcelo é filho do emblemático engenheiro e deputado federal Rubens Beydrot Paiva assassinado na ditadura militar por Antônio Fernando Hughes de Carvalho e, por incrível que pareça (e esse é o cerne da questão que tento trazer aqui) admirador da estética fonsequiana. Ou seja, Marcelo Rubens Paiva tinha tudo para queimar todos os livros de Rubem Fonseca, mas é maduro o suficiente para perceber a complexidade das coisas. Estamos num período mais uma vez conturbado, onde muitas pessoas, sobretudo jovens, jogam certezas uns nos outros como se fossem pedras envoltas em arames farpados. E aí existem pessoas que param de ouvir os discos de um determinado artista porque descobriram que, em 1978, aquele artista bateu no carro de um vizinho de uma prima de não sei quem e fugiu sem pagar pelo prejuízo. Os artistas precisariam serem puros para serem admirados. Analisemos, pois, quem admirava Rubem Fonseca. Fonseca era extremamente bem quisto pelos militares por seus serviços prestados pela fundação do instituto Ipês, cuja formação ideológica serviu de base política e cultural para o golpe (do qual Rubem, posterior e publicamente, repudia) como podemos verificar também neste excelente artigo do site Zona Curva. Quando escrevo formação ideológica básica para o golpe, leia-se: a função do Instituto Ipês era desestabilizar o governo João Goulart. Todos sabem o que aconteceu depois, mas aqui só para podermos dar claramente nome "aos bois": ditadura militar. Longe de mim dizer que João Goulart era comunista (nunca acreditei nessa narrativa) de fato, ou que seu (extremamente breve) governo foi maravilhoso ou horrível (nem tenho fundamento para isso). Mas apoiar uma ditatura que, como tal, derramou muito sangue inocente, aí já é demais. Voltando ao assunto... Rubem Fonseca era respeitado pelos militares enquanto pessoa, apesar de sua obra sempre polêmica, chocante e perturbadora, essa dualidade, portanto causava desconforto entre os mesmos militares que o respeitavam. Um conto que acho arrebatadoramente violento de Rubem, O Cobrador, pode ser perfeitamente interpretado como uma obra de denúncia sobre a exclusão social que fabrica boa parte dos bandidos que conhecemos. Já os contos Passeio Noturno 1 e 2 mostram outra face da violência: a da classe abastada que literalmente atropela os marginalizados que ela mesma produz. Nascemos para a violência como profetizaram Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick no prelúdio de 2001, uma Odisséia no Espaço. A despeito disso, Rubem Fonseca parecia ter uma espécie de dupla personalidade. Lembro que, anos atrás, na minha primeira especialização, foi citado o caso de um TCC em que a autora (creio que era uma autora) defendia algo no texto e, nas notas de rodapé, defendia o contrário. Eu achei isso fascinante (a despeito de uma possível bipolaridade, esquizofrenia ou falta de atenção). Ocorre que é mais ou menos isso que podemos presumir de Rubem Fonseca. Rubem era o escritor transgressor, ousado, violento, agressivo e subversivo que afrontava a moral e os bons costumes. Já Fonseca era igualmente um autor e um ideólogo a serviço de algo que se revelou um grande golpe militar. Desse modo, estamos diante de um verdadeiro nó ideológico. Se abrirmos mão de boa parte de nossas certezas e percebemos como a realidade é, de fato, complexa, a coisa fica bem mais fácil. Sim, porque complexo não é necessariamente algo difícil e o simples, muitas vezes, não é fácil. Mas nesse mundo que cada vez mais segmenta, Rubem Fonseca vira essa criatura que boa parte da "intelligentsia" jovem e militante não suportaria engolir sem estar disposta a sofrer de indigestão ideológica. Porque a arte dele potencialmente diz uma coisa, enquanto seu comportamento civil diz o oposto. Interessante, não? Ainda mais quando a própria obra dá margem para múltiplas interpretações. E digo isso porque, sob algum aspecto, quão melhor é uma obra de arte, mais "níveis de leitura" ela tem. Além disso, a arte é esse mistério eterno por nunca dizer nada diretamente. Mas é claro, que do mesmo modo que um artista cria a partir do que conhece (como falei acima), nós interpretamos as coisas a partir do que conehcemos também, e do que acreditamos, mas já, já chego nessa parte. O fato é que no momento em que ela, a obra de arte, diz algo diretamente, você acaba com todas as demais possibilidades interpretativas dela. Entretanto, melhor do que explicar é exemplificar: Publicamos aqui um Top 10 de Sinfonias "imprescindíveis" para quem quer se aventurar no mundo da música clássica. Sugiro ler, especificamente, sobre a Sinfonia número 5 de Dmitri Shostakovich. E aí, trazendo essa questão para o Rubem Fonseca, pergunto: Será que O Cobrador fonsequiano está falando de tudo que a sociedade capitalista tira dos pobres ou está apenas validando politicamente a violência? Como disse, a vida é complexa e militar em nome de causas, parece, cansa. E quando digo militar não falo da militância política raivosa, festiva e mística da internet (inclusive ddos militantes que "militam errado"), mas falo da militância estética, o artista que está sempre destruindo, provocando e reconstruindo as estéticas. Isso gasta tanta energia que a vida pessoal do ser humano vira um marasmo conservador (no pior sentido do termo), quando não raivoso. Solto essa questão aqui porque, falando dessa dicotomia artista-obra (que, muitas vezes, se complementam e em outras se contradizem), não faltam exemplos que encontramos com facilidade, formando uma lista interessante (nada pequena) de artistas que foram esteticamente transgressores e politicamente conservadores. Um exemplo que ainda me assusta um pouco é o de Glauber Rocha, que elogiou publicamente um dos grandes líderes e mentores do golpe militar de 1964: Golbery do Couto e Silva, além de Ernesto Geisel. E eu não vejo nenhum jovem membro da intelligentsia militante que busca a todo custo o unicórnio stalinista sagrado da pureza revolucionária consagrada e lacradora boicotando Glauber e o motivo óbvio é que se boicotarmos Gláuber, abre-se um enorme vácuo no cinema brasileiro, que ficaria sem seu principal referencial marginal, tropicalista, político e vanguardista. Sem Gláuber sobraria no cinema apenas Mário Peixoto passível de reverência como artista disruptivo, mas o cara só fez um filme, aí fica foda. Exemplos fora do Brasil também não faltam e um particularmente instigante é o do beatnik canadense Jack Keruac que, como todo bom beatnik, foi um dos pilares fundadores da contracultura norteamericana (tornando-se depois o que comumente muitos chamam de "cultura jovem") e que, segundo relatos biográficos diversos, era uma pessoa quieta, chata, católica e conservadora. Existe inclusive um site chamado The American Conservative (não vou deixar linque porque não sou realmente obrigado), que faz uma análise no mínimo interessante sobre como seu conservadorismo e a busca por seu Deus Católico guiaram sua literatura, apenas confirmando que boas obras, em geral, têm múltiplas interpretações. Existe, ainda, o polêmico e controverso caso da escritora, roteirista e atriz Thea von Harbou que, apesar do trabalho incrível como o romance Metrópolis (originando o filme homônimo roteirizado por ela e o diretor, seu esposo à época, Fritz Lang) teve um mal explicado envolvimento com o nazismo. Segundo Thea, ela se filiou ao partido para proteger seu esposo indiano, mas o caso é realmente tão complexo que a edição brasileira de seu mais famoso romance traz uma espécie de isenção/justificativa/explicação da editora sobre seu envolvimento com o partido hitlerista de modo a evitar romantizações sobre o caso. Outros dois exemplos na música pop internacional são Morrissey principal compositor e idealizador do Smiths e John Lydon/Johnny Rotten. Lydon (também conhecido como Johnny Rotten) além de fã declarado do transgressor social (esteticamente bem mais conservador) Oscar Wilde, Rotten foi simplesmente vocalista do Sex Pistols. Não faz muito tempo, ele foi flagrado com uma camiseta de apoio a Donald Trump. Especificamente sobre Lydon, que fez fortuna negociando propriedades a partir do seu capital inicial advindo do cachê de sua carreira musical (algo no mínimo contraditório para alguém que se vendia como punk), eu não tenho como dizer nada muito além de que eu sempre considerei o movimento punk uma grande farsa (sim, uma grande mentira capitalista) a despeito de um punhado de músicas que julgo divertidas e de sua inegável importância na cultura new wave dos anos 80, além de uma potente influência na literatura, nos quadrinhos e cinema marginais dos anos 70 (eu posso escrever um texto detalhado depois, ao menos para não me acusarem de polemista gratuitamente). O fato é que pouquíssimos artistas, a meu ver, podem ser verdadeiramente classificados como "anarco-punks", então Lydon é apenas mais uma prova do que penso: ele nunca foi punk. Ou apenas um "rebelde sem causa" (como a canção do Ultraje a Rigor) que apenas queria chocar os pais quando jovem. Já Morrissey anda colecionando declarações racistas e xenófobas (sobretudo com relação a asiáticos) enquanto posa de bom moço da causa vegana (alguém lembra do Dado Dolabella? Ele alegou recentemente ter descoberto - após virar vegano - que na época em que bateu na esposa a causa disso foi seu excessivo consumo de carne que o tornava violento, pois a carne é um alimento advindo da violência e deixa essa marca "energética" na comida). E quero salientar (porque hoje em dia precisamos salientar tudo) que não tenho nada contra veganos (e vou até dizer a famosa frase "até tenho amigos que são"), mas uma coisa não tem nada a ver com a outra, mesmo que você queira que tenha. Além disso, soube da campanha do Eric Clapton contra o isolamento social necessário ao enfrentamento da pandemia do coronavírus, mas que veio junto ao resgate de falas racistas e xenófobas dele. Ou seja: exemplos sobram. Bem mais do que eu gostaria. O último é brasileiro: Elba Ramalho que fez parte de um grupo que renovou a MPB no anos 70 entrou numa de fazer discursos lisérgios sobre os cristãos serem a última muralha de proteção da sociedade contra o comunismo. Agora voltemos a Rubem Fonseca... Sabe aquela frase de que quando Pedro fala de Paulo eu sei mais de Pedro que de Paulo? É mais ou menos assim que as coisas na chamada "teoria do leitor" se processam. Antes, as pessoas se calcavam no que genericamente chamamos "teoria do autor" e tentavam esmiuçar todas as possibilidades de significados que um autor ou uma autora tinha colocado em suas criações. Goethe tripudiou isso de forma incrível em seu texto O Conto da Serpente Verde e da linda Lily (conhecido apenas por "O Conto" - em alemão, Das Märchen): disse que quando 52 interpretações tivessem falhado, ele diria o "real" significado dessa obra, espécie de precursora do surrealismo. Bom, ele morreu antes. Mas a dica foi 52, o número de cartas de um baralho, e o conto era visivelmente inspirado no tarô. Perceba: quando alguém lê os contos de Rubem Fonseca (e de qualquer outra pessoa) ela está colocando ali sua visão de mundo. Quando o personagem Cobrador de Rubem Fonseca ameaça o dentista logo no início do conto, você fica do lado de quem? Aliás, consegue escolher um lado? Acha necessário escolher um lado? Em seu conto Curriculum Vitae, publicado no livro de estreia Os Prisioneiros, em 1963 (e um dos meus contos preferidos dele e de tudo que li já na vida), Rubem fala que "todo homem é uma ilha, vamos deixar de poesia". Seria isso? Cada pessoa em seu universo particular interpreta como lhe convém, de acordo com suas crenças e sabe "dosar" essas crenças, afinal, cada texto tem um contexto. Em outras palavras, uma coisa é uma tatuagem de um símbolo viking no braço da Björk, outra uma tatuagem viking no braço daquele seu primo que enche a boca para pronunciar erroneamente o sobrenome alemão do tio-avô dele de Blumenau e que tem um suspeito interesse em temas da II Guerra Mundial. Bom, em algum momento eu vou precisar concluir esse texto, e algo me diz que é agora... O fato é que nosso cérebro tem dois hemisférios e isso pode ser uma grande metáfora para como entendemos o mundo, já que um tende mais ao que chamamos de "emoção", enquanto o outro tende ao que chamamos de "razão". A política e a arte transitam com facilidade entre essas duas searas de nossa vida pessoal e social. Particularmente, prefiro quando a política se baseia mais na razão enquanto a arte se baseia mais na emoção, mas é claro que tanto razão como emoção estão presentes em tudo. A realidade é complexa e não precisamos ter atestado de pureza ideológica de todo mundo que a gente consome. O fato é que é perfeitamente possível, em diversos casos, separar autor e obra em diferentes graus, mas penso que o mais importante, ao se consumir um bem simbólico, é ter em mente que sua interpretação daquilo não é a única verdade sobre aquela obra. Verdades existem aos borbotões. Rubem Fonseca é um escritor genial, a despeito de ter sido um ser humano um pouco mais equivocado que a média (para usar um eufemismo educado). Gostou? Comenta aqui pra gente! A lista citada das 10 Sinfonias que você precisa escutar que publicamos no Topping Toppers está aqui! Se você gosta de artigos sobre literatura, aqui também tem uma lista interessante sobre 10 livros fora da caixinha. Mas se você gosta mesmo de conteúdos políticos, sobretudo os que falam de como a política se infiltra em várias camadas de saber, existem vários na nossa sessão Neurônio Cult! E também um artigo muito interessante de um dos nossos colaboradores em política aqui. Nílbio Thé Editor do site.
