• Rafael Torres

Disco: Bolling - Suíte para Flauta e Jazz Piano Trio - Rampal



Não sou muito do mundo do jazz (não sei mesmo se sou de algum), mas quando se trata de música com pouco improviso, como a do francês Claude Bolling, especialmente as suas suítes, estou dentro. Ele inventou essa série que são discos com Suítes para instrumento solista e Piano Trio. A ideia deu super certo. Ele sempre chamava um músico erudito: Jean-Pierre Rampal para a flauta; Yo-Yo Ma para o violoncelo; Pinchas Zukerman para o violino; Alexandre Lagoya para o violão. Tinha também uma suíte para Orquestra de Câmara e Piano Trio.


A música de Bolling tem um forte: a criatividade. É inventiva, faz com que você pense: como ninguém compôs isso antes? A primeira suíte foi justamente essa para Flauta e Piano Trio. Foi um sucesso absurdo, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos e no Brasil. Não há flautista que nunca tenha tocado. Nós mesmo, os Argonautas, tocávamos algumas.


Os movimentos são:

  1. Baroque and Blue - a mais conhecida. Evoca música barroca nos seus cânones entre piano e flauta.

  2. Sentimentale - a mais bonita e minha favorita. Quando a gente ensaiava, muito tempo atrás, sempre o meu avô vinha até a sala de música só pra dizer que a música era linda. O final é transcendental.

  3. Javanaise - é em compasso 5/4 (5 tempos por compasso). Isso é o mais ousado que Bolling vai. Mas é muito charmosa.

  4. Fugace - é fugada, ou seja, tem características de fuga, mas não é uma.

  5. Irlandaise - outra belíssima. Lenta como a Sentimentale.

  6. Versatile - nessa, ele usa a flauta baixo, que Rampal toca divinamente, com aquele sonzão cheio dele.

  7. Veloce - o finale da suíte. Tinha que ser uma peça bem empolgante e para cima.

Os amantes mais raiz de jazz consideram Bolling uma distração descompromissada. Isso porque sua música é muito tradicional, até antiquada, nunca passando de técnicas dos anos 40. Sendo que ele fez sucesso a partir dos anos 60. Eu sempre achei bobagem essa de ter que ser moderno, avant garde. Alguns dos meus compositores favoritos, como Mozart, Bach, Rachmaninoff e Brahms, nada tinham de revolucionários. Alguns, aliás, eram criticados por serem retrógrados. O fato é que o conteúdo, pelo menos pra mim, não sei pra você, é mais importante que a estética. A música de Stravinsky sempre foi moderna, mas sempre foi boa, também. Hoje ela não é mais moderna e continua sendo boa.


Mas sim, Claude Bolling pode ser um tanto superficial. Sua música não tem intenção senão de divertir. Mas escute que beleza!


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