• Rafael Torres

O Mistério do Trágico Incidente Dyatlov



A Terra tem muitos mistérios. A começar pelo fato de ser esférica. Não, isso não é mistério. Mistério é ter gente que acha que ela é plana. Outro mistério: como foi que o mundo se tornou tão intolerante? Se reduzíssemos a humanidade ao ideal de certas pessoas, só haveria: homens, loiros, altos, héteros (sei lá como, pois não existiriam mulheres), armados e com camisa xadrez. E nenhum deles poderia pilotar um avião. Não acho sustentável.


Tá bom, estou pensando alto. O que eu quero falar aqui é daquele que me parece um dos maiores mistérios da história. O Incidente Dyatlov. Eu tive minha fase, quando a internet era mais incipiente, de bancar o detetive e buscar respostas ou conjecturas sobre grandes enigmas. Não tenho mais, a maioria parece bobagem. O Mary Celeste, por exemplo: deve ter sido uma tempestade, ou então o capitão pirou e matou todo mundo. Ou acharam uma ilha tão bonita que quiseram ficar lá. Amelia Earhart tenho quase certeza que caiu. Mas o Incidente Dyatlov é o diacho. Simplesmente não tem explicação. Vamos do início.


Em 1959, na Rússia, um grupo de 10 esquiadores e esquiadoras, liderados por Igor Dyatlov, partiu em uma expedição pelos montes Urais. Eles queriam chegar ao monte Otorten, a 10 Km de onde partiram. Um dos esquiadores ficou doente e voltou, restando apenas 9. O grupo estava animado. A trilha era difícil, mas todos eles tinham experiência. No dia 1º de fevereiro eles acamparam numa passagem conhecida como Kholat Syakhl, que significa Montanha dos Mortos na língua Mansi, do povo local. Hoje o lugar é conhecido como Passagem Dyatlov.


Até quando acamparam, tudo estava bem, os diários e fotografias nos certificam disso. Mas de madrugada alguma coisa aconteceu. Alguma coisa fez aqueles 9 jovens abandonarem o calor de suas barracas e irem procurar refúgio na floresta, há cerca de 1.500 metros da clareira onde estavam.


Eles saíram da barraca, não pela porta, mas por um corte feito à faca no pano. Alguns saíram de meia, outros com apenas um sapato e outros, ainda, descalços. O frio era congelante, cerca de -30º C. As pegadas indicam que eles não estavam correndo em desespero, mas que saíram ordenadamente. Todos foram encontrados mortos nos mais diversos lugares. Alguns fizeram uma fogueira sob as árvores, mas morreram de frio mesmo assim (estavam só com a roupa de baixo), outros caíram de uma ravina, outros morreram de hipotermia ao tentarem voltar para a barraca.


Uma delas tinha a língua decepada e estava sem os olhos (dizem que pode ter sido algum animal ou até mesmo o frio, mas muitos questionam essas teorias). Outro tinha levado uma pancada no peito comparável à de um atropelamento. Outro estava sem a orelha!


Na árvore, os galhos tinham sido quebrados até 5 metros de altura, dando a entender que alguém tinha subido pra olhar a barraca.



A investigação subsequente demonstrou que: três morreram de ferimentos ou pancadas e seis de hipotermia; a possibilidade de avalanche era baixíssima (era uma passagem relativamente plana e o grupo saberia onde acampar para fugir da possibilidade de uma); eles não foram atacados pelos Mansi e nem por algum animal selvagem, pois não havia pegadas que o indicassem; havia radiação nas roupas deles; a pancada em um dos rapazes foi fatal e tem uma particularidade: não pode ter sido causada por alguma criatura, pois não havia dano na pele dele, o ferimento era interno! Durante o funeral, as pessoas notaram que eles todos tinham um bronzeado laranja bem forte.


A pergunta não é nada sobrenatural. Na verdade, é bem simples: por que 9 jovens abandonam a aparente segurança de uma barraca, alguns só de cueca, e não voltam posteriormente pra ela? O que houve naquela tenda?


A cada década surge uma nova teoria, recebida sem entusiasmo: nenhuma conseguiu explicar cada um dos aspectos do Incidente Dyatlov.


Pra completar, você vai achar que estou brincando, mas duas outras expedições em locais próximos revelaram ter visto OVNIs (OVNI não quer dizer Disco Voador, mas simplesmente um objeto voador não identificado) verdes sobrevoando o local.


Pronto, mais um mistério para a história do nosso planetinha redondo. Para esse, duvido que você encontre resposta. Eu fico arrepiado pensando se eles ouviram algum rugido assombroso, se tiveram um acesso de loucura coletivo, se houve um vento sobrenatural, um barulho subgrave... Recentemente deram novo "veredicto": houve uma avalanche, fugiram da tenda, uns morreram de hipotermia, outros de uma queda. Ponto. Só que isso está longe de ser satisfatório. Por que correram pra tão longe? Por que ao menos não agarraram umas roupas (enquanto várias pessoas saem por um buraco na sua frente dá tempo de você puxar sua mochila)? Como não havia sinal de avalanche? Os investigadores da época descrevem com clareza as pegadas que saíam do acampamento...