- Filarmônica de Viena - As Melhores orquestras do mundo 3
Vamo lá. Não tô indo na ordem de qualidade, de fama, de minha preferência, nem nada. Só vou falar sobre as orquestras dessa lista pra vocês conhecerem mais como operam. Talvez eu fale até de orquestras que não estão na lista. Vamos à maior orquestra da Áustria. A Orquestra A Filarmônica de Viena é uma das 3 maiores orquestras, certamente. Quase tão famosa quanto a de Berlim e tão refinada quanto a do Concertgebouw, é uma orquestra cheia de peculiaridades. Cheia, cheia. A começar pelo fato de não ter um regente titular. Aquele que vai trabalhando o conjunto durante anos, que a faz ter o seu (do regente) som. Um cara pra chamar de "o maestro da Filarmônica de Viena". Não têm. Ela é mais uma instituição. Vamos entender. Os músicos que entram pra Filarmônica são aqueles que mais se destacam em outra orquestra, a da Ópera Estatal de Viena. Tem que passar pelo menos 3 anos nela, tocando ópera e balé (situações em que a orquestra é secundária, mas há grandes conjuntos que fazem isso) para poder fazer um requerimento para ocupar uma eventual vaga na VPO (Vienna Philharmonic Orchestra). Estes músicos são muito valorizados. O violinista Wolfgang Schneiderhan, o flautista Wolfgang Schulz e o clarinetista Karl Leister são só alguns exemplos que alcancaram fama internacional. A orquestra faz sua temporada anual no Musikvereinsaal. Todo ano eles elegem um regente. Por isso, e pelo prestígio que é reger a VPO, todo maestro que você imaginar já passou por lá. Desde Hans Richter e Gustav Mahler, passando por Karl Böhm e Herbert von Karajan, até os talentos modernos Andris Nelsons e Gustavo Dudamel. Eles foram regidos por e estrearam obras de compositores como Johannes Brahms, como suas sinfonias Nos. 1, 2 e 3 (regidas por Hans Richter) e as Variações Haydn (regidas pelo seu próprio punho). Estrearam a 8ª Sinfonia de Anton Bruckner, com o mesmo Richter regendo. O Musikverein A famosa sala de concerto está entre as melhores em forma de "caixa de sapato" do mundo, tanto por sua beleza quanto pela acústica. A sala maior (Großer Saal) acomoda 1.744 pessoas sentadas e 300 em pé. Ainda tem a Sala Brahms e outras 3 menores para recitais e música de câmara. Em 1913 ocorreu o Skandalkonzert (algo como concerto do escândalo), que foi uma apresentação de música moderna regida por Arnold Schönberg, análoga à estreia da Sagração da Primavera, em Paris, que viria a acontecer dois meses depois. Também conhecido como Concerto do Tapa (o organista deu um tapa num membro do auditório), seu repertório chocou o público, e teve de ser encerrado antes do previsto. Era música a expressionista e atonal de Schönberg, Webern e Berg, da qual eu não sou muito fã (mas não quero levar nenhum tapa por isso). A sala também recebe o famoso concerto de ano novo, que é, bem , todo ano. Eles tocam música leve, como as valsas e polkas de Joseph, Johann e Johann II Strauss, bem como obras de Offenbach e outros compositores, geralmente austríacos. As Peculiaridades Os instrumentos pertencem à orquestra, alguns raríssimos, como Stradivarius, Amati e outros. A Filarmônica de Viena afina em 443 hz para a nota lá (o normal é 440). Por que? E eu sei? A primeira mulher a reger a orquestra, Simone Young, o fez em 2005 (é uma instituição, nesse sentido, muito arcaica, tendo até hoje pouco mais de 15 mulheres no seu efetivo). O fagote é tocado sem vibrato. Os trompetes e trombones são menores. Os oboés e as trompas são diferentes etc... Só pra citar algumas coisas que tornam o som dela único no mundo. A Áustria e a cidade de Viena, sua capital, têm muito orgulho da sua orquestra, que é fruto de muito trabalho, alguma doidice e uma longa e bela história. Gravações Importantes - Ludwig van Beethoven - As Sinfonias - regente: Andris Nelsons - uma gravação limpíssima e com o som maravilhoso. - Jean Sibelius - Sinfonias Nº 1, 2, 5 e 7 - regente: Leonard Bernstein - Bernstein, o regente americano mais celebrado do século XX, era um grande sentimental. Ele extraía das orquestras grande expressividade. E eletricidade. - Pyotr Tchaikovsky - Sinfonia Nº 6 (clique para saber mais sobre a sinfonia) - regente: Valery Gergiev - um russo regendo uma das grandes orquestras nessa sinfonia medonha de bela. Não acredito nessa coisa de "só um russo sabe reger um russo". Besteira. Mas acontece algo nessa gravação. - Joseph Haydn - Sinfonias Nos. 94 "Surpresa" e 101 "O Relógio"/Johannes Brahms - Variações Haydn - regente: Pierre Monteux - acreditem, Monteux era um gênio. Nunca vi Haydn regido assim. O Brahms é com outra orquestra, de que ainda falaremos: a Sinfônica de Londres.
- Pitch Meeting legendado 2 - Lua Nova
Segunda parte. Veja a primeira aqui. Compartilho o segundo vídeo que legendei de um canal do YouTube chamado Screen Rant. No canal deles não tem legenda. Mas se gostarem corram lá. * Mal começo = mau começo. Não esqueça de comentar. Não deixe de conferir nossas listas de: Top 10 Sinfonias Top 10 Concertos para Piano Top 10 Sonatas para Piano
- Top 10 das melhores faixas de rock brasileiro: os anos 90!
Depois de uns perrengues dos editores na viagem no tempo aqui, voltamos! E voltamos para os anos 90 e voltamos, claro e mais uma vez com Rodrigo Vargas. Nos encontramos ali com ele no começo dos anos 90 e fomos caminhando conversando sobre o rock brasileiro até 1999 e da conversa veio essa lista de hoje que tem artistas que até hoje estão nas paradas das rádios, festas, playlists e programas de TV. Será que os anos 90 foram tão ótimos assim pro rock brasileiro? Vamos conferir. Top 10 (Rock Brasil 90´s) 10 – Antes Que Seja Tarde (Pato Fu) – banda bonitinha e que vem no embalo do Skank. Não é nada demais mas se surgisse hoje, seria genial. 9 – Jackie Tequila (Skank) – Utilizando o ska (ritmo jamaicano que ganhou o mundo nos anos 90) como estrutura, ganharam as rádios do país e colocaram Minas Gerais no mapa do gênero. 8 – Malandragem (Cassia Eller) – Não costumo reverenciar interpretes. Prefiro autorais pelo conceito de criação artística que sigo mas Eller transcende a arte. 7 – Tudo Que Ela Gosta de Escutar (Charlie Brown Jr.) – Skatistas de Santos, imprimiram um jeito particular de ver o mundo e de brigar por ele. O resultado são músicas arrebatadoras e finais trágicos para suas maiores figuras, Chorão e Champignon. 6 – O Último Dia (Paulinho Moska) – Moska é filhote dos anos 80 com a banda Inimigos do Rei mas foi nos anos 90, em carreira solo que mostrou que era definitivo como artista. 5 – Quem Sabe (Los Hermanos) – Nasceram pop com um disco arrebatador. Tão potente que até o Beatle George Harrison regravou uma de suas canções mais conhecidas, Anna Júlia. Nos anos seguintes embarcou na ideia elitista burguesa e apesar de produzir ótimos discos, soou sempre arrogante e auto suficiente. É tão original que criou uma fissura no rock nacional e até hoje, quase tudo o que surgiu reverbera a sua obra, impondo um abismo criativo em imitadores sem fim. 4 – Adoled (Planet Hemp) – Peso e voz. Uma das bandas mais ativistas de todos os tempos. Lutou pela legalização da maconha. Acabou presa e dividida, mas é sem dúvida um dos marcos daquela geração. 3 – Miséria S.A (O Rappa) – Junta aí todos os elementos cariocas como o morro, o samba, o rap, com um peso absoluto e letras cortantes vindas de um gênio chamado Marcelo Yuka. Uma tragédia interrompeu o sucesso estrondoso que faziam. Um tiro deixou Yuka, na época baterista e letrista paraplégico. A sua saída da banda foi possivelmente tão traumática quanto o crime que sofreu. O grupo continuou sem ele, mas nunca mais foi o mesmo. 2 – Eu Quero Ver O Oco (Raimundos) – Primeira banda de rock da segunda geração de Brasília surgiu com uma originalidade espantosa. Com ritmos nordestinos, letras maliciosas e um peso nunca tão popular no Brasil, tomou conta do cenário. Só foi interrompida pela saída repentina de seu vocalista e líder Rodolfo, que preferiu se tornar um religioso evangélico. 1 – A Praieira (Chico Science & Nação Zumbi) – Um dos grupos mais originais da história do rock brasileiro misturou toda a força nordestina, em um movimento que ficou mundialmente conhecido como Manguebeat. Um acidente fatal tirou a vida de seu líder e criador Chico Science, interrompendo uma trajetória criativa e genial. Gostou? Semana que em a viagem continua! E além disso temos uma lista também do Rodrigo Vargas com o melhor do rock gringo dos anos 90 aqui! Quer saber como essa lista de rock brazuca começa? Ela começa nos anos 70! RODRIGO VARGAS é do mundo. Nasceu em Goiânia, cresceu em Brasília, estudou em Londres e está cearense. Jornalista e psicólogo, teve bandas de rock e atuou como VJ na televisão. Foi apresentador e editor de cultura da afiliada à rede Globo no Ceará. O resto é história!
- Beatles e o Cover de Twist and Shout... espera, você disse cover!?
Você, estimado leitor, certamente já deve ter assistido o filme Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986) e balançado o esqueleto na parte em que Ferris sobe no carro alegórico e faz um Lip Sync de Twist and Shout??? Ou ainda, antes disso, ouviu essa canção naquele LP arranhado de Please, Please Me do quarteto de Liverpool? Pois bem. De forma alguma estou aqui para diminuir a genialidade de John, Paul, Ringo e George. Mas não posso ser negligente na missão de destruir crenças musicais. Claro que estou brincando, mas uma coisa precisa ser dita: Twist and Shout não uma canção original dos Beatles. O ano era 1961. O grupo vocal de rhythm and blues The Top Notes lançou, dois anos antes da versão consagrada mundialmente pelos Beatles no álbum de 1963, no formato de single, a primeira gravação de fato de Twist And Shout (música composta por Phil Medley e Bert Russell), produzida por nada menos que Phil Spector (que viria a produzir ícones como Ike and Tina Turner, Leonard Cohen, Ramones, os próprios Beatles e depois álbuns solo de John e George). Ainda antes de ser gravada pelos Beatles, ela recebeu uma versão pelos The Isley Brothers, muito mais parecida com a consagrada, se comparada com a dos Top Notes. Deixo aqui as 3 versões citadas para apreciação. Top Notes: Abaixo versão de The Isley Brothers. Imagem da primeira fase ainda do grupo e que se parece, visualmente falando, com a foto dos Top Notes. Abaixo a versão mais famosa, dos Beatles, que é comumente tida como sendo a original por muitas pessoas. LEANDRO KRINDGES é Técnico Químico de profissão, licenciado em Biologia por paixão, fã de Foo Fighters a Belchior e de tirinhas, especialmente Peanuts. Sempre teve curiosidade em saber o que se passava por trás das músicas, e essa busca se tornou um hobby. Tecladista da Banda Villa Rock, arranha também violão e guitarra. Aprendeu a gostar de ler depois do Kindle.
