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  • Foto do escritorRafael Torres

Quanto ganha um músico ou maestro de orquestra?

Atualizado: 25 de nov. de 2023

Primeiro, a diferença entre Orquestra Sinfônica e Filarmônica


O nome orquestra vem do grego ὀρχήστρα (orquestra), que era o nome do local, em frente ao palco, nos teatros gregos antigos, reservado ao coro.


Existem alguns tipos de orquestra, dentre eles: a Orquestra Sinfônica, grande, que chega a ter 100 ou mais músicos; a Orquestra de Câmera, que é um bocado menor, geralmente com dois de cada instrumento de sopro e um número também reduzido de cordas; e a Orquestra Barroca, menor ainda, toca com instrumentos feitos no século XVIII ou cópias deles e, obviamente, é especializada em Música Barroca, aventurando-se, vez por outra, no Classicismo.


A mais comum é a Sinfônica, que hoje é definida assim: pelo tamanho. Uma orquestra sinfônica pode se chamar Orquestra Sinfônica ou Orquestra Filarmônica (pode, também, ser uma Orquestra de Ópera). Dá no mesmo. O conjunto escolhe o nome: às vezes já existia uma Sinfônica de Chicago, daí eles têm que optar por Filarmônica de Chicago. Algumas orquestras ignoram essas denominações, como a Orquestra de Cleveland e a Orquestra de Filadélfia. Outras utilizam denominações bem antigas. É o caso da Staatskapelle de Dresden, da Staatskapelle de Berlim etc. Essa denominação vem desde o Barroco, quando o conjunto era dirigido pelo Kapellemeister.


Isso é o que ocorre hoje, porque as orquestras mais antigas, no seu início, se nomeavam de acordo com o modo com que eram financiadas.


Filarmônicas eram patrocinadas por Sociedades Filarmônicas, um grupo de ricaços que, literalmente, doava seu dinheiro para a orquestra.


Sinfônicas eram geralmente patrocinadas pelo governo.


Mas, como eu disse, isso ficou no passado, já que a maioria das orquestras é, hoje, subsidiada por várias fontes, como o governo (seja em forma de patrocínio direto ou de incentivos fiscais), recebendo doações da comunidade e até retirando um lucrozinho extra com venda de CDs, livros, calendários e memorabilia. Evidente que a maioria delas vende ingressos, mas só com isso elas não se pagam.


Orquestra Real  do Concertgebouw, de Amsterdã
Orquestra Real do Concertgebouw, de Amsterdã.

Em termos de organização, as orquestras costumam ter um corpo fixo, de, digamos, 80 músicos, que toca em todos os concertos. Quando são necessários músicos adicionais, eles contratam freelancers. A orquestra tem, por exemplo, 4 Trompas fixas, mas tem partitura que exige até 12. Daí entram os freelancers, que recebem por hora. Isso acontece com outros instrumentos, que não têm necessariamente tocadores especializados na orquestra, como Tuba de Wagner, Teremim, Saxofones e Eufônios.


 

Sim, mas afinal, quanto ganha um músico de orquestra?


A orquestra sinfônica é uma instituição muito organizada, que coordena várias outras instituições, como a Sala de Concerto (joia da arquitetura), os Coros, Quartetos de Cordas, Quintetos de Cordas, Quinteto de Sopros, além de ser responsável por alguns instrumentos - não aqueles dos músicos, que eles que compram, mas aqueles como o piano, por exemplo (algumas salas oferecem 8 modelos de piano para seus solistas convidados), o gigantesco órgão, o cravo, a celesta e muito mais.


Uma orquestra próspera, com as contas acertadinhas, tem possibilidade de pagar exorbitâncias como salário de seus membros.


Mas quanto? Primeiramente dar-lhes-ei o valor do salário médio (de orquestras, obviamente, de grande porte e fama), sem levar em consideração a sessão ou a posição a que um músico pertence.


Uma boa média seria uma que diz que esses músicos ganham cerca de US$ 50.000 por ano. Os músicos mais importantes, como os líderes de sessão, podem chegar a US$ 78.000.


Mas a variação salarial é tão grande, que um músico, especialmente o spalla (o primeiro violinista, que senta logo à esquerda do maestro) de uma orquestra grande, ainda nos EUA, pode ganhar algo próximo a 500 mil dólares por ano.


Uma orquestra celebrada, como a Filarmônica de Los Angeles, paga, ao spalla, US$ 564.237 anuais.


Lembrando que tudo isso vem com plano de saúde, bônus salarial, comissões e, potencialmente, uma participação no lucro de alguns eventos. E que eles ganham, também, por gravação, de modo que, em um mês com muito estúdio, em que eles ganham US$ 69 por hora, o bônus é significativo.


 

E na Europa?


Li, no blog de Norman Lebrecht (link externo), que, em Londres, os músicos nem chegam perto dos valores dos conjuntos americanos, com o mínimo de £ 22 (mas é por hora), a média de £ 46 por hora e o máximo de £ 56 por hora.


Nas super orquestras o caso é mais sério.


Na Orquestra Filarmônica de Viena, o salário médio é de US$ 96.000 por ano. Já na Filarmônica de Berlim, o salário médio é de US$ 128.000 por ano. Na Gewandhaus de Leipzig, os ganhos médios são de US$ 72.000 por ano. Na Orquestra do Concertgebouw de Amsterdã também se paga US$ 72.000 ao ano.


