• Bruno Bravo

E as vitrolas?

Eles estão nos mais diversos comerciais, filmes, séries e até em novelas. Em pleno 2020, somos bombardeados com imagens de discos e toca-discos quase que diariamente. É até inevitável não despertar, no mínimo, uma boa lembrança, saudosismo ou mesmo curiosidade por parte daqueles que já vivenciaram o auge do vinil, e também pela geração do mp3.


Imaginemos que você está em um supermercado perto da sua casa, de máscara, dando aquela olhada maliciosa na prateleira das cervejas, quando, mais à frente, você se depara com uma vitrolinha igual à que você viu na TV. Precinho bacana e ainda com a opção tentadora de parcelar em até 10x sem juros no cartão. Comprar ou não comprar, eis a treta.


Então você dá uma espiadinha no celular para pesquisar sobre o aparelho em fóruns, sites ou quem sabe alguém próximo que já colecione, mas acabou que mais atrapalhou do que ajudou. E agora? Dá o play aqui que nós vamos te dar essa força para escolher um toca-discos de até R$ 400,00.


Lembrando que a ideia aqui não é entrar em detalhes, mas apenas direcionar vocês a uma boa escolha.


Nessa faixa de valor, vamos te dar duas opções, sem muitas delongas:


A primeira são os aparelhos novos, no formato "maletinha" ou similares, da Raveo, Multilaser, etc. A segunda opção são os usados, mas guerreiros, 3x1, da Nacional, Gradiente, entre várias outras marcas de época.


A primeira pergunta, se não a mais importante que devemos fazer é: você almeja ser DJ? Ou quer iniciar um novo hobby prazeroso e escutar uns bolachões para ter uma experiência sonora, visual, tátil e até olfativa?


Se você escolheu a primeira opção, infelizmente lamentamos informar, mas nessa média de preço fica praticamente impossível operar em algo analógico.


Se pesquisar o assunto na internet, deve ver diversos blogueiros(as), influencers e lojistas condenando os toca-discos novos — erroneamente apelidados de "vinil killers" —, aqueles que encontramos com mais facilidade, como os de formato maleta, ou os que possuem um visual mais vintage.


Eles acabam falando tão mal deles, que provocam um certo pavor e acabam por afastar novos clientes, fazendo que, por muitas vezes, até desistam de iniciar sua coleção.


Geralmente são pessoas elitistas ou lojistas incomodados com a diminuição das vendas dos seus tesouros que são vendidos a preços exorbitantes devido à popularização que esses humildes aparelhos trazem de volta ao mercado do vinil. A bandeira a ser levantada deveria ser do vinil para todos!


Se pretende injetar uma média de suados R$ 400,00, não dê muita importância a nenhuma das pessoas acima, até porque nenhum deles paga as suas contas.


Saiba também que, por esse valor, você não terá nada de muito extraordinário em suas mãos, pois, no mundo do vinil, o céu é o limite, mas terá um aparelho que cumpre bem com sua função e você também desfrutará da alegria e do prazer de escutar bons discos, seja sozinho ou em ótima companhia.


Os dois tipos que te indicamos geralmente são do tipo "belt drive" (significa tração por correia), que é o mais recomendado para uso doméstico. Existem ainda os de "polia" e os "Direct Drives", mas, como falamos acima, os detalhes vão ficar para uma próxima conversa.


A vantagem deles é que você não precisa quebrar a cabeça e o bolso para comprar aparelhos extras, como receivers, pré-amplificadores, equalizadores, etc., ou se preocupar também com potência e impedância em amplificadores e caixas de som para que consiga o seu objetivo, já vem tudo pronto para você. É só ligar e curtir, servindo até de decoração em muitos ambientes de sua casa.


A maioria dos toca-discos novos te entregam 1 ano de garantia e já vem com uma saída auxiliar caso você necessite de um volume maior de som do que o dos alto-falantes já embutidos. Alguns vêm com a função bluetooth, rádio, CD e fitas cassete e também a opção de digitalizar sua coleção em mp3, direto no seu pendrive. Saída para fone de ouvido, caso tenha alguém que se incomode com o barulho do seu novo hobby.


São todos configurados de fábrica, você não vai se preocupar com nada de ajuste. Por serem pequenos, e alguns bivolts, dá pra levar tranquilamente para alguma viagem e ainda

utilizar no seu garimpo de discos por aí.


Por outro lado, como eles não vêm com uma regulagem de peso no braço da agulha e anti-skating, alguns podem vir com a "tracking force" (peso que a agulha exerce sobre o disco) fixa um pouco elevada, o que pode vir a causar algum tipo de dano ao vinil em longo prazo.


— Como assim, vai estragar meu disco?


TODO aparelho, tendo regulagem ou não, vai acarretar em um atrito entre a agulha e o vinil, que chega a altas temperaturas. Então, independente disso, irá ocorrer o desgaste. A questão é o tempo, uns vão degastar mais rápido, outros vão demorar um pouco mais.


Vamos ilustrar uma situação:


Suponhamos que você compre um disco por R$ 10,00 em uma feira ou em uma loja qualquer, e que, escutando várias e várias vezes este disco por cinco anos ou mais, você venha a causar algum dano que prejudique a audição dele. Creio que seus R$ 10,00 foram um ótimo investimento durante esses anos, não?! Afinal, poucos são os entretenimentos pagos que se aproveite tanto por tanto tempo.



As vantagens dos usados, logicamente com a exceção da garantia e do bluetooth (risos), são muito similares aos novos. Os problemas dos usados vão desde o risco de ser enganado pelo suposto vendedor (NUNCA compre algo usado sem antes testar) ou mesmo o azar de um bom aparelho que foi usado por anos sem nenhum dano vir a pifar na sua mão, indo até a dificuldade em achar mão de obra para fazer a devida manutenção ou reparo. Existem cidades que praticamente não têm ninguém que ofereça o serviço, imagine você o dilema que seria para uma simples reposição de peças!


Você irá encontrar os modelos antigos em algumas lojas especializadas, feiras e também em sites de compra e venda.


Espero ter ajudado, um abraSom.



BRUNO BRAVO tem 33 anos.



Técnico em Áudio e Produtor Fonográfico. (IATEC) CEO na 8 Polegadas Record Shop.


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