- Disco: Preghiera -Trios de Rachmaninoff
A gente ouve várias gravações da mesma peça. No caso dos 2 Trios Élégiaques de Rachmaninoff, a versão de referência, ou ao menos uma delas, é do Beaux Arts Trio. Mas mesmo o grupo dessa formação (violino, violoncelo e piano) mais famoso do mundo não é páreo para quando uma gravadora resolve juntar 3 solistas geniais. É o caso do disco Preghiera, de 2017, que junta o violinista letão Gidon Kremer, a violoncelista lituana Giedre Dirvanauskaite e o pianista russo Daniil Trifonov. Os três simplesmente dominam as peças. O álbum abre com a peça que lhe dá nome: Preghiera é um arranjo de Fritz Kreisler para o segundo movimento do Segundo Concerto para Piano de Rachmaninoff. Ele reduziu para piano e violino (seu instrumento, com o qual chegou a gravar algumas sonatas com Rachmaninoff). É bonito, mas é só o que eu tenho a dizer. Seguimos com o começo propriamente dito. Eles invertem e tocam o Trio Élégiaque Nº 2 primeiro. E com perfeição. É uma peça que tem estrutura de sonata, e é elegíaca (dã), então você não pode sair desse clima meio fúnebre, mas encantado. Quase de oração (Preghiera é oração em italiano, ou me corrijam). Pois bem, do clima eles não saem, fazendo com maestria as pequenas variações de humor presentes na peça. Mas é a expressividade que é marcante. Como o trio é uma formação bem pequena, todos os três têm a oportunidade de brilhar e mostrar sua sensibilidade no fraseado. O compositor escreveu essa peça após a morte de seu amigo e mentor Pyotr Tchaikovsky. A solenidade e a beleza mostram o quanto ele admirava o mestre, que morreu repentina e tragicamente em 1893. Tem 3 movimentos. Por um tempo ele, que era muito autocrítico, não gostava da obra. Até que ouviu uma performance arrebatadora do Trio Moscou: "Vocês me fizeram amar meu Trio!" Curiosamente, é do 1º Trio Élégiaque que eu mais gosto. Ele é em um só movimento, mais curto que cada um dos dois primeiros do Trio nº 2. É uma peça que ele compôs quando era estudante, aos 18 anos. Mas é uma pequena joia. Ele começa com o acompanhamento do violino e do violoncelo, um artifício (abrir a peça com uma figura de acompanhamento) que ele usaria famosamente no 3º Concerto para Piano, muitos anos depois. Aí o piano anuncia a maravilhosa melodia, que servirá de tema principal pela obra. Ela termina com o mesmo tema, mas dessa vez com um verdadeiro acompanhamento de Marcha Fúnebre. Os Trios Elegíacos de Racmaninoff estão entre os mais expressivos e belos da literatura (vasta) para esta formação. Sugiro que você escute e depois me conte o que achou. São obras de uma magnitude e importância enormes.
- Como as orquestras estão lidando com a pandemia?
A pandemia fez o mundo ter que se repaginar. Os artistas fizeram a reconstrução de todo o seu papel (pra não falarmos de empresários, trabalhadores autônomos, professores...) e achar novos meios de se promover, de fazer seu trabalho. Se tem no mundo uma instituição que vive no limite entre a operacionalidade plena e a falência sumária é a orquestra sinfônica. Tomemos o exemplo brasileiro da OSESP (Orquestra Sinfônica Estadual de São Paulo), que é sustentada por uma fundação, pelo estado de São Paulo e pela venda de ingressos. Há uma imensa estrutura em volta da orquestra: pra começar, eles têm mais músicos do que se costuma ver no palco. Eles fazem revezamento. A OSESP emprega desde seu diretor artístico e seu regente até o caixa da lojinha de lembranças. Tem um contrato saudável de gravações, de onde tira mais uma comissão e vários conjuntos de câmara autossustentáveis. A equação é simplérrima, pra ser claro: o que entra tem que ser igual ao que se gasta. Isso significa que se alguma dessas fontes de dinheiro ficar comprometida, haverá problema. O mais óbvio que a pandemia nos trouxe foi a ausência de público. O grupo já voltou a dar concertos, mas, como são uma entidade não negacionista da realidade, toca para um público limitado. Não podem cobrar mais caro pelo ingresso, seria desleal e acho que é literalmente proibido. Então como as orquestras têm feito? A OSESP viu o orçamento R$ 100 milhões de reais, que era o previsto, cair para R$ 74 M. O governo de São Paulo teve que fazer um corte de 14% no repasse para a orquestra. O que os salvou foi a solidariedade do público: tendo comprado ingressos antecipados para concertos que não aconteceram, concordaram não pedir reembolso e doar os valores para a instituição. Os músicos e funcionários concordaram em cortar o próprio salário em 15%. Regentes e músicos têm aceitado cortes antes impensáveis nos seus salários. Os músicos da Orquestra de Filadélfia recebem 75% do seu antigo salário, isso até março, quando eles vão reavaliar. Algumas orquestras simplesmente não estão tendo a temporada 2020-2021, como a Sinfônica de Boston e a Filarmônica de Londres. A Orquestra Metropolitana de Nova Iorque teve perdas estimadas em 100 milhões de dólares e resolveu fechar as portas temporariamente. São tempos difíceis para todos nós. Eu acho que o mundo vai, com o tempo, se acomodar à nova realidade. Vamos passar uns bons anos assistindo a concertos, shows, peças e exposições na tela do celular. Digo anos porque, mesmo quando a pandemia passar, teremos nos habituado a essa nova vida. Um novo mundo polarizado, humilhado, transformado e devidamente sofrido. Só espero que no meio do caminho a música não pare.
- A Mina da Roupa de Borracha #04
Uma história em quadrinhos de Dona Dora. Dona Dora Nascida no Rio e criada na Ceilândia-DF, foi estudante de escolas públicas e formada em Artes Plásticas pela UnB - Universidade de Brasília. Em 2013, passou a produzir quadrinhos participando de eventos marginais ou feiras de coletivos de produção independente Zines. Desde então faz uns desenhos diferenciados, pinta quadros, faz quadrinhos e atualmente dá aula de Artes para o Ensino Médio. Curadoria de quadrinhos: Nílbio Thé e Isabelle Prado.
- A monogamia é a forma cristã de amar.
Em seu artigo sobre a interferência colonial das relações afetivo-sexuais de indígenas, Vania Moreira (2018) comenta que: "Em razão de ser o matrimônio monogâmico um dos sacramentos do catolicismo, a não monogamia impedia a conversão e o batismo dos adultos, comprometendo seriamente o sucesso da obra missionária. Pode-se mesmo afirmar que superar a não monogamia dos índios se tornou uma verdadeira obsessão dos missionários dedicados à evangelização. O combate à poligamia dos índios foi trabalho pastoral intenso e contínuo dos jesuítas no Brasil" A colonização não acabou, nem a cristianização, que é sua essência. A positivação das leis coloniais segue no vocabulário de muitas pessoas que defendem o jeito cristão de amar: monogamia, pra elas, significa amor, profundidade, cuidado, respeito etc. Não monogamia, associam à falta de controle sobre o corpo, a amores falsos, rasos e afins. É o mesmo repertório colonial atualizado. O padre José de Anchieta (1584-1586) em suas cartas comenta que nunca tinha presenciado nenhum indígena assassinando ou agredindo companheiras por adultério. Óbvio, não havia o pressuposto monogâmico. Há quem defenda monogamia saudável ou mesmo revolucionária, como se houvesse um jeito bom dela acontecer. Mas se é assim, se determinada relação não se pauta em posse, controle e cerceamento, porque chamá-la de monogamia? Não existe uma monogamia boa x uma prática ruim de seus preceitos, pois a própria moralidade é o que a organiza. Assim como não existe monogamia escolhida (escolhas só podemos fazer sobre nosso próprio corpo), também não existe não monogamia imposta (pois ela é uma reivindicação sobre si, não sobre o corpo alheio). Uma pessoa pode se relacionar com apenas uma pessoa e ser não mono, pois, repito: não monogamia é sobre não se autorizar a legislar desejos e afetos alheios. A autonomia afetivo-sexual é um direito (que deveria ser) intransferível. Algo ser combinado ou acordado não significa que é ético e não é ético combinar a terceirização da sua própria autonomia. Geni Núñez Ativista indígena. Psicóloga e amante do pensamento artesanal. Membro da articulação brasileira de indígenas psicólogos.
- Reunião de Roteiro - Crepúsculo
Compartilho um vídeo que legendei de um canal do YouTube chamado Screen Rant. É só entretenimento, tá, gente? No canal deles não tem legenda. Mas se gostarem corram lá. A situação é a de que um roteirista vai apresentar o roteiro ao produtor (o mesmo ator faz os dois). Quando você se acostuma, que tudo é irônico, você termina o vídeo pensando no tanto de furo que tem no roteiro do filme em questão. Começemos com Crepúsculo. Não esqueça de comentar. Não deixe de conferir nossas listas de: Top 10 Sinfonias Top 10 Concertos para Piano Top 10 Sonatas para Piano
- O Que Aconteceu Antes da Foto ou a música que não foi
Conversa no WhatsApp entre mim e o Nílbio. Nílbio - Eu vejo essa foto e lembro do que aconteceu antes e morro de rir!😂😂😂 Rafael - O que foi? Tu não sabe a história? Não. Tu lembra que o caetano e o chico tinham um programa de tv? Sim. Certo Aí um belo dia, aproveitando uma turnê do Piazzola no Brasil ele foi convidado pro programa deles Daí Chico chegou no ouvido do Caetano e disse Pega a visão, o Piazzola um tempo atrás me mandou uma melodia. E me pediu uma letra. Se liga, foi numa noite de bebedeira ali pelo café Tortoni, depois que chegamos de uma noitada lá no caminito da vez que fui lá. Ele talvez nem lembre. Eu mesmo só me toquei agora Continuo, Chico, estou estimulado com essa história, disse a caetano Então Caetano... Daí eu pensei no seguinte: eu bato um fio pro Piazzola lá no hotel e combino com ele. Faço a letra e daqui uma semana quando a gente for fazer o programa a letra vai tá pronta e a gente faz ela no programa. Inédita Puxa Chico... ontem eu me perguntava o que você pensava de mim. Se você gostava de mim e agora você fala essa coisa linda. Você é lindo, Chico. Você deu o furo do programa. Que furo lindo esse seu Aí Chico chegou em casa. Tomou um uísque com Marieta e bateu o telefone pro Piazzola Daí o Piazzola atendeu ¡Hermano Chico! ¡Me gusta muchissimo tu llamada! Daí o chico mandou a real e fez o hermano Astor lembrar a melodia Hermano Astor chega ficou de p... duro com a promessa que em uma semana teria uma parceria que abalaria o cone sul. Toda aquela latinidade Hermano Astor passou uma semana treinando a música enquanto irmão Chico teve um bloqueio criativo. Acontece que toda a mpb já tava sabendo desse rolê do mercosul da música pq num ensaio com os Doces Bárbaros o caê mandou a visão pra Gil, Bethania e Gal. Alguém falou pra Paulinho da Viola, Tim Maia que contou pro Nelson Motta de modo que rolou uma energia. Aí claro que alguém teve a ideia de chamar o Jobim pro programa para garantir o fornecimento de energia artística cósmica para o continente porque realmente era muita energia envolvida numa parceria Buarque-Piazzola. Daí ficou acertado que no programa ia ter o Caetano, o Chico e o Tom ciceroneando o hermano Astor como atração principal. Daí Que NO DIA DA GRAVAÇÃO o hermano chega com o bandoneon emocionado já tocando a melodia desde a entrada no prédio dos estúdios e dançando uns passos de tango. E o no camarim o zói de bila chega no hermano e diz "não deu". Acontece que o hermano era a condensação da latinidade. E já abalado pela perda das Maldivas para a Inglaterra ele não contou pipoca e partiu pra cima do Chico. TÁ ACHANDO QUE EU SOU O BOB MARLEY, CAR()$HO!? PAZ E AMOR? NEM FUTEBOL EU JOGO. MEU DESPORTO É O BOXE! EU VOU JOGAR ESSES OLHO VERDE NO MAR, SEU C&*ÃO (claro que tudo isso em espanhol) E partiu pra cima Tom Jobim que apartou os ânimos culturais do cone sul , provavelmente contou alguma história da Violeta Parra ou da Mercedes Sosa ou ainda um grane segredo de Frank Sinatra e aí todo mundo se acalmou e foi na hora que - provavelmente o Nelson Motta chegou e - bateram essa foto que eu não sei quem tirou, mas como disse: não duvido do Nelson. Rafael - Achei fofa a maneira fragmentada e espetacular com que tu contou a história.
