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  • Foto do escritorRafael Torres

Perfil - Khatia Buniatishvili: A pianista pintora

Atualizado: 1 de mai.

Resolvi falar das 5 maiores pianistas da atualidade: Yuja Wang, Khatia Buniatishvili, Alice Sara Ott, Cristina Ortiz e Hélène Grimaud. A chinesinha Yuja já foi, agora de manhã. Essa postagem é dedicada à georgiana Khatia, de 36 anos.


Nasceu em Batumi, Georgia, em 1987. Quase tão bonita, ousada e arrojada quanto a Yuja, ela tem, também, carisma e prestígio. Khatia começou a estudar piano aos 3 anos de idade. Aos 6 tocou com a Orquestra de Câmera de Tblíssi e, em seguida, foram todos convidados a uma turnê internacional.


Aos 10 foi convidada pelo virtuose soviético Oleg Maisenberg para se mudar para Viena e estudar com ele. Ela costuma tocar junto com sua irmã mais velha, Gvantsa, no repertório de 2 pianos ou piano a 4 mãos.


Khatia e Gvantsa


Seu pianismo é menos técnico e mais sentimental que o de Yuja, mas não muito. Além disso, borra menos, é um tanto mais clara que a chinesa. É frequentemente convidada para o Festival Verbier. Musicista de câmara, ela é contratada da gravadora Sony Classical.


A discografia de Khatia é invejável, tanto pelo repertório quanto pela qualidade.


Abaixo, a Balada nº 4, de Frédéric Chopin.


Khatia já tocou com os maiores nomes do nosso mundo, incluindo Zubin Mehta, Kent Nagano, Neeme e Paavo Järvi, Mikhail Pletnev, Vladimir Ashkenazy e as orquestras filarmônicas de Munique, Los Angeles, Israel, China e sinfônicas de São Paulo, San Francisco, Toronto, Londres, BBC e muitas outras.


Muito do seu trabalho é de protesto contra as faltas humanitárias da Rússia na guerra contra a Ucrânia.


  • Vive hoje em Paris;

  • Tem ouvido absoluto;

  • A música de câmara (e o contrato com a Sony) (e seu inegável talento) tem lhe rendido boas parcerias, como aquelas com o violinista letão Gidon Kremer e o violinista francês Renaud Capuçon;

  • É comparada não só a Martha Argerich, mas à Martha Argerich jovem, que tinha uma técnica inigualável;

  • Já tocou em São Paulo. Não tem do que reclamar;

  • Faz rubatos, mas são ínfimos se comparados aos de Lang Lang;

  • Ela evita se intelectualizar e se representar;

  • Uma crítica do inglês Norman Lebrecht tem como título: "Mais uma artista georgiana com problemas de gênero";

  • Eu acho que quem tem problemas de gênero é o Lebrecht. Sério, do Norman não esperamos nada além de baixaria;

  • A sonoridade de Khatia é maravilhosa;

  • Fala 5 idiomas;

  • Tem uma tendência, na interpretação e na escolha do repertório, a tocar de maneira mais intimista ("dark", como ela define), especialmente no som que tira do piano;

  • Desde criança é acostumada a ver as pessoas absolutamente extasiadas com sua técnica;

  • Tem forte apelo no YouTube e é conhecida mesmo fora do mundo da música clássica;

  • Essa técnica provém de inesgotáveis horas de estudo e de sua memória fotográfica;

  • Ela pode ler páginas e páginas de uma partitura, fechar o livro e tocar o que leu no piano.


A Valsa da Dor, de Heitor Villa-Lobos


O Concerto nº 2 para Piano e Orquestra, de Sergei Rachmaninoff, acompanhada da Filarmonica Teatro Regio Torino, regida por Gianandrea Noseda, em 2015.


A mais famosa (nº 18) das Variações Sobre um Tema de Paganini, de Rachmaninoff. Repare na sonoridade.


Para quem gosta de entrevistas e entende inglês (eu achei em georgiano, francês, alemão..., mas não em português), a que você vê logo abaixo é ótima. Só que tem 1 minuto de propaganda - maneira que o YouTube achou de ganhar mais dinheiro de quem já paga uma assinatura Premium.





Discografia sugerida


  • Liszt - Piano Works - Em seu segundo disco, toca as difíceis Sonata em Si Menor, a Mephisto Waltz nº 1, o Liebestraum nº 3 e La Lugubre Gondola. Tudo com perfeição e impregnado de uma atmosfera rica e impressionante;

  • Chopin - Works for Piano - Ela toca, além de peças pequenas, a 2ª Sonata para Piano e o 2º Concerto para Piano e Orquestra, com a Orchestre de Paris, regida por Paavo Järvi. Disco de 2012 em que ela mostra toda a poesia que faz vir do seu teclado;

  • Kaleidoscope - De 2016, esse álbum contém apenas 3 peças (todas longas): a versão para piano solo de "Quadros de Uma Exposição", de Modest Mussorgsky, "La Valse", de Maurice Ravel e "3 Movimentos de Petrushka", de Igor Stravinsky;

  • Rachmaninoff - Piano Concertos nos. 2 & 3 - Mais uma vez, Khatia aguça a sua e a nossa expressividade, trazendo a tempestade e as nuvens;

  • Schubert - Também econômico no repertório (é o que cabe num CD), Khatia, aqui, nos traz a Sonata nº 21 e os Impromptus, Op. 90, do alemão Franz Schubert. Com musicalidade e categoria;

  • Labyrinth - Disco muito bom, mas meio bobo. Todo proposto a ser relaxante, é um recital com algumas faixas estragadas, como "Tema de Débora", de Ennio Morricone, "I'm Going to Make a Cake", de Philip Glass e 4'33'', de John Cage. Mas os pontos altos do disco são bem altos: o segundo dos 6 Klavierstücke de Johannes Brahms, "Les Barricade Mystérieuses", de François Couperin e uma interpretação estranha, mas muito musical da "Valsa da Dor", de Heitor Villa-Lobos.


 

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Veja aqui o perfil de Yuja Wang.


E aqui, o de Martha Argerich.


Veja, no link abaixo, uma lista de nossas postagens.



E muito boa tarde!



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