Na insuperável Filarmônica de Berlim, a média salarial é de EUR 114.000 por ano.


 

E no Brasil?


A principal orquestra brasileira, a Orquestra Sinfônica Estadual de São Paulo (OSESP), regida pelo suíço Thierry Fischer, paga, para músicos de tutti, R$ 14.900 por mês. A esses valores são acrescidos benefícios, como 13º salário, 30 dias de férias, FGTS, plano de saúde e vale transporte.


A Orquestra Sinfônica Brasileira, do maestro Pablo Castellar, uma orquestra famosa, mas que tem nos feito ouvir repertório estranho, paga entre R$ 9.000 e R$ 18.000 por mês.


Na Amazonas Filarmônica, fundada pelo sempre guerreiro maestro Júlio Medaglia, oferece-se cerca de R$ 5.500 por mês.


A Orquestra Filarmônica de Goiás (uma excelente orquestra, regida pelo inglês Neil Thomson) paga em torno de R$ 4.000 a R$ 5.000 por mês.


A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que também tem feito um belo trabalho, sob a batuta do paulista Fabio Mechetti, oferece, inicialmente, cerca de R$ 9.000 por mês aos seus músicos.


Todos esses salários estão sujeitos a constantes aumentos. Um músico recém-ingressado na orquestra certamente ganhará mais ao longo de sua carreira.

 

Spallas


Como eu já disse, as orquestras se organizam de forma hierárquica. É regra, por exemplo, o primeiro flautista ganhar mais que os outros flautistas. E esse padrão se repete em todos os naipes.


O único músico de orquestra que ganha substancialmente mais que todos os outros é o spalla (ou concertmaster). O primeiro violino, que senta logo à esquerda do maestro. Vejamos alguns. Os números são por mês (correção apontada pela leitora Clau):


  • Daishin Kashimoto, perdi a fonte de informação sobre todos os salários europeus.

  • Frank Huang, spalla da Filarmônica de Nova Iorque: US$ 52.000;

  • Robert Chen, spalla da Sinfônica de Chicago: $ 44.000;

  • David Kim, spalla da Orquestra de Filadélfia: $ 39.208;

  • Alexander Kerr, spalla da Sinfônica de Dallas: $ 27.500;

  • Emmanuele Baldini, spalla da Sinfônica Estadual de São Paulo: R$ 36.000;

  • Alexander Barantschik, spalla da Sinfônica de San Francisco: $ 49.000;

  • Martin Chalifour, spalla da Filarmônica de Los Angeles: $ 47.019;

  • Malcolm Lowe, spalla da Sinfônica de Boston: $ 42.700.


Percebe-se que o spalla é um músico especial. Isso porque ele deve ser o melhor músico da sessão dos 1os. Violinos, tem uma leitura á primeira vista mais calibrada, aprende música nova com facilidade, tomam decisões que afetam a execução de todas as cordas, elegendo as arcadas (isso, se em certa frase os músicos devem começar subindo ou descendo o arco) e, principalmente, auxilia o maestro, regendo com a cabeça e o movimento do arco a sessão de cordas. Outra coisa que é responsabilidade dele é tocar a parte do Violino Solo, quando a partitura pede.


Ele entra no palco depois do restante da orquestra e a ajuda a afinar.


Deixem-me falar um pouco, ainda, sobre a estrutura da orquestra. Os Violinos 1 têm um líder, que é o spalla. Mas os Violinos 2 também têm seu líder. Ele se chama "Líder dos Segundos Violinos". O mesmo ocorre com as Violas: temos um "Líder das Violas". Nos Violoncelos, o líder também é chamado de "Líder dos Violoncelos". Por fim temos o "Líder dos Contrabaixos".


Nos sopros, por serem sessões menores, nem todo naipe tem um líder. Mas tem as primeiras cadeiras. Lembra que eu falei que o Primeiro Flautista ganha mais que os outros? É porque ele é o líder da sessão de madeiras. Nos metais, o líder é o Primeiro Trompetista.


Os músicos restantes são chamados músicos de tutti. Hierarquicamente, são os que ganham menos.


A organização da orquestra sinfônica
A organização da orquestra sinfônica.

 

O maestro e o spalla
O maestro e o spalla.

Por fim, alguns exemplos de maestros:


Facilmente o maestro ganha 10 vezes mais que o mais bem pago músico da orquestra. Isso não é apenas pela sua técnica e musicalidade. Um maestro da moda tem viabilidade de comercial, carisma e faz boas gravações, de modo que atrai atenção e dinheiro à instituição. Com esses exemplos abaixo dá para se ter uma ideia de quanto ganham os mais famosos. Os salários são por temporada, que acaba sendo o mesmo que por ano.


  • Riccardo Muti, diretor da Sinfônica de Chicago: $3,420,804

  • Gustavo Dudamel, ex-diretor da Filarmônica de Los Angeles: $2,857,103

  • Andris Nelsons, diretor da Sinfônica de Boston: $1,787,000

  • Yannick-Nézet-Séguin, diretor da Orquestra de Filadélfia: $1,672,167


Maestro Ricardo Muti
Maestro Ricardo Muti.


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