- Filarmônica de Berlim - As Melhores Orquestras do Mundo 1
Vou falar um pouco sobre cada orquestra dessa lista. E outras. Conhecer uma orquestra é como conhecer um sotaque. Seu som é tão próprio que, às vezes, dá pra identificar. Os especialistas identificam qual orquestra está tocando em poucos segundos. Eu não vou tão longe: identifico se é inglesa, russa, americana, germânica... Mas não foi planejado. Foi consequência de escutar muita música. E tem certas orquestras que dá mesmo pra destacar várias características e, a partir destas, ir afunilando as possibilidades até que você tenha certeza de qual está tocando. É o caso da primeira dessa série, a Orquestra Filarmônica de Berlim. A Alemanha tem tantas orquestras fantásticas (só em Berlim, eu lembro de 4) que é uma proeza uma delas ser considerada a maior. A BPO (Berliner Philharmoniker) consegue ser a orquestra mais famosa e, em muitos aspectos, a melhor do mundo. Começa com o orçamento: um músico dela ganha, em média 9 mil euros por mês só de salário. Ganham ainda comissões por gravação e por seus trabalhos como cameristas - a orquestra incentiva que seus músicos façam música de câmara. Isso faz com que cada vaga seja disputadíssima e que cada músico contratado seja de absoluta competência. Músicos de destaque Veja o exemplo de três solistas. Daishin Kaishimoto, um jovem violinista japonês, que é simplesmente o spalla (principal violino) da orquestra, já gravou como solista (em concertos para violino, existe um violinista principal, que fica em pé, além dos pra lá de 20 violinos normais da orquestra). Ou seja, quando não está sendo o spalla da maior orquestra do mundo, está sendo solista. Gravou o concerto de Brahms com Myunh-Whun Chung e a Staatskapelle de Dresden (outra orquestra fenomenal) e tem um contrato com a Sony. Emmanuel Pahud, flautista suíço que faz sucesso desde os anos 90, é uma das estrelas da BPO. Chegou a abandoná-la nos anos 2000, mas voltou e é o primeiro flautista do conjunto. Pahud tem uma relação muito boa com a Orquestra Sinfônica Estadual de São Paulo, tendo sido artista residente na década que graças a deus se passou. Além de ter vários discos gravados e ser um dos flautistas vivos de maior reputação. Andreas Ottensamer, este muito jovem (31), é o primeiro clarinetista da orquestra. É uma das estrelas da vez. Seu pai, Ernst, teve o mesmo cargo na Filarmônica de Viena, que hoje é ocupado por seu irmão Daniel. Tem gravado profusamente, lançando discos com Yuja Wang e como solista na própria BPO. Maestros Os maestros são um capítulo. Entre 1882 e 1922, seus regentes principais foram Ludwig von Brenner (1882–1887), Hans von Bülow (1887–1893), Richard Strauss (o compositor) (1894–1895) e Arthur Nikisch (1895-1922). Um começo extraordinário, com ênfase em Nikisch, que trabalhou com ela por mais de 2 décadas e era considerado o maior regente de então. Mas eis que assume Wilhelm Furtwängler (1922-1945). Ele dirigiu a orquestra no começo da era das gravações e nos deixou várias, que são consideradas um tesouro. Furtwängler era um maestro altamente idiossincrático, falava pouco nos ensaios, regia lento e sem precisão, tomava várias liberdades com a partitura, especialmente no que diz respeito aos andamentos; mas tirava um som único. É do tipo que ou você ama ou detesta. Logo depois dele, Sergiu Celibidache regeu a orquestra por 7 anos até que Furtwängler voltou por mais duas temporadas, terminando em 1954. Agora vejam, de 1954 até 1989, a orquestra só teve um regente. Ninguém menos que Herbert von Karajan. Ele assumiu a orquestra jovem e só saiu porque morreu. A Era Karajan é marcada pelas seguintes características. A sonoridade, a afinação, o equilíbrio (entre sopros e cordas) eram perfeitos. Perfeitos como nunca um regente havia feito. Isso tinha um custo. Alguns críticos acusavam (e eu, mesmo fã de Karajan, concordo) a orquestra de só ter um som. Pouca variedade, pouco colorido. Sonoridade engessada. Essa sonoridade funcionava muito bem, na minha opinião, em Beethoven e Brahms. Nos românticos em geral. Quando chegava no impressionismo, realmente faltava um pouco de fluidez. Mas isso é ínfimo, não quer dizer que eles tocavam mal Debussy. Apenas eram mais adequados à produção de um som mais duro. Eles gravaram, no tempo de Karajan, praticamente tudo que se tinha pra gravar. Gravavam, por exemplo, as sinfonias de Beethoven nos anos 60, daí nos anos 70 a tecnologia mudava e eles gravavam de novo. E de novo nos anos 80 para CD. Ele era famoso como um pop star. E vendia como um. Outra sacada de mestre foi o VHS. Eles eram a orquestra mais filmada, sem dúvida. E lançavam as fitas, e depois, DVDs. Aí a gente ia se familiarizando com os músicos e com o maestro. Depois mudariam de estratégia, mas eu falo disso mais pra frente. Mas eis que ele morre e fica aquele grande mistério: quem os músicos vão escolher para ser seu próximo regente? Daniel Barenboim, o famosão, era cotado. Assim como Ricardo Muti, o galã. Parecia a espera do anúncio do papa. E eles acabaram elegendo o discreto Claudio Abbado, com uma certa surpresa geral. Abbado tinha feito importantes gravações sinfônicas, tinha trabalhado com a Sinfônica de Chicago, a Sinfônica de Londres, a Filarmônica de Viena. Tinha afinidade com um repertório vastíssimo, que ia desde a música barroca até a contemporânea. Então foi ele, nos anos 90, que se encarregou de mudar no que Karajan tinha falhado, mas mantendo o que ele conquistara - era a orquestra mais famosa do mundo não por acaso. E ele trouxe muita música nova, como a de seu amigo, compositor Luigi Nono. Claudio Abbado deixou a orquestra no fim do seu contrato, em 2002. Lutava à época com um câncer. Em 2004 voltou a regê-la como convidado. Morreria em 2014. Pois o seu titular pelos anos 2000-2010 seria, surpreendentemente, o inglês Simon Rattle. Rattle é mais um acontecimento do que um regente. Não que ele não seja musicalmente bom. É competente. Mas onde ele chega, ele muda as coisas. Tinha trabalhado antes na Sinfônica de Birmingham e transformado-a em uma orquestra de alto nível, construindo uma sala de concerto de respeito. Em Berlim ele fez performances dramáticas de oratórios de Bach (dramáticas, mesmo, com atores), trazia música moderna, levou a orquestra em uma turnê asiática. E nessa época eles resolveram fazer um app. Sei que você releu, mas é um app, mesmo. Falo mais abaixo. Pois bem. Em 2019 eles anunciaram que começariam a trabalhar com um novo regente. O eleito foi Kirill Petrenko. Um regente ainda jovem, com uma discografia pequena. Com a pandemia, ainda não dá pra avaliar nada de como a orquestra se comporta com ele. Mas, sem dúvida, é um talento. Digital Concert Hall Em 2008, eles lançam o Digital Concert Hall, que basicamente é a Netflix da BPO. Você assina, baixa o app e pode assistir a milhares de concertos e documentários. E pode assistir aos concertos que estão acontecendo, ao vivo (que, depois, são adicionados à biblioteca). Além disso, eles disponibilizam os famosos vídeos da orquestra da época de Karajan e de Abbado. Já notou como é difícil ver vídeos de obras completas da orquestra no YouTube? Estão todos no app. A Philharmonie Toda orquestra de peso tem uma casa de concertos à altura. A Philharmonie, inaugurada em 1963, tem 2 salas: a maior, onde a orquestra se apresenta, acolhe 2.440 pessoas; a menor, dedicada à música de câmara, 1.180. Anteriormente a Filarmônica tocava na velha Philharmonie, que foi destruída na guerra. E aí está o perfil da "Maior Orquestra do Mundo". Pra ficar claro: a BPO, a Filarmônica de Viena e a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdã costumam alternar, ano a ano, as três primeiras posições nesse quesito. Comente o que achou. Já experimentou o aplicativo? Gravações Importantes - Ludwig van Beethoven - Sinfonia Nº 6 "Pastoral" /Carl Maria von Weber - Abertura Der Freischutz / Maurice Ravel - Suíte Nº 2 de Daphnis et Chloé - regente: Wilhelm Furtwängler - uma gravação de um concerto de 1944, simplesmente sublime. Dapnhis et Chloé elétrica, Pastoral plácida e Freischutsz preciso. Lembre-se que as gravações ao vivo de Furtwängler na guerra, em Berlim, eram super carregadas. As pessoas choravam e se emocionavam muito. - Ludwig van Beethoven - As Sinfonias e Aberturas - regente: André Cluytens - atenção às aberturas. Também à 5ª Sinfonia, da qual ele tira muita energia e à 6ª, que parece outra orquestra. - Ludwig van Beethoven - As Sinfonias - regente: Herbert von Karajan (anos 80, que tem um som melhor que as gravações das décadas anteriores e igual valor artístico) - atenção às sinfonias Nº 3 e 5. - Gustav Mahler - Sinfonia Nº 7 - regente: Claudio Abbado - das gravações de Abbado, pelo menos com a BPO, esta é a que mais me cativa, mesmo não gostando muito de Mahler. Mas é difícil escolher, ele me agrada em tudo. - Franz Liszt - Concertos para Piano Nos. 1 e 2 / Sergei Rachmaninoff - Concerto para Piano Nº 2 - regente: Leopold Ludwig, pianista: Andor Foldes - três gravações maravilhosas desse pianista que precisa ser mais apreciado. - Pyotr Tchaikovsky - Sinfonia Nº 6 "Pathétique" - regente: Kirill Petrenko - belamente tocado e regido como quem ainda está tateando sua nova orquestra, o disco mostra uma das melhores gravações de Tchaikovsky por um regente russo. A Filarmônica está surpreendente.
