• Nílbio Thé e Kerla Alencar

A redescoberta da cozinha

Colaboração: Marise Rocha Lima Thé


Nós seres humanos somos muito diferentes uns dos outros. Mas é importante a gente pensar que, apesar de todas as diferenças que temos, carregamos ainda mais coisas em comum do que


pensamos. Inclusive com outros seres vivos, como por exemplo o fato de que precisamos nos alimentar. É algo fisiológico. Agora, como preparamos esse alimento, aí vêm uma série de questões culturais que envolvem, sobretudo, o lugar e a época em que estamos.



Atualmente, com o isolamento social (que também é algo totalmente relacionado com o nosso lugar e a nossa época) ao qual estamos submetidos, aparentemente muita gente descobriu e redescobriu a culinária. Cozinhar é algo que nos beneficia de inúmeras formas, afeando tanto nossa saúde mental, como física.


De acordo com uma pesquisa feita pela consultoria em alimentação fora do lar Galunion, em parceria com o Instituto Qualibest (e que pode ser consultada nesta matéria aqui), mais de 90% dos brasileiros estão cozinhando suas próprias refeiçõs durante o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19.


Ainda também de acordo com outra pesquisa realizada em 13 cidades brasileiras e comentada pela famosa escritora e apresentadora de culinária Rita Lobo (que pode ser conferida neste outro link ), 61% dos entrevistados aprendeu a cozinhar (ou aperfeiçoou suas técnicas culinárias) durante o período. Ainda de acordo com a pesquisa, cerca de 90% dos entrevistados pretende continuar fazendo refeições em casa.


Do ponto de vista psicológico, cozinhar enquanto se está trancafiado em casa é uma forma de matar o tempo, aprender, experimentar e ainda ser produtivo sem perceber que está sendo produtivo, ou seja: é um ótimo hobby. Aliás, esse foi um dos pontos comentados por Rita, porque cozinhar exige concentração, afinal estamos lidando com fogo e objetos cortantes. Então você acaba esquecendo um pouco do caos provocado pela pandemia dentro do microcosmos da cozinha.


Em termos de saúde física, o ato de cozinhar promove um distanciamento dos alimentos prontos ou semi-prontos, enlatados e ultra-processados e faz com que a gente, naturalmente, desenvolva uma atenção maior ao que estamos colocando dentro de nosso corpo.


É claro que ela também pode ser estressante, sobretudo quando temos que cozinhar para outras pessoas (que muitas vezes têm gostos diferentes dos nossos, como as crianças) e quando não dispomos de oportunidade de planejamento de nosso tempo de atividade na cozinha.


Então, alguns fatores podem ajudar se levados em consideração e que podem ajudar a cozinhar tanto para si como para uma família:


1. Ordem: A gente acha que não pode ter tempo de planejamento. Mas tem. Justamente porque quando planejamos, aparece tempo pra um monte de coisa. Então, planejar na cozinha pode ser pensar antecipadamente um cardápio pra semana, que seja funcional (alimente), gostoso e prático.


Por exemplo, designar o dia de cozinhar as bases da semana toda, como o arroz e o feijão; planejar antecipadamente quais serão as proteínas e já as deixar temperadas. Folhas, verduras e legumes já devidamente lavados. Deste modo deixamos para preparar no dia por completo somente as saladas, as folhas, e etc.


2. Utensílios corretos: Outra coisa importante também é ter os utensílios corretos, por exemplo: boas panelas e do tamanho adequado, depósitos de armazenamento com boa vedação, além de geladeira e freezer condizentes com o tamanho da casa.


3. Entender as bases da cozinha: Conhecer os alimentos importanes (pra isso, é legal consultar o Guia Alimentar para a População Brasileira que, aliás, está sob ataque); saber como cozinhar grãos e proteínas (e para quem não sabe ou não conhece o guia, não se preocupe porque a gente vai falar detalhadamente sobre ele em breve aqui nessa mesma coluna. Mas enquanto isso, você pode baixar aqui).


4. Entender os gostos da familia, mas procurar um denominador comum, ou seja, desencucar de querer fazer a comida que cada um gosta. Seria conscientizar as pessoas ao seu redor de como é importante conciliar o momento da refeição, inclusive, pra passar a comer com variedade.


5. Participação: Por ultimo, talvez, é envolver os membros da familia no preparo das refeições e na manutenção da limpeza da cozinha.


E por fim lembramos que dicas são dicas, não regras inflexíveis ou imposições ortodoxas fortes, o essencial é fazer apenas o que conseguir e dar sempre o seu melhor. É tentar tomar consciência do que e como estamos comendo, valorizar o esforço necesário para que o alimento chegue ao nosso prato e sermos dignos dele, comendo sem avidez e, claro, aproveitando ao máximo os momentos ao redor da mesa como fonte de bem-estar e felicidade, porque como diria o grande poeta Odair José em sua emblemática canção A Noite mais Linda do Mundo: a "Felicidade não existe. O que existe na vida são momentos felizes", boa alimentação!




Kerla Alencar

Puro charme. Padeira, jornalista, cozinheira e mulher. Seu maior sonho é a paz mundial, mas só depois de matar os fascistas de raiva.












Nílbio Thé

Editor do site.

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