Editado em 26.09.2020


Algumas teorias e por que elas não funcionam.


1. Avalanche – é tentador acreditar que tenha sido uma simples avalanche, mas não havia sinal de deslizamento no local. A barraca ainda estava levantada, apoiada em pás de esqui, também ainda em pé. A neve que cobria parte da tenda tinha caído de cima, temos que lembrar que se passaram 20 dias até que eles fossem descobertos.


2. Assalto – os oficiais foram bem claros: havia 8 ou 9 pares de pegadas saindo da tenda, não mais. Além disso, por que eles teriam feito um corte lateral na tenda, em vez de sair pela entrada?


3. Ataque pelos Mansi – homens Mansi foram torturados pelas autoridades, segundo alguns documentários. Mas mesmo sob tortura a história que eles contavam era que tinham encontrado os esquiadores quando eles iam entrar na montanha, e os alertaram para que não fossem por ali. Era a Montanha dos Mortos. As histórias dizem que tinha esse nome porque os Mansi não encontravam nada pra caçar naquela região (a tradução pode ser "Montanha dos Mortos", mas também pode ser "Montanha Estéril"). Há, ainda, a lenda de 9 Mansi que teriam morrido no lugar.


4. Um som subgrave que eles teriam confundido com uma avalanche se aproximando – um infrassom, de alguma natureza, os teria posto em desespero. Mas não explica por que eles saíram “de maneira organizada” e nem sequer pegaram alguma mochila. Além do mais, na direção em que andaram, jamais teriam conseguido correr do que pensavam ser uma avalanche por 1.5 km.


5. Vento catabático – é um vento que vem encosta abaixo, carregando um ar de alta densidade, mas esse vento teria derrubado a barraca.


6. Ieti – não preciso falar sobre Ieti, mas vou. Defensores dessa teoria sustentam que havia pegadas enormes no local, mas as autoridades não documentaram. Além disso, em uma das últimas páginas do diário do grupo, que era todo escrito de forma irônica e brincalhona, eles escreveram “agora sabemos que o homem das neves é real”... Tá. Então o monstro os teria atacado e perseguido por mais de 1 km e depois matado um por um só por matar? Ou então teria sido responsável pela saída deles da tenda e dado uns golpes em alguns e, posteriormente, eles, não conseguindo voltar ao acampamento, teriam morrido de hipotermia? Amigo, se você quer acreditar nisso, vá em frente.


7. Testes nucleares – talvez alguma arma nuclear tenha atordoado o grupo, com um calor e uma radiação absurdas. O problema é que haveria marcas, pistas dessa detonação. E a barraca não estaria íntegra.


Pontos a se observar.


- A maioria deles tinha alguma pancada muito violenta. Pode ser que quatro deles tenham caído de uma boa altura, mas e os outros cinco?

- Um deles morreu com um papel numa mão e uma caneta na outra, como se estivesse prestes a escrever algo.

- A causa oficial da morte, na investigação de 1959, foi “mortos por uma força desconhecida”.

- A entrada da barraca não tinha zíper, mas botões, o que, pela demora de desabotoar, poderia ter levado o pessoal a fazer um corte na lateral da tenda.

- Alpinistas e trilhadores de caminhos muito gelados não tiram as roupas de frio nem pra dormir, principalmente quando lá fora está fazendo –30º.

- Uma das câmeras do grupo nunca foi encontrada (oficialmente).

- Um dos diários também não.

- Um puttee, ou obmotki, que é uma espécie de bota que militares usavam, foi encontrado perto dos corpos. Não pertencia a nenhum deles, segundo parentes e o amigo que faria a viagem com eles, mas teve que voltar.

- Eles não pegaram roupa, mas tiveram tempo de pegar uma câmera e uma lanterna.

- Um dos membros, Semen Zolotarev (37), que era bem mais velho que os outros (todos no começo da casa dos 20), se apresentou ao grupo como Alexander. Tinha tatuagens misteriosas, algumas com referências militares, outras que não se sabe o que significavam. Nem sua família (pais e outros parentes, já que ele nunca casou nem teve filhos) sabia que ele tinha tatuagens. Há quem especule que fosse um espião. Inclusive, seu corpo foi enterrado em um cemitério separado e fechado.

- A radiação encontrada nas roupas deles era muito maior do que o esperado de quem trabalha em laboratórios.

- Quanto mais você investiga, mais esquisito fica.


Comente aí o que você acha. Que tipo de desespero os teria tirado da tenda com tanta pressa?


Um memorial foi erguido no cemitério de Ecaterimburgo em homenagem aos 9 esquiadores.

Leia mais:

https://dyatlovpass.com/controversy

https://pt.wikipedia.org/wiki/Incidente_do_Passo_Dyatlov

https://ermakvagus.com/Europe/Russia/Cholat-%20Syachil/Kholat%20Syakhl.htm

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