- Música Calada - A Arte de Federico Mompou
Claude Achille Debussy, o grande compositor francês da virada do século XIX para o XX, talvez tenha sido o compositor mais influente de sua geração. Até mais que Stravinsky e Schoenberg. Porque seu estilo não ditava regras, ele removia regras. Ele mesmo foi influenciado por outros, obviamente. Especialmente por Erik Satie, um compositor estranho. Devia vir junto com o nome dele: Eric Satie, um compositor estranho. O que Eric tinha era uma escrita esparsa, como manteiga espalhada sobre muito pão (referência nerd)... O que não significa que não tivesse densidade. Você só tinha que esperar mais pra ver essa densidade. Mas depois eu falo sobre Satie. Debussy herdou muito das texturas dele (ambos escreveram muita música para piano, e é a ele que me refiro aqui). Os acordes eram tonais, ou seja, tinham nome, mas eram carregados de dissonâncias "agradáveis". A forma final do impressionismo musical foi dada por Debussy. Ele detestava esse termo, mas não tinha como fugir dele. Sua música era mais uma sucessão de sensações do que uma narrativa clara. Heitor Villa-Lobos teve sua fase emulando o impressionismo. Obras como "A Prole do Bebê", livros 1 e 2, são repletas de atmosferas fantásticas e pianismo quase orquestral, em suas cores. O compositor Federico Mompou (1893-1987) foi muitas vezes chamado de Debussy catalão. Não sei se ele gostava, mas ele também não tinha como fugir do epíteto. Sua obra para piano é delicada, meio mística e muito charmosa. Morou na juventude em Paris, onde conviveu com Debussy, Ravel e Satie. Na II Guerra, voltou a Barcelona. Vim falar da sua Musica Callada, uma série de 28 preludiozinhos para piano composta entre 1959 e 1967. O que seria uma música silenciosa? Bom, começando a ouvir, já se tem uma ideia. Ela tem notas, mas parece se valer do silêncio entre elas de maneira mais assertiva. Parece que a música tem um segredo. Não que seja um segredo musical, mas a personalidade dela é como a de alguém que tem um segredo. Por falar nisso, algumas têm codigozinhos musicais, mesmo. Uma melodia da qual, se você tirar algumas notas, faz inesperado sentido tonal, por exemplo. Aliás isso é recorrente nas peças: ele às vezes escreve um simples arpejo e enxerta 2 notinhas dissonantes que fazem toda a diferença. O título ele retirou de um poema de San Juan de la Cruz: La noche sosegada En par de los levantes de la aurora, la música callada. La soledad sonora la cena que recrea y enamora O poema, que é enorme (isso é um trecho), fala sobre a necessidade de encontrarmos a nossa música interna, que emana do silêncio. Mompou foi gravado por grandes pianistas, como Guiomar Novaes, Alicia de Larrocha, mais recentemente, Arcadi Volodos, Daniil Trifonov e Stephen Hough. Mas existe uma gravação que não tem preço (aliás, acho que tem), que é do próprio compositor tocando os 4 livros de sua Musica Callada. Vou deixar o link do Spotify. Escutem e divirtam-se. https://open.spotify.com/album/0afR50oLPpYbh8MsCUJYpr?si=UpM_g8EGRgqsybiquil7yA
- Música: Nada - para Camila Pitanga e Domingos Montagner
Pensei em compartilhar com vocês essa música que eu fiz em que o eu lírico é a Camila Pitanga, falando ao Domingos Montagner. Não vou contar a história porque todo mundo conhece e eu não tenho nada a acrescentar. Só Nada. Por favor, entendam que a gravação foi feita aqui em casa, gravei todos os instrumentos e as vozes, então a qualidade não é das melhores. Nada Eu, tu e o rio, nada Pois ninguém viu nada Vem devagar, nada Meu coração Nada Eu tão fascinada Eu, que de danada Não pressenti nada Vem, por tudo Nada Minha história é só mais uma No São Francisco rabiscada Foi a nossa novela Mas sei que o rio não me deve Nada Pelo amor de nada Água amotinada Desafortunada Só te peço Nada Era maravilhoso nós dois No São Francisco à toa Mas naquela hora nunca Desejei tanto ver canoa Pude fazer nada Vida ali é nada No fim da jornada Pela água Nada Até hoje Nada No meu peito... 15.12.2020 Veja a música que eu fiz para a minha filha, Beatriz - Choro Dela
- Top 10 Discos de Tom Jobim
A discografia de Tom Jobim é relativamente pequena. Alguns de seus melhores discos ele fez com a Banda Nova, um conjunto que ele montou e que constava com Danilo Caymmi (flauta e voz), Paulo Jobim (violão), Jaques Morelembaum (violoncelo e alguns arranjos), um grupo de vozes femininas, bateria e baixo. Ele ao piano e cantando a maior parte das músicas. A voz de Tom Jobim tem duas características, pra mim. Não era muito boa, tecnicamente e timbristicamente, mas ao mesmo tempo, era aconchegante. Lembrava muito meu avô cantando bossas quando eu era criança. Então talvez só eu goste dela. Ou outras pessoas com experiências semelhantes. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim era natural do Rio de Janeiro. Cidadão do mundo, acho que ele cunhou esse termo aqui no Brasil. Foi o compositor brasileiro de maior sucesso no exterior até hoje. Foi gravado por todos os jazzistas. Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Diana Krall fizeram discos inteiros dedicados à sua obra. Criou, junto com João Gilberto, a bossa nova, que era mais do que um ritmo, era um jeito de cantar, de tocar violão, de fazer a bateria, de compor, fazer letra etc. Tom faleceu em 1994 de câncer, doença contra a qual muito lutou. A Banda Nova, ativa por 10 anos, se dissolveu então. Aos discos. Atenção, dei prioridade aos de estúdio em que ele toca principalmente músicas suas. 10. Terra Brasilis (1980) O problema de visitar a discografia de Tom é que ele não gravou as músicas de maneira linear. Canções compostas pra aquele álbum. Pelo menos não necessariamente. O disco duplo Terra Brasilis, por exemplo, abre com a versão em inglês de Vivo Sonhando, que é Dreamer, bem anterior a ele. Guardem essa informação, porque vai ser importante: ele não compunha álbuns, mas gravava o que lhe dava na telha. Continuando, temos a linda Canta, Canta Mais, dele e do Vinícius, outra bem antiga, e que ele gravaria com mais autoridade mais tarde. Olha, Maria é parceria tripla de Tom, Chico Buarque e Vinícius de Moraes. Chico havia gravado em seu disco Construção, de 1971. Aqui, Tom grava só instrumental, o que eu acho que funciona perfeitamente, porque mesmo desprovida de sua letra monumental, a música é absurda. Temos várias regravações, como Samba de Uma Nota Só, Dindi, Quiet Nights of Quiet Stars (Corcovado), Desafinado, Wave. Tudo muito bom. Esse disco é perfeitamente bom. Não é super profundo, mas é absolutamente agradável! 9. O Tempo e o Vento (1985) O disco da trilha sonora da série da Globo, baseada na série dos meus livros favoritos, O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, uma saga gaúcha. Ele nos trouxe como tema principal Passarim, uma das músicas mais charmosas do Tom e que, depois, daria origem a um álbum inteiro. Tem músicas instrumentais e muitas das faixas não são cantadas por ele, por exemplo, Rodrigo, Meu Capitão e Senhora Dona Bibiana, cantadas por Zé Renato. Mas é um disco de climas, é um daqueles que você escuta sempre do começo ao fim. 8. Matita Perê (1973) Tom Jobim se interessava muito pela mata, pelos passarinhos e pelo folclore brasileiros. Esse disco, que abre com Águas de Março, tem muito da alma brasileira. Pra ficar claro, não é o Jobim americano de que tantos tanto reclamaram. É o Tom saudoso, quase uma versão popular do Villa-Lobos. Não que o disco seja extremamente nacionalista, mas é um dos primeiros discos em que ele canta sobre os próprios interesses. Ele levaria a brasilidade a extremos num disco que veremos mais à frente. Matita Perê tem a belíssima Ana Luiza, que eu acho que deveria ser tão popular quanto Lígia. A faixa título, composta com letra de Paulo César Pinheiro, tem mais de 7 minutos, fazendo longas jornadas tonais. É uma das músicas mais impressionantes do maestro. O disco tem poucas e longas faixas, o que o torna mais interessante para nós músicos, talvez. 7. Inédito (1995) Esse disco tem um nome irônico, já que não apresenta uma única melodia que já não tivesse sido gravada antes. Ele foi gravado sob patrocínio de uma empresa (aquela que não devemos nomear), em 1987, que queria fazer um apanhado da carreira do compositor. Só em 1995 ele foi lançado para o público em geral. Tom dizia que foi o disco em que ele mais se divertiu ao gravar. É todo com sua banda, muito entrosada, nada de convidados ("chega de convidados" ou algo assim). E gravado em casa. Temos Wave, Desafinado, Garota de Ipanema (muito bom arranjo), Retrato em Branco e Preto, Sabiá, Samba do Avião, Estrada do Sol, Águas de Março e muitas outras em arranjos camerísticos (temos algumas poucas cordas) que funcionam muito bem. Eu cresci ouvindo esse disco, lançado quando eu tinha 14 anos, daí meu favoritismo. Danilo Caymmi canta lindamente a Modinha de Villa-Lobos. 6. Passarim (1987) Passarim parece inaugurar essa nova fase do Tom. A fase à qual pertencem o disco anterior da lista e Brasileiro. O Tempo e o Vento já nos tinha apresentado a faixa título, mas aqui ele mostra a forma final dela. Bebel é mais uma canção derramada e linda sobre um personagem feminino. Anos Dourados tem a participação do seu co-autor Chico Buarque, amo essa canção como, de fato, todas as dessa parceria. Luiza, a canção ideal, aparece com uma tonelada de reverb, coisa dos anos 80. Mas está linda. Temos ainda Borseguim, Gabriela, uma interpretação maravilhosa de Fascinatin' Rhythm, de George e Ira Gershwin... É um disco maravilhoso nessa nova era com arranjos menos monumentais e Villa-Lôbicos, tendendo mais a valorizar a banda, seus cantores e suas cantoras. 5. Urubu (1976) Esse é o disco nacionalista do Tom Jobim. A começar pelo berimbau que abre o disco na canção O Boto. A orquestra parece querer tomar o campo, às vezes, com a eloquência, agora sim, de Villa-Lobos. Não são cordas discretas como nos seus discos futuros, mas madeiras e metais tocando elementos rítmicos que são concebidos como parte das canções. São os arranjos sensacionais de Claus Ogerman. Lígia é, como sabemos, uma das mais belas melodias do Tom, assim como é Ângela. Correnteza tem um lindo arranjo, pra variar. Saudade do Brasil é uma música que podia ser do Villa. Sinfonicamente linda, ela parece que fala de ter saudade de uma coisa em que você está, não como se ele estivesse fora do Brasil cantando sua saudade, mas dentro. 4. Edu & Tom/Tom & Edu (1981) Esse é o disco que eu menos escuto dentre os dessa lista. O que não significa que eu não conheça sua importância e sua qualidade. Apenas não costumo ouvir muito. Mas tem uma maravilhosa Pra Dizer Adeus, de Edu Lobo e Torquato Neto; uma agradável Chovendo na Roseira; a gravação definitiva de Vento Bravo; tem ainda Ângela, Luiza, Canto Triste etc. O disco é mais cantado pelo Edu, com Tom fazendo aquelas suas típicas intervenções. É obrigatório, porque aqui se juntaram dois gênios compositores tocando suas maravilhosas canções. 3. Elis & Tom (1974) Elis & Tom é um álbum feliz. Feliz e triste. Porque ela sabia cantar as duas coisas como ninguém. E aqui ela está cantando o maior compositor do nosso tempo. Os arranjos tinham tudo pra ficar datados, mas não aconteceu isso. O disco é bem atemporal. Além da antológica interpretação de ambos de Águas de Março, temos gravações imortais de Por Toda a Minha Vida, de Pois É (muito difícil de cantar, com uma harmonia magistral), Só Tinha Que Ser Com Você, O Que Tinha Que Ser e muitas outras. 2. Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967) Frank Sinatra era o homem que tinha mais facilidade em cantar na música americana de sua geração. Ele não costumava dedicar álbuns inteiros a um compositor, mas abriu uma exceção para o Tom. Tá certo que o disco contém umas músicas que não eram dele, mas são poucas. Os dois estão à vontade. Ou o Tom pelo menos parece (já li que ele estava nervoso à beça). Garota de Ipanema, Dindi, Quiet Nights of Quiet Stars, How Insensitive, e Once I Loved estão impecáveis na voz do Sinatra. Tom toca violão no disco, coisa que ele gostava de evitar, preferindo o piano. Achava muito latin lover a imagem de um brasileiro tocando violão. 1. Brasileiro (1994) Esse é o disco. Maravilhoso da cabeça aos pés. Tá, tenho que confessar que não gosto de três músicas. São elas Maracangalha, Maricotinha (ambas de Dorival Caymmi) e Pato Preto. Mas tem muita coisa maravilhosa. Insensatez com Sting! Querida! As instrumentais Surfboard, Meu Amigo Radamés e Radamés y Pelé. Sensacionais! Ainda tem uma tradução para inglês e interpretação de O Trem Azul, de Lô Borges e Ronaldo Bastos, uma fantástica Chora Coração e o lindo Samba de Maria Luiza. Dentre os discos de Tom Jobim, é o que soa mais refrescante e moderno. Não à toa. Foi o último que lançou em vida. Depois teria o póstumo Inédito, de que já falei, mas pode-se dizer que esse álbum encerra de maneira maravilhosa a discografia do maior compositor de canções brasileiro dos nossos tempos. Também fecha o arco de personagem do Jobim: por fim ele nos traz um álbum conciso, pensado como uma obra só. Façamos algumas menções honrosas e justifiquemos suas ausências. Getz/Gilberto - veremos numa futura análise discográfica de João Gilberto. Esse eu não incluí porque a participação do Tom, ainda que considerável, não lhe confere autoridade sobre o álbum. Miucha & Antônio Carlos Jobim - excelente disco, só que tem poucas músicas do Tom. Jobim Sinfônico - disco da OSESP com obras orquestrais do Tom, é espetacular, mas foi feito bem depois de sua morte. Não acho que seja um disco dele. A Certain Mr. Jobim - se esse fosse um TOP 11, ele entrava. É um belo disco.
