• Rafael Torres

Disco - Arcadi Volodos Live at Carnegie Hall


Arcadi Volodos live at Carnegie Hall

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O Carnegie Hall é a sala de concertos mais importante de Nova Iorque, talvez dos Estados Unidos. Com uma tradição de mais de um século, já foi palco para Pyotr Tchaikovsky, que regeu o concerto de abertura da casa; Antonin Dvořák, que estreou sua 9ª Sinfonia, "Do Novo Mundo"; além de inúmeras apresentações dos mais importantes pianistas e orquestras do mundo. Até os anos 60 era a sala da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque. Existe uma infinidade de concertos famosos gravados lá, como de Horowitz, Jorge Bolet, Van Cliburn e outros.


O pianista russo de São Pertersburgo, Arcadi Volodos não era muito conhecido até que a gravadora Sony Classical resolveu gravar um concerto seu. O resultado é tão impressionante que colocou a carreira dele num patamar altíssimo.


Volodos tem tudo: agilidade surreal, potência avassaladora, um som de outro mundo (sua maior qualidade) e uma técnica que nunca foi ultrapassada.


A Sony, delicadamente, cortou os aplausos, para que a gente não fique sendo incomodado por eles após cada música. Mas tem uma peça, as Variações sobre a Marcha Nupcial de Mendelssohn, de Franz Liszt (ficou confuso? a peça é de Liszt e se chama Variações sobre a Marcha Nupcial de Mendelssohn) a que a reação é tão efusiva que tinha que entrar na discografia do pianista. É que ele simplesmente destroi o piano. Vou colocar um vídeo dele tocando a peça em outra ocasião. Pega essa performance, eleva ao quadrado e saberá como foi naquela noite no Carnegie Hall.

Mas do começo. A primeira é também de Liszt - a Rapsódia Húngara Nº 15, apelidada de Marcha Rákóczy. Só que Volodos toca uma espécie de arranjo feito por Horowitz, mais difícil. Depois ele toca três peças de Alexander Scriabin, entre as quais, e quase milagrosamente, a 10ª Sonata. Aqui o colorido que ele é capaz de extrair do piano é inigualável.


Temos então três peças de Sergei Rachmaninoff, sendo dois Études-Tableaux. O primeiro, em ré menor, sempre foi, para mim, o ponto alto do disco. Já escutei todas as gravações que eu pude desse estudo e nunca encontrei a mágica, a aura de misticismo que envolve a interpretação de Volodos.


O recital em si termina com Bunte Blätter, um grupo de peças que nem está entre os mais conhecidos de Robert Schumann, mas que Arcadi defende com convicção e faz soar com uma beleza encantadora.


Depois têm os bis: as Variações que mencionei aí por cima, e um Prelúdio de Scriabin. Eu comprei esse CD na época em que saiu, lá pelo ano 2000. Comprei às cegas, porque não conhecia o pianista, mas foi paixão de cara. Se eu colocar pra ouvir agora mesmo, ainda vou me surpreender. Sempre que escuto, me vem a impressão de que Arcadi Volodos é o maior pianista que há.

Arcadi Volodos
Arcadi Volodos

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