- Ave Rara - Argonautas e Marco Forte Interpretam Edu Lobo
Mais uma do nosso disco Argonautas Interpretam Edu Lobo. Você pode escutá-lo completo aqui. Dessa vez chamamos o super cantor cearense Marco Forte para a voz. Marco Forte voz Rafael Torres violão e arranjo Ayrton Pessoa piano Ednar Pinho baixo Luiz Orsano percussão Ave Rara (Edu Lobo e Aldir Blanc) Minha vida peregrina Vai em busca de você Como se eu fosse um malê E você fosse a revelação Do poente vem teu canto Ave rara do islã Quem é pedra como eu sou Bebe a água do amanhã Ah! Tanta sede é meu destino Esse amor é beduíno E oásis teu lençol Mas, sempre no fim da viagem Você volta a ser miragem Areia e Sol Deixe seu comentário e veja as outras músicas do disco! Meia-Noite Opereta de Casamento A Moça do Sonho A Permuta dos Santos
- Top 10 das melhores faixas de rock brasileiro: os anos 80!
Nossa viagem pelo rock brasileiro continua chegando aos anos 80, época considerada por muitas pessoas como a era de ouro do rock nacional com a explosão do pós-punk / new wave em São Paulo em Brasília e também o surgimento de bandas descontraídas e cheias de deboche (e por que não dizer desbunde também) além de da entrada no circuito fonográfico e radiofônico de bandas de outras cidades fora do eixo já conhecido Rio - São Paulo, como Porto Alegre. 10 – Até Quando Esperar (Plebe Rude) – Punk rock brasileiro na sua origem. Mais uma banda de Brasília que desponta e abre caminho para uma consciência mais politizada do gênero. 9 – Rebelde Sem Causa (Ultraje a Rigor) – Sarcástico e bem humorado ganhou rapidamente espaço. Letras bem escritas e harmonias eletrizantes tomaram de assalto as rádios do Brasil. 8 – Weekend (Blitz) – Filhote do funk rock e do que muitos chamam de "world music" abocanhou o público de todas as gerações e marcou um período do pop criativo, teatral e talentoso. 7 – Decadance Avec Elegance (Lobão) – Genial e instável. Lobão começou como baterista da Blitz e acabou ganhando a carreira solo e se consolidando como uma das vozes mais atuantes do rock até hoje. 6 – Ando Só (Engenheiros do Hawaii) – Fora do eixo Rio-São Paulo, os gaúchos abriram caminho para outras bandas talentosas do sul como o Nenhum de Nós. Gessinger é completo! Um dos maiores letristas do rock brasileiro de todos os tempos, também é multi-instrumentista e o vocalista inconfundível desse super grupo que na verdade é ele. 5 – Fullgás (Marina) – Irmã do poeta Antônio Cícero, escreveu em parceria as letras mais profundas do rock nacional. Suas músicas tem além de poesia, uma completude instrumental que ora é sentida por um baixo pulsante, ora por um solo de guitarra desconcertante. 4 – Caleidoscópio (Paralamas do Sucesso) – Esse power trio é o mais completo da história do rock nacional. Guitarra, baixo e bateria impecáveis! Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. 3 – Sete Cidades (Legião Urbana) – Renato Russo é o maior líder do rock nacional. A sua liderança ultrapassou a fronteira da Legião Urbana e tomou conta de toda as gerações que se seguiram até a sua morte. 2 – Por Que a Gente é Assim (Barão Vermelho) – Cazuza e Frejat mudaram a trajetória do rock nacional. Nunca o blues fez tanto sentido no Brasil. Nunca o blues teve letras tão bem trabalhadas e poesias magnificas. Até então! 1 – O que (Titãs) – Super banda de tamanho e de talento. Eram tantos seus lideres que ao longo dos anos foi se desmontando e mesmo assim, sobreviveu. Original, utópica e punk. Arte e agonia! Gostou? Semana que em a viagem continua! Se você gosta mesmo dos anos 80 tem um artigo sobre rock russo com uma ótima banda dos anos 80: a Kino! E além disso temos uma lista também do Rodrigo Vargas com o melhor do rock gringo dos anos 80 aqui! RODRIGO VARGAS é do mundo. Nasceu em Goiânia, cresceu em Brasília, estudou em Londres e está cearense. Jornalista e psicólogo, teve bandas de rock e atuou como VJ na televisão. Foi apresentador e editor de cultura da afiliada à rede Globo no Ceará. O resto é história!
- Argonautas e Mônica Salmaso - Biscate
Encontro maravilhoso dos Argonautas com a Mônica Salmaso. De todas as músicas do repertório para o show no Teatro RioMar Fortaleza, em 2018, essa foi talvez a única que eu sugeri. Ela adorou. Disse que nunca tinha cantado Biscate antes. Composta por Chico Buarque e cantada por ele e Gal Costa no disco Paratodos, de 1993, essa música é um achado. Pra mim é um exemplo fantástico de contraponto na música popular. Porque no final as duas melodias - ele e ela - se juntam e dá bem certinho. Eu nunca tinha cantado em pé. Mas faz sentido. Como disse o Nílbio, é um ato de gentileza se levantar para a dama das damas. Mônica Salmaso - voz e percussão Rafael Torres - voz Ayrton Pessoa - violão Ednar Pinho - baixo Igor Ribeiro - bateria Biscate (Chico Buarque) Vivo de biscate e queres que eu te sustente Se eu ganhar algum vendendo mate Dou-te uns badulaques de repente Andas de pareô, eu sigo inadimplente Chamo você pra sambar Levo você pra benzer Fui pegar uma cor na praia E só faltou me bater, é Basta ver um rabo de saia Pro bobo se derreter Vives na gandaia e esperas que eu te respeite Quem que te mandou tomar conhaque Com o tíquete que te dei pro leite Quieta que eu quero ouvir Flamengo e River Plate Faço lelê de fubá Faço pitu no dendê Sirvo seu pitéu na cama E nada dele comer, ai Telefone, é voz de dama Se penteia pra atender Vamos ao cinema, baby Vamos nos mandar daqui Vamos nos casar na igreja Chega de barraco Chega de piti Vamos pra Bahia, dengo Vamos ver o sol nascer Vamos sair na bateria Deixe de chilique Deixe de siricotico
- O calor e a escuridão da linha do equador
Deixe-me tentar explicar o calor da Linha do Equador para vocês. Sabe aquela sua tia que te abraça forte demais e você sente um calor sufocante? Assim é o Amapá, com a diferença de que não é possível se afastar dessa tia. O calor te envolve por completo, e não há vento nem para balançar as copas das árvores, que permanecem estáticas como em uma fotografia. Há lugares mais quentes no Brasil? Talvez. Tão quentes quanto? Com certeza. A primeira vez que fui visitar a minha irmã em Santana, no Amapá, foi pisar fora do avião, naquela escada que desce até a pista (o aeroporto era pequeno demais para ter aqueles corredores com ar refrigerado que te levam para dentro do aeroporto; até hoje não tem) e sentir que eu iria sufocar. O ar era quente e úmido, a ponto de parecer que não entraria em meus pulmões. Isso porque era meia-noite. O começo foi difícil, mas hoje acredito já estar acostumada. Com ar-condicionado e ventiladores ligados dia e noite, é claro. Naquele 3 de novembro, a energia desapareceu no meio do Jornal Nacional, em uma noite -- quem diria? -- quente de terça-feira. Acostumados, nem piscamos. Retiramos os equipamentos das tomadas, ligamos as velas e as luzes de emergência se acenderam automaticamente. As quedas de energia são muito comuns. Passamos o resto da noite vendo as estrelas e sem contato com o mundo exterior, pois devido a um fenômeno psíquico-radiônico-quântico, o sinal do celular desaparece junto com a energia. Coisas da Linha do Equador. Vimos uma estrela cadente. Na hora de dormir, coloquei em prática o meu super plano pulo do gato para poder dormir em um quarto fechado, sem ventilação e passando dos 30 graus: me cobrir com uma toalha molhada. Como vocês bem sabem, um cobertor é um isolante térmico, que mantém o calor que o seu corpo produz; pois bem, eu precisava do oposto disso, um descobertor (depois pensamos em um nome melhor). Molhou tudo, mas consegui dormir sob a toalha molhada. Abrir a janela é fora de cogitação, pelo risco de entrarem mosquitos e outros animais noturnos em meu quarto. No dia seguinte, soubemos o que tinha ocorrido: um incêndio na subestação do estado. A Ú-NI-CA subestação que distribui energia para o estado inteiro. Como soubemos disso sem internet, celular, 3G, 4G ou qualquer outro G? Milagrosamente, o fenômeno psicoquântico parece não atingir os celulares da Vivo, então quem tinha Vivo tinha internet. Naquela noite, compramos um chip da Vivo, que não quis entrar na internet, então mandamos mensagem de fumaça- digo, mensagem de texto para o pessoal em São Paulo. Enfim, tivemos notícias do mundo exterior na noite seguinte ao incêndio. E soubemos das promessas, que a energia voltaria no dia seguinte. No segundo dia, nada de energia e nada de as promessas serem cumpridas. Mais um dia sem poder trabalhar e morrendo de calor, usei roupas velhas e me encharquei de água da cabeça aos pés para suportar o calor da tarde. Fui ler os contos de abertura que enviaram para a editora. Depois fui montar um quebra-cabeças até ficar escuro demais para ver as peças. No terceiro dia, fiz à mão um tabuleiro de ludo, li o restante dos contos, acabei o quebra-cabeças. No quarto dia, toda a comida da geladeira estragou. Já tínhamos tirado tudo da geladeira e colocado em caixas de isopor com gelo, para que ficassem conservados por mais tempo, mas o gelo da cidade acabou e não conseguimos repor, então no quarto dia o gelo era água e tudo estava estragado. Além disso, meu repertório de jogos-infantis-para-quando-acaba-a-energia esgotou-se naquela noite. O que fazer com duas crianças pequenas trancadas em casa sem internet ou televisão? Socorro, TV Globinho!! A parte boa é que conseguimos alugar um gerador para a bomba da caixa d'água e eu finalmente, após 4 dias suando dia e noite, pude tomar um banho, já que estávamos economizando a água da caixa d'água. No quinto dia tive uma crise de choro que não consegui controlar. Era mais um dia que encharcada para aguentar o calor, uma paulista, em meio a amapaenses que estavam com calor sim, mas nem suavam. Quando falaram do sonho de beber uma coca-cola gelada, então, não aguentei e chorei mesmo. Detalhe: não havia coca-cola gelada em nenhuma parte da cidade (quiçá do estado), pois, com cinco dias funcionando continuamente, os geradores de energia dos mercados estavam sendo usados apenas para alimentos essenciais, e mal estavam aguentando. Os geradores a diesel, mesmo os grandes, de supermercados, não foram feitos para funcionarem tantos dias sem parar. As pessoas se amontoavam no aeroporto, no shopping, e até nos hospitais para ter eletricidade. Entendam: nos hospitais em meio a uma pandemia. Nessa noite, a energia voltou e dali a 10 minutos desapareceu novamente. Na empolgação, a criança escorregou no gelo derretido e ganhou um galo na cabeça. Aproveitei os 6% de bateria no celular (a primeira coisa que fiz quando a energia voltou foi conectar o celular para carregar) para pedir para voltar à Campinas. Meu pai comprou a passagem para terça; era uma sexta-feira. Lá vai eu mais uma vez dormir com a toalha molhada. No sexto dia, tudo que poderia estragar de alimentos estragou. Foi tudo jogado fora. Em pânico, as pessoas faziam passeatas, queimavam pneus. Fui fazer um novo quebra-cabeças, para passar o tempo. Agora sim entendia o que era não poder trabalhar durante uma quarentena. Também entendi o porquê do pessoal antigamente ir dormir tão cedo: não há nada para fazer depois que o sol se põe. Nada! No sétimo dia, entramos em um rodízio de energia que começava e terminava quando queria. Tivemos energia das 12 às 19 pela primeira vez, e eu aproveitei para trabalhar embaixo do ventilador. Ar condicionado? Depois de seis dias de calor eu já estava craque e um ventilador era luxo! Mais uma noite que durmo com a minha querida toalha molhada; nem me importava mais com o fedor dela. No oitavo dia também tivemos nosso quinhão de energia. As crianças assistiram a dois filmes e eu trabalhei até a energia cair novamente. No nono dia, coloquei minhas coisas em uma mochila, peguei o computador e saí do Amapá. Deixei lá todo o estoque da editora (sim, uma editora sem poder vender livros). Das 14 até às 22 horas aproveitei a energia dos aeroportos até chegar a Campinas. Meu sofrimento tinha acabado, mas o do povo amapaense não. O que dizer dos pequenos mercados, restaurantes, padarias, que perderam todos os produtos? O que dizer da família que gastou o auxílio emergencial com alimentos e viu tudo estragar na geladeira desligada? O que dizer das pessoas que arriscaram suas vidas por um balde de água ou gelo? Durante um apocalipse energético, a coisa mais importante é a água, depois a comida, a gasolina e o diesel para o transporte e os geradores de energia. Depois disso vem o caos e a revolta da população. Entendi como é difícil empreender sem infraestrutura. Entendi como o povo amapaense é forte. Entendi como o descaso, a corrupção política e a venda de votos (fruto do descaso com a educação formal) são destrutivos. Pobre povo amapaense, que precisa mesmo ser forte e guerreiro. Eu não fui, eu fugi. Aqueles que ficaram ainda hoje, 27 de novembro*, enfrentam falta de energia (que não está estabilizada), falta de alimentos nos mercados (compra-se o que tem, pé de alface com três folhas, óleo por 10 reais e por aí vai) e falta do interesse daqueles que estão no poder para com aqueles que na verdade têm o poder, mas não sabem disso (ou são mantidos na ignorância). *data em que o texto da Thaty chegou pra gente. Thaty Furtado botou na cabeça que iria abrir uma editora, foi lá e abriu a editora Minna. Vivendo entre São Paulo e Amapá, vai tocando a editora e o trabalho de freelancer.
- A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
Quando pensamos em moradia, o que surge em nossa mente imediatamente? Pensamos em nossas casas, certo? É tão óbvio e de certa forma até natural que a gente pense no nosso lar. Por mais natural que seja imaginar um cidadão vivendo em sua casa, essa realidade não é tão comum assim para grande parte da população brasileira. Existe um conceito adotado pela nossa Constituição Federal que tenta suprimir a desigualdade social e garantir moradia para todos, se chama função social da propriedade. Contemplada pela primeira vez no Brasil na Constituição de 1934, a função social é uma condição do direito de propriedade. Na verdade, ela limita o direito de propriedade em detrimento do bem-estar social e coletivo. Sendo assim, a função social da propriedade determina que a propriedade urbana ou rural deve, além de servir aos interesses do proprietário, atender às necessidades e interesses da coletividade. Somos um corpo social e isso quer dizer que devemos sempre pensar no bem-estar coletivo. Por isso, o direito de propriedade é um direito limitado e não absoluto, como muitas pessoas pensam. O Artigo 5° da Constituição Federal de 1988, traz, logo após a garantia do direito de propriedade, um inciso que limita esse direito: “XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;” O princípio básico da função social é de que não é favorável para a sociedade ter propriedades de terra sem utilidade alguma. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e estima-se que, hoje, cerca de 40 mil pessoas vivam nas ruas. O estudo "Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil" utilizou dados de 2019, que conta com informações das secretarias municipais e do Cadastro Único do governo federal. A análise constatou que a maioria dos moradores de rua (81,5%) está em municípios com mais de 100 mil habitantes, principalmente das regiões Sudeste (56,2%), Nordeste (17,2%) e Sul (15,1%). Por isso, é de suma importância que a gente debata com mais frequência e dedicação o direito à moradia e crie mecanismos para que diversas terras e prédios, que não cumprem sua função social, possam atender a esse direito básico do cidadão. A função social das propriedades urbanas é definida no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor de cada município. No caso de não cumprimento da função social, o município pode aplicar sanções ao proprietário e, se necessária, a desapropriação. No caso das propriedades rurais, a função social é estabelecida no Estatuto da Terra, que é uma lei federal. De acordo com essa legislação, a propriedade cumpre sua função social quando é explorada de forma sustentável, utiliza adequadamente os recursos naturais e respeita a legislação trabalhista. No caso de não cumprimento destes critérios, o governo federal pode efetuar a desapropriação e redistribuir a terra para fins de reforma agrária. Existe legislação a respeito, mas o que se observa é uma grande dificuldade de se aplicar esse direito em situações práticas. Por que isso acontece? Porque ainda temos introjetado em nosso Direito Civil uma proteção exacerbada ao direito de propriedade. Embora a Constituição Federal flexibilize a propriedade privada em detrimento dos interesses coletivos, a legislação cível, apesar de ter passado por várias revisões e alterações durante os últimos anos, ainda é rígida, além de servir de uma maneira geral a interesses de pessoas que detêm várias posses e boa situação financeira. Todavia, caminhamos progressivamente para um colapso ambiental e uma super lotação de centros urbanos e, atualmente, dentro de um contexto de pandemia mundial. Se não repensarmos as estratégias básicas de reforma agrária e planejamento urbano, muitas vidas serão perdidas e os direitos fundamentais não significarão mais nada. AMANDA LEITE é advogada. Graduada pelo Centro Universitário Uniceub, de Brasília e pós-graduada pela Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - FESMPDFT. Especialista em Criminologia e Direito Penal. Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF e ativista de direitos humanos.
- Top 10 das melhores faixas de rock brasileiro: os anos 70!
E estamos de volta com mais uma viagem pelo tempo! Desta vez partimos da década de 70 e seguiremos até os dias de hoje viajando pelo mundo do rock brazuca! Estão preparados! Rodrigo Vargas disseca o que e apresenta o que existe de melhor desse estilo que virou praticamente mundial e se é mundial, também é brasileiro! Vamos lá! 10 – Vou Morar No Ar (Casa das Máquinas) – Mistura de sons e percepções, bebem no progressivo e se inspiram em Bowie. 9 – Porque Sou Tão Feio (A Bolha) – Banda clássica da época, muito influenciada por Dylan e cia. Abaixo, como não conseguimos um link só da faixa, disponibilizamos um vídeo com o áudio do álbum completo! Pra quê melhor!? Mas a título de informação, a faixa citada já é a segunda da sequência! 8 – Pente (O Peso) – Excelente grupo cearense que usou o jazz e o blues de forma marginal e poética. Poucos foram tão decisivos na formatação do rock nacional! 7 – Rio de Janeiro City (Joelho de Porco) – O rock começa a dar o ar da graça tupiniquim com irreverência e brasilidade. 6 – Matança do Porco (Som Imaginário) – Banda de apoio de Milton Nascimento para o seu famoso show... Ah! É o Som Imaginário, durou três anos e é simplesmente impecável! 5 – Deus (O Terço) – Potencia pura! Progressiva e extremamente bem executada. Genial! 4 – Mistério do Planeta (Novos Baianos) – Essa é a banda mais hippie da história da música brasileira. A galera morava numa casa, juntos, e passava o dia inteiro fazendo música. O resultado é definitivo! Abaixo uma versão deliciosa ao vivo e raiz bem a cara deles. 3 – Gîtâ (Raul Seixas) – Um dos letristas mais completos do rock nacional e com uma vida inteiramente controversa, deixou um legado intocável. Abaixo o antológico videoclipe da canção. 2 – Sangue Latino (Secos E Molhados) – Essa é sem duvida uma das maiores bandas de rock mundial. Ney Matogrosso e cia. mudaram a trajetória da música brasileira e impactaram em grupos estrangeiros como o Kiss, apesar de negarem. Poucas pessoas fora do meio musical sabem, mas a banda até hoje existe, ainda que sem o sucesso de antes, com João Ricardo, o principal compositor do grupo (e quem criou o nome da banda também) à frente de quase tudo. 1 – Ando Meio Desligado (Mutantes) – Rita Lee e os irmãos Baptistas são tropicalistas geniais que romperam parcialmente com a dependência externa que o rock nacional tinha até então e exerceram influência em bandas como o Nirvana. RODRIGO VARGAS é do mundo. Nasceu em Goiânia, cresceu em Brasília, estudou em Londres e está cearense. Jornalista e psicólogo, teve bandas de rock e atuou como VJ na televisão. Foi apresentador e editor de cultura da afiliada à rede Globo no Ceará. O resto é história!
- racismo algorítmico
Você já ouviu falar em Racismo Algorítmico? No mínimo deve ter escutado ou lido alguém fazendo comentando sobre os programadores serem racistas e não os algoritmos (é a discussão mais comum). Se você não viu nada sobre isso, muito provavelmente você está contribuindo e nem está percebendo. Mas te explicar. Os algarismos das redes sociais são números que levam e trazem informações. Eles trazem pra gente aquilo que percebem que queremos ver, como propagandas de produtos para decoração quando estamos vendo com frequência perfis que compartilham esse assunto. Se você viu o filme O Dilema das Redes (disponível na plataforma streaming Netflix) você sabe mais ou menos do que estou falando: Os algoritmos nos dão essa ilusão e em troca levam todas as informações que puderem sobre nós. E claro, as intenção disso tudo existir é o lucro. Mas como isso interfere no racismo? Há uns meses, uma denúncia de racismo algorítmico viralizou no Twitter: Quando você coloca duas fotos ao mesmo tempo num Tweet pra rede, a ferramenta de socialização escolhe automaticamente qual foto ficará maior ou menor. Após alguns testes, os rostos das pessoas negras apareciam sempre no tamanho menor em detrimento das imagens das pessoas de pele branca. O teste foi feito de outra forma: As pessoas negras tiveram suas peles embranquecidas, e somente assim essas pessoas apareciam no tamanho maior. Ou seja, nós recebemos mais conteúdos e vimos mais imagens de pessoas brancas no Twitter. O mais curioso é que a denúncia começou por um programador, o Tony Arcieri, que deu o start e outras pessoas continuaram chegando a viralizar. Alguns programadores e líderes da rede social fizeram testes não-formais e dividiram os resultados sem saber direito como explicar o que estava acontecendo. Alguns assumiram o erro, outros como a Liz Kelley da comunicação do Twitter que relatou que a companhia "não encontrou evidências de preferências raciais ou de gênero em seus testes". É importante a gente saber que cada Rede Social funciona e reage de uma forma independente. Claro, e cada uma delas trabalha com algum foco, algumas mais voltadas para texto, outras pra imagens, o caso do Instagram (que foi onde eu me atentei pro assunto) demonstra entregar as cartas do jogo logo "na entrada". Se uma pessoa, que nunca tinha Instagram antes, faz um cadastro na rede pela primeira vez e procura por "beleza" na busca, ela vai receber a maioria dos resultados para a palavra "Beleza" Pessoas de pele branca. Se essa pessoa dá preferência para pessoas pretas (foi o teste que eu fiz) aos poucos a consulta vai mudando e mostrando pessoas pretas na consulta. Mas não é tão fácil assim mudar o algoritmo. Se quero ver perfis de profissionais da fotografia (minha área) e colocar na busca por "Fotógrafo" ele ainda vai me mostrar a avassaladora maioria pessoas brancas. Percebi que não depende só de mim para que esse algoritmo tenha a diversidade que precisa ter. Nesse mesmo tempo que comecei essas pesquisas, outros perfis no Instagram fizeram esses e outros tipos de denúncias. Influenciadoras negras colocaram a foto de mulheres brancas num mesmo post que colocaram suas fotos por último, e essas postagens foram as que tiveram mais alcance. E as reclamações para tudo isso foram as mesmas: "Os programadores são racistas". E não é bem assim. Podemos e devemos reclamar das empresas que ainda entopem de homens brancos todas as funções de liderança e precisamos ter corpos pretos em todo tipo de liderança. Mas não podemos cobrar sem fazer a nossa parte: Seguir, curtir, acompanhar, comentar e compartilhar (de fato), os algoritmos são reagentes das nossas buscas, portanto nós também somos responsáveis para mudar isso. O Racismo Algorítmico nada mais é do que um reflexo do racismo estrutural que vivemos. Helosa Araujo Afro indígena descendente, Cearense, graduada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Moda e Comunicação. Trabalha com fotografia, leitura de imagens e análise de mídias digitais. Ativista, atua como coordenadora do movimento Waldorf Antirracista e co-fundadora do curso de Resgate de línguas originárias Nhee-Porã. no Rio Grande do Sul.
- ++ 7 Discos de MPB Fora da Caixinha
Já emendando com essa lista, que vem depois dessa. Não são Top 7, é uma lista infinita de discos que eu considero fundamentais na MPB mas que nem sempre são lembrados pelo grande público. ConSertão (Arthur Moreira Lima, Paulo Moura, Elomar, Heraldo do Monte) Consertão é uma reunião de 4 músicos fantásticos. Tão fantásticos que quase não cabe. É legal ver o Arthur Moreira Lima fazendo arpejos pirotécnicos no piano pra não desperdiçar seu virtuosismo. Às vezes ele toca cravo. De qualquer forma a sonoridade é única: piano/cravo, viola, violão e saxofone. Única mesmo. Além da voz singular do Elomar, absolutamente afinada e expressiva. Na viola, Heraldo do Monte e no sax, o Paulo Moura. Foi lançado em 1982 pela Kuarup. É um disco voltado para a obra de Elomar, mas tem outras peças brasileiras, inclusive eruditas, como a Valsa da Dor e a Festa no Sertão (Villa-Lobos) e a Valsa de Esquina Nº 12 (Mignone), além de Luiz Gonzaga, Waldir Azevedo e Severino Araújo. Campo Branco, talvez a música mais conhecida de Elomar tem um tratamento instrumental, contrapontístico e caloroso. Inselença prá Terra que o Sol Matou é cósmica, ao sax e ao piano e à viola, tocados com muita delicadeza. Quando Elomar canta, a gente já tava com saudade. Só essa faixa, que tem 8,5 minutos, dá uma tese de doutorado. A Valsa da Dor soa muito bem com o piano e o saxofone soprano. Pedacinho do Céu é com piano, sax e guitarra. E o disco encerra com a diferente Corban. Diferente no universo de Elomar, mas ele é infinito. Lunário Perpétuo - Antônio Nóbrega Esse álbum fantástico de 2002 do Antônio Nóbrega faz jus total ao legado de Ariano Suassuna. Somos guiados entre ricas instrumentações até a "coivara" da infanta do imperador Dom Pedro. Carrossel do Destino é altamente charmosa, com o clarinete atraente do Zezinho Pitoco. Nas percussões desse disco consta o Gabriel, filho do Antônio, batuqueiro nato. O disco canta ainda o romance de Riobaldo e Diadorim, de Grande Sertão: Veredas. E músicas instrumentais, como Canjiquinha, Pagão e Luzia no Frevo. Alma nordestina e alma brasileira minha gente. Dançando Pelas Sombras - Boca Livre Lançado pelo quarteto vocal Boca Livre em 1992, esse disco é o melhor deles, pra mim. A formação à época contava com: Zé Renato, violão e voz; Maurício Maestro, baixo e voz; Lourenço Baeta, violão, flauta e voz; e Fernando Gamma, violões e voz. Fernando era novo no grupo, mas se encaixou perfeitamente. Cantava muito bem e tocava violão como uma fera. E o grupo soube explorar isso tudo. A linda e luminosa Dança do Ouro (Zé Renato e Lourenço Baeta) abre o disco, que tem uma tolice chamada Gotham City (Jards Macalé e Capinam) como único ponto fraco. As mais mais são The First Circle (Pat Metheny e Lyle Mays), Caxangá (Milton Nascimento), Nua (Fernando Gamma), Todos os Santos (Maurício Maestro e Joyce) e Zen Vergonha (Guinga e Aldir Blanc). Contando ainda com Marcos Suzano na percussão, o disco chegou a ser lançado nos EUA e Canadá. Apenas recentemtente foi disponibilizado nos aplicativos de streaming. Caipira - Mônica Salmaso Com a proposta de gravar músicas do universo caipira (o que conhecemos como "sertanejo raiz"), Mônica Salmaso fez os seus dois milagres habituais. Cantar como ninguém e escolher um repertório impecável. Impagável. O ponto alto é Leilão (Hekel Tavares e Joracy Camargo), uma música absurdamente comovente e que se tornou muito importante pra mim. Os arranjos abusam da viola (Neymar Dias) e da sensível flauta de Teco Cardoso. Ela faz até um dueto com Rolando Boldrin (Saracura Três Potes) e um com ela mesma (Minha Vida). Sonora Garoa você pode ver de dois jeitos: como um arranjo delicado bem sucedido ou como um pianista tentando impressionar; mas de qualquer modo, é um pouco deslocada no disco. Talvez por isso a colocaram pra encerrar o álbum. Dá Licença Meu Senhor - João Bosco Certo. Este é um famosão da MPB. Mas esse disco não é óbvio. Dá Licença Meu Senhor é o disco de intérprete do João Bosco. Foi um dos primeiros discos que eu comprei quando saíram. No caso, aos 14, em 1995. Aqui ele se esbalda com seu genial violão e voz em canções de Villa-Lobos (Melodia Sentimental), Chico Alves e Ismael Silva (Se Você Jurar), Tom Jobim e Newton Mendonça (Desafinado), Dorival Caymmi (O Vento e Vatapá), Noel Rosa (Gago Apaixonado), Gilberto Gil (Expresso 2222) e muitos outros. O disco tem muito suingue, mas ao suingue do João Bosco até eu me rendo. Amor e Cordas - Léo Tomassini Professor de canto, Léo Tomassini lançou em 2003 esse obscuro disco que eu nem sei como veio parar nas minhas mãos. Mas é maravilhoso. A voz agradável, ainda que meio perfurante do Léo, e a instrumentação fiel ao nome do álbum, além do repertório muito bom, fazem desse disco uma coisa preciosa. Muito bandolim, violão, cavaquinho, violoncelo, uma atmosfera de roda de samba... Ele canta Tom Jobim, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga, Cartola e Sinhô. Confiram, confiem. Piazzollando Com Sotaque Brasileiro Mais um disco de 1992, e mais um que a Kuarup lançou, produzido pelo Mário de Aratanha. São faixas de Piazzolla em um punhado de instrumentações diversas. Egberto Gismonti fez o arranjo da Fuga 9 para o Rio Cello Trio (Alceu Reis, Jacqes Morelembaum e Marcio Mallard). O trio, aliás, toca metade do álbum, auxiliado pelo Quinteto Villa-Lobos nas Estações Portenhas. Depois temos a Orquestra de Cordas Brasileiras e Chiquinho do Acordeon. Os arranjos são de Morelembaum, Zeca Assumpção, Henrique Cazes... Temos músicas como Libertango, a Suíte Portenha e Deus Xangô. Disco muito bem acabado. Se gostou não deixe de ver as outras listas e toda a seção de música do site. Ouça a playlist dessa seleção clicando aqui.
- top 10 melhores faixas de rock da década de 2010
Como bem sabemos, o rock é um estilo que a cada década deixa marcas que podem ou não ser aproveitadas na década seguinte, e talvez justamente por isso ele seja um dos estilos musicais que se renova e muda tão rápida e intensamente, influenciando comportamentos, moda e outras tendências. Então a gente convidou o Rodrigo Vargas, ex-VJ e editor de cultura, para fazer uma sequência semanal arrebatadora daquilo que ele considera as melhores faixas para entender e, sobretudo, sentir (porque entender é coisa do século passado) o rock década a década. Ele não só topou como sugeriu fazer uma contagem regressiva começando nos anos de 2010 e indo até os anos 1950. Não precisa concordar com nada, só ligue o som e e aproveite a viagem! 10 – Je Ne Me Connais Pas (Mattiel): Americana, canta como se conhecesse a fundo o brega brasileiro. 9 – The Trip (Still Corners): Grupo de intenções maliciosas. Quer nos tirar do chão e elevar a qualquer altura. Vale a pena ouvir sem pressa. 8 – Sure (Hatchie): As músicas dela são tão leves que acalmam, completam. Se é possível ser pop sem ser popular, é ela. Tem vigor, talento e carisma. 7 – Evil (Greta Van Fleet): O Greta é a primeira banda de rock com adolescentes dessa geração a fazer sucesso entre os adolescentes, daí chega a velha guarda do rock e massacra os caras. Primeiro que ninguém tem bastão da sabedoria. Segundo que, se tivesse, não seriam eles. Atiram no próprio pé. Além de inibir a sobrevivência do rock, tentam desmantelar um grupo que é talentoso e que pode ser genial. Dica: escutar o primeiro trabalho dos Rolling Stones. 6 – UnAmerican (Dead Sara): Grupo potente, com discurso afiado e o peso que o rock precisa para chocar. 5 – Loose Change (Royal Blood): Esse duo é tão fodástico que se você ouvir e perceber que são apenas baixo e bateria de primeira, mudo meu nome. 4 – Level (Raconteurs): Essa é uma das poucas vezes na história em que uma banda de rock reúne caras já conhecidos e dá certo, completamente diferente do que seus membros fizeram previamente. 3 – Elephant (Tame Impala): A sonoridade do Impala varia de acordo com o humor de seu criador e quase onipresente líder, mas essa música é a síntese do que é. 2 – Exits (Foals): Impossível ouvir esses caras e não perceber a força do new wave e do indie oitentistas correndo pelas veias da banda e explodindo em sintetizadores e sonoridades contemporâneas. Frenéticos! 1 – Sunflower (Vampire Weekend): A número um tem motivo. Conseguiu ser original além de extremamente bem executada. Para quem diz que o rock morreu, começar por essa pode ser o início da vergonha. Até a próxima década! Nos encontramos nos anos 2000! RODRIGO VARGAS é do mundo. Nasceu em Goiânia, cresceu em Brasília, estudou em Londres e está cearense. Jornalista e psicólogo, teve bandas de rock e atuou como VJ na televisão. Foi apresentador e editor de cultura da afiliada à rede Globo no Ceará. O resto é história!
- Top 10 melhores faixas de rock da década de 2000.
Caros Araretes a viagem continua!! Voltamos para o começo dos anos 2000, também chamado por alguns de ZERO ZERO. Rodrigo Vargas continua nos guiando nesse túnel do tempo passando pelo que considera o que melhor sintetiza cada década em termos de rock! Vamos lá! Top 10 (2000´s) 10 – Islands (The XX): Grupo inglês que aproveitou bem a transição dos instrumentos base do rock como guitarra, baixo e bateria, substituindo-os por bases eletrônicas ou efeitos de sintetizadores. 9 – Somewhere I Belong (Linkin Park): Vocais gritados, peso e uma base com DJ atravessou aquela geração e se espalhou pelo planeta. Fazer o que trouxeram não é fácil. Tanto que poucas bandas que se arriscaram nessa mistura sobreviveram. 8 – Seven Nation Army (The White Stripes): Duo absurdo! Bateria e guitarra extremamente afinados. Todas as influências indie, new wave e hard se entrelaçam para formar um dos grupos mais espontâneos dessa geração. 7 – Sex on Fire (Kings of Leon): Herança "rolling stoneana" do Sex Appeal com uma pegada contemporânea. Vocais altos e distorções ajudam a compor a verve. 6 – Take Me Out (Franz Ferdinand): Ninguém é mais indie do que eles. Escoceses, homenageiam o personagem estopim da Primeira Grande Guerra com o nome do grupo. Mas o fazem sem nenhum motivo aparente. Suas musicas também passam por aí. Falam de qualquer coisa ou de coisa alguma. 5 – Show Me How to Live (Audioslave): Esse é o típico grupo formado por músicos já famosos, mas que deu tão certo que a gente já não sabe mais o que era melhor: se eram eles antes ou como estão. 4 – Go With The Flow (Queens of the Stone Age): São hard ao extremo. Os riffs não dão descanso e a bateria fraseia sempre que possível. Depois de ouvir pela primeira vez, ninguém esquece. 3 – Last Night (The Strokes): música chiclete de um tipo de punk nova iorquino de classe média. Tem até brasileiro entre eles! 2 – Times Like These (Foo Fighters): Imagine você como baterista de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos. Agora imagine esse mesmo cara formando uma banda como vocalista e guitarrista. Qual a chance de dar certo?? Bem, o Foo Fighters é a parte positiva da estatística! 1 - Fall to Pieces (Velvet Revolver): Mais um grupo formado por quem já fazia sucesso. Mistura aí Guns N´Roses e Stone Temple Pilots. Agora ouve! A gente se vê semana que vem, agora lá nos anos 90, beleza? Rodrigo Vargas é do mundo. Nasceu em Goiânia, cresceu em Brasília, estudou em Londres e está cearense. Jornalista e psicólogo, teve bandas de rock e atuou como VJ na televisão. Foi apresentador e editor de cultura da afiliada à rede Globo no Ceará. O resto é história!
























